terça-feira, 18 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 8

A Divisão dos Continentes e a Confusão das Línguas

Logo após o dilúvio, o Senhor recebe o sacrifício feito por Noé e abençoa a terra a despeito da condição em que o homem se encontrava:
"E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz.
Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão."
(Gênesis 8:21-22)
Isto possibilitou que a humanidade pudesse prosseguir com esta nova chance dada, e assim, o Senhor deu continuidade ao Seu plano para nos salvar das consequências do pecado. No entanto, havia algo que Deus precisava fazer para evitar o rápido desenvolvimento tecnológico, que poderia, mais uma vez, trazer destruição a toda raça humana. Vamos entender!

A separação da terra

A primeira providência que Deus tomou para atrasar o desenvolvimento tecnológico e a conquista de toda a terra pelos homens foi a separação dos continentes. A facilidade que temos hoje em termos de transporte permitiu coisas muito boas. Por exemplo, eu moro em uma cidade mas trabalho em outra, caso eu tivesse que fazer este trajeto a pé ou sobre os lombos de um cavalo, levaria horas para eu chegar no meu trabalho.

Também é possível viajarmos para outros locais usando um avião e visitarmos parentes que moram em locais distantes, até mesmo em outros países. O que não dizer, ainda, da prestação rápida de socorro a uma pessoa acidentada?

No entanto, como "a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice", a facilidade de acesso entre os povos levaria a guerras mundiais que poderiam por fim a humanidade, já que a proximidade permitiria o rápido deslocamento de armamento pesado e destrutivo através da terra, do mar ou do ar (no próximo tópico, falarei sobre a questão do desenvolvimento armamentista).

Quando Deus criou a terra, havia apenas uma porção seca (Gênesis 1:9), e após o pecado, os homens tenderam a se juntar em um só lugar. Devido à maldade nos corações e a violência que surgia dos homens, havia o perigo de guerras mundiais graças à falta de barreiras entre as cidades.

Em Sua infinita bondade e amor a nós, Deus separou os continentes para evitar que os homens se auto destruíssem em guerras mundiais, e isto aconteceu logo cinco gerações após Noé:
"E a Éber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joctã." (Gênesis 10:25)
O nome "Pelegue" quer dizer "terremoto" de acordo com o dicionário de Grego e Hebraico de Strong. A terra era apenas um continente (que chamamos de Pangeia). Após este super terremoto que dividiu a terra em continentes separados, a humanidade precisou de milhares de anos até ser capaz de entrar em uma guerra mundial do nível da 2ª, mas o Senhor nos livrou de uma destruição antes que Ele pudesse enviar Seu Filho à Terra para nos salvar.

A Torre de Babel

Como já disse anteriormente, Deus é amor (1 João 4:8), e tudo o que Ele faz, primeiramente, é movido por isto. Entenda algo muito importante e profundo: amor não é uma característica de Deus. Amor é o que Ele é. Sei que não é algo que se possa entender apenas lendo esta frase, mas isto é algo para você buscar compreender (veremos mais sobre isto no futuro).

Pois bem, por que Deus confundiu as línguas dos homens para que houvesse aquela dispersão toda? Vamos analisar o que o próprio Deus disse:
"E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer." (Gênesis 11:6)
Observe o que eu coloquei em negrito no versículo acima: o próprio Deus afirma que, sem a barreira do idioma, não haveria restrição no que o homem intentasse fazer!

Veja o mundo ao seu redor e pense sobre como a tecnologia evoluiu nos últimos tempos. Toda esta evolução só foi possível por causa do melhoramento nas ferramentas de comunicação e transporte.

Logo após a invenção da impressa (século XV), houve um salto na propagação do conhecimento, e em alguns séculos a humanidade evoluiu muito em termos de tecnologia. Depois veio a invenção do telégrafo (1837) e do rádio (1901) e a comunicação melhorou significativamente.

Não por coincidência, toda essa tecnologia de comunicação foi usada maciçamente nas duas guerras mundiais que assolaram o mundo logo em seguida. De fato, a evolução do conhecimento e dos transportes foi exatamente o que permitiu as guerras mundiais!

Daí vieram a TV, os computadores e a Internet, e o conhecimento passa, então, a crescer exponencialmente. Hoje temos carros, submarinos e aviões não tripulados. A robótica, por sua vez, vem preparando o cenário para uma guerra apocalíptica sem precedentes. O homem, atualmente, tem o potencial para destruir todo o planeta em poucos dias!

Agora vamos voltar para o tempo da Torre de Babel...

Ora, o próprio Deus afirmou que, se a humanidade falasse apenas um idioma, não haveria restrições, e fatalmente o conhecimento se desenvolveria rapidamente, mas se cruzarmos esta afirmação com a de Gênesis 8:21, citado anteriormente, entenderemos porquê Deus confundiu as línguas: para atrasar o desenvolvimento tecnológico, evitando, assim, o aperfeiçoamento das armas.

