terça-feira, 26 de setembro de 2017

Onde Está o Teu Coração?


Antigamente eu achava que nós não tínhamos nenhum controle sobre o nosso coração e, portanto, teríamos que segui-lo ou contê-lo dependendo do que ele (o coração) estivesse querendo fazer. No entanto, após muitos anos meditando na Palavra de Deus, e especificamente após receber um ensino de Andrew Wommack chamado "How to Prepare Your Heart" (Como Preparar o Seu Coração), eu aprendi que o coração não é assim tão aleatório. É possível nós controlarmos nosso coração. Vamos aprender um pouco sobre isso.

Enganoso é o Coração...

Antes de prosseguir, quero comentar rapidamente sobre o versículo abaixo:
"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:9)
Sem a presença de Deus dentro de si, o homem se tornou maligno, e o seu coração se tornou obscuro, e perverso. Para resolver este problema, Deus enviou seu Filho Jesus que morreu na cruz em nosso lugar e permitiu o milagre do "novo nascimento" falado por Jesus em João 3:3.

Agora, se você é cristão "nascido de novo" pela fé em Jesus Cristo, você desfruta de um novo coração!
"E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne." (Ezequiel 36:26)
Desta forma, com este novo coração, podemos, de forma gradativa, nos tornar mais e mais semelhantes a Cristo, voltando a ser imagens de Deus na terra.

Pois bem, como fazer para conduzirmos nosso coração por este novo caminho de vida junto a Deus? Vamos responder a esta pergunta hoje!

Onde está o nosso tesouro?

Vamos ver o que o nosso Mestre Jesus nos ensina sobre esta coisa de tesouro:
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração."
(Mateus 6:19-21)
Será que Jesus não quer que a gente tenha nada de valor neste mundo? Creio que não, pois Ele mesmo falou que se pedíssimos bens ao Pai, Ele nos daria (Mateus 7:11). Mas o que o Senhor está ensinado aqui é sobre como colocar nosso coração nas coisas certas.

Todos temos muitos desejos, pois somos bombardeados, desde criança, com toda sorte de produtos e ideias sobre o que comprar, o que ser quando crescer, etc. Assim, tendo em vista que recebemos todo tipo de semente (informações), nosso coração irá produzir todo tipo de desejo.

No entanto, não são os desejos que surgem em nosso coração que determinam o que é mais valioso para nós. O que determina o que realmente tem valor para nós é o quanto de esforço, tempo e dinheiro nós investimos naquilo!

Vou te dar alguns exemplos:

Vamos imaginar um menino que gosta muito de brincar com carros. Quando este menino cresce e vira um homem, ele não tem muita condição financeira, então, só possui um único carro. Mas Deus o faz prosperar e ele começa a investir este dinheiro, bem como tempo, em adquirir carros antigos e alimentar este "sonho de infância".

Bem, o coração deste homem começará a dar muito valor aos seus carros. Este será o seu tesouro! O seu coração estará nesses carros, ele os amará e sofrerá muito caso perca o seu "tesouro".

Agora, digamos que outra pessoa valorize muito os estudos, ela se dedica horas por dia para crescer na área acadêmica, boa parte do seu tempo é dedicado a isto, ela praticamente não tem muito tempo disponível para outras coisas. Advinhe o que será o seu tesouro?

Desta forma, tudo aquilo em que nós investimos tempo, esforço e, principalmente, dinheiro será o nosso tesouro, pois nosso coração será colocado em tais coisas.

Podemos Mudar o Nosso Coração?

De acordo com Jesus, a resposta é sim! Podemos mudar o foco do nosso coração. Para isso, basta dedicarmos tempo, esforço e dinheiro nas coisas corretas. Veja que Jesus orienta que:
"Não ajunteis tesouros na terra...Mas ajuntai tesouros no céu..." (Mateus 6:19-20)
Veja que depende de nossa atitude, nosso investimento. Você precisa parar de dedicar seu tempo/esforço/finanças às coisas mudanas. Ao mesmo tempo, investir tempo/esforço/finanças nas coisas do Reino de Deus. Seu coração irá seguir isso!

Medite um pouco sobre onde você gasta a maior parte da sua renda? Em quê você dedica mais tempo? No quê você dá o seu melhor? Nas coisas do mundo ou nas coisas do Reino de Deus?

Não se conforme com este mundo, pois tem valores totalmente invertidos dos valores de Deus. Jesus tem uma promessa maravilhosa para nós:
"Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33)
Nosso Pai Celestial nos promete que, se O pusermos como prioridade em nossas vidas, Ele mesmo se responsabilizará por cuidar de nossas necessidades materiais.

No entanto, esta prioridade não pode ser apenas "de boca", mas em atitudes e em sinceridade.

Que a graça do nosso Senhor Jesus Cristo seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Propósitos da Oração 2 - O Muito Falar


Talvez uma das áreas onde mais encontremos distorções no que diz respeito à vida cristã é exatamente na área de oração. Oração é algo muito bom, mas nem toda oração é agradável a Deus. Jesus falou algo muito importante sobre o real propósito de se orar...
"E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois GOSTAM DE ORAR..." (Mateus 6:5)
Se interrompermos o versículo aqui, notaremos que o que Jesus falou contradiz o que muitos cristãos pensam sobre oração, pois Jesus afirma que os hipócritas "gostam de orar"!

Nossa ideia é que, se alguém ora muito, significa que ela é uma pessoa espiritual, porém, não é bem assim. Se observarmos as religiões que existem no mundo, acredito que praticamente todas possuem alguma forma de oração. Inclusive, há religiões que são bem mais rígidas no que diz respeito a orações, como, por exemplo, o islamismo.

No entanto, nós que conhecemos a Jesus Cristo, sabemos que Deus não ouve tais orações, pois o Pai estabeleceu um Caminho para Ele mesmo: Seu Filho Jesus. Se continuarmos a ler o versículo que citei anteriormente, veremos que os hipócritas religiosos gostavam de orar, porém com a motivação errada:
"...pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, PARA SEREM VISTOS PELOS HOMENS." (Mateus 6:5)
E esta é a única recompensa que recebem, ou seja: ser visto pelos homens (mas não por Deus)!

A MOTIVAÇÃO CORRETA DA ORAÇÃO


Como vimos na parte 1 deste estudo, a nossa motivação deve ser desenvolver um relacionamento pessoal com o Pai, pois para isso mesmo foi que Jesus veio ao mundo, para "trazer muitos filhos à glória" (Hb 2:10). Assim, Jesus nos orienta a fazer de nossas orações um momento íntimo com nosso Pai:
"Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará." (Mt 6:6)
Muitos religiosos vêem na oração algo do qual eles podem se exaltar sobre os outros, ou seja, chamam atenção para si mesmos para quererem se mostrar como pessoas mais espirituais:
"O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano." (Lc 18:11)
Soa até engraçado, para não dizer trágico, ouvir certas pessoas orando, pois alteram a voz e passam a usar um vocabulário estilo "bíblico", com palavras antigas e difícies, palavras que elas nem usariam em uma conversa, digamos, "normal". Eu sei do que estou falando, pois já fiz isso também!

Nossa oração irá refletir nosso relacionamento com Deus. Se Deus for alguém "distante", nossas palavras soarão artificiais; se for um relacionamento "pai e filho", elas vão demonstrar intimidade, respeito e amor.

O Pai não precisa que você fale com "palavras bonitas", usando um português antigo, ou que você altere sua voz para parecer mais bela. Não, Ele deseja que você abra seu coração, que busque conhecê-lo e servi-lo por amor (o amor virá quando você O conhecer verdadeiramente). O Pai deseja um relacionamento "Pai-filho" com você!

O MUITO FALAR


Um mito muito sério que foi introduzido na igreja é que para que Deus nos escute é necessário "orar muito" sobre alguma coisa.

Eu já cansei de ouvir esta frase de pessoas que vêm me pedir oração, e dizem que estão passando por um problema muito sério, e é necessário "orar muito", e insistem comigo para que eu "ore muito" por elas.

Sinceramente, eu tenho muitos motivos para orar, e se eu realmente fosse "orar muito" por cada pessoa que me pede isso, teria que parar de trabalhar, pastorear, não teria mais tempo pra minha família, etc.

Este princípio de que precisamos "falar muito" para sermos ouvidos por Deus é um princípio "pagão" e não cristão. Antes de mais nada, Jesus disse que os gentios é que:
"...pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos." (Mateus 6:7)
E logo depois, Jesus fala "Não sejam iguais a eles!" (Mt 6:8). Os "gentios" (ou "pagãos") são exatamente aqueles que não têm aliança nem relacionamento com o Pai, e portanto, não compreendem a Deus, nem sabem orar da forma correta.

