segunda-feira, 21 de março de 2022

O Desejo de Partir e Estar com Cristo


Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.
(Filipenses 1:23)

Estando preso e com grande probabilidade de ser morto ao chegar em Roma, o apóstolo Paulo faz uma impressionante afirmação em sua carta aos Filipenses: o seu principal desejo era, de fato, morrer!

Não, não é que Paulo amasse a morte – ou que fosse suicida ou algo do gênero –, mas, sim, que ele sabia que a morte física seria seu "passaporte" para o Paraíso, algo que, com toda certeza, seria bem melhor que a vida neste mundo caído.

Esta frase do apóstolo nos confronta com uma realidade bem forte hoje, que é a falta da convicção da vida eterna, convicção esta que muitos cristãos ainda não têm.

Cristo veio para nos dar vida eterna 

Uma das principais coisas que o cristão precisa ter é a certeza da vida eterna, pois foi exatamente para isto que Cristo veio ao mundo:

E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. (1 João 2:25)

Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece. (João 3:36)

Observe que, neste último versículo, a Escritura afirma que, quem tem Cristo, já tem, no tempo presente, a vida eterna. A vida eterna não é algo que teremos apenas no futuro, mas é algo que temos no presente, por estarmos espiritualmente ligados a Cristo.

Para compreendermos melhor essa questão, é fundamental entendermos que o ser humano é um ser espiritual e que espíritos não morrem, pelo menos não no sentido que conhecemos.


Espírito, alma e corpo

Deus nos criou como seres capazes de interagir com o mundo espiritual e material ao mesmo tempo. Para isso, fomos dotados de uma parte espiritual (o espírito, que pertence ao mundo espiritual), uma parte material (o corpo, que pertence ao mundo material), ambos conectados por uma parte mental, a qual conhecemos como "alma", que permite que, através do conhecimento, possamos interagir com estes dois mundos: o espiritual e o físico.


Um estudo mais aprofundado sobre este tema não caberia nesta postagem, mas aqui, neste mesmo blog, temos um estudo completo sobre a temática de "espírito, alma e corpo". Além disso, temos também, no canal do Águios, um estudo completo em vídeo. Colocarei aqui os links respectivos:

Texto: Espírito, alma e corpo - parte 1: Os Dois Mundos

Playlist YouTube sobre "espírito, alma e corpo"

Agora, vamos entender um pouco sobre essa questão da composição do ser humano, sob a ótica bíblica. O texto base para o entendimento desta temática encontra-se na epístola aos Tessalonicenses:

E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Tessalonicenses 5:23)

Através desse texto, o apóstolo Paulo declara um mandamento e uma benção sobre a igreja, para que a plenitude de nosso ser seja santificada, e, então, ele cita as três partes do ser humano.


A queda do homem

O livro de Gênesis, em seus capítulos 2 e 3, relata a advertência do Senhor Deus sobre a árvore do conhecimento do bem e do mal, a qual o homem não deveria comer. Caso este escolhesse comer dessa árvore de conhecimento, naquele mesmo dia, morreria:

E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gênesis 2:16,17)

No entanto, quando a mulher foi tentada, a serpente afirmou que ela "certamente não morreria" (Gênesis 3:4). E, de fato, ao provar do fruto da árvore, percebemos que o casal não morreu. Estaria Deus mentindo? Será que a serpente falou a verdade, enquanto que o que Deus falou era apenas figurado?

A resposta desta questão está no fato de que o homem é composto de uma parte espiritual, a qual Deus se referia quando disse que o homem "morreria" no mesmo dia em que desobedecesse. Ocorre que, no mundo espiritual, morte não significa o fim da existência, mas, na verdade, uma separação eterna de Deus.

Veja, por exemplo, o caso dos anjos que pecaram (2 Pedro 2:4): Eles foram separados de Deus eternamente, mas continuaram existindo e agindo nos homens. O que também nos mostra que mesmo quando um espírito está separado de Deus, ele tem consciência e consegue agir, dentro de certos limites.