Se você conhece um pouco de história (em especial, história das guerras) verá que a guerra mais fatal de todos os tempos foi a 2ª Guerra Mundial. Não se sabe ao certo quantas pessoas morreram nesta guerra, mas girou em torno das 70 milhões. Isto é o que acontece quando você tem homens pecadores de posse de armas cada vez mais poderosas!

Agora, imagine se toda esta tecnologia de guerra já existisse há bem mais tempo, sem a barreira do idioma! Antes de Cristo, a humanidade vivia em terrível violência, pois não havia a Palavra de Deus e a Igreja para ser sal e luz para o mundo. Mesmo um mundo considerado mais "civilizado" foi capaz de produzir milhões de mortes em apenas 6 anos de guerra!

Cidade japonesa de Nagazaki,após a bomba atômica.

Bem, era isso mesmo que Deus queria impedir. Eis o porquê Ele confundiu as línguas dos homens logo após ter separado os continentes: para evitar a destruição total e dar tempo para preparar o povo de Israel e, por fim, a chegada do Salvador. Mas que Deus bondoso nós temos, não é verdade?

Mesmo quando Deus faz algo que parece ser muito duro (ou até "mau"), na verdade, Ele está agindo com misericórdia, pois tem um alvo de salvação mais amplo e mais longe do que nossos olhos conseguem visualizar:
"O que feriu o Egito nos seus primogênitos; porque a sua benignidade dura para sempre;" (Salmos 136:10)
Deixo o versículo acima para você meditar como exercício (leia o Salmo 136 e veja se consegue entender como Deus poderia "ferir" alguém por causa da Sua benignidade).

Que a paz do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Referências

  1. http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/a-velocidade-do-desenvolvimento-tecnologico-a-aplicacao-das-inovacoes-e-sua-difusao/70244/
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Gutenberg
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mortos_na_Segunda_Guerra_Mundial
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki
  5. https://en.wikipedia.org/wiki/Pangaea
  6. http://brasilescola.uol.com.br/historiag/invencao-imprensa.htm

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Para que serve orar em línguas estranhas?



Afinal de contas, por que eu devo orar em línguas estranhas? O que a Bíblia ensina sobre este tema?

Existe muito material disponível na Internet sobre isso, mas é bem comum eu encontrar pessoas que são cristãs e que pertencem a igrejas pentecostais mas, no entanto, não sabem dar esta resposta com precisão. Muita gente tem alguma informação sobre isto, mas há também muita crença errada sobre este assunto.

Então... vamos ao que interessa!

Línguas é para todos?

Não é um propósito desta postagem ser um estudo abrangente sobre isso, então, vou apenas mostrar, de forma rápida, o que as Escrituras falam, de forma a poder me concentrar no assunto principal: "para que serve as línguas estranhas".

Jesus Cristo não é uma mera religião, Ele é o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar a humanidade do pecado e das consequências dele. Esta mensagem é a informação mais importante que existe, pois é capaz de dar a vida eterna àqueles que a recebem.

Para confirmar algo assim tão importante, o próprio Deus opera certas coisas testemunhando a veracidade do evangelho. No versículo seguinte, vemos as 4 formas que Deus age para dar testemunho de Sua Palavra. Vejamos:
"Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade" (Hebreus 2:4)
No verso acima, eu enfatizei duas formas que o próprio Deus usa para testificar, ou seja, confirmar a mensagem do verdadeiro evangelho (existem os falsos, mas não vamos falar sobre isto agora). Veja que os termos "sinais" e "dons" estão sublinhados, fiz isso para mostrar a diferença entre eles:

SINAIS - Jesus falou que certos sinais iriam seguir a todo o que cresse no evangelho:
"E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão." (Marcos 16:17-18)
DONS - O Espírito Santo distribui certos dons conforme a Sua vontade:
"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
(...)
E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer."
(1 Coríntios 12:4,10,11)
Observe que os sinais são para todos os que crêem (no evangelho), já os dons não. Os dons dependem da vontade do Espírito Santo e são dados de forma "particular".

Por exemplo, todo cristão pode expulsar um demônio, pois Jesus delegou a Sua autoridade para toda a Igreja. Já nem todos receberão o dom de "discernimento de espíritos" ou o de "variedade de línguas", pois estes dependem de ser a vontade de Deus pra você.

Desta forma, as Escrituras mostram que existe as línguas estranhas que são um sinal da veracidade do evangelho, e estas são para todos. Mas existe um dom que é dado de forma particular chamado de "variedades de línguas", e este dom é dado para a ministração na igreja, assim como são todos os demais dons listados em 1 Coríntios 12.

Agora, vamos falar sobre o propósito do dom de línguas gerais, ou seja, o que é dado como um sinal para o crente.

E então? Pra que serve?

Bem, a resposta rápida é a seguinte: as línguas estranhas servem para que você seja edificado:
"O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo..." (1 Coríntios 14:4)
Fácil, né? Vamos então desenvolver esta frase "edifica-se a si mesmo"...