Tenho certeza que por maiores problemas que você possa ter, nenhum se compara à morte. E imagine estar morto por 4 dias! Este era o problema que Lázaro, amigo de Jesus, estava passando (João 11). Jesus orou por Lázaro, pra o tirar desse "problema". Vejamos a oração que Ele fez:
"Pai, graças te dou, porque me ouviste." (João 11:41)
Depois disso, Jesus dá uma ordem a Lázaro (Jesus aqui não faz uma oração ao Pai).

Em muitos outros momentos, vemos Jesus fazer orações bem curtas e prontamente ser ouvido. Em diversos outros, Jesus simplesmente dava uma ordem e a doença era curada, ou a necessidade suprida.

Essas mesmas pessoas que me pedem que "ore muito" por elas, em geral, têm muita dificuldade em receber alguma coisa de Deus. Vamos tratar disso ao longo desses estudos, mas por ora, ficamos com esta grande verdade: Deus não precisa que você fale muito, pois Ele sabe o que você precisa antes mesmo de você falar.
"E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem." (Mateus 6:7,8)

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Oração não é tentar convencer a Deus a te abençoar, mas sim ter comunhão com teu Pai Celestial, que te ama e tem todo o prazer em te ver bem.
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RESUMINDO


  • Os hipócritas e religiosos também oram, e gostam de orar.
  • Há uma motivação correta para se orar, e é ter comunhão com o Pai e com Seu Filho Jesus.
  • Orar muito para "forçar" Deus a atender os seus pedidos não é um princípio bíblico.


VÍDEO

Veja um vídeo que cobre este assunto:

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Propósitos da Oração 1 - Comunhão


Nesta nova série de estudos, pretendo ensinar sobre os propósitos da oração de acordo com as Escrituras, usando também minha própria experiência, além do que tenho recebido através de outros filhos de Deus ao longo desses anos servindo ao Senhor.

Sei que o que vou ministrar não é toda a verdade sobre o assunto, mas oro para que o Pai use esses ensinamentos pra que você possa ser edificado um pouco mais nesta área da oração.

Além de ministrar sobre os propósitos da oração propriamente ditos, importa também desfazer muitas das coisas que vem sendo ensinadas na igreja sobre oração mas que não são verdadeiras. Ao longo dos anos, tenho ouvido e lido muitas distorções que têm sido ensinadas como sendo coisas muito espirituais, sendo que, na verdade, não passam de religiosidade, condenção e até mesmo sincretismo religioso que penetrou na igreja devido à falta de conhecimento das Escrituras e do poder de Deus…
“...Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mateus 22:29)
Continue comigo e cresça em comunhão com o seu Pai Celestial!

COMUNHÃO COM O PAI: NOSSO GRANDE ALVO

Você já imaginou como eram as “orações” de Adão antes do pecado? Já que não haviam doenças, necessidades, tentações, etc. não havia muito o que pedir a Deus, exceto, talvez, conhecimento e sabedoria. No entanto, a Bíblia mostra que o Senhor passeava pelo Jardim do Éden todos os dias e tinha comunhão com o homem. Como seria esta comunhão? Sobre o quê conversavam?

Em Gênesis 2:19, a Escritura mostra que o Senhor trouxe a Adão todos os animais do campo e as aves para que este lhes desse nomes. Acredito que isso levou bastante tempo, e, enquanto Adão nomeava os bichos, ele conversava com seu Pai.

Antes de pensarmos em oração como um momento em que eu vou “descarregar” sobre Deus todos os meus pedidos, eu devo entender que Ele deseja de mim simplesmente um relacionamento Pai e filho.
"Vocês, orem assim: Pai nosso..." (Mateus 6:9)
Jesus, ao longo do capítulo 6 de Mateus, por diversas vezes, enfatiza que Deus é nosso “Pai”, e chama atenção para que nosso relacionamento com Ele seja um entre “pai e filho”.

No início da minha fé, eu tive muita dificuldade em enxergar Deus como um “pai”, pois não tive um relacionamento muito íntimo com meu pai físico. Além disso, como meus pais se divorciaram quando eu era adolescente, e ele foi morar com sua segunda esposa em uma outra cidade, fiquei sem um referencial de um bom pai presente.

Inclusive, é fácil observar como o diabo tem lutado para tirar os homens de dentro de suas casas, destruindo a família, e provocando tantos males na sociedade. Sem um referencial de pai, os homens facilmente são levados pela irresponsabilidade, criminalidade, drogas, falta de compromisso com a família, etc. Isso ocorre exatamente porque os filhos perdem a imagem de um verdadeiro pai.

O próprio Jesus chamava Deus Pai como “aba” (Marcos 14:36), que significa “pai”, porém, se fôssemos traduzir o verdadeiro sentido desta palavra para os dias de hoje, a melhor tradução seria: “papai” ou, como meus filhos me chamam: “painho”.

Não é uma coincidência que Jesus nos trouxe a revelação de que Deus é um “pai”. Aliás, poucas vezes, Jesus chamou Deus de “Deus”, pois, em geral, Jesus O chamava de “Pai”. Esta é a melhor palavra para descrevê-lo, pois Ele é o Criador de todas as coisas, e portanto, é o nosso Pai verdadeiramente.

CRISTO NOS RESTAURA À POSIÇÃO PERDIDA DE FILHOS

O verdadeiro caráter de Deus não foi revelado pela Lei de Moisés ou pelo Velho Testamento, pois “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (João 1:17). Desta forma, olhando para a Velha Aliança, temos apenas uma “sombra” da realidade. Mas Cristo nos traz a real imagem das coisas (Hebreus 10:1), e nos permite conhecer ao Pai de forma íntima.
"E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai." (Gálatas 4:6)
Ao crermos no Senhor Jesus Cristo, somos reintegrados ao Reino de Deus, o qual Adão perdeu pelo seu pecado, e o Pai nos recebe de braços abertos, sem nos condenar, para um relacionamento conosco. Não há nada mais maravilhoso que conhecer o Pai e o Filho, e, de fato, isto é a vida eterna:
"E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3)
No conhecido versículo de João 3:16, vemos que o grande propósito que trouxe Jesus para morrer por nós não foi apenas perdoar os nossos pecados...
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16)
Se você ler direitinho, verá que o perdão dos pecados não é o objetivo final, mas sim nos dar a “vida eterna”. Somos livrados da morte para que tenhamos “a vida eterna”. E, como vimos no versículo anterior, a vida eterna é conhecer verdadeiramente o Pai e Jesus Cristo.

À medida em que conhecemos ao nosso Pai, somos transformados por Sua luz, pois esta luz ilumina nosso entendimento e podemos vê-lo como Ele realmente é. À medida em que O conhecemos, nossas orações vão sendo transformadas em momentos prazerosos com nosso o Papai.

EM RESUMO

  • O grande propósito da oração não é apenas “pedir, pedir”, mas sim ter comunhão com nosso Pai Celestial.
  • Jesus nos permite voltar a ser filhos de Deus, abrindo, assim, a porta para um relacionamento entre o Pai e Seus filhos.
  • A vida eterna é conhecer ao Pai e a Seu Filho Jesus Cristo e desfrutar de um relacionamento com Eles.

VÍDEO

Veja um vídeo com este mesmo assunto em nosso canal no YouTube:




Que a paz de Jesus Cristo seja com a sua vida. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 10

A Lei de Moisés


Na parte 8 desta série de textos, vimos que Deus abençoou a terra, permitindo que a humanidade continuasse a viver nela a despeito do fato do homem ser pecador e "a imaginação do coração do homem ser má desde a sua meninice" (Gênesis 8:21). No entanto, como as obras humanas eram más, não havia como Deus salvar o homem tendo por base as obras dele.

Desta forma, Deus anuncia a "salvação pela fé" para Abraão, conforme falei na parte 9 da série. Assim, Deus tornaria o homem justo, independentemente das obras, e esta boa notícia é mostrada no versículo abaixo:
"E creu ele [Abraão] no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça." (Gênesis 15:6)
No entanto, entre Abraão e Jesus, Deus enviou uma lei: a Lei de Moisés! Nela, vemos um Deus extremamente rigoroso com o pecado, punindo-o severamente com a morte em muitos casos. Aparentemente, Deus deixou de ser paciente com o homem e passou a punir os pecados com rigor, além de exigir todo tipo de sacrifício e reparações por cada ato pecaminoso cometido.

Teria Deus mudado de ideia?

Neste momento, vamos começar a compreender o porquê da Lei de Moisés e sua dureza contra o pecado. Continue conosco.

A Dureza do Coração do Homem


Quando eu lia o Velho Testamento, ficava espantado com a violência que há ali. Tanto os homens cometiam atos que seriam impensáveis nos dias de hoje, como via um Deus irado e pronto a punir com a morte infrações que eu achava serem de menor gravidade. Um bom exemplo é o caso de um homem que foi condenado ao apedrejamento após ser pego apanhando lenha num dia de sábado (Números 15:32-36).

