sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

O Viver é Cristo e o Morrer é Lucro


Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. (Filipenses 1:21)

Em meio à sua intensa vida apostólica, Paulo é preso em Jerusalém, acusado de pregar contra a Lei de Moisés. Assim, enquanto estava preso, ele escreve a epístola aos Filipenses. O crime de Paulo foi pregar o evangelho de Jesus Cristo.

Este grande apóstolo do Senhor descreve um pouco das aflições pelas quais passou, na sua segunda epístola aos Coríntios, capítulo 11. Nessa passagem bíblica, Paulo resume tudo o que sofreu em sua jornada, falando de açoites, prisões, naufrágios, etc. Em outra passagem das Escrituras (Gálatas 6:17), ele cita as marcas de Cristo, que estavam em seu corpo.

Tudo isto nos mostra que a vida de Paulo não era nada confortável, mas foi bastante sofrida. Certamente ele desfrutou de bons momentos, enquanto adorava a Deus e tinha comunhão com a igreja do Senhor, mas os seus sofrimentos ficam bem evidentes em seus textos.

Ora, como um homem que teve de lidar com tanto sofrimento (além do fato de estar preso, quando escreveu Filipenses) conseguia desfrutar de alegria e ainda orientar aos cristãos a se regozijarem sempre? (Filipenses 4:4)

Bem, O próprio Deus, através de Paulo, nos dá as chaves para uma vida vitoriosa neste mundo, de maneira que tenhamos condições de andar em paz e alegria, a despeito das circunstâncias ao nosso redor.


MEU VIVER É CRISTO

A primeira chave é “vivermos Cristo” aqui neste mundo. Isso implica em alguns desdobramentos, a saber:

  1. Conhecer a própria salvação trazida por Deus em Cristo (“o que é ser salvo”; “salvo de quê?”).
  2. Conhecer o chamado específico que Deus tem para cada um de nós e procurar seguir tal chamado (“qual a minha missão no mundo?”)

Ora, conhecer a salvação plenamente não é algo sobre o qual podemos explorar em apenas uma postagem, por isso tecerei apenas alguns comentários sobre isso.

Afinal de contas, nós somos salvos de quê?

Bem, fomos salvos do pecado e de todas as suas consequências, o que inclui muita coisa. Toda a criação foi contaminada pelo pecado e sofre, hoje, com as suas consequências.

Perceba que todo o mal que existe neste mundo, tais como mentira e engano, roubo, doença, assassinato, fome, miséria, traição etc. são consequências diretas da entrada do pecado na terra. Assim a salvação foi preparada para nos livrar de tudo isso.

Mas a salvação foi feita por Deus em 3 etapas distintas. Na primeira etapa, um pecador se arrepende da sua maneira de viver e entrega a sua vida a Cristo, sendo salvo em espírito. Deus troca a sua velha natureza pecaminosa por uma nova natureza de santidade e justiça. Esta etapa ocorre no espírito humano.

A segunda etapa ocorre em nossa mente (a "alma"), pois precisaremos reaprender a viver com base nessa nova natureza espiritual recebida da parte de Deus por meio de Cristo. Todo pecado que estava entranhado em nossa mente precisa ser removido, o que afetará nosso comportamento, nossos hábitos e o nosso caráter. Esse processo é conhecido como santificação e é fundamental para que possamos desfrutar da realidade do Reino de Deus aqui na terra.

A terceira etapa da nossa salvação se cumprirá na volta de Jesus, quando Ele transformar os nossos corpos mortais em corpos eternos gloriosos. Mas mesmo antes disso, há a esperança da vida eterna para os que morreram no Senhor, assim como o próprio apóstolo Paulo afirmou na sua epístola aos Filipenses (capítulo 1, verso 23).

Todas estas coisas estão reveladas para nós através das Escrituras Sagradas, iluminadas pelo Espírito Santo em nossos corações. Gradativamente devemos voltar nossas mentes para Deus, através das verdades contidas na Palavra de Deus, o que irá mudar o curso da nossa vida, removendo o nosso foco da vida natural e pecaminosa para a vida eterna e santa.

O segundo desdobramento, para podermos viver Cristo na terra, é conhecermos o nosso chamado ministerial: para que Deus me chamou, ou seja, qual serviço que ele tem para fazermos: a nossa missão neste mundo.

Isto é essencial para nos dar um sentimento de propósito nesta vida e nos ajudar a canalizar nossos recursos para o cumprimento desse propósito. Alguém que não tem o senso de missão se perde totalmente com os cuidados deste mundo e será levado ao sabor das circunstâncias. Não estará disposto a buscar a Deus e a pagar o preço pra cumprir o Seu chamado.

Assim como um atleta se abstém de muitos prazeres, a fim de obter vitória em sua prática esportiva, um discípulo de Cristo, que conhece o propósito de sua própria vida, consegue se abster de todas as distrações, de forma a não parar diante das dificuldades e tentações que encontrará pela frente.


O MORRER É LUCRO

A certeza de que temos a vida eterna é fundamental neste processo de podermos viver uma vida de paz e alegria em meio às circunstâncias adversas deste mundo. Por mais que tenhamos uma vida confortável e tranquila, tribulações chegaram até nós, principalmente se você estiver servindo a Deus com sinceridade e fervor.

O mesmo apóstolo, em sua segunda epístola a Timóteo, comenta sobre as tribulações que passou em Antioquia, Icônio e Listra, concluindo o seguinte:

E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. (2 Timóteo 3:12)

Portanto, não há nada que pague a certeza de termos a vida eterna, mesmo antes da ressurreição dos mortos.

Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. (Filipenses 1:23)

Por maior que seja a tribulação que nos atinge, sabemos que temos a vida eterna no Filho de Deus, e podemos prosseguir com esta confiança: "Deus é o nosso ajudador"; e a morte dos santos é preciosa aos olhos do senhor. (Salmo 116:15).

Assim sendo, com os nossos nomes inscritos nos Céus, prossigamos, com alegria e fervor, em nossa missão de evangelizar e discipular. Ponha os seus olhos (do coração) em Jesus, pois quer na vida quer na morte somos d’Ele!

Que a graça do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa


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Imagens por Pexels from Pixabay

domingo, 24 de outubro de 2021

Que o Nosso Amor Cresça em Percepção

 


E peço isto: que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento. Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum até ao Dia de Cristo, cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus. (Filipenses 1:9-11)

O profissional que tem a habilidade de avaliar uma pedra preciosa é chamado de "gemólogo". A gemologia é a área que estuda os minerais gemas, mais conhecidos como pedras preciosas. É uma área muito técnica, onde uma pequena falha pode significar um grande prejuízo financeiro. Nas palavra do engº civil gemólogo André Leite "um pequeno erro pode resultar em prejuízo de milhões de dólares para quem compra ou para quem vende" [1].

Jesus usou a figura de um negociante de pedras preciosas, quando falou sobre o valor do Reino de Deus, quando o conhecemos:

Outrossim, o Reino dos céus é semelhante ao homem negociante que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a. (Mateus 13:45,46)

Na parábola acima, o Senhor exalta a habilidade do negociante ao identificar uma pérola, cujo valor era tão grande que ele vende "tudo quanto tinha", a fim de adquiri-la. Veja como é importante termos o discernimento para separar o que realmente é valioso para nós!

No texto bíblico que inicia esta postagem, vemos o apóstolo Paulo orando pelos cristãos de Filipos, para que o amor deles aumentasse mais e mais em ciência e em todo o conhecimento. De fato, a palavra grega original traduzida como "conhecimento" é:

αἴσθησις (aísthesis) - percepção obtida através dos sentidos ou do intelecto

Veja como este mesmo verso foi traduzido na NVI (Nova Versão Internacional):

Esta é a minha oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção... (Filipenses 1:9)

Paulo pedia por conhecimento (ciência) e, logo depois, pedia também por percepção. Ora, qual a diferença entre os dois itens?

Quando recebemos conhecimento, temos uma informação apenas, não necessariamente essa informação gera uma percepção em nós. É mais ou menos a diferença entre conhecimento e sabedoria: conhecimento se refere a uma informação, já a sabedoria significa a habilidade de usar essa informação em situações práticas da nossa vida, ou seja, a sabedoria é a evolução natural do conhecimento, ou ainda: o amadurecimento do conhecimento.

Mas por que o nosso amor precisa crescer em percepção?

A amor "agape", aqui mencionado por Paulo, refere-se à natureza divina de amor. É o mandamento fundamental transmitido a nós pelo próprio Cristo (João 13:34-35). Quando nos convertemos a Deus, por meio de Cristo, o amor entre os irmãos é o que provará que tal conversão foi verdadeira:

Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; quem não ama a seu irmão permanece na morte. (1 João 3:14)

O amor é a base de todo nosso relacionamento, tanto com Deus como com os irmãos em Cristo, portanto precisamos conhecer este amor. Apesar de termos nos tornado novas criaturas, após a nossa conversão, ainda precisamos fazer com que essa nova natureza – que é espiritual – se manifeste em nossos corpos mortais, pelo conhecimento da Palavra e pelo poder do Espírito Santo.

O passo inicial é, como já falamos, o conhecimento do amor de Deus. Quando não conhecemos como Deus é e como Ele opera, agiremos com base em conhecimento e emoções mundanas ou efêmeras, que não refletem a verdadeira natureza do Pai, pois foi assim que aprendemos no mundo.

Já a percepção é um segundo passo, onde nossos sentidos já estão preparados para agir com base no amor divino, não dependendo das circunstâncias do momento, para discernir a melhor forma de se comportar. Se deixarmos para agir em amor apenas no calor do momento, fatalmente falharemos.

