terça-feira, 18 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 8

A Divisão dos Continentes e a Confusão das Línguas

Logo após o dilúvio, o Senhor recebe o sacrifício feito por Noé e abençoa a terra a despeito da condição em que o homem se encontrava:
"E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz.
Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão."
(Gênesis 8:21-22)
Isto possibilitou que a humanidade pudesse prosseguir com esta nova chance dada, e assim, o Senhor deu continuidade ao Seu plano para nos salvar das consequências do pecado. No entanto, havia algo que Deus precisava fazer para evitar o rápido desenvolvimento tecnológico, que poderia, mais uma vez, trazer destruição a toda raça humana. Vamos entender!

A separação da terra

A primeira providência que Deus tomou para atrasar o desenvolvimento tecnológico e a conquista de toda a terra pelos homens foi a separação dos continentes. A facilidade que temos hoje em termos de transporte permitiu coisas muito boas. Por exemplo, eu moro em uma cidade mas trabalho em outra, caso eu tivesse que fazer este trajeto a pé ou sobre os lombos de um cavalo, levaria horas para eu chegar no meu trabalho.

Também é possível viajarmos para outros locais usando um avião e visitarmos parentes que moram em locais distantes, até mesmo em outros países. O que não dizer, ainda, da prestação rápida de socorro a uma pessoa acidentada?

No entanto, como "a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice", a facilidade de acesso entre os povos levaria a guerras mundiais que poderiam por fim a humanidade, já que a proximidade permitiria o rápido deslocamento de armamento pesado e destrutivo através da terra, do mar ou do ar (no próximo tópico, falarei sobre a questão do desenvolvimento armamentista).

Quando Deus criou a terra, havia apenas uma porção seca (Gênesis 1:9), e após o pecado, os homens tenderam a se juntar em um só lugar. Devido à maldade nos corações e a violência que surgia dos homens, havia o perigo de guerras mundiais graças à falta de barreiras entre as cidades.

Em Sua infinita bondade e amor a nós, Deus separou os continentes para evitar que os homens se auto destruíssem em guerras mundiais, e isto aconteceu logo cinco gerações após Noé:
"E a Éber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joctã." (Gênesis 10:25)
O nome "Pelegue" quer dizer "terremoto" de acordo com o dicionário de Grego e Hebraico de Strong. A terra era apenas um continente (que chamamos de Pangeia). Após este super terremoto que dividiu a terra em continentes separados, a humanidade precisou de milhares de anos até ser capaz de entrar em uma guerra mundial do nível da 2ª, mas o Senhor nos livrou de uma destruição antes que Ele pudesse enviar Seu Filho à Terra para nos salvar.

A Torre de Babel

Como já disse anteriormente, Deus é amor (1 João 4:8), e tudo o que Ele faz, primeiramente, é movido por isto. Entenda algo muito importante e profundo: amor não é uma característica de Deus. Amor é o que Ele é. Sei que não é algo que se possa entender apenas lendo esta frase, mas isto é algo para você buscar compreender (veremos mais sobre isto no futuro).

Pois bem, por que Deus confundiu as línguas dos homens para que houvesse aquela dispersão toda? Vamos analisar o que o próprio Deus disse:
"E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer." (Gênesis 11:6)
Observe o que eu coloquei em negrito no versículo acima: o próprio Deus afirma que, sem a barreira do idioma, não haveria restrição no que o homem intentasse fazer!

Veja o mundo ao seu redor e pense sobre como a tecnologia evoluiu nos últimos tempos. Toda esta evolução só foi possível por causa do melhoramento nas ferramentas de comunicação e transporte.

Logo após a invenção da impressa (século XV), houve um salto na propagação do conhecimento, e em alguns séculos a humanidade evoluiu muito em termos de tecnologia. Depois veio a invenção do telégrafo (1837) e do rádio (1901) e a comunicação melhorou significativamente.

Não por coincidência, toda essa tecnologia de comunicação foi usada maciçamente nas duas guerras mundiais que assolaram o mundo logo em seguida. De fato, a evolução do conhecimento e dos transportes foi exatamente o que permitiu as guerras mundiais!

Daí vieram a TV, os computadores e a Internet, e o conhecimento passa, então, a crescer exponencialmente. Hoje temos carros, submarinos e aviões não tripulados. A robótica, por sua vez, vem preparando o cenário para uma guerra apocalíptica sem precedentes. O homem, atualmente, tem o potencial para destruir todo o planeta em poucos dias!

Agora vamos voltar para o tempo da Torre de Babel...