Para mim, aquilo parecia um livro de ficção, e não conseguia fazer o vínculo de certas partes do Velho Testamento com o Deus de amor mostrado no Novo Testamento.

Antes de mais nada, é fundamental compreender a situação do coração do homem naquele momento. Quando Jesus explicava o porquê de Deus haver permitido o divórcio durante a Lei de Moisés, Ele falou:
"Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim." (Mateus 19:8)
Jesus explicou que a Lei permitiu um homem repudir sua mulher pelo fato do seu coração ser tão duro que de nada adiantaria Deus ordenar ao homem permanecer casado até o fim da vida, pois o homem não conseguiria manter isso. No entanto, Jesus deixou claro que antes do pecado, não era assim.

Isto mostra que, quando Deus trouxe a Lei de Moisés, o homem estava com o coração tão endurecido e afastado de Deus que havia perdido a noção de bem e mal (veremos mais detalhes a frente).

Portanto, podemos dizer que a Lei foi dada por causa da dureza do coração do homem, e não por causa da dureza do coração de Deus! Vamos examinar um pouco dos costumes da época na qual a Lei foi dada e você poderá compreender melhor esta minha alegação.

Agora, vamos examinar alguns dos costumes que haviam na época de Moisés e que Deus quis combater através da Lei.

Características das culturas na época da Lei


Área Sexual


O livro de Levítico, em seu capítulo 18 traz diversos mandamentos que visavam purificar o povo de Israel dos pecados na área sexual. Aquela nação havia saído do Egito onde aprendeu diversos costumes malignos. O povo se dirigia à Canaã, terra onde também predominavam as perversões sexuais. Deus os adverte:
"Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos levo..." (Levítico 18:3)
Agora, vamos ver algumas dessas "obras" que ocorriam, naturalmente, no mundo da época:

1) Relações sexuais com parentes próximos, tais como pai com filha, irmão com irmã, entre avô e neto (a), etc.:
"Não desonre o seu pai, envolvendo-se sexualmente com a sua mãe. Ela é sua mãe; não se envolva sexualmente com ela.
Não se envolva sexualmente com a mulher do seu pai; isso desonraria seu pai.
Não se envolva sexualmente com a sua irmã, filha do seu pai ou da sua mãe, tenha ela nascido na mesma casa ou em outro lugar."
(Levítico 18:7-9)
No restante do capítulo, há ainda práticas sexuais comuns à época, tais como:
  • Sexo durante o período menstrual (verso 19)
  • Adultério (verso 20)
  • Homossexualidade (verso 22)
  • Bestialidade, que é sexo com animais (verso 23)

Estas práticas eram comuns nas nações da época e trazia grande contaminação perante o Senhor:
"Com nenhuma destas coisas vos contamineis; porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu expulso de diante de vós.
Por isso a terra está contaminada; e eu visito a sua iniqüidade, e a terra vomita os seus moradores." (Levítico 18:24,25)

Na prática religiosa


Algo que hoje em dia é praticamente impensável, naquela época, era comum: oferecer os próprios filhos como sacrifício aos deuses. As crianças morriam queimadas no fogo, em grande sofrimento.

Deus deu ordens para que o Seu povo não cometesse tais atrocidades:
"E da tua descendência não darás nenhum para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor." (Levítico 18:21)
No entanto, apesar da proibição da Lei, essa prática demoníaca foi observada por alguns dos reis de Israel, tal como o rei Acaz:
"Andou nos caminhos dos reis de Israel e chegou até a queimar o seu filho em sacrifício, imitando os costumes detestáveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos israelitas." (2 Reis 16:3)
Observe na parte sublinhada que este era um "costume" das nações que habitavam a terra de Canaã. Sabemos, também, pela história, que diversos outros costumes abomináveis eram praticados por nações pagãs ao redor do mundo. Um bom exemplo disso era a antropofagia (comer carne humana), que era praticada aqui no Brasil por algumas das tribos.

Figura que mostra prática de sacrifício humano nos povos da América Central na época anterior ao "descobrimento". Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2842280

Na administração pública


Uma outra área onde identificamos costumes que, geralmente, não são praticados hoje é na Administração Pública (nos governos das nações). Atualmente, os governantes procuram ter assessoramento técnico e científico para tomar suas decisões. Mas, na época da Lei, os governantes lançavam mão de feitiçaria para tomar decisões:

"O faraó, porém, mandou chamar os sábios e feiticeiros; e também os magos do Egito fizeram a mesma coisa por meio das suas ciências ocultas." (Êxodo 7:11)

Observamos o uso de feitiçaria para auxiliar os administradores públicos aqui no Egito, mas isto era um costume normal das nações da época.

Hoje em dia, nenhum governo sério vai usar feitiçaria ou astrologia para buscar orientações sobre como governar. No entanto, um dos impérios mais poderosos do tempo antigo, os babilônicos, lançavam mão de feiticeiros e astrólogos para essa finalidade, como vemos no livro de Daniel:
"Por isso o rei convocou os magos, os encantadores, os feiticeiros e os astrólogos para que lhe dissessem o que ele havia sonhado. Quando eles vieram e se apresentaram ao rei..." (Daniel 2:2)
Além disso, podemos citar, ainda, homicídios em massa, até mesmo de crianças, como foram os casos do Faraó, que ordenou a morte das crianças israelitas (Êxodo 1:16) e Herodes, que mandou matar todos os meninos até 2 anos de idade por ter sido enganado pelos magos (Mateus 2:16).

O Certo e o Errado


A humanidade havia se endurecido pelo pecado de tal forma que perdeu completamente a noção de bem ou mal, certo e errado. A Lei de Moisés foi enviada para trazer a consciência do homem de volta a esta noção:
"...para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo..." (Levítico 10:10)
Desta forma, Deus teve que preparar um povo santo, antes de poder enviar o Seu Filho, pois a mensagem do evangelho não seria compreendida, já que os homens não conseguiam mais discernir o bem do mal, o certo do errado. E qual a consequência de não compreender o certo e o errado?

A resposta é: você não vai se arrepender de suas atitudes se você não entende que é errado!

Assim, a Lei de Moisés não foi dada para revelar a verdadeira natureza de Deus, mas sim a natureza maligna que estava dentro do homem. A Lei foi dada para expôr o pecado!
"...porque pela lei vem o conhecimento do pecado." (Romanos 3:20)
"Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás." (Romanos 7:7)
A Lei funcionou como um exame que revelou o problema, a doença do homem. No entanto, ela não trouxe a cura. A cura para o pecado só veio através de Jesus Cristo.

Que a graça do Senhor Jesus seja com você. Amém!

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 9

A Promessa da Salvação do Homem


Após a segunda chance dada por Deus para a humanidade (depois do dilúvio), e reconhecendo que éramos pecadores "desde a meninice" (Gênesis 8:21), o Senhor escolhe um dos descendentes de Sem, chamado Abrão, e faz uma promessa para ele:
"Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra."
(Gênesis 12:1-3)
Como já vimos, por causa do homem, a terra caiu debaixo de maldição. Aqui, nesta passagem bíblica, Deus estava prometendo remover esta maldição, trocando-a por uma bênção. E esta bênção atingiria "todas as famílias da terra". Na parte de hoje deste estudo, veremos que Deus promete que salvaria o homem a despeito de suas ações, ou seja, Deus faz a promessa de salvar o homem independentemente das obras.

A Salvação pela Fé

O amor de Deus não O permitiu deixar o homem naquele estado pecaminoso, afastado do Pai Eterno para sempre, no entanto, não havia mais como depender do homem para salvá-lo, pois todos os homens se tornaram pecadores. Ora, o salário do pecado é a morte, e quando alguém morre está justificado do seu próprio pecado apenas:
"Porque aquele que está morto está justificado do pecado." (Romanos 6:7)
No entanto, há um problema com relação a isso: se a pessoa morre (fisicamente) estando afastada de Deus (espiritualmente), o espírito dela estará perdido para sempre, pois no reino espiritual não existe como a pessoa passar de um estado "morto" para um estado "vivo".

Deus não poderia simplesmente deixar pra lá o pecado e simplesmente perdoar o homem, sem que houvesse necessidade da morte?

Bem, a resposta é: não! Deus não pode voltar atrás em algo que Ele falou exceto se for algo condicional. Quando Deus falou com Adão (Gênesis 2:17) que ele iria morrer caso comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, Deus falava sobre a morte do espírito, que significa eterna separação de Deus. E isto, Deus não poderia mudar, pois Ele é a própria Verdade:
"Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos;" (Tito 1:2)
"...sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; (...)" (Romanos 3:4)
Assim, demonstrando o Seu imenso amor para conosco, Deus enviou Jesus Cristo, o Seu próprio Filho, para nos dar a vida eterna:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16)
Deus estabeleceu que a salvação do homem viria apenas pela fé em Jesus e não por alguma obra que nós precisássemos fazer. A salvação, portanto, seria um presente dado a todos:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;"
(Efésios 2:8-9)
A salvação do Senhor é um presente e é dado por causa da graça, ou seja, como um favor feito a nós, e não por merecimento. E foi isso que Deus prometeu desde o princípio a Abraão quando disse que as nações da terra seriam benditas nele.