Por que eu preciso ser edificado e o que significa isto? Seguinte, nós fomos chamados por Deus para sermos Sua imagem aqui na terra. O apóstolo Paulo resume isto da seguinte forma:
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20)
Cristo habitar em nós não significa ser um robô, tipo, não é Cristo quem controla seus pensamentos, palavras, ações e omissões. Cristo viver em nós significa que nós mesmos passamos a conhecê-lo e deliberadamente obedecer Sua Palavra. Na medida em que eu ando na Palavra de Deus, voluntariamente, Cristo - que é a Palavra - passa a viver em mim.

Quando eu oro em línguas estranhas o meu espírito é que está orando, e não a minha mente:
"Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1 Coríntios 14:14)
Veja só: não é o Espírito Santo que está "possuindo" sua boca e orando, não! É o seu espírito recriado que está orando, e o seu espírito é uma nova criatura (2 Coríntios 5:17), e, portanto, sabe coisas que sua mente desconhece.

Temos a mente de Cristo

E se tudo o que você pedisse ao Senhor fosse exatamente aquilo que Deus quer fazer? Nâo seria legal isso? Pois bem, o Espírito Santo dentro de nós é chamado de a "mente de Cristo":
"Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." (1 Coríntios 2:16)
No versículo acima, Paulo está citando o Velho Testamento, Isaías 40:13, onde Deus fala de como Ele criou tudo, e quem teria sido o Seu conselheiro. A resposta óbvia é "ninguém", ou seja, o próprio Deus foi quem projetou e executou todo o Universo, visível e invisível. Veja que inteligência!

Quando cremos na mensagem do evangelho somos tornados partes de Cristo. Nos tornamos um com Ele, e Jesus compartilha conosco o Seu próprio Espírito. No entanto, tudo isto é feito segundo a realidade espiritual e não material.

Materialmente, ainda somos imperfeitos, e estamos longe de conhecermos toda a vontade de Deus. Ora, o próprio apóstolo Paulo fala que conhecemos a Deus apenas "em parte" (1 Coríntios 13:9). Como não sabemos exatamente a vontade perfeita de Deus em todas as situações, quando formos orar, provavelmente, nossa oração será motivada pelas circunstâncias exteriores e pela nossa própria limitação de conhecimento.

Se não orarmos conforme a vontade de Deus, Ele não poderá responder, pois Deus só age de acordo com Sua Palavra. Na verdade, a oração tem como seu principal propósito fazer com que a vontade de Deus seja feita aqui na terra assim como ela é feita no Céu.

Portanto, a oração que fazemos apenas baseados em nosso próprio conhecimento intelectual será imperfeita. Deus, por Seu infinito amor por nós, nos dá, então, um sinal de que somos novas criaturas: passamos a falar em novas línguas.

Novas criaturas falam novas línguas!

Precisamos falar!

Imagine que você precise pregar um prego numa parede, mas não tem o martelo. Daí você pede ao seu pai a dita ferramenta. Seu pai coloca o martelo sobre a mesa e avisa você sobre isso. Então, você fica olhando para o martelo mas não o pega e, portanto, não o utiliza. Pergunto eu: este martelo vai servir para quê?

Da mesma forma, Deus nos entregou um dom que só produzirá edificação se você o usar, afinal, como lemos em 1 Coríntios 14:4 "o que fala em línguas edifica-se". Se você recebeu o batismo no Espírito Santo e orou apenas uma vez e não dedica tempo para orar em espírito, está como esta pessoa que recebeu uma ferramenta mas não a está usando.

O dom de línguas tem seu principal uso em nossa vida particular de oração. Para usá-lo na igreja de forma pública é necessário que alguém seja usado em outro dom: "a interpretação de línguas". Obviamente, você pode "falar consigo mesmo e com Deus", ou seja, durante o culto, ore (ou cante) em línguas mas sem fazer alarde, sem chamar a atenção, pois podem haver pessoas descrentes ou que não saibam o que significa essa língua diferente.

Bem, sobre a importância de dedicar tempo a orar em línguas estranhas, o grande apóstolo dos gentios, Paulo, orava em línguas mais que toda a igreja de Corinto!
"Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos." (1 Coríntios 14:18)
Não é à toa que este homem de Deus foi capaz de suportar tantas aflições por amor a Cristo e, ao mesmo tempo, alcançar quase todo o império romano com a mensagem do evangelho. A sua capacidade vinha do Senhor, e o versículo acima mostra qual era a fonte de tanto poder: ele orava muito em línguas!

A propósito, antes de encerrar, vou fazer um parêntese aqui: Tem igrejas que não crêem nos dons do Espírito Santo pra hoje em dia, daí eles dizem que no versículo acima, Paulo está dizendo que era tipo um "poliglota", e que falava mais idiomas que os irmãos de Corinto. Ora, basta ver o contexto de todo o capítulo 14 e ficará claro que não são línguas naturais, mas sim espirituais (o capítulo todo busca disciplinar o uso de línguas estranhas, interpretação de línguas, profecia e revelação durante o culto). Então, cuidado quando ouvir enganos deste tipo!

Que a graça do Senhor Jesus seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

Links Úteis


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 7

Pintura "Jó", de William Blake.