Ora, o espírito humano é igual a qualquer outro espírito, ou seja, possui as mesmas características que os demais espíritos possuem. Não há base bíblica para acreditarmos que o espírito humano é diferente dos outros, ou seja, que ele findaria, ao ser separado de Deus. De fato, se o espírito humano findasse ao pecar, Adão e Eva teriam cessado de existir quando desobedeceram.

A morte de corpo não implica na cessação do espírito, pois são partes separadas. Um corpo pode existir sem um espírito e vice versa.

A salvação é primeiramente do espírito

Quando Cristo foi indagado pelo fariseu Nicodemos acerca do novo nascimento, Jesus respondeu o seguinte:

Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. (João 3:5-7)

Carne não pode gerar espírito (embora o contrário não seja verdade, já que Deus é espírito e criou tudo). Portanto, ao falar da salvação, Jesus disse que era necessário que houvesse um novo nascimento, mas que seria com relação ao espírito e não à carne.

Jesus também jogou na cara de Nicodemos que ele era um mestre em Israel, mas não estava entendendo sobre o que Jesus falava. Ora, a promessa de dar ao povo um novo espírito estava predita nos profetas, no livro de Ezequiel:

E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.

E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis. (Ezequiel 36:26,27)

Portanto, a nossa salvação é feita, inicialmente, no âmbito espiritual, onde recebemos um novo espírito, nos tornando novas criaturas, conforme dito em 2 Coríntios 5:17.


Nosso Destino: o Paraíso

Quando estava prestes a render o seu espírito, Jesus falou a um dos ladrões que estavam sendo crucificados ao Seu lado:

E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. (Lucas 23:43)

A palavra Paraíso, no texto original grego, é παράδεισος (parádeisos), que é o mesmo termo utilizado pela versão grega do Velho Testamento – a Septuaginta – para se referir ao jardim do Éden, em Gênesis 2:8. Antes do pecado, o homem desfrutava da eternidade, da paz, da Presença do Senhor, "sem pecado e sem juízo".

O Paraíso se refere ao próprio Reino de Deus: um lugar eterno de perfeição, beleza, santidade, justiça, etc. Um lugar onde não há morte, nem pranto, nem clamor, nem dor.

O próprio apóstolo Paulo experimentou um pouco desse Paraíso, experiência esta que ele cita em 2 Coríntios:

E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar. (2 Coríntios 12:3,4)

Veja que ele ouviu palavras "inefáveis" (que não se podem expressar), palavras estas que não foram concedidas ao homem falar, talvez até devido às nossas limitações físicas. Se até as palavras não conseguimos expressar, imagine a beleza, esplendor e majestade desse lugar maravilhoso.

Não é de se admirar que Paulo desejasse ir para lá e, por isso, tinha "o desejo de partir e estar com Cristo", pois isso seria ainda muito melhor!

Glórias a Deus para todo o sempre! Porque Ele não nos deixa aqui na Terra sem esperança, mas provê a certeza de que até mesmo a morte física não tem poder de nos destruir. A morte física é apenas uma separação temporária entre o espírito/alma e o corpo. Com a segunda vinda de Jesus, seremos ressuscitados e ganharemos novos corpos gloriosos e eternos.

Saber que permanecemos vivos e conscientes, mesmo com a morte do corpo, é uma das coisas essenciais para que desfrutemos dessa mesma liberdade que o "apóstolo prisioneiro" Paulo nos comunica. Se você não tem certeza disso, fatalmente terá medo da morte e não poderá desfrutar de plena paz diante do mundo mau em que vivemos.

Portanto, se você já recebeu Jesus como o seu Salvador, saiba que você já tem a vida eterna em seu novo espírito. A morte física não pode acabar com a sua existência. Tenha esta certeza e viva em paz!

Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? (1 Coríntios 15:55)

Que a paz do Senhor Jesus Cristo seja com o seu espírito. Amém.


Wendell Costa


Imagens por Gerd Altmann em Pixabay

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