Abraão recebeu uma promessa de Deus e acreditou nela, ainda que de forma contrária às circunstâncias, pois ele já era idoso, e sua esposa Sara não pudera ter filhos ao longo de toda sua vida. Agora, já na menopausa, era algo totalmente impossível de acontecer.

No entanto, Abraão creu em Deus, e recebeu algo mais além de ter tido um filho com Sara:
"Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência.
E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça."
(Gênesis 15:5-6)
O fato de Abraão ter crido na promessa fez com que Deus o tornasse justo aos Seus olhos, mesmo que Abraão fosse homem falho e pecador. Pode até parecer algo injusto, mas Deus escolheu o caminho da fé para conceder salvação ao homem, exatamente porque estávamos recebendo um presente, ninguém conseguiria, nesse estado pecador, ser perfeito aos olhos de Deus e assim dizer: "Deus, me salve, porque eu mereço".

Nos tornamos descendência de Abraão


Quando cremos no descendente de Abraão, Jesus, esta mesma justiça é imputada a nós. Mas o que significa ter a justiça "imputada" a nós? Bem, quando algo nos é imputado, isto significa que nos foi atribuído, concedido, ainda que não tenhamos produzido aquilo.

Para que você possa entender bem, vou usar um conceito jurídico chamado de "inimputabilidade". Apesar do nome grande, o conceito é relativamente fácil de ser compreendido.

O Código Penal Brasileiro traz diversos tipos de crimes que uma pessoa pode cometer, e as consequências que o indivíduo sofrerá caso seja condenado em algum deles. No entanto, caso certas circunstâncias sejam atendidas, aquela pessoa que cometeu o crime poderá não sofrer a pena que está na lei.

Um exemplo clássico e que gera muita polêmica é o caso dos menores de idade. Eles são inimputáveis, ou seja, mesmo que cometam um crime previsto na Lei, este crime não poderá ser atribuído a eles, ou seja, eles não sofrerão a pena que uma pessoa de maior idade sofreria.

Um menor pode cometer o mesmo crime que o maior, no entanto, como é inimputável, ele não sofrerá a pena prescrita pela Lei.

Ora, com relação à salvação que Deus prometeu, ocorre algo semelhante: Cometemos pecados que nos levaram à morte, e merecíamos o castigo prescrito pela Lei de Deus. No entanto, Jesus pagou o nosso pecado, morrendo na cruz. Agora, pela fé n'Ele, nos tornamos inimputáveis para o pecado, assim como um menor de idade não sofrerá o "salário" do crime que cometeu.

E não apenas isso, recebemos a perfeição de Cristo em nosso coração, pois temos a Sua justiça imputada a nós.
"Àquele que não conheceu pecado [Jesus], [Deus] o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." (2 Coríntios 5:21)
Assim como foi prometido a Abraão, agora nós, estando em Cristo, podemos ser salvos pelo sacrifício deste. Nossos pecados foram colocados sobre Jesus, e nos é imputada a Sua justiça (o caráter justo do Senhor).
"Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.
Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.
De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão." (Gálatas 3:7-9)

E por que veio a Lei de Moisés?

Ainda bem que você perguntou! Esta é uma pergunta muito muito importante!

Se a salvação vinha apenas pela fé, então, porque que antes de Jesus vir ao mundo, veio uma Velha Aliança, onde as pessoas precisavam obedecer a diversos mandamentos, fazer diversos sacrifícios, para poderem ser justificados diante de Deus?

A resposta a esta pergunta virá nas próximas partes deste estudo.

Que a graça e a paz do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

terça-feira, 18 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 8

A Divisão dos Continentes e a Confusão das Línguas

Logo após o dilúvio, o Senhor recebe o sacrifício feito por Noé e abençoa a terra a despeito da condição em que o homem se encontrava:
"E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz.
Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão."
(Gênesis 8:21-22)
Isto possibilitou que a humanidade pudesse prosseguir com esta nova chance dada, e assim, o Senhor deu continuidade ao Seu plano para nos salvar das consequências do pecado. No entanto, havia algo que Deus precisava fazer para evitar o rápido desenvolvimento tecnológico, que poderia, mais uma vez, trazer destruição a toda raça humana. Vamos entender!

A separação da terra

A primeira providência que Deus tomou para atrasar o desenvolvimento tecnológico e a conquista de toda a terra pelos homens foi a separação dos continentes. A facilidade que temos hoje em termos de transporte permitiu coisas muito boas. Por exemplo, eu moro em uma cidade mas trabalho em outra, caso eu tivesse que fazer este trajeto a pé ou sobre os lombos de um cavalo, levaria horas para eu chegar no meu trabalho.

Também é possível viajarmos para outros locais usando um avião e visitarmos parentes que moram em locais distantes, até mesmo em outros países. O que não dizer, ainda, da prestação rápida de socorro a uma pessoa acidentada?

No entanto, como "a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice", a facilidade de acesso entre os povos levaria a guerras mundiais que poderiam por fim a humanidade, já que a proximidade permitiria o rápido deslocamento de armamento pesado e destrutivo através da terra, do mar ou do ar (no próximo tópico, falarei sobre a questão do desenvolvimento armamentista).

Quando Deus criou a terra, havia apenas uma porção seca (Gênesis 1:9), e após o pecado, os homens tenderam a se juntar em um só lugar. Devido à maldade nos corações e a violência que surgia dos homens, havia o perigo de guerras mundiais graças à falta de barreiras entre as cidades.

Em Sua infinita bondade e amor a nós, Deus separou os continentes para evitar que os homens se auto destruíssem em guerras mundiais, e isto aconteceu logo cinco gerações após Noé:
"E a Éber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joctã." (Gênesis 10:25)
O nome "Pelegue" quer dizer "terremoto" de acordo com o dicionário de Grego e Hebraico de Strong. A terra era apenas um continente (que chamamos de Pangeia). Após este super terremoto que dividiu a terra em continentes separados, a humanidade precisou de milhares de anos até ser capaz de entrar em uma guerra mundial do nível da 2ª, mas o Senhor nos livrou de uma destruição antes que Ele pudesse enviar Seu Filho à Terra para nos salvar.

A Torre de Babel

Como já disse anteriormente, Deus é amor (1 João 4:8), e tudo o que Ele faz, primeiramente, é movido por isto. Entenda algo muito importante e profundo: amor não é uma característica de Deus. Amor é o que Ele é. Sei que não é algo que se possa entender apenas lendo esta frase, mas isto é algo para você buscar compreender (veremos mais sobre isto no futuro).

Pois bem, por que Deus confundiu as línguas dos homens para que houvesse aquela dispersão toda? Vamos analisar o que o próprio Deus disse:
"E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer." (Gênesis 11:6)
Observe o que eu coloquei em negrito no versículo acima: o próprio Deus afirma que, sem a barreira do idioma, não haveria restrição no que o homem intentasse fazer!

Veja o mundo ao seu redor e pense sobre como a tecnologia evoluiu nos últimos tempos. Toda esta evolução só foi possível por causa do melhoramento nas ferramentas de comunicação e transporte.

Logo após a invenção da impressa (século XV), houve um salto na propagação do conhecimento, e em alguns séculos a humanidade evoluiu muito em termos de tecnologia. Depois veio a invenção do telégrafo (1837) e do rádio (1901) e a comunicação melhorou significativamente.

Não por coincidência, toda essa tecnologia de comunicação foi usada maciçamente nas duas guerras mundiais que assolaram o mundo logo em seguida. De fato, a evolução do conhecimento e dos transportes foi exatamente o que permitiu as guerras mundiais!

Daí vieram a TV, os computadores e a Internet, e o conhecimento passa, então, a crescer exponencialmente. Hoje temos carros, submarinos e aviões não tripulados. A robótica, por sua vez, vem preparando o cenário para uma guerra apocalíptica sem precedentes. O homem, atualmente, tem o potencial para destruir todo o planeta em poucos dias!

Agora vamos voltar para o tempo da Torre de Babel...

Ora, o próprio Deus afirmou que, se a humanidade falasse apenas um idioma, não haveria restrições, e fatalmente o conhecimento se desenvolveria rapidamente, mas se cruzarmos esta afirmação com a de Gênesis 8:21, citado anteriormente, entenderemos porquê Deus confundiu as línguas: para atrasar o desenvolvimento tecnológico, evitando, assim, o aperfeiçoamento das armas.

Se você conhece um pouco de história (em especial, história das guerras) verá que a guerra mais fatal de todos os tempos foi a 2ª Guerra Mundial. Não se sabe ao certo quantas pessoas morreram nesta guerra, mas girou em torno das 70 milhões. Isto é o que acontece quando você tem homens pecadores de posse de armas cada vez mais poderosas!