O Livro de Jó


Quando o assunto é a bondade de Deus, um personagem bíblico é sempre lembrado: ! Afinal de contas, quando lemos o livro de Jó de per si, temos a impressão de que Deus o entregou nas mãos do diabo, mesmo após tê-lo elogiado (Jó 1:8). Ficamos com um certo receio de questionar: mas como Deus elogia o Seu servo Jó e depois o entrega nas mãos de satanás, só porque satanás faz uma acusação?

Nesta sétima parte deste estudo, quero examinar o conteúdo do livro de Jó à luz da Graça de Jesus Cristo, e veremos que Deus continua sendo bom, e o episódio da vida de Jó em nada pode lançar dúvidas sobre o amor do Pai, exceto para aqueles que leem este livro de forma superficial e isolada do restante das Escrituras.

Contudo, quero deixar claro que não cobrirei com muitos detalhes todo o livro de Jó, mas apenas alguns pontos importantes para que você possa entender que não foi Deus quem entregou Jó ao diabo de forma arbitrária simplesmente porque o diabo o acusou. No final deste texto, coloquei alguns links para que você possa se aprofundar neste tema.

Quem foi Jó?


Jó foi um homem rico que viveu em uma terra chamada "Uz" (não se sabe ao certo onde ficava), e que era temente ao Senhor, apesar de nunca ter tido experiências reais com Deus no período anterior ao seu sofrimento.

O Livro de Jó é provavelmente o mais antigo da Bíblia, pois foi escrito anteriormente à Lei de Moisés. Muitos acreditam que os eventos descritos nele poderiam ter ocorrido até mesmo antes do dilúvio, no entanto, provavelmente ele foi contemporâneo de Abraão.

Como Jó não tinha a Lei de Moisés ainda, ele mesmo oferecia sacrifícios por seus filhos após eles darem seus banquetes; os sacrifícios tinham o fim de santificá-los, ou seja, limpá-los de seus pecados (Jó 1:5). Ora, Jó era um homem "íntegro, reto e temente a Deus e se desviava do mal" (Jó 1:1).

Por que satanás teve acesso a Jó?


Antes de mais nada, é fundamental compreendermos qual o contexto espiritual no qual Jó vivia. Precisaremos lançar a luz do Novo Testamento para iluminar os escritos do Velho Testamento, como já fiz outras vezes. Antes de mais nada, vamos entender o que é uma "aliança" e para que serve.

As alianças que Deus fez com o homem possuem a capacidade de protegê-lo do maligno, sendo que a Nova Aliança em Cristo é muito superior à Antiga. Ocorre que Jó não estava nem debaixo da Nova, nem da Velha Aliança. Desta forma, ele estava desprotegido dos ataques do inimigo. Novamente, enfatizo aqui que este assunto mereceria um tratamento maior e por isso reforço a indicação dos links ao final do texto, em especial o livro do Professor e Pastor Tassos Lycurgo sobre o tema.

Após o pecado do homem, satanás obteve acesso ao mundo físico e trouxe, com ele, a morte. Espiritualmente falando, a morte é um lugar no qual satanás tem condições de operar, conforme vemos no verso abaixo:
"...derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo..." (Hebreus 2:14)
A palavra traduzida por "poder" acima é o termo grego kratos que significa "domínio". Na Bíblia King James, por exemplo, kratos é traduzido como "domínio" em 1Pedro 5:11, Judas 1:25 e Apocalipse 1:6.

Isto significa que satanás tinha um acesso praticamente livre na humanidade até antes da Lei de Moisés. Veja só:
"No entanto, morte reinou desde Adão até Moisés..." (Romanos 5:14)
Jamais foi a vontade de Deus que Jó passasse por sofrimentos. De fato, quando Deus, aparentemente, "entregou" a vida de Jó nas mãos de satanás, Ele estava apenas atestando algo que já era uma realidade. Se lermos com cuidado, veremos isto. Observe que Deus apenas confirma que os bens de Jó já estavam nas mãos de satanás:
"E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor." (Jó 1:12)
Se você vem acompanhando este estudo, parte por parte, sabe que tenho me esforçado para mostrar que Deus é uma Pessoa boa e um Pai de amor. Seria uma contradição Deus entregar uma pessoa "íntegra e temente a Deus" nas mãos de satanás. No entanto, Jó estava desprotegido, pois não estava sob nenhuma das alianças que Deus estabeleceu para "cobrir" (no caso da Velha Aliança) ou "quitar" (no caso da Nova Aliança) o pecado do homem.

A Palavra de Deus é um Refúgio


Como o mundo caiu debaixo de maldição após o pecado, é necessário que o homem esteja debaixo de um refúgio de forma a que possa estar protegido das "intempéries da vida". Esta ideia de "refúgio" ou "esconderijo" é bem comum nas Escrituras. Isto significa que sem esse refúgio, estaremos desprotegidos contra os ataques de satanás.
"O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia." (Salmos 9:9)
Quando profetizava acerca da Nova Aliança, Isaías falava sobre este lugar:
"...e será um abrigo e sombra para o calor do dia, refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva." (Isaías 4:6)
Porém, não adianta apenas o homem "ouvir falar" sobre Deus, ou mesmo ter uma religião. Jesus falou que o homem precisa ouvir as palavras de Deus e praticá-las para poder estar protegido da tempestade e chuva:
"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha."
 (Mateus 7:24-25)
Uma família que não tem acesso à Palavra do Senhor para poder praticá-la, não terá sua casa edificada sobre a Rocha Eterna.