Esse é o problema com os cristãos "carnais" (crianças em Cristo), pois seus sentidos (a percepção) ainda não foram suficientemente trabalhados, de forma a serem conduzidos pelo espírito recriado. Sua percepção das coisas ainda está de acordo com o mundo caído.

Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal. (Hebreus 5:14, NVI)

O "discernimento" é sinônimo da "percepção", dentro do contexto que estamos tratando aqui. Tanto um como outro significam uma capacidade de separar as coisas, entre bem e mal: o que é de Deus e o que é do mundo. Também nos permite separar entre algo "bom" e algo "excelente".


Voltando ao exemplo do gemólogo, citado no início do texto, para que a pessoa se torne um bom profissional dessa área, é necessário a fazer um curso de cerca de um ano (além de uma graduação específica), contudo o texto da nossa fonte [1] informa que não é esse curso que torna um profissional qualificado, para avaliar uma pedra preciosa, mas sim o quanto tal pessoa está atuando no mercado. Veja o que o eng. André Leite fala:

"O gemólogo tem que estar inserido no mercado, trabalhando com as pedras, tem que conhecer um pouco de lapidação, mineração, gemas sintéticas, estar sempre em exposições e plenários discutindo sobre as novas tecnologias, enfim saber o quê (sic) existe de novo no setor de síntese."

Observe que é a prática constante da avaliação de gemas, o estar inserido no mercado, a constante atualização dos conhecimentos, dentre outras coisas, que tornam um profissional bem qualificado para avaliar o valor de uma gema preciosa!

O livro de Provérbios faz uma curiosa, mas séria, advertência sobre a inversão de valores:

Como o que arma a funda com pedra preciosa, assim é aquele que concede honra ao tolo. (Provérbios 26:8)

Ora, alguém que usa um diamante como pedra, para lançar numa funda, é alguém que não sabe discernir o valor das coisas. Dá valor ao que não tem, e menospreza o que é valioso.

Assim também a percepção espiritual precisa ser obtida de Deus através da oração e prática do amor, para que possamos avaliar as coisas pertinentes ao Reino de Deus, e nos tornarmos frutíferos para Deus.

...para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus. (Filipenses 1:10,11, NVI)

À medida em que o nosso amor cresce em conhecimento e percepção, escolheremos agir e viver no melhor de Deus para nossas vidas. Podemos desfrutar de alegria, quando tudo ao nosso redor vive em tristeza. Podemos desfrutar de paz, quando o mundo vive em meio ao caos. Tudo isso porque conhecemos e percebemos a realidade do Reino de Deus dentro de nós, não nos conformando a nada inferior a realidade Celestial!

Assim, nossas vidas darão glória e louvor a Deus, por meio de Jesus Cristo.

Pr. Wendell Costa


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FONTES (além da Bíblia):

  1. Gemólogo fala da necessidade de conhecimento do mercado para lidar com pedras preciosas. Link: https://confea.org.br/gemologo-fala-da-necessidade-de-conhecimento-do-mercado-para-lidar-com-pedras-preciosas
  2. 5 diferenças entre pedra natural e pedra sintética. Link: https://alcidino.com.br/5-diferencas-entre-pedra-natural-e-pedra-sintetica/
  3. Dicionário de grego e latin Logeion (Universidade de Chicago). Link: https://logeion.uchicago.edu/

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quinta-feira, 11 de março de 2021

NÃO SE PRIVE DA GRAÇA DE DEUS


Através do Senhor Jesus Cristo, Deus derramou a Sua graça sobre os homens, pagando os nossos pecados e nos tornando Seus filhos. Tudo isso de forma gratuita, por meio da fé. Mas você sabia que você mesmo pode se privar da graça de Deus?

O escritor da epístola aos Hebreus traz um seríssimo alerta para a igreja do Senhor:

Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. (Hebreus 12:15)

Na tradução, onde foi usado "tendo cuidado", perdemos um pouco da ênfase original, onde o escritor usa o verbo episkopeo, que significa vistoriar, inspecionar cuidadosamente. Isso mostra a importância que se deve dar ao que ele explica em seguida, pois as consequências são graves.

Por mais que a salvação que Cristo trouxe venha mediante a fé, a nossa fé pode ser contaminada de diversas formas. Uma delas é deixar que sementes malignas brotem em nossos corações e comecem a produzir fruto. No caso do verso acima, ele fala sobre uma "raiz de amargura" que brota e pode contaminar muitos.

Muitas pessoas culpam a Deus quando as coisas não vão bem, quando a pessoa não é curada, quando coisas ruins acontecem, ao invés de examinarem os seus corações e aprenderem se não houve uma raiz maligna que brotou e bloqueou a graça de Deus em sua vida.

No livro de Tiago, ele também alerta para as consequências de sementes malignas que brotam dentro da comunidade cristã (sim, Tiago falava para cristãos!). Ele assim afirma:

Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. (Tiago 3:16)

Observe que onde é desenvolvida inveja e espírito faccioso (divisões internas, disputas, rixas etc.) ali ocorre toda obra perversa. Aí inclui, por exemplo, doenças, acidentes, dentre outras obras diabólicas.

Nestes últimos tempos, nos mantermos puros da contaminação do mundo é um grande desafio para o cristão sincero, pois os ataques entre pessoas cristãs, até pastores, têm sido muito comum.

Todos se acham no direito de comentar, criticar e condenar tudo, mesmo que não tenham nada a ver com o assunto. Com isso, atraem para si juízo e se privam da graça de Deus em Jesus Cristo. Devemos deixar as críticas e todo julgamento para aqueles que estejam na posição necessária para isso. Nem todo assunto é necessário lançarmos nossa opinião, porque, geralmente, trará algum nível de julgamento de nossa parte, e aí quem julga também é julgado (Mateus 7:1).

Se alguém te criticou, procure entregar a Deus todo juízo. Claro que, se for alguma acusação grave, que constitua crime, e você puder se proteger, precisará fazê-lo, mas não é o caso na maioria das vezes.

Procuremos viver em paz com todos, na medida em que isso estiver em nós. Ande, também, em alegria e esteja sempre vistoriando o seu coração, para ver se não alguma raiz maligna que possa produzir fruto ruim, o qual poderá privar (separar) você da graça do Pai. Não vale a pena trocar a graça de Deus e ficar sob a condenação do mundo.

Que a paz de Cristo seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Foi Deus Que Mandou o Coronavírus?


"O coronavírus é uma praga, um tormento enviado por Deus sobre quem Ele quiser. As doenças não acontecem por si mesmas, mas por mandamento ou decreto de Deus."
Com a chegada do coronavírus e a decretação da pandemia pela Organização Mundial da Saúde, muitos governos adotaram medidas de isolamento social, com o fim de combater a contaminação muito rápida, tentando evitar, desta maneira, a sobrecarga dos sistemas de saúde. Juntamente com a pandemia do vírus, veio também uma onda de explicações sobre as causas da praga.

Muitos cristãos entenderam que a pandemia do coronavírus é uma praga enviada por Deus e até mesmo conseguiram um versículo que daria base bíblica para o isolamento social, a fim de "escaparmos da ira de Deus":
"Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira." (Isaías 26:20)
Mas será que temos base bíblica para dizer que esta pandemia foi enviada por Deus para exercer juízo sobre os moradores da Terra? Incluindo os Seus filhos? Vamos examinar a questão à luz da Bíblia!

Pandemias não são algo novo


Sempre que ocorrem tragédias de maior magnitude, tais como terremotos, maremotos, ataques terroristas ou pandemias, Deus acaba sendo culpado por isso. Por exemplo, teve até pastor (famoso) afirmando que o ataque às torres gêmeas do World Trade Center foi um ato de Deus,  não apenas "permitido", mas "projetado" por Ele. Os cristãos parecem realmente ignorar a verdadeira natureza de amor de Deus, além de demonstrarem desconhecer a atual dispensação na qual estamos: A Graça!

Na sequência, falarei como funciona a ira de Deus na Graça, mas analisando algumas informações sobre a pandemia, vemos que estão sendo afetados principalmente os idosos [1]. Estaria Deus com raiva dos idosos e derramando sobre eles a Sua ira? Ora, falando em "ira divina", sabemos que é mencionada na Bíblia, mas é motivada pelo pecado e não pela idade.

Além disso, basta fazermos uma rápida pesquisa na história e veremos que terríveis doenças já assolaram o mundo depois de Cristo. Se tais doenças são manifestação da ira de Deus, então nem seria algo novo. A peste negra (peste bubônica), que atingiu o planeta no século 14, causou a morte de um número estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas [2].

A gripe espanhola (cujos sintomas são semelhantes ao Sars-CoV-2) assolou a humanidade em 1918, tendo, inclusive, matado o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, em 1919. O número estimado de mortes gira entre 40 a 50 milhões de pessoas [2].

Policiais de Seattle (EUA) vestindo máscaras cirúrgicas durante a pandemia de 1918 (Foto: Wikimedia Commons)

A ira de Deus explicada


A ira de Deus não é como a ira humana, esta é passional e variável, aquela é justa e invariável,  consistindo numa retribuição pelo pecado. Aqui na Terra, a ira de Deus é uma ação divina punitiva, antecipando o juízo que ocorrerá no final. Para os que conhecem Direito, podemos entender que a ira de Deus manifestada na Terra é semelhante a uma "decisão" que um juiz precisa tomar no decorrer do processo, mas ainda não é a "sentença final".

Entenda ainda que, para que o mal fosse refreado, Deus criou uma lei que tem a finalidade de restringir a maldade e promover o bem, nós a chamamos de Lei da Semeadura. Esta Lei diz que "tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6:7). Portanto, quando o homem colhe na Terra o resultado dos pecados, não é devido a uma decisão pontual divina, mas sim por causa de uma lei.