Agora, imagine se toda esta tecnologia de guerra já existisse há bem mais tempo, sem a barreira do idioma! Antes de Cristo, a humanidade vivia em terrível violência, pois não havia a Palavra de Deus e a Igreja para ser sal e luz para o mundo. Mesmo um mundo considerado mais "civilizado" foi capaz de produzir milhões de mortes em apenas 6 anos de guerra!

Cidade japonesa de Nagazaki,após a bomba atômica.

Bem, era isso mesmo que Deus queria impedir. Eis o porquê Ele confundiu as línguas dos homens logo após ter separado os continentes: para evitar a destruição total e dar tempo para preparar o povo de Israel e, por fim, a chegada do Salvador. Mas que Deus bondoso nós temos, não é verdade?

Mesmo quando Deus faz algo que parece ser muito duro (ou até "mau"), na verdade, Ele está agindo com misericórdia, pois tem um alvo de salvação mais amplo e mais longe do que nossos olhos conseguem visualizar:
"O que feriu o Egito nos seus primogênitos; porque a sua benignidade dura para sempre;" (Salmos 136:10)
Deixo o versículo acima para você meditar como exercício (leia o Salmo 136 e veja se consegue entender como Deus poderia "ferir" alguém por causa da Sua benignidade).

Que a paz do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Referências

  1. http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/a-velocidade-do-desenvolvimento-tecnologico-a-aplicacao-das-inovacoes-e-sua-difusao/70244/
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Gutenberg
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mortos_na_Segunda_Guerra_Mundial
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki
  5. https://en.wikipedia.org/wiki/Pangaea
  6. http://brasilescola.uol.com.br/historiag/invencao-imprensa.htm

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Para que serve orar em línguas estranhas?



Afinal de contas, por que eu devo orar em línguas estranhas? O que a Bíblia ensina sobre este tema?

Existe muito material disponível na Internet sobre isso, mas é bem comum eu encontrar pessoas que são cristãs e que pertencem a igrejas pentecostais mas, no entanto, não sabem dar esta resposta com precisão. Muita gente tem alguma informação sobre isto, mas há também muita crença errada sobre este assunto.

Então... vamos ao que interessa!

Línguas é para todos?

Não é um propósito desta postagem ser um estudo abrangente sobre isso, então, vou apenas mostrar, de forma rápida, o que as Escrituras falam, de forma a poder me concentrar no assunto principal: "para que serve as línguas estranhas".

Jesus Cristo não é uma mera religião, Ele é o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar a humanidade do pecado e das consequências dele. Esta mensagem é a informação mais importante que existe, pois é capaz de dar a vida eterna àqueles que a recebem.

Para confirmar algo assim tão importante, o próprio Deus opera certas coisas testemunhando a veracidade do evangelho. No versículo seguinte, vemos as 4 formas que Deus age para dar testemunho de Sua Palavra. Vejamos:
"Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade" (Hebreus 2:4)
No verso acima, eu enfatizei duas formas que o próprio Deus usa para testificar, ou seja, confirmar a mensagem do verdadeiro evangelho (existem os falsos, mas não vamos falar sobre isto agora). Veja que os termos "sinais" e "dons" estão sublinhados, fiz isso para mostrar a diferença entre eles:

SINAIS - Jesus falou que certos sinais iriam seguir a todo o que cresse no evangelho:
"E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão." (Marcos 16:17-18)
DONS - O Espírito Santo distribui certos dons conforme a Sua vontade:
"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
(...)
E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer."
(1 Coríntios 12:4,10,11)
Observe que os sinais são para todos os que crêem (no evangelho), já os dons não. Os dons dependem da vontade do Espírito Santo e são dados de forma "particular".

Por exemplo, todo cristão pode expulsar um demônio, pois Jesus delegou a Sua autoridade para toda a Igreja. Já nem todos receberão o dom de "discernimento de espíritos" ou o de "variedade de línguas", pois estes dependem de ser a vontade de Deus pra você.

Desta forma, as Escrituras mostram que existe as línguas estranhas que são um sinal da veracidade do evangelho, e estas são para todos. Mas existe um dom que é dado de forma particular chamado de "variedades de línguas", e este dom é dado para a ministração na igreja, assim como são todos os demais dons listados em 1 Coríntios 12.

Agora, vamos falar sobre o propósito do dom de línguas gerais, ou seja, o que é dado como um sinal para o crente.

E então? Pra que serve?

Bem, a resposta rápida é a seguinte: as línguas estranhas servem para que você seja edificado:
"O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo..." (1 Coríntios 14:4)
Fácil, né? Vamos então desenvolver esta frase "edifica-se a si mesmo"...

Por que eu preciso ser edificado e o que significa isto? Seguinte, nós fomos chamados por Deus para sermos Sua imagem aqui na terra. O apóstolo Paulo resume isto da seguinte forma:
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20)
Cristo habitar em nós não significa ser um robô, tipo, não é Cristo quem controla seus pensamentos, palavras, ações e omissões. Cristo viver em nós significa que nós mesmos passamos a conhecê-lo e deliberadamente obedecer Sua Palavra. Na medida em que eu ando na Palavra de Deus, voluntariamente, Cristo - que é a Palavra - passa a viver em mim.

Quando eu oro em línguas estranhas o meu espírito é que está orando, e não a minha mente:
"Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1 Coríntios 14:14)
Veja só: não é o Espírito Santo que está "possuindo" sua boca e orando, não! É o seu espírito recriado que está orando, e o seu espírito é uma nova criatura (2 Coríntios 5:17), e, portanto, sabe coisas que sua mente desconhece.

Temos a mente de Cristo

E se tudo o que você pedisse ao Senhor fosse exatamente aquilo que Deus quer fazer? Nâo seria legal isso? Pois bem, o Espírito Santo dentro de nós é chamado de a "mente de Cristo":
"Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." (1 Coríntios 2:16)
No versículo acima, Paulo está citando o Velho Testamento, Isaías 40:13, onde Deus fala de como Ele criou tudo, e quem teria sido o Seu conselheiro. A resposta óbvia é "ninguém", ou seja, o próprio Deus foi quem projetou e executou todo o Universo, visível e invisível. Veja que inteligência!

Quando cremos na mensagem do evangelho somos tornados partes de Cristo. Nos tornamos um com Ele, e Jesus compartilha conosco o Seu próprio Espírito. No entanto, tudo isto é feito segundo a realidade espiritual e não material.

Materialmente, ainda somos imperfeitos, e estamos longe de conhecermos toda a vontade de Deus. Ora, o próprio apóstolo Paulo fala que conhecemos a Deus apenas "em parte" (1 Coríntios 13:9). Como não sabemos exatamente a vontade perfeita de Deus em todas as situações, quando formos orar, provavelmente, nossa oração será motivada pelas circunstâncias exteriores e pela nossa própria limitação de conhecimento.

Se não orarmos conforme a vontade de Deus, Ele não poderá responder, pois Deus só age de acordo com Sua Palavra. Na verdade, a oração tem como seu principal propósito fazer com que a vontade de Deus seja feita aqui na terra assim como ela é feita no Céu.

Portanto, a oração que fazemos apenas baseados em nosso próprio conhecimento intelectual será imperfeita. Deus, por Seu infinito amor por nós, nos dá, então, um sinal de que somos novas criaturas: passamos a falar em novas línguas.

Novas criaturas falam novas línguas!

Precisamos falar!

Imagine que você precise pregar um prego numa parede, mas não tem o martelo. Daí você pede ao seu pai a dita ferramenta. Seu pai coloca o martelo sobre a mesa e avisa você sobre isso. Então, você fica olhando para o martelo mas não o pega e, portanto, não o utiliza. Pergunto eu: este martelo vai servir para quê?

Da mesma forma, Deus nos entregou um dom que só produzirá edificação se você o usar, afinal, como lemos em 1 Coríntios 14:4 "o que fala em línguas edifica-se". Se você recebeu o batismo no Espírito Santo e orou apenas uma vez e não dedica tempo para orar em espírito, está como esta pessoa que recebeu uma ferramenta mas não a está usando.

O dom de línguas tem seu principal uso em nossa vida particular de oração. Para usá-lo na igreja de forma pública é necessário que alguém seja usado em outro dom: "a interpretação de línguas". Obviamente, você pode "falar consigo mesmo e com Deus", ou seja, durante o culto, ore (ou cante) em línguas mas sem fazer alarde, sem chamar a atenção, pois podem haver pessoas descrentes ou que não saibam o que significa essa língua diferente.

