terça-feira, 31 de outubro de 2017

Espírito, Alma e Corpo - Parte 1 - Dois Mundos



No princípio, Deus criou o Céu e a Terra,  assim começa a Bíblia no seu primeiro livro Gênesis, que significa "origem". Quando as Escrituras falam a palavra "Céu" ou "Céus" tanto podem se referir ao nosso céu físico, de cor azul como pode se referir a um mundo espiritual criado por Deus.

Este mundo espiritual, apesar de não ser visto com nossos olhos naturais, é real e interage constantemente com o mundo natural. Nós seres humanos fomos criados com a capacidade de interagirmos tanto com o espiritual como com o mundo físico. De fato, somos formados com 3 partes distintas, conforme é dito:
"E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:23)
Nesta nova série de estudos, iremos estudar estas três partes que compõem o ser humano, compreendendo como separar uma da outra e como a Bíblia nos orienta a agir com este conhecimento.

Os Dois Mundos

Quando Deus criou tudo, separou as duas realidades, conforme dito no Gênesis 1:1, versículo com o qual iniciamos este texto.  O termo usado para Céu não se refere ao nosso céu físico (azul) que vemos todos os dias, desde quê o tempo atmosférico permita.

Deus criou o céu físico para nos mostrar o quão mais alto e amplo é o reino espiritual em comparação com o reino físico. Bem, aqui cabe um esclarecimento: sempre que eu falar sobre "reino espiritual", "mundo espiritual", "realidade espiritual", etc. estou me referindo a esse conceito de um lugar não físico, mas sim espiritual, lugar de habitação dos espíritos, Deus, anjos ou demônios. E quando falar sobre "mundo físico", "realidade física", etc. estou me referindo a este mundo natural que vemos e interagimos com o nosso corpo.

Pois bem, Deus criou duas realidades distintas: o reino (ou mundo) espiritual e o reino (ou mundo) físico. Deus habita no mundo espiritual, e nós, seres humanos, habitamos no mundo físico. Vejamos o que as Escrituras dizem:
"Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens." (Salmos 115:16)
Quando o Senhor criou a terra, imediatamente antes de criar o homem, Ele falou:
"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra..." (Gênesis 1:26)
"E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a." (Gênesis 1:28)
Portanto, ao entregar a terra ao homem, o Senhor se excluiu. Isto não quer dizer que Deus deixou de ser Deus, mas sim que Ele quis que o ser humano tivesse autonomia para fazer o que bem entendesse (dentro de certos limites). E quando Deus fala algo, Ele não pode mudar o que falou, a não ser no caso em que Ele está executando um juízo e o homem se arrepende.

A Bíblia não detalha muito este reino espiritual, talvez por que não temos condições de compreendê-lo com perfeição, exatamente por ser uma realidade além da física. O próprio apóstolo Paulo fala sobre as palavras que ele ouviu quando visitou o céu, vejamos:
"Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu.
(...)
Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar."
(2 Coríntios 12:2,4)
O termo "inefável" quer dizer "que não se pode exprimir por palavras" (dicionário Michaelis), e não foi concedido aos homens experimentar toda a realidade celestial neste momento. No entanto, isto será concedido após a ressurreição, onde teremos nosso corpo transformado. Se quiser ler mais sobre isto, veja 1 Coríntios 15:42-44.

Habitação dos espíritos

Existem seres que são exclusivamente espirituais, ou seja, eles não possuem um corpo físico assim como nós. Estes seres (incluindo aí o próprio Deus) não receberam autoridade para dominar sobre o mundo físico. Obviamente, eles têm poder para isto, em especial o próprio Senhor Deus, sendo o criador de tudo, tem plena capacidade de fazer o que bem quiser, no entanto, Ele não faz por que é fiel à Sua própria Palavra, e não viola o que diz.

Para que possam agir aqui no nosso mundo físico, os espíritos precisam agir através do homem, e por isso, precisam de nosso consentimento, quer voluntariamente, quer através do engano.

Quando Deus age através de nós, Ele não usa de engano, pois é a própria Verdade, mas os demônios agem através do homem usando, basicamente, o engano. Veja que Jesus chamou o homem de "casa" quando falou o seguinte:
"Quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, de onde saí." (Lucas 11:24)
No caso dos demônios, eles usam o homem para estabelecerem seu reino sobre a terra, e enganam o homem, já que o líder deles - satanás - é o "pai da mentira" (João 8:44). Isto só aconteceu após o pecado de Adão, pois Deus o advertiu que se Adão pecasse, ele morreria. A morte sobre a qual Deus falou era, de fato, a morte espiritual e não física, pois Adão não morreu fisicamente no dia em que ele comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal (esta história está em Gênesis 3).

O próprio Deus teve que preparar o caminho para que Ele mesmo viesse, em forma humana, caminhar sobre a terra a fim de nos salvar.
"Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco." (Mateus 1:23)
Veja que grande amor Deus teve por nós: se tornar um homem e morrer uma morte humilhante a fim de levar os nossos pecados naquela cruz. Assim, Ele nos substituiu como homem e pagou o salário do pecado: a morte, possibilitando, assim, que Deus voltasse a habitar dentro de nós, nos tornando Sua casa!