Uma lei não é uma opção pessoal, mas sim uma regra GERAL, ou seja, vale para todos.

Agora, vejamos a explicação dada pelo apóstolo Paulo que, pelo Espírito Santo, nos revela como opera a ira divina:
"Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
(...)
Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
(...)
Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
(...)
E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;"
(Romanos 1:18, 24, 26, 28)
Lendo os versos anteriores, observamos que a ira divina consiste simplesmente em abandonar os homens aos seus próprios desejos pervertidos. Assim fazendo, os homens serão destruídos pelos seus próprios pecados, cometidos a partir de seus desejos infames. O diabo se alimenta disso e obterá acesso ao homem para dominar sobre ele, trazendo roubo, morte e destruição (João 10:10).

Ao entregar-se ao pecado, o homem sofrerá consequências de tais atos, e estas consequências serão manifestadas a partir da Terra, não por ter chegado o momento do julgamento final, mas por causa da Lei da Semeadura.

Todos os que estão sem Cristo estão sob a ira



"Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." (João 3:36)
Todos os homens se tornaram pecadores (Romanos 3:23) e ficaram sob a ira de Deus, mas Cristo veio ao mundo para nos salvar dessa situação. Através de Sua morte e ressurreição, temos a possibilidade de sermos justificados, tendo os pecados removidos e, assim, herdar a vida eterna.

Contudo, este livramento não é automático, pois é necessário que a pessoa creia de todo o coração no Filho de Deus e em Seu sacrifício por nós. Uma vez salvo, você terá à sua disposição o poder de Deus, que Ele liberou através do evangelho.

Precisamos nos lembrar que TODOS NÓS já estivemos sob a ira de Deus, mas isso não significa que Ele nos destruiu, enviando pragas ou terremotos para nos matar...
"Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." (Efésios 2:3)
Deus esperou pacientemente cada um de nós, ao longo dos anos, a fim de demonstrar Seu amor e graça para conosco, nos revelando Seu perdão em Cristo. Ocorre que, como já vimos, o homem pecou e declarou independência do Reino de Deus, assim sendo, o próprio homem retirou Deus de sua vida e o Senhor deixou que o homem fizesse sua escolha, embora tenha alertado das consequências dela.

Não há vida verdadeira fora de Deus.

No que diz respeito à ira futura, chegará o tempo do juízo final sobre todo o pecado. Veja bem, o juízo é sobre o pecado e, consequentemente, sobre toda criatura que adota a natureza pecaminosa. Assim, quando nos ligamos a Cristo, nossos pecados são aniquilados n'Ele, e somos livres da ira contra o pecado, tanto agora como no futuro.
"...e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura." (1 Tessalonicenses 1:10)


A ira sobre Israel


O povo de Israel tinha uma aliança onde eles seriam abençoados, caso observassem os mandamentos da Lei, ou cairiam sob maldição, se não guardassem a Lei. A própria Lei de Moisés afirmava que os mandamentos tinham caráter perpétuo.
"Portanto, guardai isto por estatuto para vós e para vossos filhos, para sempre." (Êxodo 12:24)
Como sabemos, a nação de Israel como um todo não aceitou Jesus Cristo como o seu Messias e, por isso, caiu nas maldições previstas na Lei de Moisés, sendo espalhados pelas nações e sofrendo a ira justa de Deus, conforme tudo quanto estava escrito.

Além de não receberem o Salvador - o qual foi enviado inicialmente para eles -, eles foram os primeiros perseguidores da Igreja. Assim, Deus os entregou à destruição através do Império Romano, durante a invasão de Jerusalém, evento citado por Paulo no versículo seguinte:
"E nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim." (1 Tessalonicenses 2:16)

As doenças vêm de Deus?


Geralmente as pessoas que dizem que o coronavírus (e demais catástrofes) vêm de Deus são pessoas que creem que Deus é quem coloca doenças sobre as pessoas. Mas a Palavra mostra que a opressão advinda das enfermidades são obra de satanás e não de Deus:
"...como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele." (Atos 10:38)
Note que todas as pessoas que Jesus curou estavam sendo oprimidas pelo diabo e não por Deus. Ora, caso as doenças fossem uma obra de Deus, não adiantaria orarmos contra a vontade de Deus! Durante a vigência da Lei de Moisés, Deus deixou claro que se o povo obedecesse, Ele os livraria das enfermidades, mas se não O ouvissem, sofreriam todo tipo de doenças (Deuteronômio 28). Isso mostra que doença é maldição e não bênção, e de Deus só vêm boas dádivas e dons perfeitos (Tiago 1:17).

A obra de Jesus consistiu em justamente levar sobre Si mesmo os pecados e as doenças e nos libertar da escravidão, nos tornando justos aos olhos de Deus pela fé e não por obras. Assim, podemos desfrutar dos benefícios da justificação e não suportamos o peso de ter que prover a salvação para nós mesmos (Efésios 2:8).

Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando a todos (os que criam) e não colocando doenças sobre as pessoas. Jesus é a exata imagem de Deus! Se você quer saber quem Deus é, olhe para Cristo!

O assunto Cura Divina é mais extenso e não daria para escrever sobre tudo isso aqui nesta postagem. Então, caso você se interesse, coloco aqui o link de uma série de estudos meus sobre este tema (12 vídeos com um total de 8 horas de ministração):

Série sobre CURA DIVINA (YouTube)

A ira e os sofrimentos terrenos


Podemos resumir a questão da ira divina em três categorias:

  1. IRA GERAL - Sob a qual todos nós já estivemos e que consiste em Deus nos abandonar às nossas próprias vontades, não intervindo em nossas vidas para nos guiar e livrar.
  2. IRA ESPECÍFICA - Decisão punitiva antecipada com a finalidade de barrar o mal e evitar uma destruição maior, por exemplo, a ira sobre Israel, que perseguiu a igreja logo em seu início.
  3. IRA FUTURA - Juízo final sobre o pecado em toda a Criação.

Observando, por fim, que a ira vai se agravando na medida em que os homens rejeitam o conhecimento de Deus e retém a verdade das pessoas, preferindo a injustiça (Romanos 1:18-32). Creio que estamos chegando a uma situação mundial que demonstra essa rejeição a Deus. As consequências são graves.

Através da salvação provida por Deus em Cristo, mediante a fé, somos salvos da ira contra o pecado, tanto a presente como a futura. Contudo, você deve entender que vivemos em um mundo caído, onde a vontade de Deus NÃO é estabelecida (ao contrário do que dizem alguns, que tudo o que acontece aqui é porque "Deus quer", o que é uma grande mentira). Assim, devido à queda do homem, mesmo nós que estamos em Cristo sofremos as consequências do pecado e do fato de que a maior parte da humanidade rejeitou a salvação.

Esta situação só será plenamente resolvida quando do juízo final, onde haverão novos Céus e nova Terra, nos quais habitará a justiça (2 Pedro 3:13).



RESPONDENDO ÀS PERGUNTAS


Nesta parte, vou tentar responder, resumidamente, algumas das perguntas que me foram feitas com relação à pandemia do coronavírus.

1) O coronavírus é a "mão de Deus" pesando?
Não. As doenças são consequências gerais do pecado, elas atingem todo o planeta e a humanidade em geral. Nós como cristãos temos direito às promessas de saúde, por estarmos em Cristo, mas é necessário edificar a nossa fé nessa área, a fim de não sofrermos junto com o resto do mundo. A ira de Deus não está sobre o Corpo de Cristo - a Igreja -, pois se assim fosse, o sacrifício de Cristo não teria sido suficiente. A obra de Cristo (que é a exata Imagem de Deus) foi no sentido de curar e não de enviar doenças.

2) A passagem em Isaías 26:20 é uma profecia sobre o coronavírus?
Se lermos todo o contexto ao redor do versículo, veremos que fala da volta de Jesus e do juízo final. Ainda não estamos nesse momento, portanto a passagem não poderia se referir ao coronavírus. Além disso, se fosse uma profecia para hoje, todos os cristãos deveriam se trancar nos seus aposentos até que a propagação do vírus passasse, e isso não é possível. Muitos profissionais cristãos (médicos, enfermeiros, policiais, caminhoneiros, agricultores, supermercado, dentre outros) não podem simplesmente se trancar em casa e parar de trabalhar, senão haverá fome, mortandade, assaltos etc. Eu chamaria até mesmo de irresponsabilidade usar tal passagem bíblica para essa situação atual.

3) Devemos interceder ou repreender a praga?
Devemos interceder sim por todos, principalmente pelos governos, para que Deus dê a eles sabedoria para lidar com a pandemia. Também devemos orar para que o Senhor mostre um remédio/vacina eficaz para o combate à virose. Aqueles que creem na saúde divina podem (e devem) orar por livramento e cura, por si mesmo e pelos seus, não temos autoridade para repreender a doença sobre todo o mundo, porque cada pessoa precisa crer. Aos que não creem, estarão desprotegidos, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6). Mas recomendo que assistam a série sobre cura e comecem a edificar a fé nessa área.

4) O coronavírus é consequência do pecado?
Sim. Vivemos em um mundo caído, e a terra produzirá doenças, pois está sob maldição (Gênesis 3:17). Isso passou a ocorrer após o pecado de Adão, onde a morte entrou. Quanto mais as pessoas pecam mais dão lugar ao diabo e às catástrofes naturais. O cristão precisa ser guiado pela Palavra e pelo Espírito Santo para poder escapar de tais coisas.