Bem, sobre a importância de dedicar tempo a orar em línguas estranhas, o grande apóstolo dos gentios, Paulo, orava em línguas mais que toda a igreja de Corinto!
"Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos." (1 Coríntios 14:18)
Não é à toa que este homem de Deus foi capaz de suportar tantas aflições por amor a Cristo e, ao mesmo tempo, alcançar quase todo o império romano com a mensagem do evangelho. A sua capacidade vinha do Senhor, e o versículo acima mostra qual era a fonte de tanto poder: ele orava muito em línguas!

A propósito, antes de encerrar, vou fazer um parêntese aqui: Tem igrejas que não crêem nos dons do Espírito Santo pra hoje em dia, daí eles dizem que no versículo acima, Paulo está dizendo que era tipo um "poliglota", e que falava mais idiomas que os irmãos de Corinto. Ora, basta ver o contexto de todo o capítulo 14 e ficará claro que não são línguas naturais, mas sim espirituais (o capítulo todo busca disciplinar o uso de línguas estranhas, interpretação de línguas, profecia e revelação durante o culto). Então, cuidado quando ouvir enganos deste tipo!

Que a graça do Senhor Jesus seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

Links Úteis


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 7

Pintura "Jó", de William Blake.

O Livro de Jó


Quando o assunto é a bondade de Deus, um personagem bíblico é sempre lembrado: Jó! Afinal de contas, quando lemos o livro de Jó de per si, temos a impressão de que Deus o entregou nas mãos do diabo, mesmo após tê-lo elogiado (Jó 1:8). Ficamos com um certo receio de questionar: mas como Deus elogia o Seu servo Jó e depois o entrega nas mãos de satanás, só porque satanás faz uma acusação?

Nesta sétima parte deste estudo, quero examinar o conteúdo do livro de Jó à luz da Graça de Jesus Cristo, e veremos que Deus continua sendo bom, e o episódio da vida de Jó em nada pode lançar dúvidas sobre o amor do Pai, exceto para aqueles que leem este livro de forma superficial e isolada do restante das Escrituras.

Contudo, quero deixar claro que não cobrirei com muitos detalhes todo o livro de Jó, mas apenas alguns pontos importantes para que você possa entender que não foi Deus quem entregou Jó ao diabo de forma arbitrária simplesmente porque o diabo o acusou. No final deste texto, coloquei alguns links para que você possa se aprofundar neste tema.

Quem foi Jó?


Jó foi um homem rico que viveu em uma terra chamada "Uz" (não se sabe ao certo onde ficava), e que era temente ao Senhor, apesar de nunca ter tido experiências reais com Deus no período anterior ao seu sofrimento.

O Livro de Jó é provavelmente o mais antigo da Bíblia, pois foi escrito anteriormente à Lei de Moisés. Muitos acreditam que os eventos descritos nele poderiam ter ocorrido até mesmo antes do dilúvio, no entanto, provavelmente ele foi contemporâneo de Abraão.

Como Jó não tinha a Lei de Moisés ainda, ele mesmo oferecia sacrifícios por seus filhos após eles darem seus banquetes; os sacrifícios tinham o fim de santificá-los, ou seja, limpá-los de seus pecados (Jó 1:5). Ora, Jó era um homem "íntegro, reto e temente a Deus e se desviava do mal" (Jó 1:1).

Por que satanás teve acesso a Jó?


Antes de mais nada, é fundamental compreendermos qual o contexto espiritual no qual Jó vivia. Precisaremos lançar a luz do Novo Testamento para iluminar os escritos do Velho Testamento, como já fiz outras vezes. Antes de mais nada, vamos entender o que é uma "aliança" e para que serve.

As alianças que Deus fez com o homem possuem a capacidade de protegê-lo do maligno, sendo que a Nova Aliança em Cristo é muito superior à Antiga. Ocorre que Jó não estava nem debaixo da Nova, nem da Velha Aliança. Desta forma, ele estava desprotegido dos ataques do inimigo. Novamente, enfatizo aqui que este assunto mereceria um tratamento maior e por isso reforço a indicação dos links ao final do texto, em especial o livro do Professor e Pastor Tassos Lycurgo sobre o tema.

Após o pecado do homem, satanás obteve acesso ao mundo físico e trouxe, com ele, a morte. Espiritualmente falando, a morte é um lugar no qual satanás tem condições de operar, conforme vemos no verso abaixo:
"...derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo..." (Hebreus 2:14)
A palavra traduzida por "poder" acima é o termo grego kratos que significa "domínio". Na Bíblia King James, por exemplo, kratos é traduzido como "domínio" em 1Pedro 5:11, Judas 1:25 e Apocalipse 1:6.

Isto significa que satanás tinha um acesso praticamente livre na humanidade até antes da Lei de Moisés. Veja só:
"No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés..." (Romanos 5:14)
Jamais foi a vontade de Deus que Jó passasse por sofrimentos. De fato, quando Deus, aparentemente, "entregou" a vida de Jó nas mãos de satanás, Ele estava apenas atestando algo que já era uma realidade. Se lermos com cuidado, veremos isto. Observe que Deus apenas confirma que os bens de Jó já estavam nas mãos de satanás:
"E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor." (Jó 1:12)
Se você vem acompanhando este estudo, parte por parte, sabe que tenho me esforçado para mostrar que Deus é uma Pessoa boa e um Pai de amor. Seria uma contradição Deus entregar uma pessoa "íntegra e temente a Deus" nas mãos de satanás. No entanto, Jó estava desprotegido, pois não estava sob nenhuma das alianças que Deus estabeleceu para "cobrir" (no caso da Velha Aliança) ou "quitar" (no caso da Nova Aliança) o pecado do homem.

A Palavra de Deus é um Refúgio


Como o mundo caiu debaixo de maldição após o pecado, é necessário que o homem esteja debaixo de um refúgio de forma a que possa estar protegido das "intempéries da vida". Esta ideia de "refúgio" ou "esconderijo" é bem comum nas Escrituras. Isto significa que sem esse refúgio, estaremos desprotegidos contra os ataques de satanás.
"O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia." (Salmos 9:9)
Quando profetizava acerca da Nova Aliança, Isaías falava sobre este lugar:
"...e será um abrigo e sombra para o calor do dia, refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva." (Isaías 4:6)
Porém, não adianta apenas o homem "ouvir falar" sobre Deus, ou mesmo ter uma religião. Jesus falou que o homem precisa ouvir as palavras de Deus e praticá-las para poder estar protegido da tempestade e chuva:
"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha."
 (Mateus 7:24-25)
Uma família que não tem acesso à Palavra do Senhor para poder praticá-la, não terá sua casa edificada sobre a Rocha Eterna.

As alianças que Deus fez com o homem vinham acompanhadas de promessas. De fato, uma aliança é um tipo de "contrato", pois traz obrigações e benefícios mútuos. Deus fez diversos "contratos" com o homem ao longo dos séculos, cada um deles tinha certas características, e sempre havia promessa de proteção.

Quando Deus envia a Sua Palavra, como no caso de uma aliança, esta Palavra servirá como uma espécie de proteção, como uma "sombra" para nos proteger. Se permanecermos na Sua promessa, estaremos debaixo desta sombra. Se sairmos da Palavra, sairemos de debaixo da "sombra", e Deus não poderá nos proteger, pois Ele só age de acordo com Sua Palavra.

Jó conhecia a Deus pessoalmente?


Uma das primeiras coisas que aprendemos ao estudarmos o livro de Jó era que ele não tinha um relacionamento pessoal com Deus, assim como outros homens que viveram antes da Lei de Moisés, tais como Enoque (Gênesis 5:24) e Noé (Gênesis 6:8). O próprio Jó admite tal afirmação quando diz:
"Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.
Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza."
 (Jó 42:5-6)
Ora, a falta de conhecimento de Deus abre a porta para a destruição, pois é exatamente o conhecimento da Palavra que irá nos proteger, já que será um refúgio para as intempéries da vida, e fornecerá uma sombra para nos guardar do calor do sol (o quê, figuradamente, representa as tribulações).

Analisando o livro de Jó, vemos que ele era um homem que buscava se desviar do mal, no entanto, não conhecia a Deus verdadeiramente. Então, porque ele se desviava do mal?

A resposta é: Jó era íntegro e se desviava do mal porque tinha medo! Ele não o fazia movido por fé, pois a fé só vem pela Palavra de Deus (Romanos 10:17), e Jó não dispunha dela (mas não porque ele não queria, mas sim porque as alianças ainda não haviam sido feitas). Veja o que o próprio Jó afirma:
"Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu." (Jó 3:25)
Isto é bastante confirmado pelo próprio comportamento de Jó ao oferecer sacrifícios continuamente por seus filhos após os banquetes deles. Veja que Jó não entendia que ele deveria ensinar seus filhos no caminho da integridade, e não simplesmente esperar que eles tivessem pecado pra, só depois, tentar corrigir os erros deles através dos sacrifícios:
"Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente." (Jó 1:5)
Ora, como Jó poderia ensinar seus filhos no caminho do Senhor se ele mesmo só conhecia a Deus por ouvir falar? Acredito que, após o fim de sua tribulação, e quando o Senhor deu a ele mais filhos, Jó teve o devido cuidado de ensinar aos seus descendentes quem era Deus e qual o procedimento que deveriam ter com relação ao pecado.