Ora, o próprio Deus afirmou que, se a humanidade falasse apenas um idioma, não haveria restrições, e fatalmente o conhecimento se desenvolveria rapidamente, mas se cruzarmos esta afirmação com a de Gênesis 8:21, citado anteriormente, entenderemos porquê Deus confundiu as línguas: para atrasar o desenvolvimento tecnológico, evitando, assim, o aperfeiçoamento das armas.

Se você conhece um pouco de história (em especial, história das guerras) verá que a guerra mais fatal de todos os tempos foi a 2ª Guerra Mundial. Não se sabe ao certo quantas pessoas morreram nesta guerra, mas girou em torno das 70 milhões. Isto é o que acontece quando você tem homens pecadores de posse de armas cada vez mais poderosas!

Agora, imagine se toda esta tecnologia de guerra já existisse há bem mais tempo, sem a barreira do idioma! Antes de Cristo, a humanidade vivia em terrível violência, pois não havia a Palavra de Deus e a Igreja para ser sal e luz para o mundo. Mesmo um mundo considerado mais "civilizado" foi capaz de produzir milhões de mortes em apenas 6 anos de guerra!

Cidade japonesa de Nagazaki,após a bomba atômica.

Bem, era isso mesmo que Deus queria impedir. Eis o porquê Ele confundiu as línguas dos homens logo após ter separado os continentes: para evitar a destruição total e dar tempo para preparar o povo de Israel e, por fim, a chegada do Salvador. Mas que Deus bondoso nós temos, não é verdade?

Mesmo quando Deus faz algo que parece ser muito duro (ou até "mau"), na verdade, Ele está agindo com misericórdia, pois tem um alvo de salvação mais amplo e mais longe do que nossos olhos conseguem visualizar:
"O que feriu o Egito nos seus primogênitos; porque a sua benignidade dura para sempre;" (Salmos 136:10)
Deixo o versículo acima para você meditar como exercício (leia o Salmo 136 e veja se consegue entender como Deus poderia "ferir" alguém por causa da Sua benignidade).

Que a paz do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Referências

  1. http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/a-velocidade-do-desenvolvimento-tecnologico-a-aplicacao-das-inovacoes-e-sua-difusao/70244/
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Gutenberg
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mortos_na_Segunda_Guerra_Mundial
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamentos_de_Hiroshima_e_Nagasaki
  5. https://en.wikipedia.org/wiki/Pangaea
  6. http://brasilescola.uol.com.br/historiag/invencao-imprensa.htm

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Para que serve orar em línguas estranhas?



Afinal de contas, por que eu devo orar em línguas estranhas? O que a Bíblia ensina sobre este tema?

Existe muito material disponível na Internet sobre isso, mas é bem comum eu encontrar pessoas que são cristãs e que pertencem a igrejas pentecostais mas, no entanto, não sabem dar esta resposta com precisão. Muita gente tem alguma informação sobre isto, mas há também muita crença errada sobre este assunto.

Então... vamos ao que interessa!

Línguas é para todos?

Não é um propósito desta postagem ser um estudo abrangente sobre isso, então, vou apenas mostrar, de forma rápida, o que as Escrituras falam, de forma a poder me concentrar no assunto principal: "para que serve as línguas estranhas".

Jesus Cristo não é uma mera religião, Ele é o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar a humanidade do pecado e das consequências dele. Esta mensagem é a informação mais importante que existe, pois é capaz de dar a vida eterna àqueles que a recebem.

Para confirmar algo assim tão importante, o próprio Deus opera certas coisas testemunhando a veracidade do evangelho. No versículo seguinte, vemos as 4 formas que Deus age para dar testemunho de Sua Palavra. Vejamos:
"Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade" (Hebreus 2:4)
No verso acima, eu enfatizei duas formas que o próprio Deus usa para testificar, ou seja, confirmar a mensagem do verdadeiro evangelho (existem os falsos, mas não vamos falar sobre isto agora). Veja que os termos "sinais" e "dons" estão sublinhados, fiz isso para mostrar a diferença entre eles:

SINAIS - Jesus falou que certos sinais iriam seguir a todo o que cresse no evangelho:
"E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão." (Marcos 16:17-18)
DONS - O Espírito Santo distribui certos dons conforme a Sua vontade:
"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
(...)
E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer."
(1 Coríntios 12:4,10,11)
Observe que os sinais são para todos os que crêem (no evangelho), já os dons não. Os dons dependem da vontade do Espírito Santo e são dados de forma "particular".