Conhecendo o mundo espiritual

Bem, e você pode perguntar: Por que eu preciso conhecer o mundo espiritual?

A resposta é que o homem é, sobretudo, um ser espiritual! De fato, o homem foi criado para interagir com ambos os reinos - físico e espiritual. Na verdade, o mundo espiritual está constantemente interagindo com o físico, mas como esta realidade espiritual está oculta aos nossos olhos, não compreendemos quão intensa é esta interação.

Muitas religiões tentam trazer revelações sobre como seria este mundo espiritual mas somente a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus é uma fonte fidedigna sobre ele. O cristão precisa compreender como funcionam as coisas espirituais para que não erre em seus caminhos e seja enganado pelos demônios, pois enganar é a especialidade deles:
"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;"  (1 Timóteo 4:1)
Muitas falsas religiões surgiram, até mesmo usando partes da Bíblia Sagrada, a fim de iludir a humanidade a crer nas mentiras e roubar dos homens a salvação. Precisamos das Escrituras e do Espírito Santo para que possamos estar atentos às sutilezas do diabo e andarmos em triunfo em nossa passagem aqui na terra.

A separação entre as realidades

Certa noite, um líder do povo Judeu chamado Nicodemos foi ter com Jesus. Ele certamente presenciou algum milagre ou viu alguém que presenciara e quis saber mais sobre Cristo. Talvez ele achasse que Jesus realmente era o Messias que haveria de vir

Nicodemos entendia que Jesus vinha de Deus porque reconhecia que ninguém poderia fazer tamanhos milagres se não houvesse uma força sobrenatural agindo através de Jesus. Mas a resposta do Senhor foi um tanto quanto intrigante:

"Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3)
A palavra grega traduzida aqui como "de novo" quer dizer literalmente "de cima". Vejamos esta palavra:
  • ἄνωθεν (ánoten) - relativo a coisas que vem do Céu ou de Deus (dicionário de grego bíblico Thayer)
Ela é traduzida como "do alto" em outras passagens bíblicas, como por exemplo:
"Aquele que vem de cima [ánoten] é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos." (João 3:31)
E vemos que logo depois, nos é dado um sinônimo pra "de cima", pois o evangelista João fala de Jesus como sendo "aquele que vem do céu".

Juntando estes versículos, vemos que Jesus falou para Nicodemos que era necessário que nós nascêssemos de novo só que não de forma física, mas sim da forma "espiritual", ou seja, nós precisamos nascer em uma nova realidade: a realidade espiritual. De nada adiantava nascermos novamente na carne, ou seja, recebermos um novo corpo. Precisamos receber um novo espírito!

Jesus deixa claro aqui que carne é carne (realidade física) e espírito é espírito (realidade espiritual):
"O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." (João 3:6)

Conclusão

Vemos que Deus criou duas realidades separadas mas que interagem uma com a outra. O homem tem condições de interagir com ambas, pois possui um espírito e um corpo. O grande problema está na seguinte parte nossa: a alma!

Ainda vamos meditar sobre a alma, mas é na nossa alma (entendimento) que nós decidiremos se vamos agir de acordo com a realidade espiritual ou se vamos agir de acordo com a realidade física. Então, acompanhe estes estudos para que você possa escolher se será um cristão guiado pelo espírito ou guiado pela carne.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.


Pr. Wendell Costa

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 11

Os Propósitos da Lei


Como vimos na última parte destes textos, Deus envia a Lei de Moisés para trazer a consciência do homem de volta a entender a diferença entre o bem e o mal, pois o pecado endureceu o coração do homem a tal ponto que atrocidades eram cometidas de forma corriqueira nas nações, ao ponto de até os governantes - que são o exemplo principal dos seus povos - oferecerem seus próprios filhos como sacrifícios aos deuses.

A Lei de Moisés veio, principalmente, para revelar o pecado que habitava dentro do homem, mas não apenas para isso. Neste texto, vamos examinar quais os propósitos para os quais Deus deu a Lei de Moisés. Confira!

Revelar o Pecado e Trazer Condenação



Deus é um Deus bom, no entanto, o homem não é bom. Conforme já vimos, o pecado endurece o nosso coração e nos leva pra longe do Senhor. Nosso entendimento fica obscurecido e passamos a não compreender a verdadeira natureza de Deus, ou seja, deixamos de compreender o amor e a pureza do nosso Criador.

Antes de enviar a solução para o pecado - Jesus Cristo - Deus teve que preparar o caminho enviando uma Lei dura que iria punir o pecado de forma rigorosa. De fato, caso o indivíduo pecasse de forma voluntária e desafiadora, ele deveria morrer:
"Mas todo aquele que pecar com atitude desafiadora, seja natural da terra, seja estrangeiro residente, insulta ao Senhor, e será eliminado do meio do seu povo." (Números 15:30)
Assim, o Senhor Deus queria mostrar a consequência destruidora do pecado: a morte. Após Ele ter inaugurado esta Aliança com aquele povo específico, o povo de Israel, Deus começa a trazer punição para os pecados cometidos, ao contrário do que Ele fazia antes da Lei.