A propósito, a citação abaixo (que também está no início deste texto) é dos terroristas do Estado Islâmico e não de um cristão, muito embora já ouvi até pastores dizerem coisas semelhantes a essas. Infelizmente, muitos cristãos têm a mesma visão do nosso Deus e Pai que os terroristas têm do seu deus.

"O coronavírus é uma praga, um tormento enviado por Deus sobre quem Ele quiser. As doenças não acontecem por si mesmas, mas por mandamento ou decreto de Deus." (Al-Naba, revista do Estado Islâmico) [3]

Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja com você.

Pr. Wendell Costa


REFERÊNCIAS


[1] Coronavírus: 10% dos mortos no Brasil têm menos de 60 anos
Taxa é maior do que na China, apesar de a letalidade ser comprovadamente maior entre idosos
Jornal O Globo: Constança Tatsch, Elisa Martins e Rafael Garcia, 01/04/2020. LINK: https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/coronavirus-10-dos-mortos-no-brasil-tem-menos-de-60-anos-24342985

[2] Conheça as 5 maiores pandemias da história
O coronavírus não é o primeiro causador de pandemias mundiais. Relembre outras doenças que mudaram os rumos da história da humanidade
Revista Galileu: LETÍCIA RODRIGUES. 29 MAR 2020. LINK: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/03/conheca-5-maiores-pandemias-da-historia.html

[3] Estado Islâmico recomenda que terroristas não entrem na Europa para evitar coronavírus.
Revista publicada pelo grupo pede que seguidores 'não entrem na terra da epidemia'
Jornal O Globo, 15/03/2020. LINK: https://oglobo.globo.com/mundo/estado-islamico-recomenda-que-terroristas-nao-entrem-na-europa-para-evitar-coronavirus-24306476

segunda-feira, 9 de março de 2020

Posso Tomar a Ceia em Pecado?


Nos meus anos de pastoreio e liderança já me deparei com essa pergunta diversas vezes, feita de diversas formas:
  • Pastor, posso tomar Ceia sem ser batizado nas águas?
  • Posso tomar Ceia sentindo raiva de alguém?
  • Posso tomar a Ceia se não for casado no civil?
  • Pastor, eu bebo chimarrão e tereré, posso tomar Ceia?
  • Etc.
Acredite-me: já me fizeram todas essas perguntas... Se você não tem dúvidas sobre as respostas, saiba que muitos cristãos têm! Antes de responder às perguntas acima, vamos entender o que é a Ceia do Senhor, de acordo com as Escrituras.

O Que é a Ceia


Pouco antes de ser levado preso para ser crucificado, durante a celebração da Páscoa, junto com os discípulos, Jesus estabeleceu a Ceia como um memorial que deveria ser praticado pelos Seus seguidores. Vemos esta passagem no evangelho de Lucas:
"E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim." (Lucas 22:19)
O apóstolo Paulo explica o sentido da Ceia, em 1 Coríntios 11. Na ocasião, Paulo escrevia à igreja de Corinto, a fim de "ajustar" o comportamento desregrado que ocorria naquela igreja, durante o momento da Ceia. Dentre outras orientações, Paulo fala sobre o propósito daquele momento:
"Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Coríntios 11:25,26)
Assim, vemos que a Ceia do Senhor foi dada por Jesus em substituição à Páscoa judaica, que era a festa que tinha o propósito de lembrar ao povo de Israel da libertação da escravidão do Egito. Quando Deus falou a Moisés para a criação da Páscoa, Ele ordenou que esta festa serviria para lembrar da grande libertação que Ele daria ao povo.
"E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo." (Êxodo 12:14)
Assim como a nação de Israel deveria estar sempre se lembrando daquele evento, a partir do qual eles foram libertos da escravidão e viraram povo independente e consagrado ao Senhor, assim também Jesus nos dá um memorial, que deve servir para lembrarmos do sacrifício de Cristo por nossos pecados, evento este que nos libertou da escravidão de satanás, nos dando a cidadania do Reino de Deus.
"Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós." (1 Coríntios 5:7)


Os Elementos da Ceia


A Ceia do Senhor traz dois alimentos, que são o pão e o vinho (este, geralmente, substituído por suco de uva). Jesus (e Paulo) não usa o termo "vinho", mas sim "cálice", por isso não vejo problema em se usar suco de uva no lugar do vinho, muito embora, originalmente, me parece que eles realmente usavam vinho, já que Paulo critica a igreja de Corinto pelo fato de que pessoas se embriagavam durante a Ceia (1 Cor 11:21).

Vamos examinar o texto que mostra o sentido dos elementos da Ceia:
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; (...)"
(1 Coríntios 11:23-25)

O PÃO

O pão representa o corpo de Cristo, que foi "partido" por nós. Isto quer dizer que o Corpo de Cristo, que estava contido em apenas um homem - Jesus - foi dividido, para se tornar a Igreja. O Espírito de Cristo, agora, passa a habitar dentro de cada cristão, formando um Corpo espiritual. Pouco depois de falar sobre a Ceia, Paulo fala: "Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular." (1 Coríntios 12:27). Assim sendo, o pão partido representa que fazemos parte deste Corpo, pelo fato de termos aceitado a salvação trazida por Jesus.

O CÁLICE

Um cálice, metaforicamente, era uma situação que alguém poderia passar, boa ou má. O termo foi usado extensamente nas Escrituras, geralmente significando algo árduo de se passar, muitas vezes usado como representação do juízo divino. Caso você queira ver alguns versículos nesse sentido, coloquei alguns abaixo:
  • representando juízo divino: Isaías 51:17, Ezequiel 23:33, Apocalipse 14:10;16:19
  • representando salvação: Salmos 16:5; 116:13
No caso do cálice de Cristo, ele representa o sangue que Jesus derramou para pagar por nossos pecados e, de fato, todo o martírio de Jesus, o qual culminou com a Sua crucificação, tomando o nosso lugar. Assim como o povo de Israel sacrificou milhares de cordeiros, inaugurando a Páscoa Judaica, assim Jesus foi sacrificado por toda a humanidade. Jesus recebeu sobre Si a ira de Deus (sobre o pecado), daí o uso do termo "cálice" para representar o sofrimento do Senhor Jesus.
"Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua." (Lucas 22:42)


Uma figura ou representação


Os elementos da Ceia REPRESENTAM coisas, a saber: o pão, representando o Corpo de Cristo, que foi partido e hoje é a Igreja; o cálice, representando o sofrimento de Cristo, que derrama Seu sangue pelos nossos pecados.

Isto é muito importante e precisamos entender bem, para não invertermos as coisas! Os elementos pão e suco NÃO são mais importantes que as coisas que eles representam!

O Corpo de Cristo é muito mais importante que o pedaço de pão que você come na Ceia. A obra redentora de Jesus é muito mais importante que o cálice de suco que você toma! Aliás, estes elementos não teriam sentido especial algum se não fosse pelo que representam.

Infelizmente, pessoas carnais tendem a focar nas coisas terrenas e não nas espirituais. A falsa religião acaba invertendo as coisas de Deus e troca as prioridades de lugar. Não é de se admirar que a Ceia é uma das coisas que tem seus valores invertidos. Vamos entender...

Se alguém está em Cristo é uma nova criatura. Espiritualmente, ela foi "batizada em Cristo" e agora é parte do Seu Corpo, chamado de "Igreja". Quando a pessoa pratica a Ceia do Senhor, ela apenas está trazendo à sua memória este fato. Novamente repito: a Ceia é uma representação, não a coisa real.

Se Deus recebeu alguém como filho, e não vai rejeitá-lo por qualquer motivo, então não deveria tal pessoa deixar de cear por qualquer motivo. Embora este pequeno estudo não possa ser usado para esclarecer todas as verdades que dizem respeito à salvação, precisamos entender alguns pontos básicos.

Perdemos a salvação quando pecamos?


Este é um assunto onde existem muitas correntes doutrinárias, e não vejo como eu poderia esclarecer tudo nesta postagem. Pretendo dar uma visão geral sobre isso, correndo o risco de ser criticado em um ou outro ponto, mas creio que vale a pena correr o risco, a fim de ajudar aqueles que, de forma sincera, querem agradar a Deus, mas estão se condenando e deixando de cear, devido às regras de homens e/ou condenação vinda da sua própria consciência.

Um grupo cristão prega que uma pessoa, ao realmente se converter a Cristo, será salva e não pode perder a salvação, pelo fato dela ser uma decisão unicamente de Deus. Assim sendo, seus pecados jamais poderiam levar você a perder a sua salvação.

Um outro lado prega que qualquer pecado fará com que você perca o seu status de justo perante Deus, sendo necessário que você confesse cada novo pecado cometido, caso contrário, se você morrer, irá para o inferno.

Afinal, qual a visão correta?

Bem, de acordo com a Bíblia, a salvação não é algo que venha de nós mesmos, ela é dada como um dom:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;"
(Efésios 2:8,9)
Ora, no grego, de forma semelhante ao inglês, o verbo "ser" é o mesmo que "estar", assim sendo, o versículo acima também poderia ser traduzido como "pela graça estais salvos", pois o tempo verbal está no presente. Não há nada no Novo Testamento que indique que somos salvos pela graça, mas depois nos mantemos salvos através das obras!

A salvação vem pela fé em Jesus Cristo, e nós permanecemos salvos também pela fé, não por obras.

Contudo, SE realmente fomos salvos, as obras de justiça começarão a ser praticadas, como consequência da mudança que aconteceu em nosso espírito. Jesus trata dessa questão quando diz que a árvore se conhece por seus frutos (Mateus 7:17-18; 12:33, dentre outros). Ou seja, se você nasceu de Deus, seu espírito é uma nova criatura, e você começará a andar em santidade como uma CONSEQUÊNCIA de sua salvação, não como causa.