Por exemplo, todo cristão pode expulsar um demônio, pois Jesus delegou a Sua autoridade para toda a Igreja. Já nem todos receberão o dom de "discernimento de espíritos" ou o de "variedade de línguas", pois estes dependem de ser a vontade de Deus pra você.

Desta forma, as Escrituras mostram que existe as línguas estranhas que são um sinal da veracidade do evangelho, e estas são para todos. Mas existe um dom que é dado de forma particular chamado de "variedades de línguas", e este dom é dado para a ministração na igreja, assim como são todos os demais dons listados em 1 Coríntios 12.

Agora, vamos falar sobre o propósito do dom de línguas gerais, ou seja, o que é dado como um sinal para o crente.

E então? Pra que serve?

Bem, a resposta rápida é a seguinte: as línguas estranhas servem para que você seja edificado:
"O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo..." (1 Coríntios 14:4)
Fácil, né? Vamos então desenvolver esta frase "edifica-se a si mesmo"...

Por que eu preciso ser edificado e o que significa isto? Seguinte, nós fomos chamados por Deus para sermos Sua imagem aqui na terra. O apóstolo Paulo resume isto da seguinte forma:
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20)
Cristo habitar em nós não significa ser um robô, tipo, não é Cristo quem controla seus pensamentos, palavras, ações e omissões. Cristo viver em nós significa que nós mesmos passamos a conhecê-lo e deliberadamente obedecer Sua Palavra. Na medida em que eu ando na Palavra de Deus, voluntariamente, Cristo - que é a Palavra - passa a viver em mim.

Quando eu oro em línguas estranhas o meu espírito é que está orando, e não a minha mente:
"Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1 Coríntios 14:14)
Veja só: não é o Espírito Santo que está "possuindo" sua boca e orando, não! É o seu espírito recriado que está orando, e o seu espírito é uma nova criatura (2 Coríntios 5:17), e, portanto, sabe coisas que sua mente desconhece.

Temos a mente de Cristo

E se tudo o que você pedisse ao Senhor fosse exatamente aquilo que Deus quer fazer? Nâo seria legal isso? Pois bem, o Espírito Santo dentro de nós é chamado de a "mente de Cristo":
"Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." (1 Coríntios 2:16)
No versículo acima, Paulo está citando o Velho Testamento, Isaías 40:13, onde Deus fala de como Ele criou tudo, e quem teria sido o Seu conselheiro. A resposta óbvia é "ninguém", ou seja, o próprio Deus foi quem projetou e executou todo o Universo, visível e invisível. Veja que inteligência!

Quando cremos na mensagem do evangelho somos tornados partes de Cristo. Nos tornamos um com Ele, e Jesus compartilha conosco o Seu próprio Espírito. No entanto, tudo isto é feito segundo a realidade espiritual e não material.

Materialmente, ainda somos imperfeitos, e estamos longe de conhecermos toda a vontade de Deus. Ora, o próprio apóstolo Paulo fala que conhecemos a Deus apenas "em parte" (1 Coríntios 13:9). Como não sabemos exatamente a vontade perfeita de Deus em todas as situações, quando formos orar, provavelmente, nossa oração será motivada pelas circunstâncias exteriores e pela nossa própria limitação de conhecimento.

Se não orarmos conforme a vontade de Deus, Ele não poderá responder, pois Deus só age de acordo com Sua Palavra. Na verdade, a oração tem como seu principal propósito fazer com que a vontade de Deus seja feita aqui na terra assim como ela é feita no Céu.

Portanto, a oração que fazemos apenas baseados em nosso próprio conhecimento intelectual será imperfeita. Deus, por Seu infinito amor por nós, nos dá, então, um sinal de que somos novas criaturas: passamos a falar em novas línguas.

Novas criaturas falam novas línguas!

Precisamos falar!

Imagine que você precise pregar um prego numa parede, mas não tem o martelo. Daí você pede ao seu pai a dita ferramenta. Seu pai coloca o martelo sobre a mesa e avisa você sobre isso. Então, você fica olhando para o martelo mas não o pega e, portanto, não o utiliza. Pergunto eu: este martelo vai servir para quê?

Da mesma forma, Deus nos entregou um dom que só produzirá edificação se você o usar, afinal, como lemos em 1 Coríntios 14:4 "o que fala em línguas edifica-se". Se você recebeu o batismo no Espírito Santo e orou apenas uma vez e não dedica tempo para orar em espírito, está como esta pessoa que recebeu uma ferramenta mas não a está usando.