As alianças que Deus fez com o homem vinham acompanhadas de promessas. De fato, uma aliança é um tipo de "contrato", pois traz obrigações e benefícios mútuos. Deus fez diversos "contratos" com o homem ao longo dos séculos, cada um deles tinha certas características, e sempre havia promessa de proteção.

Quando Deus envia a Sua Palavra, como no caso de uma aliança, esta Palavra servirá como uma espécie de proteção, como uma "sombra" para nos proteger. Se permanecermos na Sua promessa, estaremos debaixo desta sombra. Se sairmos da Palavra, sairemos de debaixo da "sombra", e Deus não poderá nos proteger, pois Ele só age de acordo com Sua Palavra.

Jó conhecia a Deus pessoalmente?


Uma das primeiras coisas que aprendemos ao estudarmos o livro de Jó era que ele não tinha um relacionamento pessoal com Deus, assim como outros homens que viveram antes da Lei de Moisés, tais como Enoque (Gênesis 5:24) e Noé (Gênesis 6:8). O próprio Jó admite tal afirmação quando diz:
"Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.
Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza."
 (Jó 42:5-6)
Ora, a falta de conhecimento de Deus abre a porta para a destruição, pois é exatamente o conhecimento da Palavra que irá nos proteger, já que será um refúgio para as intempéries da vida, e fornecerá uma sombra para nos guardar do calor do sol (o quê, figuradamente, representa as tribulações).

Analisando o livro de Jó, vemos que ele era um homem que buscava se desviar do mal, no entanto, não conhecia a Deus verdadeiramente. Então, porque ele se desviava do mal?

A resposta é: Jó era íntegro e se desviava do mal porque tinha medo! Ele não o fazia movido por fé, pois a fé só vem pela Palavra de Deus (Romanos 10:17), e Jó não dispunha dela (mas não porque ele não queria, mas sim porque as alianças ainda não haviam sido feitas). Veja o que o próprio Jó afirma:
"Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu." (Jó 3:25)
Isto é bastante confirmado pelo próprio comportamento de Jó ao oferecer sacrifícios continuamente por seus filhos após os banquetes deles. Veja que Jó não entendia que ele deveria ensinar seus filhos no caminho da integridade, e não simplesmente esperar que eles tivessem pecado pra, só depois, tentar corrigir os erros deles através dos sacrifícios:
"Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente." (Jó 1:5)
Ora, como Jó poderia ensinar seus filhos no caminho do Senhor se ele mesmo só conhecia a Deus por ouvir falar? Acredito que, após o fim de sua tribulação, e quando o Senhor deu a ele mais filhos, Jó teve o devido cuidado de ensinar aos seus descendentes quem era Deus e qual o procedimento que deveriam ter com relação ao pecado.

O exemplo de Jó


O livro de Jó não pode ser usado como fonte de doutrina que contrarie a Nova Aliança. Os escritos do Novo Testamento são claros quando mostram que Deus não é o que envia roubos, morte e destruição:

  • Em João 10:10, Jesus ensina que não é ele que rouba, mata e destrói, mas sim o "ladrão" (o diabo).
  • Em Atos 10:38, o apóstolo Pedro afirma que as pessoas que Jesus curou eram oprimidas pelo diabo, e não por Deus.
  • Em Tiago 1:17, ele diz que do Pai só vem as coisas boas e perfeitas.

Lançando sobre o Livro de Jó a luz da Nova Aliança, vemos que, na verdade, satanás é que estava prestes a destruir Jó, mas Deus o protegeu, impedindo o diabo de matá-lo (em João 8:44, Jesus disse que o diabo é "homicida" desde o princípio).

Veja que o próprio apóstolo Tiago usa o exemplo de Jó no final do seu livro, embora afirme logo no início que de Deus só vem "boas dádivas e dons perfeitos", conforme versículo citado acima:
"Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso." (Tiago 5:11)
Na Nova Aliança, Jesus nos liberta do poder do diabo e nos devolve a autoridade perdida por Adão. Assim, temos condições de resistir aos demônios no Nome de Jesus. Isto era algo que Jó não tinha, por isso Jó teve que vencer pela paciência apenas, e o Senhor, que é misericordioso e piedoso, interveio na vida de Jó e restituiu tudo o que o diabo destruiu.

Que a paz do Senhor seja com o seu espírito. Amém.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 6

O Dilúvio Foi um Ato de Amor?


Nesta série de estudos, estou buscando mostrar que a verdadeira natureza de Deus é o amor. Isto não quer dizer que Deus não haja com a ira contra o pecado, pois isto é claro nas Escrituras, afinal Ele é o Juiz do Universo (Salmo 9:8, Hebreus 12:23). No entanto, quero demonstrar que executar a ira divina contra o pecador é algo do tipo "último recurso", e que Deus tenta convencer o homem do seu pecado bem antes de aplicar a ira.