Assim, entendo que mesmo quando você não anda de forma perfeita e comete pecados não intencionais, poderá participar da Ceia normalmente, pois estará em plena comunhão com Cristo. Como a Ceia é tão somente um memorial, caso o cristão precisasse ser perfeito para participar dela, praticamente nenhum poderia participar.

Os que impõem esse tipo de regra, proibindo as pessoas de participar da Ceia do Senhor por causa de alguns tipos de falha ou pecado, também pecam, mas participam da Ceia assim mesmo. Com isso, uma hipocrisia é vivida dentro das igrejas.




O que ocorre quando pecamos?


Vou tentar, de forma resumida, falar um pouco sobre a questão do pecado para alguém que foi salvo. É importantíssimo enfatizar que, SE alguém é salvo, tal pessoa será uma nova criatura em seu espírito (2 Coríntios 5:17), conforme já dito. O novo nascimento ao qual Jesus se referiu em João 3 é um renascimento espiritual e não material.

Quando somos salvos, já recebemos um novo espírito da parte de Deus, o qual é essa nova criatura. Este é um espírito novo, recém criado e que traz a imagem de Deus. Cristo está neste novo espírito (1 Coríntios 6:17) e, por isso, ele não pode pecar:
"Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus." (1 João 3:9)
Assim, quando cometemos algum pecado, este pecado não atinge o nosso novo espírito, pois ele foi selado pelo Espírito Santo (Efésios 1:13), a fim de que não percamos a salvação devido a sermos falhos ainda. Esta limitação será retirada quando da ressurreição dos nossos corpos, na segunda vinda de Cristo. Ali receberemos novos corpos glorificados, semelhantes ao que Jesus possui hoje, e não poderemos mais pecar.

Podemos continuar no pecado já que somos salvos pela graça?


Esta pergunta pode parecer tola, mas não é! O apóstolo Paulo precisa respondê-la duas vezes no livro de Romanos, capítulo 6, versos 1 e 15. Como não é o escopo desta postagem, não entrarei em detalhes aqui, mas o pecado tem sim efeitos nocivos para o cristão e é totalmente desencorajado na Nova Aliança. Em resumo, podemos dizer que a Graça não foi dada por Deus para que pudéssemos continuar vivendo para o pecado e ir para o Céu. A graça foi dada para que pudéssemos viver para Deus e escapar do pecado.

O pecado endurece o nosso coração para Deus (Hebreus 3:13) e dá lugar ao diabo (Efésios 4:27). Portanto, devemos buscar a santidade sempre, a fim de que possamos ser frutíferos para o Senhor e desfrutarmos da realidade do Seu Reino na Terra.

Além disso, ao termos consciência do pecado, ela (a consciência) nos acusará e isso trará condenação sobre nós, permitindo que satanás nos atinja no corpo e na alma. Por isso, quando nossa consciência nos acusa, devemos tratar dela através da confissão (reconhecimento) de nossos pecados, para fechar este espaço que o inimigo obtém em nossas vidas.

Também é extremamente necessário crescermos no conhecimento de Deus, para entendermos a Sua vontade e não ficarmos nos acusando por coisas que não são, de per si, pecaminosas.



Examinando-se a Si Mesmo


Considerando tudo o que já vimos, podemos, agora, entender as orientações de Deus nos versos seguintes:
"Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.
Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor."
(1 Coríntios 11:28,29)
Quando nossa consciência está contaminada pelo pecado, trazemos condenação sobre nós mesmos. Assim, é fundamental termos uma atitude de auto exame, a fim de confessarmos os nossos pecados. Esta não deve ser uma atitude apenas no momento da Ceia, mas durante toda a nossa vida, embora que a Ceia é um momento que nos convida a isso, devido a estarmos trazendo à memória o preço que foi pago pelos nossos pecados e o Corpo do qual fazemos parte.

Aqui encontramos um dos grandes problemas da Ceia: as pessoas simplesmente deixam de celebrar a Ceia com medo de serem condenadas, contudo não tratam a questão do pecado em si. O problema não é a Ceia, mas sim o pecado e a consciência acusando.

Se você está em comunhão com Cristo não faz sentido deixar de participar da Ceia, como se esta fosse mais importante do que a própria salvação! Se você estiver vivendo em pecado, com ou sem participar da Ceia, isso vai afetar a sua vida, endurecendo seu coração para Deus e dando lugar ao diabo. Deixar de cear não vai mudar isso.



Conclusão


Assim sendo, considerando que a Ceia é uma representação de uma realidade espiritual, não há sentido em se deixar de cear se você estiver em comunhão espiritual com Cristo. E caso esteja sendo acusado de pecado, deve confessar e deixar o referido pecado. Deixar de cear não vai impedir o diabo de roubar, matar e destruir na sua vida.

Agora vou responder as perguntas iniciais, com base em tudo o que foi falado anteriormente:

Posso tomar Ceia sem ser batizado nas águas? Sim, mas se sua igreja proíbe isso, então respeite as regras da sua igreja.

Posso tomar Ceia sentindo raiva de alguém? Sim, mas aja em fé e perdoe a pessoa, ainda que os sentimentos perdurem por algum tempo, o que é perfeitamente normal. Você também não precisa conviver com pessoas que te fazem mal.

Posso tomar a Ceia se não for casado no civil? Sim, mas por isso ser motivo de escândalo, você deve procurar resolver esta situação. Caso sua igreja também não concorde, você deve respeitar e não participar da cerimônia da Ceia, mas não por causa de Deus.

Pastor, eu bebo chimarrão e tereré, posso tomar Ceia? Sim, porque o que contamina o homem não é o que entra no homem, mas o que sai do homem. Embora eu não goste de chimarrão (achei horrível quando provei), sei que há gosto pra tudo neste mundo...

E, por fim...

Posso Tomar a Ceia em Pecado? Não! Porque se você estiver com consciência de pecado, isso vai trazer condenação a você! Se você entende que está indigno diante de Deus, essa situação precisa ser resolvida com urgência, pois terá consequências negativas em sua vida. Seu problema não é a Ceia, mas sim as consequências de abrir a porta para o inimigo e deixar de desfrutar da realidade do Reino de Deus.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém!

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 2 de março de 2020

LÍNGUAS ESTRANHAS - O QUE É ISSO?


"Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo. Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir." (Isaías 28:11,12) 
"Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor." (1 Coríntios 14:21)
O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê nele, Deus também dá testemunho de que Sua Palavra é verdadeira através de certos sinais que seguem aos discípulos. Um destes sinais é que eles "falariam novas línguas" (Marcos 16:17). No entanto, muitas denominações negam este dom e existe toda uma doutrina para tentar provar que, na verdade, as línguas citadas no Novo Testamento por Jesus e pelos apóstolos são idiomas estrangeiros que Deus concedeu, na época, para que os discípulos pudessem evangelizar rapidamente o mundo.

Infelizmente, satanás conseguiu infiltrar uma mentira na igreja com diversas finalidades:
  • roubar, através do engano, um dos principais sinais sobrenaturais que o Senhor dá para confirmação do evangelho;
  • impedir os cristãos de serem edificados;
  • impedir a intercessão com o auxílio sobrenatural do dom de línguas;
  • provocar divisão na igreja, etc.

A única forma de combatermos a mentira é com a verdade, pois quando conhecemos a verdade somos libertos do poder de satanás, o pai da mentira (João 8:44).



O que é o dom de línguas


O que as Escrituras explicam sobre o que seria o falar em línguas? Bem, vamos ver um versículo que dá uma definição clara sobre isto:
"Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1 Coríntios 14:14)
Os termos grifados foram acrescentados pelo tradutor e não fazem parte do texto original grego e, por isso, não aparecem em algumas traduções (a versão acima foi tirada da João Ferreira de Almeida Corrigida Fiel). Bem, ficando com o texto original, temos o seguinte:


"Se eu orar em língua, meu espírito ora, mas meu entendimento ("mente", ou "intelecto") fica sem fruto (estéril)"
No verso seguinte, temos o seguinte:

"Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento." (1 Coríntios 14:15)

Pelo texto bíblico, e ao contrário dos falsos ensinos, a oração em línguas nada mais é do que o nosso próprio espírito falando com Deus. Nossos espíritos foram recriados no momento em que nós aceitamos Jesus como nosso Senhor e Salvador, assim como está escrito em 2 Coríntios 5:17, que diz que somos "novas criaturas".

Jesus falou sobre esse "novo nascimento" em João 3, quando conversou com o mestre judeu Nicodemos, explicando a ele que era necessário que nascesse de novo, para que pudesse ver ou entrar no Reino dos Céus. Cristo falou algo muito importante e fundamental para entendermos o que é o dom de línguas. Assim está escrito:
"O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." (João 3:6)
O novo nascimento não é um nascimento físico, mas sim espiritual. Deus nos muda na parte mais íntima de nosso ser: o espírito. O nosso novo espírito, que recebemos da parte do Pai, por meio do Espírito Santo, é a "nova criatura" falada em 2 Cor 5:17, citado acima. E ele é perfeitamente funcional, não é como nossos corpos físicos, que vão se desenvolvendo ao longo do tempo.

Quando nós nascemos, não sabemos falar. O idioma português (ou seja qual for o seu idioma materno) é aprendido de forma gradativa, na medida em que nossos pais vão nos ensinando. Em nossa vida escolar, principalmente, vamos aperfeiçoando o idioma, com o auxílio da língua escrita.