O dom de línguas tem seu principal uso em nossa vida particular de oração. Para usá-lo na igreja de forma pública é necessário que alguém seja usado em outro dom: "a interpretação de línguas". Obviamente, você pode "falar consigo mesmo e com Deus", ou seja, durante o culto, ore (ou cante) em línguas mas sem fazer alarde, sem chamar a atenção, pois podem haver pessoas descrentes ou que não saibam o que significa essa língua diferente.

Bem, sobre a importância de dedicar tempo a orar em línguas estranhas, o grande apóstolo dos gentios, Paulo, orava em línguas mais que toda a igreja de Corinto!
"Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos." (1 Coríntios 14:18)
Não é à toa que este homem de Deus foi capaz de suportar tantas aflições por amor a Cristo e, ao mesmo tempo, alcançar quase todo o império romano com a mensagem do evangelho. A sua capacidade vinha do Senhor, e o versículo acima mostra qual era a fonte de tanto poder: ele orava muito em línguas!

A propósito, antes de encerrar, vou fazer um parêntese aqui: Tem igrejas que não crêem nos dons do Espírito Santo pra hoje em dia, daí eles dizem que no versículo acima, Paulo está dizendo que era tipo um "poliglota", e que falava mais idiomas que os irmãos de Corinto. Ora, basta ver o contexto de todo o capítulo 14 e ficará claro que não são línguas naturais, mas sim espirituais (o capítulo todo busca disciplinar o uso de línguas estranhas, interpretação de línguas, profecia e revelação durante o culto). Então, cuidado quando ouvir enganos deste tipo!

Que a graça do Senhor Jesus seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

Links Úteis


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 7

Pintura "Jó", de William Blake.

O Livro de Jó


Quando o assunto é a bondade de Deus, um personagem bíblico é sempre lembrado: ! Afinal de contas, quando lemos o livro de Jó de per si, temos a impressão de que Deus o entregou nas mãos do diabo, mesmo após tê-lo elogiado (Jó 1:8). Ficamos com um certo receio de questionar: mas como Deus elogia o Seu servo Jó e depois o entrega nas mãos de satanás, só porque satanás faz uma acusação?

Nesta sétima parte deste estudo, quero examinar o conteúdo do livro de Jó à luz da Graça de Jesus Cristo, e veremos que Deus continua sendo bom, e o episódio da vida de Jó em nada pode lançar dúvidas sobre o amor do Pai, exceto para aqueles que leem este livro de forma superficial e isolada do restante das Escrituras.

Contudo, quero deixar claro que não cobrirei com muitos detalhes todo o livro de Jó, mas apenas alguns pontos importantes para que você possa entender que não foi Deus quem entregou Jó ao diabo de forma arbitrária simplesmente porque o diabo o acusou. No final deste texto, coloquei alguns links para que você possa se aprofundar neste tema.

Quem foi Jó?


Jó foi um homem rico que viveu em uma terra chamada "Uz" (não se sabe ao certo onde ficava), e que era temente ao Senhor, apesar de nunca ter tido experiências reais com Deus no período anterior ao seu sofrimento.

O Livro de Jó é provavelmente o mais antigo da Bíblia, pois foi escrito anteriormente à Lei de Moisés. Muitos acreditam que os eventos descritos nele poderiam ter ocorrido até mesmo antes do dilúvio, no entanto, provavelmente ele foi contemporâneo de Abraão.

Como Jó não tinha a Lei de Moisés ainda, ele mesmo oferecia sacrifícios por seus filhos após eles darem seus banquetes; os sacrifícios tinham o fim de santificá-los, ou seja, limpá-los de seus pecados (Jó 1:5). Ora, Jó era um homem "íntegro, reto e temente a Deus e se desviava do mal" (Jó 1:1).

Por que satanás teve acesso a Jó?


Antes de mais nada, é fundamental compreendermos qual o contexto espiritual no qual Jó vivia. Precisaremos lançar a luz do Novo Testamento para iluminar os escritos do Velho Testamento, como já fiz outras vezes. Antes de mais nada, vamos entender o que é uma "aliança" e para que serve.

As alianças que Deus fez com o homem possuem a capacidade de protegê-lo do maligno, sendo que a Nova Aliança em Cristo é muito superior à Antiga. Ocorre que Jó não estava nem debaixo da Nova, nem da Velha Aliança. Desta forma, ele estava desprotegido dos ataques do inimigo. Novamente, enfatizo aqui que este assunto mereceria um tratamento maior e por isso reforço a indicação dos links ao final do texto, em especial o livro do Professor e Pastor Tassos Lycurgo sobre o tema.