Além disso, posso, ousadamente, afirmar que o dilúvio foi, antes de tudo, um ato de amor, apesar de ter sido também um ato de ira divina. De fato, foi um ato de amor para a humanidade como um todo, pois se Deus não tivesse intervindo, a raça humana teria se extinguido algum tempo após o dilúvio, e nem eu nem você existiríamos hoje.

A degradação moral da humanidade após o pecado


Após a entrada do pecado na terra, rapidamente a imagem de Deus no homem foi se degradando. Vimos, na parte anterior deste estudo, que Deus não puniu Caim com a morte após o homicídio de seu irmão, e, na verdade, até o protegeu para que ele não fosse morto por alguém. O Senhor declarou que "qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado" (Gênesis 4:15).

O Senhor havia tentado convencer Caim da necessidade de proceder bem e dominar sobre o pecado, mas não podia impedi-lo de pecar, retirando dele o livre arbítrio. Ora, você é livre para pecar, se assim o quiser. Os pais de Caim e Abel haviam escolhido este caminho da desobediência, e as consequências foram sentidas por toda a descendência de Adão e Eva.

Ocorre que, quanto mais os homens  mergulhavam no pecado, mais se afastavam de Deus, e seus corações mais e mais se obscureciam, se tornando endurecidos para a voz do Espírito Santo.
"...porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos..." (Romanos 1:21,22)
Vamos voltar para Gênesis 4, um texto que mostra a humanidade logo após o pecado. No versículo 19, um descendente de Caim, chamado Lameque já demonstra a prática da poligamia. Além disso, Lameque usa as palavras que Deus usou quando protegeu Caim para justificar os seus próprios homicídios:
"E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras; porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete." (Gênesis 4:23,24)
A falta de punição sobre o homicídio de Abel, praticado por Caim, estava sendo usada como justificativa para dois homicídios, inclusive, um deles por motivo fútil: Lameque recebeu uma pisada, e matou o jovem. De fato, a palavra hebraica aqui é yeled, que quer dizer "criança". Lameque havia matado uma criança por ter pisado nele.

Isto mostra o terrível nível de violência na qual a terra se encontrava apenas 5 gerações após o pecado ter entrado no mundo. Por outro lado, uma linhagem de justos começou a invocar o nome do Senhor, a partir de Sete, o filho que Deus concedeu a Adão e Eva no lugar de Abel (Gênesis 4:26).

Com o passar dos anos, a iniquidade atingiu seu ápice, até ao ponto de que toda a humanidade se corrompeu pelo pecado:
"O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal... 
A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.
E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra." (Gênesis 6:11-12)
Satanás, o anjo caído, havia conseguido seu intento: a imagem de Deus no homem havia sido destruída, não havia mais amor, bondade, misericórdia, paciência, fé, etc. Ao invés de ser a imagem de Deus, o homem, agora, era imagem do diabo. Jesus disse que ele é homicida desde o princípio, e foi isto que o homem se tornou.

A necessidade do dilúvio


Deus é um Bom Deus... Ele é uma Pessoa boa, cheia de misericódia e pronto a perdoar. No entanto, ao homem foi entregue o domínio sobre a terra, e Deus não pode voltar atrás em Sua Palavra. O homem continuava com o domínio, no entanto, seus pensamentos se voltavam para o mal. Com o passar do tempo, isto acabaria por destruir toda a humanidade.

Já vimos que Lameque matou até mesmo uma criança, e ainda falou que seria vingado "setenta vezes sete" caso alguém o ferisse. Devido à banalidade dos homicídios (fora outros tipos de pecado), havia sério risco de que, caso ninguém desse ouvidos a voz de Deus, a humanidade se auto destruísse sem que houvesse possibilidade de arrependimento.

Particularmente, creio que Deus esperou até o último momento pra executar a ira sobre os homens. Se calcularmos o tempo que levou até o dilúvio, veremos que foram, aproximadamente, 1600 anos do nascimento de Adão até este evento. Deus foi muito paciente com o homem e concedeu a última chance: a construção da arca!

Em 1 Pedro 3:20, o apóstolo fala sobre a paciência que Deus teve enquanto a arca era construída, pois levou décadas para que o grande barco fosse terminado. Devemos lembrar que a arca era muito grande e que provavelmente apenas Noé e sua família participaram da sua construção. A humanidade falava uma mesma língua e habitavam em um só continente. Tudo isto mostra que todos souberam da existência da arca, e que, devido a isto, se tornaram susceptíveis de salvação.

Contudo, ninguém quis saber o porquê daquele enorme barco (ou, se quis, não acreditou em Noé), e, desta forma, a arca "condenou o mundo" da época (Hebreus 11:7).