Contudo, isso não ocorre com o nosso espírito, pois ele já foi dado "perfeito" (completo), quando do novo nascimento. Não tenho como me aprofundar neste assunto aqui, neste texto, mas tenho um estudo completo sobre o tema "espírito, alma e corpo", aqui mesmo em meu blog (link para a parte 1 deste estudo). Além dos textos, temos também uma série de vídeos sobre isso no canal do Ministério Águios.

O fato é que recebemos um novo espírito da parte de Deus, quando da nossa conversão, e este espírito é, repito, perfeito (completo). Um espírito sabe falar e ouvir, como qualquer ser inteligente criado por Deus. Muitos não compreendem como é um espírito e, por isso, não conseguem entender bem o dom de línguas.

Quando falamos em línguas, o nosso espírito é quem fala, mas o nosso intelecto não está produzindo as palavras. Esta separação existe por causa da diferença entre o espírito e a alma. Muitas igrejas e pessoas não sabem diferenciar o espírito da alma, então fazem toda uma confusão teológica para tentar combater o dom de línguas. Isso tem sido péssimo para o Corpo de Cristo, que perde um dos dons mais fundamentais na luta contra a carne, o mundo e o diabo.

Em nosso entendimento, não temos todo o conhecimento, porque nossa mente é limitada. O nosso espírito, por outro lado, não é tão limitado. Além disso, é no nosso espírito onde temos comunhão com o Espírito Santo. Desta forma, quando oramos em línguas, o nosso espírito sabe exatamente como orar. Por isso que a Palavra nos mostra que oramos "bem":
"De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito (...)
Porque realmente tu dás bem as graças (...)."

(1 Coríntios 14:16,17)

Não sabemos orar corretamente


Em Romanos 8:26, o Espírito Santo, através do apóstolo Paulo, nos revela que não sabemos como pedir da forma correta, exatamente devido às limitações do nosso intelecto. O nosso conhecimento não é perfeito, sempre falta alguma coisa. De fato, isso não é um problema, foi Deus quem nos criou desta maneira, pois assim, nós dependeríamos d'Ele mesmo, e das outras pessoas, para que pudéssemos crescer em nosso entendimento.

Com o pecado, o espírito humano foi separado de Deus e nós ficamos muito mais limitados, sem a nossa Fonte para nos conduzir. Assim, uma parte do homem morreu (no mundo espiritual, a morte quer dizer a separação eterna do Criador), e os nossos intelectos passaram a ser a principal forma como somos conduzidos no mundo.

A obra de Jesus foi feita a fim de nos restaurar por completo das consequências do pecado. Inicialmente, há a regeneração do nosso espírito à imagem de Cristo. Com isso, recebemos novamente a capacidade de sermos conduzidos plenamente por Deus, mesmo neste mundo caído.

O dom de línguas faz parte desta restauração, onde Deus nos dá a capacidade de orarmos com este novo espírito, recriado à imagem de Cristo. Agora sim, em espírito, podemos orar conforme a perfeita vontade de Deus, sem a barreira do nosso conhecimento parcial.

Existe um porém no que diz respeito a orarmos com o nosso espírito: nossa mente não compreende o que falamos!

Por causa disso, nossas orações precisam ser "divididas", ora falamos com Deus usando o nosso espírito (em línguas estranhas) ora falamos com o nosso entendimento, para que nossa mente também produza fruto. Além disso, o dom de línguas não produz nenhum efeito sobre o que está ouvindo nossa oração, caso ele não a compreenda.

Em outras postagens, falarei sobre o uso correto do dom de línguas.

Que a paz do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 9 de junho de 2019

No Secreto com o Pai


"E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente."
(Mateus 6:5-6)
Existem excelentes oradores que sabem usar muito bem as palavras e provocam uma impressão forte nas pessoas. Claro que não é errado orar em público, contudo, Jesus mostrou que a oração que Deus presta mais atenção não é aquela feita perante o público, mas a que é feita no privado, quando você estiver a sós com o Pai.

É comum as pessoas falarem sobre eu e minha esposa de forma positiva, elogiando a nós como casal, por nos verem juntos, ministrando, ou em outras ocasiões. Mas será que a vida pública de uma pessoa revela realmente como está o relacionamento íntimo do casal? Já vi muitos casais famosos que, diante das câmeras, ou perante a sociedade, pareciam estar super bem, mas, de repente, se separam.

Isso ocorre porque, na vida pública, nós apresentamos uma imagem meio que "maquiada" de nós mesmos, enquanto que no privado, somos quem realmente somos de fato (sem maquiagem).

É muito interessante quando Jesus fala que o Pai "está em secreto", ou seja, um relacionamento muito íntimo e pessoal não é algo público, mas secreto! Deus deseja esse tipo de relacionamento conosco: algo edificado na nossa vida privada. Assim, quando estivermos em público, orando, pregando ou fazendo qualquer outra coisa, poderemos ser verdadeiros no que diz respeito à nossa vida de oração. Não sendo necessário "simular" uma intimidade com Deus que não temos.

Se lembrarmos, ainda, de nossos momentos maravilhosos de amor com nossos cônjuges, feitos no secreto dos nossos quartos, compreenderemos o que Jesus quis dizer nos versos acima: um relacionamento íntimo, constante e prazeroso é desenvolvido "no secreto" e não de forma pública.

Jesus chama a atenção para o fato de que o Pai deseja orações que sejam fruto desse tipo de relacionamento - íntimo - com o Pai e não meros rituais religiosos. E isto só é conseguido através da nossa dedicação em nosso momento devocional diário, no "secreto" de nosso aposento, onde podemos construir essa intimidade.

O resultado desse tipo de relacionamento com Deus é mostrado por Cristo, quando diz que seremos recompensados "publicamente". A "honra" (reconhecimento público) é algo que vem quando adquirimos a sabedoria de Deus, a qual Ele ministra àqueles que O conhecem de forma mais íntima, assim com a Escritura nos revela em Provérbios 3:17:
"Vida longa de dias está na sua mão direita; e na esquerda, riquezas e honra." (Provérbios 3:16)
Enquanto que os que buscam a glória dos homens perderão a glória que vem de Deus!

Desenvolva uma vida de comunhão e intimidade com seu Pai Celestial, no seu "lugar secreto" de oração, adoração e meditação e deixe com Deus todo o restante. Deus sabe cuidar muito bem dos Seus filhos.

Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 20 de janeiro de 2019

O Espinho na Carne do Apóstolo Paulo - Parte 3


A falta de entendimento sobre o espinho na carne do apóstolo Paulo acabou se tornando uma brecha, na igreja, que traz incredulidade, principalmente no que diz respeito à cura divina. Creio que este entendimento foi superado nos textos anteriores, onde mostrei que o espinho era um demônio e que não foi enviado por Deus.

Além disso, procurei mostrar que não poderia ser uma doença, pois a Nova Aliança contém promessas claras sobre o fato de Deus já nos ter abençoado com cura e autoridade sobre demônios, de sorte que não existe a possibilidade de Deus "abrir exceção" e negar tais promessas. Caso ainda haja dúvidas em sua alma sobre tal verdade, recomendo o estudo da minha série de vídeos sobre cura divina, conforme citado no texto anterior.

Neste texto, explicarei a você porque Deus não pôde (isso mesmo, não "pôde") remover o espinho na carne de Paulo e quais as implicações disso para nós.

As perseguições por amor a Cristo


Entrarei em um assunto que também é vasto, assim como o assunto da cura, portanto, caso ainda restem dúvidas em seu coração, sugiro que você acompanhe a série de estudos (link para o primeiro texto e link para o primeiro vídeo da série) da nossa irmã Bruna Monastirski, acerca do sofrimento humano. Ela aborda esta temática de maneira mais profunda, sendo que, neste texto, darei apenas algumas pinceladas no assunto.


No texto passado, vimos que o espinho na carne remonta a pessoas através da quais o povo de Deus é perseguido. Isto acontecia no Velho Testamento e acontece no Novo. Pessoas são usadas pelo inimigo como instrumentos do mal a fim de nos bater, assim como foi com Paulo.

Jesus advertiu que aqueles que O perseguiram também perseguiriam os discípulos que viriam depois. O Senhor usou a seguinte lógica:
"Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa." (João 15:20)
O lado positivo desta verdade é que aqueles que, potencialmente, dariam ouvidos a Jesus também poderão nos dar ouvidos no que diz respeito à Palavra de Deus, ou seja, é uma moeda de dois lados.

Ora, voltemos a falar sobre as perseguições por amor a Cristo. Tal perseguição não tem origem natural, mas sobrenatural; o "deus deste século" cegou os homens descrentes de uma forma que eles não compreendem o que estão fazendo. Jesus chega a dizer, alguns versos depois, que o diabo levaria os homens "religiosos" a perseguirem o povo de Deus a ponto de lhe matar, mas crendo estar operando um serviço divino:
"Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus." (João 16:2)
Se conectarmos este verso acima com outros versos do evangelho de João, poderemos observar qual a origem dos desejos homicidas que enchem os corações dos perseguidores do evangelho:
"Mas agora procurais matar-me...
Vós [os judeus religiosos] fazeis as obras de vosso pai...
Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira."
(João 8:40,41,44)
Agora fica claro que o diabo impulsionava o desejo homicida naqueles que perseguiam o apóstolo Paulo, quando buscavam matá-lo. Isto aconteceu com nosso Mestre Jesus, aconteceu com Paulo e acontecerá com todo aquele que procurar servir a Deus. O nível de perseguição poderá ser maior ou menor, mas sempre existirá.