Após o pecado do homem, satanás obteve acesso ao mundo físico e trouxe, com ele, a morte. Espiritualmente falando, a morte é um lugar no qual satanás tem condições de operar, conforme vemos no verso abaixo:
"...derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo..." (Hebreus 2:14)
A palavra traduzida por "poder" acima é o termo grego kratos que significa "domínio". Na Bíblia King James, por exemplo, kratos é traduzido como "domínio" em 1Pedro 5:11, Judas 1:25 e Apocalipse 1:6.

Isto significa que satanás tinha um acesso praticamente livre na humanidade até antes da Lei de Moisés. Veja só:
"No entanto, morte reinou desde Adão até Moisés..." (Romanos 5:14)
Jamais foi a vontade de Deus que Jó passasse por sofrimentos. De fato, quando Deus, aparentemente, "entregou" a vida de Jó nas mãos de satanás, Ele estava apenas atestando algo que já era uma realidade. Se lermos com cuidado, veremos isto. Observe que Deus apenas confirma que os bens de Jó já estavam nas mãos de satanás:
"E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor." (Jó 1:12)
Se você vem acompanhando este estudo, parte por parte, sabe que tenho me esforçado para mostrar que Deus é uma Pessoa boa e um Pai de amor. Seria uma contradição Deus entregar uma pessoa "íntegra e temente a Deus" nas mãos de satanás. No entanto, Jó estava desprotegido, pois não estava sob nenhuma das alianças que Deus estabeleceu para "cobrir" (no caso da Velha Aliança) ou "quitar" (no caso da Nova Aliança) o pecado do homem.

A Palavra de Deus é um Refúgio


Como o mundo caiu debaixo de maldição após o pecado, é necessário que o homem esteja debaixo de um refúgio de forma a que possa estar protegido das "intempéries da vida". Esta ideia de "refúgio" ou "esconderijo" é bem comum nas Escrituras. Isto significa que sem esse refúgio, estaremos desprotegidos contra os ataques de satanás.
"O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia." (Salmos 9:9)
Quando profetizava acerca da Nova Aliança, Isaías falava sobre este lugar:
"...e será um abrigo e sombra para o calor do dia, refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva." (Isaías 4:6)
Porém, não adianta apenas o homem "ouvir falar" sobre Deus, ou mesmo ter uma religião. Jesus falou que o homem precisa ouvir as palavras de Deus e praticá-las para poder estar protegido da tempestade e chuva:
"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha."
 (Mateus 7:24-25)
Uma família que não tem acesso à Palavra do Senhor para poder praticá-la, não terá sua casa edificada sobre a Rocha Eterna.

As alianças que Deus fez com o homem vinham acompanhadas de promessas. De fato, uma aliança é um tipo de "contrato", pois traz obrigações e benefícios mútuos. Deus fez diversos "contratos" com o homem ao longo dos séculos, cada um deles tinha certas características, e sempre havia promessa de proteção.

Quando Deus envia a Sua Palavra, como no caso de uma aliança, esta Palavra servirá como uma espécie de proteção, como uma "sombra" para nos proteger. Se permanecermos na Sua promessa, estaremos debaixo desta sombra. Se sairmos da Palavra, sairemos de debaixo da "sombra", e Deus não poderá nos proteger, pois Ele só age de acordo com Sua Palavra.

Jó conhecia a Deus pessoalmente?


Uma das primeiras coisas que aprendemos ao estudarmos o livro de Jó era que ele não tinha um relacionamento pessoal com Deus, assim como outros homens que viveram antes da Lei de Moisés, tais como Enoque (Gênesis 5:24) e Noé (Gênesis 6:8). O próprio Jó admite tal afirmação quando diz:
"Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.
Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza."
 (Jó 42:5-6)
Ora, a falta de conhecimento de Deus abre a porta para a destruição, pois é exatamente o conhecimento da Palavra que irá nos proteger, já que será um refúgio para as intempéries da vida, e fornecerá uma sombra para nos guardar do calor do sol (o quê, figuradamente, representa as tribulações).

Analisando o livro de Jó, vemos que ele era um homem que buscava se desviar do mal, no entanto, não conhecia a Deus verdadeiramente. Então, porque ele se desviava do mal?