Algo semelhante ocorrerá nos últimos tempos. Devido à iniquidade do homem dos tempos do fim, haverá grandes tribulações, mas por nossa causa, Deus abreviará o tempo:
"E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias." (Mateus 24:22)
E, hoje em dia, através da Igreja, a salvação em Jesus Cristo é anunciada a toda humanidade em toda a terra. No entanto, chegará o tempo da ira divina sobre o pecado. Mas Deus espera, pacientemente, até que todos "entrem na arca", ou seja, todos aqueles que crerão no Seu Filho tenham a oportunidade de ouvir o evangelho e serem salvos da ira.
"Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira." (Romanos 5:9)

A arca representava Cristo


Meu amigo, o Deus Criador é uma Boa Pessoa, mas é perfeitamente puro, santo, e não pode habitar com o mal. Um dia, mais cedo ou mais tarde, Jesus voltará para julgar as nações, e se dependermos de nossas próprias obras pra sermos salvos, estaremos perdidos, pois mesmo praticando boas obras, ainda temos pecados.

Jesus é esta arca, através da qual Deus nos oferece a salvação da ira futura. Para entrar nesta arca, basta crermos no sacrifício do Filho de Deus, Jesus Cristo, pois, assim como aconteceu com o mundo antigo, acontecerá no mundo futuro: Deus vai impedir que os homens se destruam a si mesmos e ao planeta.

Creia na mensagem do evangelho e receba Jesus como seu Senhor (dono) e Salvador.

Que a paz do Senhor Jesus Cristo seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa


Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 7

terça-feira, 4 de julho de 2017

Porque Casamentos Estão Acabando?


Estava pensando um pouco sobre as estatísticas brasileiras no que diz respeito a casamentos e a taxa de divórcios atualmente. Como sou filho de pais separados, estava meditando sobre as causas pelas quais os divórcios têm aumentado tanto.

Longe de querer explicar aqui sobre todas as razões que levaram a isso, gostaria de compartilhar apenas uma: a independência. Vou explicar melhor...

Porcentagem no número de divórcios no Brasil


Segundo dados do IBGE (os links que pesquisei estão no final desta postagem), o Brasil teve um aumento de cerca de 160% no número de divórcios de 2004 a 2014, ou seja, este número mais que dobrou em uma década.

Mas se considerarmos desde o ano 1984 até 2014, a taxa aumentou mais de 1000%! A que devemos isto?

Os profissionais que trabalham no ramo do Direito Familiar oferecem algumas hipóteses sobre o fenômeno, em especial, a mudança na Lei do Divórcio (Emenda Constitucional 66/2010, promulgada em 2010) que facilitou o divórcio. No entanto, a ferida é mais profunda.

Acredito que existam muitas razões que poderiam ser analisadas aqui, obviamente, à luz da Palavra de Deus, já que este é um texto com viés cristão, mas gostaria de focar em apenas um desses pontos: a independência.

Independência ou morte?


Sob a ótica bíblica, o pior problema da humanidade é o pecado, pois provocou a morte espiritual do ser humano e também a morte física. Em termos espirituais, "morte" significa estar afastado do Criador, o que nos torna cegos para a realidade espiritual.

Estando cegos para a realidade espiritual, não entendemos quais as consequências de nossas ações no que diz respeito, principalmente, ao lado espiritual, mas também ao lado material (aliás, o lado espiritual sempre vai refletir no material).

Se cavarmos fundo, veremos que, no final, o pecado é tão somente a declaração de independência do homem para com Deus. Adão e Eva desejaram ter conhecimento "extra" que não vinha do Senhor, e optaram por comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 3), abrindo a porta para que o mal entrasse no mundo.

Hoje em dia, nossa sociedade super valoriza a liberdade e independência, colocando estes dois substantivos acima de muitos valores cristãos. Gostaria de focar na "independência", mas, para não deixar você na curiosidade, vou colocar um versículo que fala sobre liberdade para nós, cristãos:
"Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo." (1 Coríntios 7:22)
Se por um lado, somos libertos (do poder do pecado e de satanás), por outro, nos tornamos sim escravos de Jesus. Portanto, não temos liberdade, senão aquela que o Nosso Senhor nos dá. Afinal de contas, Jesus é o nosso Senhor e Rei, e Ele é um bom Senhor, no entanto, não deixa de ser "senhor" (dono).

Entendendo a "dependência"


Deus não nos criou para sermos independentes, nem d'Ele, nem dos outros. Quando o ser humano vive sem Deus e não O busca, está mostrando que quer viver independente do seu Criador e Pai Celestial. Mas não fomos criados para viver assim, o afastamento do Pai Celestial tem consequências ruins para nós.

Também não fomos criados para vivermos de forma independente uns dos outros: no Reino de Deus, a dependência é regra e é chave para termos uma vida de sucesso em Deus.

Falando sobre como a igreja deve funcionar, o apóstolo Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, fala:
"Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo." (1 Coríntios 12:12)
Em todo agrupamento humano, a falta de unidade provoca danos terríveis, que no fim, caso não seja tratada, levará ao esfacelamento daquele grupo. Jesus disse que "todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá" (Mateus 12:25).

Não há exceções, Jesus disse que "todo reino", "toda cidade" e "toda casa", caso estejam divididos contra si mesmos serão destruídos! Isto é muito sério!

E o que significa este número crescente de divórcios? São casas que se dividiram contra si mesmas, e, por fim, não subsistiram. Quando não entendemos nossa dependência um do outro, iremos seguir o lado da independência um do outro! "Eu não preciso de você, e você não precisa de mim. Posso viver muito bem sem você, não dependo de você pra nada"! Resultado: a casa caiu (literalmente)!