Nossa atitude diante da perseguição


Naturalmente, ninguém gosta de ser perseguido, pois a perseguição infligida pelo inimigo pode se manifestar de muitas formas cruéis. Pode começar com ataques verbais, tais como acusações, injúrias, mentiras, etc.; ou desbancar para coisas como prisões, tortura e morte. O nível de perseguição depende da medida de espaço que satanás consegue na sociedade respectiva: suas leis e sua cultura.

De fato, podemos entender, pela Bíblia, que, ao perseguir a Igreja, Jesus também se sente perseguido. Veja o que o próprio Cristo falou para Paulo, quando da ocasião do encontro na estrada de Damasco:
"E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. (...)"
(Atos 9:4-5)
Ao perseguir ferozmente os cristãos, Paulo, na verdade, estava perseguindo ao próprio Jesus. A Igreja é o Corpo de Cristo na Terra, conforme atestam as Escrituras (1 Coríntios 12:12; Efésios 1:23; Colossenses 1:18), e persegui-la é a mesma coisa que perseguir Jesus, a cabeça deste corpo. Afinal, ninguém pode afirmar que "o seu corpo é perseguido, mas a cabeça é deixada em paz".

De qualquer forma, o próprio Jesus deixou as orientações necessárias para que pudéssemos passar pela perseguição e, ainda, aproveitá-la para crescimento. Vejamos o que o Mestre falou:
"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós."
(Mateus 5:11-12)
Não há como você se alegrar em meio ao sofrimento se não tiver um alvo bem definido. Já ouvi relatos de pessoas que passaram anos estudando para entrar em algum concurso público de alto salário. São histórias semelhantes: abnegação, perseverança, foco, dentre outras palavras, são usadas para descrever esses momentos de esforço. Contudo, ao vencer a difícil etapa de passar no concurso, vem a recompensa na forma de um bom emprego, com estabilidade e segurança. Os poucos meses (ou anos) de estudo se transformarão em décadas de recompensa, tanto para si como para a família do felizardo concurseiro.

Quando se tem a promessa de uma boa recompensa, tem-se um fator que servirá de combustível para que encaremos os sofrimentos com um ânimo correspondente. Jesus não promete uma vida sem sofrimentos ou perseguições, mas Ele prometeu que seremos abençoados e felizes se nós formos perseguidos por amor a Ele, desde que tenhamos a atitude correta de olhar para o alvo, para a recompensa que nos está prometida.

O próprio apóstolo Paulo, ao escrever aos romanos, demonstra que possuía um alvo eterno que o motivava a avançar frente às adversidades:
"Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." (Romanos 8:18)

Sim, haverá perseguições por causa da Palavra, contudo o Mestre nos ensina que haverá um maior galardão e, quando Deus assim promete, podemos confiar que será uma grandíssima recompensa.

Paulo "entende o recado"


Quando o Senhor falou para Paulo "a minha graça te basta", Ele não estava dizendo um "não", mas estava redirecionando o coração do apóstolo para que este pudesse ter seu foco na recompensa que estava diante dele, e não nos sofrimentos causados pela pesada perseguição sofrida.

Vamos examinar o texto que estamos estudando aqui:
"Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte."
(2 Coríntios 12:8-10)
Afligido pela perseguição, Paulo ora ao Senhor para que este impeça o demônio de agir, através dos homens, a fim de esbofeteá-lo. O Senhor responde no sentido de que a graça seria suficiente para sustentá-lo.

Explico que graça se refere a tudo o que Cristo proveu na Cruz para nós: proteção, cura, provisão, vida eterna. Ao longo da história da vida deste grande homem, vemos que Deus protegeu Paulo da morte diversas vezes, inclusive de uma morte por apedrejamento (Atos 14:19), outra vez, da morte através da mordida de uma víbora (Atos 28:3-6), dentre outros livramentos. Além disso, Deus o supriu, o fortaleceu e o conduziu ao longo de décadas de perseguição e privação: a graça de Deus foi suficiente para Paulo.

Ao final de sua vida terrena, Paulo diz: "combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" (2 Timóteo 4:7) e se prepara para receber a sua "coroa" (verso 8), não uma recompensa terrena e temporária, mas uma recompensa eterna.



Por que Deus não remove a perseguição?


Esta é uma pergunta natural, principalmente para um novo na fé, embora muitos "velhos convertidos" não saibam respondê-la. Após este pequeno estudo, a pergunta, na verdade, deveria ser esta: Será que Deus pode impedir satanás de agir através de pessoas?

Tentarei respondê-la em poucas palavras, já que é uma questão que envolve um análise mais aprofundada.

Quando Deus criou Adão, não havia o pecado no homem. Sem pecado, satanás não poderia agir na humanidade. Quando satanás tentou Eva, ele a tentou para "comer da árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gênesis 3:1-6). Ora, Deus havia dito a Adão que se este comesse de tal árvore, ele morreria. Quando Adão comeu, aparentemente, não morreu, porque Deus falava de morte espiritual, embora a morte física haja acompanhado à espiritual posteriormente.

Quando Adão e Eva, voluntariamente, pecaram e comeram da árvore de conhecimento, eles abriram a porta para que satanás habitasse na Terra e pudesse influenciar o homem com conhecimento, desta vez, um conhecimento "misturado" (bem com mal). À medida que o homem se aprofundava no conhecimento maligno, satanás obtinha mais e mais acesso para manipular os seres humanos e estabelecer seu império de morte sobre a Terra. Algumas gerações após o pecado, simplesmente todo pensamento humano se tornou maligno (Gênesis 6:5), então Deus anuncia o dilúvio e prepara a salvação da humanidade através da Arca de Noé.

Basicamente, Deus não impede que um ser humano cometa pecado e dê lugar a satanás. Se Deus manipulasse assim a vontade humana, Ele teria criado apenas robôs, e não teríamos a capacidade de amar, pois o amor verdadeiro sempre será uma escolha. Como fomos criados "à imagem e semelhança de Deus", nos foi dada a capacidade de escolher entre amar ou não amar. Além disso, Deus entregou ao homem o domínio sobre a Terra (Gênesis 1:26-28) e, assim fazendo, Ele faz com que nós tenhamos que escolher escolher nosso caminho.

O Juízo de Deus


Deus estabeleceu que irá julgar o mundo e todas as obras dos homens (João 12:48; Atos 17:31; Romanos 2:16, dentre outros), mas tal dia ainda não chegou. Assim sendo, se Deus realmente fosse impedir satanás de operar através dos homens, Ele teria que executar o juízo final agora mesmo. Ocorre que ainda há tempo para arrependimento e salvação para a humanidade, embora este tempo esteja se esgotando.

Podemos, contudo, confiar no Senhor, sabedores que Ele, por Sua graça, irá nos conduzir neste mundo em trevas, nos livrando do mal e nos fortalecendo para que possamos cumprir nossa missão, assim como foi com o apóstolo Paulo.

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O Espinho na Carne do Apóstolo Paulo - Parte 2


No texto anterior (parte 1 desta meditação), pudemos compreender que não foi Deus quem enviou um mensageiro para afligir Paulo, algo que este intitulou "espinho na carne". De fato, era um mensageiro (anjo) de satanás e, portanto, desejava barrar a obra do Senhor na vida do apóstolo.


Nesta segunda parte, vamos examinar como agia o mensageiro de satanás na vida de Paulo, ou seja,
veremos como o "espinho" se manifestava no mundo natural. Muitos dizem que as Escrituras não revelam como o espinho se manifestava, contudo isto não é verdade.

Como o mensageiro de satanás agia


Vencida a primeira etapa, onde entendemos que o espinho na carne de Paulo não foi dado por Deus, mas sim pelo adversário, a fim de barrar a obra que Cristo fazia através daquele grande apóstolo, resta-nos compreender, ainda, como se manifestava o espinho na vida de Paulo. Seria uma doença? Seria algum sentimento de culpa? Seriam problemas financeiros?

Primeiramente, trataremos da teoria predominante de que seria uma doença no corpo de Paulo, a qual Deus se recusara a curar, a fim de "trabalhar" o caráter do apóstolo. Gostaria, no entanto, de enfatizar que não tenho como ensinar de forma aprofundada sobre o tema Cura Divina neste texto. Já ministrei um curso sobre este tema, o qual está disponível, gratuitamente, no canal do Ministério Águios, sendo composto por 12 vídeos de 40 minutos cada. Segue o link para a playlist dos vídeos:

Curso Completo de Cura Divina

Gostaria de tecer apenas algumas considerações sobre o fato de que não é possível que Deus tenha negado cura para Paulo, mas serão apenas pinceladas, pois o assunto é vasto. Enfatizo, mais uma vez, a importância de você assistir o curso sobre Cura, em especial, se você ainda tem qualquer dúvida sobre isso (inclusive, falo sobre o espinho na carne resumidamente no vídeo 11 desse curso).

Primeiramente, a natureza de Deus é de curar e não de adoecer, as doenças são resultado do pecado e do estado caído no qual o homem se encontra. Jesus, quando morreu na cruz, levou sobre Si mesmo tanto o pecado como as suas consequências. Esta obra de salvação foi completa, contudo ela não é automática em sua manifestação.

Por mais que Cristo tenha levado sobre Si nossas iniquidades e doenças (Isaías 53:4), é necessário recebermos esta graça através da fé. A fé vem quando conhecemos a Palavra e é fortalecida quando a praticamos. E isto era algo que o apóstolo Paulo fazia.