A resposta é: Jó era íntegro e se desviava do mal porque tinha medo! Ele não o fazia movido por fé, pois a fé só vem pela Palavra de Deus (Romanos 10:17), e Jó não dispunha dela (mas não porque ele não queria, mas sim porque as alianças ainda não haviam sido feitas). Veja o que o próprio Jó afirma:
"Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu." (Jó 3:25)
Isto é bastante confirmado pelo próprio comportamento de Jó ao oferecer sacrifícios continuamente por seus filhos após os banquetes deles. Veja que Jó não entendia que ele deveria ensinar seus filhos no caminho da integridade, e não simplesmente esperar que eles tivessem pecado pra, só depois, tentar corrigir os erros deles através dos sacrifícios:
"Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente." (Jó 1:5)
Ora, como Jó poderia ensinar seus filhos no caminho do Senhor se ele mesmo só conhecia a Deus por ouvir falar? Acredito que, após o fim de sua tribulação, e quando o Senhor deu a ele mais filhos, Jó teve o devido cuidado de ensinar aos seus descendentes quem era Deus e qual o procedimento que deveriam ter com relação ao pecado.

O exemplo de Jó


O livro de Jó não pode ser usado como fonte de doutrina que contrarie a Nova Aliança. Os escritos do Novo Testamento são claros quando mostram que Deus não é o que envia roubos, morte e destruição:

  • Em João 10:10, Jesus ensina que não é ele que rouba, mata e destrói, mas sim o "ladrão" (o diabo).
  • Em Atos 10:38, o apóstolo Pedro afirma que as pessoas que Jesus curou eram oprimidas pelo diabo, e não por Deus.
  • Em Tiago 1:17, ele diz que do Pai só vem as coisas boas e perfeitas.

Lançando sobre o Livro de Jó a luz da Nova Aliança, vemos que, na verdade, satanás é que estava prestes a destruir Jó, mas Deus o protegeu, impedindo o diabo de matá-lo (em João 8:44, Jesus disse que o diabo é "homicida" desde o princípio).

Veja que o próprio apóstolo Tiago usa o exemplo de Jó no final do seu livro, embora afirme logo no início que de Deus só vem "boas dádivas e dons perfeitos", conforme versículo citado acima:
"Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso." (Tiago 5:11)
Na Nova Aliança, Jesus nos liberta do poder do diabo e nos devolve a autoridade perdida por Adão. Assim, temos condições de resistir aos demônios no Nome de Jesus. Isto era algo que Jó não tinha, por isso Jó teve que vencer pela paciência apenas, e o Senhor, que é misericordioso e piedoso, interveio na vida de Jó e restituiu tudo o que o diabo destruiu.

Que a paz do Senhor seja com o seu espírito. Amém.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 6

O Dilúvio Foi um Ato de Amor?


Nesta série de estudos, estou buscando mostrar que a verdadeira natureza de Deus é o amor. Isto não quer dizer que Deus não haja com a ira contra o pecado, pois isto é claro nas Escrituras, afinal Ele é o Juiz do Universo (Salmo 9:8, Hebreus 12:23). No entanto, quero demonstrar que executar a ira divina contra o pecador é algo do tipo "último recurso", e que Deus tenta convencer o homem do seu pecado bem antes de aplicar a ira.

Além disso, posso, ousadamente, afirmar que o dilúvio foi, antes de tudo, um ato de amor, apesar de ter sido também um ato de ira divina. De fato, foi um ato de amor para a humanidade como um todo, pois se Deus não tivesse intervindo, a raça humana teria se extinguido algum tempo após o dilúvio, e nem eu nem você existiríamos hoje.

A degradação moral da humanidade após o pecado


Após a entrada do pecado na terra, rapidamente a imagem de Deus no homem foi se degradando. Vimos, na parte anterior deste estudo, que Deus não puniu Caim com a morte após o homicídio de seu irmão, e, na verdade, até o protegeu para que ele não fosse morto por alguém. O Senhor declarou que "qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado" (Gênesis 4:15).

O Senhor havia tentado convencer Caim da necessidade de proceder bem e dominar sobre o pecado, mas não podia impedi-lo de pecar, retirando dele o livre arbítrio. Ora, você é livre para pecar, se assim o quiser. Os pais de Caim e Abel haviam escolhido este caminho da desobediência, e as consequências foram sentidas por toda a descendência de Adão e Eva.

Ocorre que, quanto mais os homens  mergulhavam no pecado, mais se afastavam de Deus, e seus corações mais e mais se obscureciam, se tornando endurecidos para a voz do Espírito Santo.
"...porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos..." (Romanos 1:21,22)
Vamos voltar para Gênesis 4, um texto que mostra a humanidade logo após o pecado. No versículo 19, um descendente de Caim, chamado Lameque já demonstra a prática da poligamia. Além disso, Lameque usa as palavras que Deus usou quando protegeu Caim para justificar os seus próprios homicídios:
"E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras; porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete." (Gênesis 4:23,24)
A falta de punição sobre o homicídio de Abel, praticado por Caim, estava sendo usada como justificativa para dois homicídios, inclusive, um deles por motivo fútil: Lameque recebeu uma pisada, e matou o jovem. De fato, a palavra hebraica aqui é yeled, que quer dizer "criança". Lameque havia matado uma criança por ter pisado nele.