A dependência no casamento


No casamento, Deus criou tudo de forma perfeita: o marido depende da esposa, e a esposa do marido, para que formem a "unidade" no casamento. Se o marido deseja conduzir a casa de forma independente da esposa, a coisa não funciona bem. O mesmo vale para a esposa com relação ao marido.

Muitos maridos cristãos usam o texto de Efésios 5:22 para exigir submissão total da esposa, no entanto, esquecem que o versículo imediatamente anterior diz...
"Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo." (Efésios 5:21)
Veja bem, ANTES da esposa se submeter ao marido, os dois devem se sujeitar um ao outro "por temor a Cristo". Isto mostra que Cristo é que deve ser o Rei no casamento. Caso isto não aconteça, a submissão da esposa ao marido se tornará uma escravidão para a mulher. Quando o marido não é cristão, caberá a esposa agir em fé para não entrar em contendas, já que o marido não é obediente a Cristo (cf. 1 Pedro 3:1), o que não significa que a mulher vá se submeter a maus tratos psicológicos ou físicos, mas não vou tratar deste assunto aqui hoje.

Ocorre que, na sociedade atual, há uma crescente ênfase na independência. A mulher é ensinada desde cedo a ser independente do homem, e o homem é ensinado a buscar os deleites e prazeres, e não a ser alguém responsável, trabalhador e disposto a se sacrificar por amor à sua família.

Estas características são necessárias para um bom casamento onde Cristo é o centro. O casamento deve refletir o relacionamento entre Cristo e a igreja. A igreja é dependente de Cristo, e Cristo é sensível às necessidades da igreja, sendo Ele mesmo aquele que se sacrificou por ela.

E a palavra de Deus diz que o marido deve amar a sua esposa como ao seu próprio corpo (Efésios 5:28). Ora, isto mostra uma forte ligação e dependência que o marido precisa ter com relação à esposa, ou você acha que sua cabeça é independente do seu corpo? Será que sua cabeça conseguiria ir muito longe sem o seu corpo? O mesmo raciocínio vale para a esposa com relação ao seu marido.

O homem deve ser dependente da mulher e a mulher do homem


O fato do marido ser dependente da esposa talvez não seja bem compreendido. Como disse no início deste texto, sou filho de pais divorciados, e meu pai sempre criticou homens "dependentes da mulher". Ora, ele mesmo foi o que deixou a família, isso mostra que esta "doutrina" está errada. Deus nos criou como seres interdependentes, e se o homem proclamar que é independete da sua esposa, ele estará fadado a arruinar o seu casamento, e não poderá colher aquilo que Deus tem de melhor para os casados.

Quando o Senhor criou a mulher, a capacitou de virtudes diferentes das masculinas, e disse Deus:
"Então o Senhor Deus declarou: 'Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda'." (Gênesis 2:18)
Em nossa experiência pastoral, vemos que, geralmente, o marido e a esposa têm características diferentes que, se mal usadas, podem destruir o relacionamento, mas, se forem bem aproveitadas, irão levá-los a um crescimento espiritual muito bom.

Falo com conhecimento de causa, eu e minha esposa, Oriana, somos muito diferentes um do outro, e as características dela, muitas vezes, me afligiram, mas, quando passei a "ouvi-las", pude crescer mais.

Tive que aprender a valorizar o que ela dizia, e ela a mim. Valorizar o que o outro recebeu de Deus é algo muito importante, pois mostra dependência um do outro. O Senhor Deus não tem filhos preferidos, Ele ama a todos, e a cada um Ele distribui dons de acordo com a Sua vontade.

Estes dons e sabedoria são complementares, ou seja, Ele distribui de forma a que um dependa do outro, contudo, muitas vezes, precisaremos nos humilhar e reconhecer que somos limitados e que esta dependência procede de Deus, e tentar viver de forma independente irá provocar o desfazimento da unidade familiar.
"O olho não pode dizer à mão: 'Não preciso de você!' Nem a cabeça pode dizer aos pés: 'Não preciso de vocês!'
Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra.
...a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros."
(1 Coríntios 12:21-25)
Assim, no casamento, o marido não pode dizer à esposa "não preciso de você!", e a esposa não pode dizer ao marido "nem eu preciso de você!", nem os filhos dizerem aos pais "não precisamos de vocês" e vice-versa. Mas todos precisamos uns dos outros, pois somos um corpo.

Seja dependente de Deus e dos outros (dentro deste contexto tratado aqui)! Assim, você poderá desfrutar do melhor de Deus pra sua vida.

Que a graça do Senhor Jesus seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

Links pesquisados:

  • http://revistadonna.clicrbs.com.br/comportamento-2/por-que-o-numero-de-divorcios-no-brasil-cresceu-160-em-10-anos-entenda-os-motivos/
  • http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-11/divorcio-cresce-mais-de-160-em-uma-decada
  • http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/em-10-anos-taxa-de-divorcios-cresce-mais-de-160-no-pais

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