Como já falei anteriormente, Paulo não apenas ouviu falar sobre o evangelho, ele o recebeu diretamente de Jesus, por revelação. Paulo praticava o que pregava a ponto de se fazer exemplo para a Igreja:
"Sede meus imitadores, como também eu de Cristo." (1 Coríntios 11:1)
O poder de Deus dispensado através do apóstolo não era pouco, os milagres operados não eram comuns ou ordinários...
"E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias." (Atos 19:11)
Na ilha de Malta, onde o navio que Paulo estava naufragou, simplesmente todos os enfermos foram curados através dele, tão logo souberam da cura que havia sido feita no pai do príncipe do lugar (Atos 28:8-9).

Assim sendo, não há sentido ou fundamento em se falar que Deus "abriu uma exceção" na Sua Palavra a fim de manter Paulo prisioneiro de um demônio que o molestava com uma doença. Deus não pode negar-se a Si mesmo (2 Timóteo 2:13). Na Nova Aliança, Deus nos restaura a posição perdida no Éden, onde temos autoridade e poder sobre todo demônio pelo Nome de Jesus (Lucas 9:1Marcos 16:17-18).

Poderia citar, ainda, muitas outras verdade sobre cura e saúde divinas, mas não o faço aqui por não ser o foco deste estudo, além de quê, deixaria o estudo extremamente longo. Se tiver dúvidas sobre isto, assista aos vídeos do curso sobre Cura Divina que citei!

Já ouvi outras explicações para o espinho na carne, tais como "sentimento de culpa", ou ainda que as Escrituras não mostram como o espinho se manifestava. Tecerei algumas considerações sobre isso, embora creia que não há fundamento algum para tal afirmação.

O mensageiro era um demônio


Primeiramente, lembremo-nos de que o espinho na carne era um mensageiro (anjo) de satanás, ou seja, era simplesmente um demônio enviado pelo príncipe dos demônios a fim de "esbofetear" Paulo. Se imaginarmos que o demônio conseguia, continuamente, trazer sentimentos de culpa ao apóstolo, então estamos dizendo que o coração de Paulo estaria sempre cheio de sentimentos satânicos.

Ora, o próprio Paulo, pelo Espírito Santo, nos orienta a enchermos o nosso coração, sempre, do Espírito Santo (Efésios 5:18-20) e não permitir que nosso coração e mente sejam convencidos de culpa por satanás.

Paulo também afirma que Jesus morreu na Cruz para nos apresentar a Deus "santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis" (Colossenses 1:22, veja também Filipenses 2:15). De sorte que, Paulo tinha plena consciência de que era inculpável perante Deus, pelo sangue de Jesus Cristo, tendo sua consciência pura (Atos 24:16).

A Bíblia é muito clara quando afirma o que é o espinho na carne - um mensageiro/anjo de satanás -, mas será que ela explica COMO esse demônio agia? Veremos...

Satanás pode operar livremente no cristão?


Os demônios agem de diversas formas para atingir aos homens: doenças, acusações na mente ou coração, podem fazer uma pessoa "levitar" (Jesus foi transportado por satanás para o pináculo do templo judeu em Mateus 4:5), plantar sentimentos e ideias malignas na alma humana (homicídio, furtos, mentira e assim por diante), etc. Assim sendo, é compreensível que as pessoas pensem que o espinho na carne, que era um anjo de satanás, atingisse Paulo com doenças, sentimentos malignos ou algo do gênero.

No entanto, quando alguém se converte a Cristo, aceitando-o como Senhor e Salvador, este poder de atuação de satanás sobre o homem se torna limitado e depende da ignorância do cristão no que diz respeito às coisas de Deus. Espiritualmente, a pessoa é transportada do poder de satanás para estar sob o poder de Deus.

Quando Jesus apareceu para Paulo, Ele falou sobre o chamado do apóstolo. Dentre outras coisas, Jesus disse que Paulo seria usado...
"Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; (...)" (Atos 26:18)
Como é que Paulo abriria os olhos das pessoas e os converteria do poder de satanás para o poder de Deus?

Bem, a resposta é: através do evangelho! Quando nossos olhos são abertos, pela revelação da Verdade, poderemos exercer nossa vitória sobre o inimigo, vitória esta adquirida por Jesus através de Sua morte, ressurreição e ascensão aos Céus. Cristo nos liberta do poder (grego "exousia", que significa "autoridade") de satanás, ou seja, o inimigo não tem mais permissão para operar em nós, exceto se nós mesmos o permitirmos, seja por pecado ou por simples ignorância de quem somos em Cristo.

A origem do termo "espinho na carne"


Como bom fariseu, Paulo era versado nas escrituras do Velho Testamento, pois era um doutor da lei, discípulo de Gamaliel (Atos 5:34; Atos 22:3); não por coincidência, escreveu mais da metade dos livros do Novo Testamento. Por isso, seu linguajar é cheio de citações da Escritura velho testamentária. Vejamos dois versos que mostram a que se referem os espinhos:
"Porque, se de algum modo vos desviardes, e vos apegardes ao restante destas nações que ainda ficou entre vós, e com elas vos aparentardes, e vós a elas entrardes, e elas a vós,
Sabei certamente que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas nações de diante de vós, mas elas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos; até que pereçais desta boa terra que vos deu o Senhor vosso Deus."
(Josué 23:12,13)
"E subiu o anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado e disse: Nunca invalidarei a minha aliança convosco.
E, quanto a vós, não fareis acordo com os moradores desta terra, antes derrubareis os seus altares; mas vós não obedecestes à minha voz. Por que fizestes isso?
Assim também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão como espinhos nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço."
(Juízes 2:1-3)
Observando que a palavra "ilharga" quer dizer "qualquer um dos lados do corpo humano, dos quadris aos ombros". Basicamente, o Senhor falou que se o povo de Israel não expulsasse completamente as nações ímpias que estivessem na terra de Canaã, tais pessoas seriam como "espinhos na carne" deles. Ou seja, PESSOAS seriam como espinhos, e não doenças ou qualquer outra coisa.

Quem já teve algum espinho que penetrou em sua carne sabe muito bem qual é a sensação! Um espinho na carne é algo que está o tempo todo incomodando você, provocando dor. Em certos casos, um espinho na sua carne poderá impedir você de executar certas ações. Por exemplo: sou músico e toco violão, já tive espinhos encravados nos dedos da minha mão e sei que o tocar o instrumento pode até ser feito, mas com muita dor.

O espinho na carne de Paulo faria com que ele sentisse dor no cumprimento de seu chamado, pois pessoas seriam instrumentos de satanás para persegui-lo e afligi-lo, assim como foi com o povo de Israel.

Os sofrimentos de Paulo


Antes de falar sobre o "espinho na carne", Paulo já vinha tratando sobre os seus sofrimentos. De fato, precisamos lembrar que a divisão em capítulos e versículos na Bíblia não existe nos textos originais, tendo sido feita séculos depois.

Paulo vinha, desde o capítulo 11, falando sobre suas credenciais como apóstolo, em especial, os sofrimentos que passou pelo evangelho. Se nós analisarmos o que ele vem dizendo, poderemos perceber que ele cita pessoas como instrumentos de satanás:
"Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.
Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras."
(2 Coríntios 11:13-15)
Vemos que Paulo chama os falsos apóstolos de "ministros de satanás", inclusive usa a palavra grega ἄγγελος (ángelos), no verso 14, e que ele usará novamente mais à frente, em 1 Cor 12:7, quando diz que o espinho na carne era, também, um anjo. Sendo que, a palavra foi traduzida para "mensageiro".

Mas vamos continuar a ver os sofrimentos pelos quais Paulo passou:
"Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo;
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos;"
(2 Coríntios 11:24-26)
Se listarmos os sofrimentos de Paulo de forma mais organizada, observaremos que, boa parte deles tinha como "veículo" seres humanos. Na lista abaixo, excluí os sofrimentos que, provavelmente, eram relativos às forças da natureza (naufrágio, perigos de rios, desertos, etc.):
  • 5 quarentena de açoites dos judeus
  • 3 vezes açoitado com varas
  • uma vez apedrejado
  • perigos em viagens
  • perigos de salteadores
  • perigos dos da nação judaica
  • perigos dos gentios
  • perigos na cidade
  • perigos entre os falsos irmãos
Vemos que a grande maioria dos perigos e sofrimentos que Paulo passou era devido à perseguição que ele sofria através de pessoas, as quais serviam de instrumento de satanás para tentar impedir a propagação do evangelho através desse grande apóstolo de Cristo.

Se continuarmos a ler o capítulo seguinte, observamos que Paulo continua no mesmo assunto que já vem tratando no capítulo onze, ou seja, os sofrimentos que ele passava como apóstolo. Quando Paulo fala sobre o espinho na carne está, apenas, explicando a origem espiritual dos sofrimentos que ele passava, a fim de expor as suas credenciais apostólicas.
"Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.
Fui néscio em gloriar-me; vós me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós, visto que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, ainda que nada sou."
(2 Coríntios 12:10-11)

Conclusão


Paulo remonta a uma figura do Velho Testamento quando usa o termo "espinho na carne", o qual não se refere a doença ou sentimentos malignos, mas sim a pessoas, usadas por satanás para perseguir o povo de Deus.

Assim como foi na Velha Aliança, onde os inimigos de Israel eram comparados a "espinhos", assim, na Nova Aliança, os inimigos da Igreja e perseguidores de Paulo, também são chamados de espinhos, pois eram instrumentos para "esbofetearem" o fiel servo do Senhor.

No próximo texto, veremos o porquê da resposta dada por Deus e que é interpretada por muitos como um "não" de Deus.

Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja com a tua vida. Amém.

Pr. Wendell Costa

O Viver é Cristo e o Morrer é Lucro

Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. (Filipenses 1:21) Em meio à sua intensa vida apostólica, Paulo é preso em Jerusalém, ...