Isto mostra o terrível nível de violência na qual a terra se encontrava apenas 5 gerações após o pecado ter entrado no mundo. Por outro lado, uma linhagem de justos começou a invocar o nome do Senhor, a partir de Sete, o filho que Deus concedeu a Adão e Eva no lugar de Abel (Gênesis 4:26).

Com o passar dos anos, a iniquidade atingiu seu ápice, até ao ponto de que toda a humanidade se corrompeu pelo pecado:
"O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal... 
A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.
E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra." (Gênesis 6:11-12)
Satanás, o anjo caído, havia conseguido seu intento: a imagem de Deus no homem havia sido destruída, não havia mais amor, bondade, misericórdia, paciência, fé, etc. Ao invés de ser a imagem de Deus, o homem, agora, era imagem do diabo. Jesus disse que ele é homicida desde o princípio, e foi isto que o homem se tornou.

A necessidade do dilúvio


Deus é um Bom Deus... Ele é uma Pessoa boa, cheia de misericódia e pronto a perdoar. No entanto, ao homem foi entregue o domínio sobre a terra, e Deus não pode voltar atrás em Sua Palavra. O homem continuava com o domínio, no entanto, seus pensamentos se voltavam para o mal. Com o passar do tempo, isto acabaria por destruir toda a humanidade.

Já vimos que Lameque matou até mesmo uma criança, e ainda falou que seria vingado "setenta vezes sete" caso alguém o ferisse. Devido à banalidade dos homicídios (fora outros tipos de pecado), havia sério risco de que, caso ninguém desse ouvidos a voz de Deus, a humanidade se auto destruísse sem que houvesse possibilidade de arrependimento.

Particularmente, creio que Deus esperou até o último momento pra executar a ira sobre os homens. Se calcularmos o tempo que levou até o dilúvio, veremos que foram, aproximadamente, 1600 anos do nascimento de Adão até este evento. Deus foi muito paciente com o homem e concedeu a última chance: a construção da arca!

Em 1 Pedro 3:20, o apóstolo fala sobre a paciência que Deus teve enquanto a arca era construída, pois levou décadas para que o grande barco fosse terminado. Devemos lembrar que a arca era muito grande e que provavelmente apenas Noé e sua família participaram da sua construção. A humanidade falava uma mesma língua e habitavam em um só continente. Tudo isto mostra que todos souberam da existência da arca, e que, devido a isto, se tornaram susceptíveis de salvação.

Contudo, ninguém quis saber o porquê daquele enorme barco (ou, se quis, não acreditou em Noé), e, desta forma, a arca "condenou o mundo" da época (Hebreus 11:7).

Algo semelhante ocorrerá nos últimos tempos. Devido à iniquidade do homem dos tempos do fim, haverá grandes tribulações, mas por nossa causa, Deus abreviará o tempo:
"E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias." (Mateus 24:22)
E, hoje em dia, através da Igreja, a salvação em Jesus Cristo é anunciada a toda humanidade em toda a terra. No entanto, chegará o tempo da ira divina sobre o pecado. Mas Deus espera, pacientemente, até que todos "entrem na arca", ou seja, todos aqueles que crerão no Seu Filho tenham a oportunidade de ouvir o evangelho e serem salvos da ira.
"Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira." (Romanos 5:9)

A arca representava Cristo


Meu amigo, o Deus Criador é uma Boa Pessoa, mas é perfeitamente puro, santo, e não pode habitar com o mal. Um dia, mais cedo ou mais tarde, Jesus voltará para julgar as nações, e se dependermos de nossas próprias obras pra sermos salvos, estaremos perdidos, pois mesmo praticando boas obras, ainda temos pecados.

Jesus é esta arca, através da qual Deus nos oferece a salvação da ira futura. Para entrar nesta arca, basta crermos no sacrifício do Filho de Deus, Jesus Cristo, pois, assim como aconteceu com o mundo antigo, acontecerá no mundo futuro: Deus vai impedir que os homens se destruam a si mesmos e ao planeta.

Creia na mensagem do evangelho e receba Jesus como seu Senhor (dono) e Salvador.

Que a paz do Senhor Jesus Cristo seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa


Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 7

terça-feira, 4 de julho de 2017

Porque Casamentos Estão Acabando?