O exemplo de Jó


O livro de Jó não pode ser usado como fonte de doutrina que contrarie a Nova Aliança. Os escritos do Novo Testamento são claros quando mostram que Deus não é o que envia roubos, morte e destruição:

  • Em João 10:10, Jesus ensina que não é ele que rouba, mata e destrói, mas sim o "ladrão" (o diabo).
  • Em Atos 10:38, o apóstolo Pedro afirma que as pessoas que Jesus curou eram oprimidas pelo diabo, e não por Deus.
  • Em Tiago 1:17, ele diz que do Pai só vem as coisas boas e perfeitas.

Lançando sobre o Livro de Jó a luz da Nova Aliança, vemos que, na verdade, satanás é que estava prestes a destruir Jó, mas Deus o protegeu, impedindo o diabo de matá-lo (em João 8:44, Jesus disse que o diabo é "homicida" desde o princípio).

Veja que o próprio apóstolo Tiago usa o exemplo de Jó no final do seu livro, embora afirme logo no início que de Deus só vem "boas dádivas e dons perfeitos", conforme versículo citado acima:
"Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso." (Tiago 5:11)
Na Nova Aliança, Jesus nos liberta do poder do diabo e nos devolve a autoridade perdida por Adão. Assim, temos condições de resistir aos demônios no Nome de Jesus. Isto era algo que Jó não tinha, por isso Jó teve que vencer pela paciência apenas, e o Senhor, que é misericordioso e piedoso, interveio na vida de Jó e restituiu tudo o que o diabo destruiu.

Que a paz do Senhor seja com o seu espírito. Amém.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 6

O Dilúvio Foi um Ato de Amor?


Nesta série de estudos, estou buscando mostrar que a verdadeira natureza de Deus é o amor. Isto não quer dizer que Deus não haja com a ira contra o pecado, pois isto é claro nas Escrituras, afinal Ele é o Juiz do Universo (Salmo 9:8, Hebreus 12:23). No entanto, quero demonstrar que executar a ira divina contra o pecador é algo do tipo "último recurso", e que Deus tenta convencer o homem do seu pecado bem antes de aplicar a ira.

Além disso, posso, ousadamente, afirmar que o dilúvio foi, antes de tudo, um ato de amor, apesar de ter sido também um ato de ira divina. De fato, foi um ato de amor para a humanidade como um todo, pois se Deus não tivesse intervindo, a raça humana teria se extinguido algum tempo após o dilúvio, e nem eu nem você existiríamos hoje.

A degradação moral da humanidade após o pecado


Após a entrada do pecado na terra, rapidamente a imagem de Deus no homem foi se degradando. Vimos, na parte anterior deste estudo, que Deus não puniu Caim com a morte após o homicídio de seu irmão, e, na verdade, até o protegeu para que ele não fosse morto por alguém. O Senhor declarou que "qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado" (Gênesis 4:15).

O Senhor havia tentado convencer Caim da necessidade de proceder bem e dominar sobre o pecado, mas não podia impedi-lo de pecar, retirando dele o livre arbítrio. Ora, você é livre para pecar, se assim o quiser. Os pais de Caim e Abel haviam escolhido este caminho da desobediência, e as consequências foram sentidas por toda a descendência de Adão e Eva.

Ocorre que, quanto mais os homens  mergulhavam no pecado, mais se afastavam de Deus, e seus corações mais e mais se obscureciam, se tornando endurecidos para a voz do Espírito Santo.
"...porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos..." (Romanos 1:21,22)
Vamos voltar para Gênesis 4, um texto que mostra a humanidade logo após o pecado. No versículo 19, um descendente de Caim, chamado Lameque já demonstra a prática da poligamia. Além disso, Lameque usa as palavras que Deus usou quando protegeu Caim para justificar os seus próprios homicídios:
"E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras; porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete." (Gênesis 4:23,24)
A falta de punição sobre o homicídio de Abel, praticado por Caim, estava sendo usada como justificativa para dois homicídios, inclusive, um deles por motivo fútil: Lameque recebeu uma pisada, e matou o jovem. De fato, a palavra hebraica aqui é yeled, que quer dizer "criança". Lameque havia matado uma criança por ter pisado nele.

Isto mostra o terrível nível de violência na qual a terra se encontrava apenas 5 gerações após o pecado ter entrado no mundo. Por outro lado, uma linhagem de justos começou a invocar o nome do Senhor, a partir de Sete, o filho que Deus concedeu a Adão e Eva no lugar de Abel (Gênesis 4:26).

Com o passar dos anos, a iniquidade atingiu seu ápice, até ao ponto de que toda a humanidade se corrompeu pelo pecado:
"O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal... 
A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.
E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra." (Gênesis 6:11-12)
Satanás, o anjo caído, havia conseguido seu intento: a imagem de Deus no homem havia sido destruída, não havia mais amor, bondade, misericórdia, paciência, fé, etc. Ao invés de ser a imagem de Deus, o homem, agora, era imagem do diabo. Jesus disse que ele é homicida desde o princípio, e foi isto que o homem se tornou.

A necessidade do dilúvio


Deus é um Bom Deus... Ele é uma Pessoa boa, cheia de misericódia e pronto a perdoar. No entanto, ao homem foi entregue o domínio sobre a terra, e Deus não pode voltar atrás em Sua Palavra. O homem continuava com o domínio, no entanto, seus pensamentos se voltavam para o mal. Com o passar do tempo, isto acabaria por destruir toda a humanidade.

Já vimos que Lameque matou até mesmo uma criança, e ainda falou que seria vingado "setenta vezes sete" caso alguém o ferisse. Devido à banalidade dos homicídios (fora outros tipos de pecado), havia sério risco de que, caso ninguém desse ouvidos a voz de Deus, a humanidade se auto destruísse sem que houvesse possibilidade de arrependimento.

Particularmente, creio que Deus esperou até o último momento pra executar a ira sobre os homens. Se calcularmos o tempo que levou até o dilúvio, veremos que foram, aproximadamente, 1600 anos do nascimento de Adão até este evento. Deus foi muito paciente com o homem e concedeu a última chance: a construção da arca!

Em 1 Pedro 3:20, o apóstolo fala sobre a paciência que Deus teve enquanto a arca era construída, pois levou décadas para que o grande barco fosse terminado. Devemos lembrar que a arca era muito grande e que provavelmente apenas Noé e sua família participaram da sua construção. A humanidade falava uma mesma língua e habitavam em um só continente. Tudo isto mostra que todos souberam da existência da arca, e que, devido a isto, se tornaram susceptíveis de salvação.

Contudo, ninguém quis saber o porquê daquele enorme barco (ou, se quis, não acreditou em Noé), e, desta forma, a arca "condenou o mundo" da época (Hebreus 11:7).

Algo semelhante ocorrerá nos últimos tempos. Devido à iniquidade do homem dos tempos do fim, haverá grandes tribulações, mas por nossa causa, Deus abreviará o tempo:
"E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias." (Mateus 24:22)
E, hoje em dia, através da Igreja, a salvação em Jesus Cristo é anunciada a toda humanidade em toda a terra. No entanto, chegará o tempo da ira divina sobre o pecado. Mas Deus espera, pacientemente, até que todos "entrem na arca", ou seja, todos aqueles que crerão no Seu Filho tenham a oportunidade de ouvir o evangelho e serem salvos da ira.
"Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira." (Romanos 5:9)

A arca representava Cristo


Meu amigo, o Deus Criador é uma Boa Pessoa, mas é perfeitamente puro, santo, e não pode habitar com o mal. Um dia, mais cedo ou mais tarde, Jesus voltará para julgar as nações, e se dependermos de nossas próprias obras pra sermos salvos, estaremos perdidos, pois mesmo praticando boas obras, ainda temos pecados.

Jesus é esta arca, através da qual Deus nos oferece a salvação da ira futura. Para entrar nesta arca, basta crermos no sacrifício do Filho de Deus, Jesus Cristo, pois, assim como aconteceu com o mundo antigo, acontecerá no mundo futuro: Deus vai impedir que os homens se destruam a si mesmos e ao planeta.

Creia na mensagem do evangelho e receba Jesus como seu Senhor (dono) e Salvador.

Que a paz do Senhor Jesus Cristo seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa


Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 7

terça-feira, 4 de julho de 2017

Porque Casamentos Estão Acabando?


Estava pensando um pouco sobre as estatísticas brasileiras no que diz respeito a casamentos e a taxa de divórcios atualmente. Como sou filho de pais separados, estava meditando sobre as causas pelas quais os divórcios têm aumentado tanto.