Vejamos dois dos propósitos da Lei que estão descritos no livro de Romanos pelo apóstolo Paulo (sob a inspiração do Espírito Santo):
"Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.
Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado." 
(Romanos 3:19-20)
O primeiro motivo falado é "para que toda boca esteja fechada", ou seja, a Lei exigia um comportamento de alto nível de santidade, comportamento este que era praticamente impossível de se atingir. A Lei, por exemplo, ordenava ao homem que não cobiçasse:
"...Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás." (Romanos 7:7)
Quando o homem tomava conhecimento do mandamento, sua consciência o acusava sempre que ele cobiçasse alguma coisa (bens, mulheres, etc.). De fato, o mandamento despertava ainda mais o desejo pecaminoso:
"Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado." (Romanos 7:8)
Desta forma, o mandamento fazia com que o pecado fosse ressaltado pela própria consciência do homem. Então, não havia outra opção para o homem senão depender da misericórdia e do perdão de Deus!

Gerar Temor no Homem


Tendo em vista que a Lei não transformava o coração do homem, ela conseguiu diminuir os pecados através da punição, principalmente a morte física. Com isso, Deus santificava o povo de Israel através do temor.
"Para que todos os povos da terra conheçam a mão do Senhor, que é forte, para que temais ao Senhor vosso Deus todos os dias." (Josué 4:24)
Através de muitas e complicadas regras, o homem era totalmente não incentivado ao pecado, pois teria que sacrificar seus animais e cumprir difíceis rituais de purificação. Além disso, em caso de pecar de forma temerária (desafiadora), a morte o estaria esperando. O homem, então, deixava de pecar por temor (medo):
"E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis." (Êxodo 20:20)
Infelizmente, apesar de todas as maldições que vinham sobre o povo devido ao pecado, a maior parte da comunidade de Israel, ao longo dos séculos, não agia em temor ao Senhor, e o resultado foi muitas perdas para eles. Israel caiu diante de seus inimigos diversas vezes.

Preparar um Povo Santo


A solução final para o pecado do homem viria mais a frente, através do Salvador, no entanto, Jesus precisou de um povo (a Igreja) para levar a mensagem de salvação aos quatro cantos do mundo. Assim, era necessário um povo separado para isso. A nação de Israel, após séculos, estava pronta pra receber o Salvador. Muitos homens e mulheres piedosos aguardavam o Messias quando Jesus nasceu. Esta obra de purificação, pelo menos de parte do povo, foi feita pela Lei:
"Porque és povo santo ao Senhor teu Deus; e o Senhor te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu próprio povo." (Deuteronômio 14:2)

Anunciar a Salvação e o Salvador


A própria Lei de Moisés tinha, digamos, um prazo de validade. O próprio Deus, através de Moisés, avisou que ainda levantaria um profeta semelhante a Moisés, ou seja, alguém que viria inaugurar uma aliança com o povo de Deus. Veja o que o próprio Moisés avisou:
"O Senhor teu Deus te levantará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis;" (Deuteronômio 18:15)
No entanto, durante a Velha Aliança, não houve mais outros profetas a quem Deus falasse "face a face", assim como Moisés:
"E nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecera face a face;" (Deuteronômio 34:10)
Somente Jesus, o próprio Filho de Deus, cumpriu esta profecia ao vir ao mundo. Este sendo a própria imagem de Deus, não somente falava com Deus face a face, como era o próprio Deus em forma humana. Jesus era a própria face de Deus!

A partir da Lei, os profetas falavam sobre um futuro de transformação interior do homem, e também exterior, falando sobre a restauração do Reino. Embora, os profetas não compreendessem bem como isto ocorreria, falavam sob a inspiração do Senhor:

Clamavam, pelo Espírito, por um novo coração purificado e reto (íntegro), ou seja, pediam um novo nascimento:
"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto." (Salmos 51:10)
Deus falava da restauração do Reino de Israel, no entanto, o Senhor falava do Reino de Deus e não apenas do reino terreno:
"Porque o Senhor restaurará a excelência de Jacó como a excelência de Israel; porque os saqueadores os despojaram, e destruíram os seus sarmentos." Naum 2:2
A Lei também deu todos os detalhes sobre o Salvador, detalhes que impressionam pela precisão:

  • Seria descendente da tribo de Judá: Gênesis 49:10
  • Nasceria de uma virgem: Isaías 7:14
  • Nasceria em Belém: Miqueias 5:1
  • Haveria matança de crianças: Jeremias 31:15
  • Fugiria e voltaria do Egito: Oseias 11:1
  • Traído pelo seu amigo: Salmo 40:10
  • Vendido por 30 moedas de prata: Zacarias 11:12
  • O Salmo 22 traz diversos detalhes precisos da crucificação
  • Etc.

Conclusão


Apesar da Lei não ter trazido a solução definitiva para o pecado, ela foi uma aliança preparatória antes da vinda da cura. No entanto, veremos, ainda, que apesar da dureza da Lei, o Senhor começou a se revelar como um Deus de amor, atencioso para com os mais fracos e Deus que ama a misericórdia e o juízo.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

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