Longe de querer explicar aqui sobre todas as razões que levaram a isso, gostaria de compartilhar apenas uma: a independência. Vou explicar melhor...

Porcentagem no número de divórcios no Brasil


Segundo dados do IBGE (os links que pesquisei estão no final desta postagem), o Brasil teve um aumento de cerca de 160% no número de divórcios de 2004 a 2014, ou seja, este número mais que dobrou em uma década.

Mas se considerarmos desde o ano 1984 até 2014, a taxa aumentou mais de 1000%! A que devemos isto?

Os profissionais que trabalham no ramo do Direito Familiar oferecem algumas hipóteses sobre o fenômeno, em especial, a mudança na Lei do Divórcio (Emenda Constitucional 66/2010, promulgada em 2010) que facilitou o divórcio. No entanto, a ferida é mais profunda.

Acredito que existam muitas razões que poderiam ser analisadas aqui, obviamente, à luz da Palavra de Deus, já que este é um texto com viés cristão, mas gostaria de focar em apenas um desses pontos: a independência.

Independência ou morte?


Sob a ótica bíblica, o pior problema da humanidade é o pecado, pois provocou a morte espiritual do ser humano e também a morte física. Em termos espirituais, "morte" significa estar afastado do Criador, o que nos torna cegos para a realidade espiritual.

Estando cegos para a realidade espiritual, não entendemos quais as consequências de nossas ações no que diz respeito, principalmente, ao lado espiritual, mas também ao lado material (aliás, o lado espiritual sempre vai refletir no material).

Se cavarmos fundo, veremos que, no final, o pecado é tão somente a declaração de independência do homem para com Deus. Adão e Eva desejaram ter conhecimento "extra" que não vinha do Senhor, e optaram por comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 3), abrindo a porta para que o mal entrasse no mundo.

Hoje em dia, nossa sociedade super valoriza a liberdade e independência, colocando estes dois substantivos acima de muitos valores cristãos. Gostaria de focar na "independência", mas, para não deixar você na curiosidade, vou colocar um versículo que fala sobre liberdade para nós, cristãos:
"Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo." (1 Coríntios 7:22)
Se por um lado, somos libertos (do poder do pecado e de satanás), por outro, nos tornamos sim escravos de Jesus. Portanto, não temos liberdade, senão aquela que o Nosso Senhor nos dá. Afinal de contas, Jesus é o nosso Senhor e Rei, e Ele é um bom Senhor, no entanto, não deixa de ser "senhor" (dono).

Entendendo a "dependência"


Deus não nos criou para sermos independentes, nem d'Ele, nem dos outros. Quando o ser humano vive sem Deus e não O busca, está mostrando que quer viver independente do seu Criador e Pai Celestial. Mas não fomos criados para viver assim, o afastamento do Pai Celestial tem consequências ruins para nós.

Também não fomos criados para vivermos de forma independente uns dos outros: no Reino de Deus, a dependência é regra e é chave para termos uma vida de sucesso em Deus.

Falando sobre como a igreja deve funcionar, o apóstolo Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, fala:
"Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo." (1 Coríntios 12:12)
Em todo agrupamento humano, a falta de unidade provoca danos terríveis, que no fim, caso não seja tratada, levará ao esfacelamento daquele grupo. Jesus disse que "todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá" (Mateus 12:25).

Não há exceções, Jesus disse que "todo reino", "toda cidade" e "toda casa", caso estejam divididos contra si mesmos serão destruídos! Isto é muito sério!

E o que significa este número crescente de divórcios? São casas que se dividiram contra si mesmas, e, por fim, não subsistiram. Quando não entendemos nossa dependência um do outro, iremos seguir o lado da independência um do outro! "Eu não preciso de você, e você não precisa de mim. Posso viver muito bem sem você, não dependo de você pra nada"! Resultado: a casa caiu (literalmente)!

A dependência no casamento


No casamento, Deus criou tudo de forma perfeita: o marido depende da esposa, e a esposa do marido, para que formem a "unidade" no casamento. Se o marido deseja conduzir a casa de forma independente da esposa, a coisa não funciona bem. O mesmo vale para a esposa com relação ao marido.

Muitos maridos cristãos usam o texto de Efésios 5:22 para exigir submissão total da esposa, no entanto, esquecem que o versículo imediatamente anterior diz...
"Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo." (Efésios 5:21)
Veja bem, ANTES da esposa se submeter ao marido, os dois devem se sujeitar um ao outro "por temor a Cristo". Isto mostra que Cristo é que deve ser o Rei no casamento. Caso isto não aconteça, a submissão da esposa ao marido se tornará uma escravidão para a mulher. Quando o marido não é cristão, caberá a esposa agir em fé para não entrar em contendas, já que o marido não é obediente a Cristo (cf. 1 Pedro 3:1), o que não significa que a mulher vá se submeter a maus tratos psicológicos ou físicos, mas não vou tratar deste assunto aqui hoje.

Ocorre que, na sociedade atual, há uma crescente ênfase na independência. A mulher é ensinada desde cedo a ser independente do homem, e o homem é ensinado a buscar os deleites e prazeres, e não a ser alguém responsável, trabalhador e disposto a se sacrificar por amor à sua família.

Estas características são necessárias para um bom casamento onde Cristo é o centro. O casamento deve refletir o relacionamento entre Cristo e a igreja. A igreja é dependente de Cristo, e Cristo é sensível às necessidades da igreja, sendo Ele mesmo aquele que se sacrificou por ela.

E a palavra de Deus diz que o marido deve amar a sua esposa como ao seu próprio corpo (Efésios 5:28). Ora, isto mostra uma forte ligação e dependência que o marido precisa ter com relação à esposa, ou você acha que sua cabeça é independente do seu corpo? Será que sua cabeça conseguiria ir muito longe sem o seu corpo? O mesmo raciocínio vale para a esposa com relação ao seu marido.

O homem deve ser dependente da mulher e a mulher do homem


O fato do marido ser dependente da esposa talvez não seja bem compreendido. Como disse no início deste texto, sou filho de pais divorciados, e meu pai sempre criticou homens "dependentes da mulher". Ora, ele mesmo foi o que deixou a família, isso mostra que esta "doutrina" está errada. Deus nos criou como seres interdependentes, e se o homem proclamar que é independete da sua esposa, ele estará fadado a arruinar o seu casamento, e não poderá colher aquilo que Deus tem de melhor para os casados.

Quando o Senhor criou a mulher, a capacitou de virtudes diferentes das masculinas, e disse Deus:
"Então o Senhor Deus declarou: 'Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda'." (Gênesis 2:18)
Em nossa experiência pastoral, vemos que, geralmente, o marido e a esposa têm características diferentes que, se mal usadas, podem destruir o relacionamento, mas, se forem bem aproveitadas, irão levá-los a um crescimento espiritual muito bom.

Falo com conhecimento de causa, eu e minha esposa, Oriana, somos muito diferentes um do outro, e as características dela, muitas vezes, me afligiram, mas, quando passei a "ouvi-las", pude crescer mais.

Tive que aprender a valorizar o que ela dizia, e ela a mim. Valorizar o que o outro recebeu de Deus é algo muito importante, pois mostra dependência um do outro. O Senhor Deus não tem filhos preferidos, Ele ama a todos, e a cada um Ele distribui dons de acordo com a Sua vontade.

Estes dons e sabedoria são complementares, ou seja, Ele distribui de forma a que um dependa do outro, contudo, muitas vezes, precisaremos nos humilhar e reconhecer que somos limitados e que esta dependência procede de Deus, e tentar viver de forma independente irá provocar o desfazimento da unidade familiar.
"O olho não pode dizer à mão: 'Não preciso de você!' Nem a cabeça pode dizer aos pés: 'Não preciso de vocês!'
Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra.
...a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros."
(1 Coríntios 12:21-25)
Assim, no casamento, o marido não pode dizer à esposa "não preciso de você!", e a esposa não pode dizer ao marido "nem eu preciso de você!", nem os filhos dizerem aos pais "não precisamos de vocês" e vice-versa. Mas todos precisamos uns dos outros, pois somos um corpo.

Seja dependente de Deus e dos outros (dentro deste contexto tratado aqui)! Assim, você poderá desfrutar do melhor de Deus pra sua vida.

Que a graça do Senhor Jesus seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

Links pesquisados:

  • http://revistadonna.clicrbs.com.br/comportamento-2/por-que-o-numero-de-divorcios-no-brasil-cresceu-160-em-10-anos-entenda-os-motivos/
  • http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-11/divorcio-cresce-mais-de-160-em-uma-decada
  • http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/em-10-anos-taxa-de-divorcios-cresce-mais-de-160-no-pais

Não estejam inquietos por coisa alguma

Imagem 1: a ansiedade tem atingido boa parte da população. Viver uma vida sem preocupações e inquietações é praticamente uma utopia nos dias...