Estava pensando um pouco sobre as estatísticas brasileiras no que diz respeito a casamentos e a taxa de divórcios atualmente. Como sou filho de pais separados, estava meditando sobre as causas pelas quais os divórcios têm aumentado tanto.

Longe de querer explicar aqui sobre todas as razões que levaram a isso, gostaria de compartilhar apenas uma: a independência. Vou explicar melhor...

Porcentagem no número de divórcios no Brasil


Segundo dados do IBGE (os links que pesquisei estão no final desta postagem), o Brasil teve um aumento de cerca de 160% no número de divórcios de 2004 a 2014, ou seja, este número mais que dobrou em uma década.

Mas se considerarmos desde o ano 1984 até 2014, a taxa aumentou mais de 1000%! A que devemos isto?

Os profissionais que trabalham no ramo do Direito Familiar oferecem algumas hipóteses sobre o fenômeno, em especial, a mudança na Lei do Divórcio (Emenda Constitucional 66/2010, promulgada em 2010) que facilitou o divórcio. No entanto, a ferida é mais profunda.

Acredito que existam muitas razões que poderiam ser analisadas aqui, obviamente, à luz da Palavra de Deus, já que este é um texto com viés cristão, mas gostaria de focar em apenas um desses pontos: a independência.

Independência ou morte?


Sob a ótica bíblica, o pior problema da humanidade é o pecado, pois provocou a morte espiritual do ser humano e também a morte física. Em termos espirituais, "morte" significa estar afastado do Criador, o que nos torna cegos para a realidade espiritual.

Estando cegos para a realidade espiritual, não entendemos quais as consequências de nossas ações no que diz respeito, principalmente, ao lado espiritual, mas também ao lado material (aliás, o lado espiritual sempre vai refletir no material).

Se cavarmos fundo, veremos que, no final, o pecado é tão somente a declaração de independência do homem para com Deus. Adão e Eva desejaram ter conhecimento "extra" que não vinha do Senhor, e optaram por comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 3), abrindo a porta para que o mal entrasse no mundo.

Hoje em dia, nossa sociedade super valoriza a liberdade e independência, colocando estes dois substantivos acima de muitos valores cristãos. Gostaria de focar na "independência", mas, para não deixar você na curiosidade, vou colocar um versículo que fala sobre liberdade para nós, cristãos:
"Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo." (1 Coríntios 7:22)
Se por um lado, somos libertos (do poder do pecado e de satanás), por outro, nos tornamos sim escravos de Jesus. Portanto, não temos liberdade, senão aquela que o Nosso Senhor nos dá. Afinal de contas, Jesus é o nosso Senhor e Rei, e Ele é um bom Senhor, no entanto, não deixa de ser "senhor" (dono).

Entendendo a "dependência"


Deus não nos criou para sermos independentes, nem d'Ele, nem dos outros. Quando o ser humano vive sem Deus e não O busca, está mostrando que quer viver independente do seu Criador e Pai Celestial. Mas não fomos criados para viver assim, o afastamento do Pai Celestial tem consequências ruins para nós.

Também não fomos criados para vivermos de forma independente uns dos outros: no Reino de Deus, a dependência é regra e é chave para termos uma vida de sucesso em Deus.

Falando sobre como a igreja deve funcionar, o apóstolo Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, fala:
"Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo." (1 Coríntios 12:12)
Em todo agrupamento humano, a falta de unidade provoca danos terríveis, que no fim, caso não seja tratada, levará ao esfacelamento daquele grupo. Jesus disse que "todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá" (Mateus 12:25).

Não há exceções, Jesus disse que "todo reino", "toda cidade" e "toda casa", caso estejam divididos contra si mesmos serão destruídos! Isto é muito sério!

E o que significa este número crescente de divórcios? São casas que se dividiram contra si mesmas, e, por fim, não subsistiram. Quando não entendemos nossa dependência um do outro, iremos seguir o lado da independência um do outro! "Eu não preciso de você, e você não precisa de mim. Posso viver muito bem sem você, não dependo de você pra nada"! Resultado: a casa caiu (literalmente)!

A dependência no casamento


No casamento, Deus criou tudo de forma perfeita: o marido depende da esposa, e a esposa do marido, para que formem a "unidade" no casamento. Se o marido deseja conduzir a casa de forma independente da esposa, a coisa não funciona bem. O mesmo vale para a esposa com relação ao marido.

Muitos maridos cristãos usam o texto de Efésios 5:22 para exigir submissão total da esposa, no entanto, esquecem que o versículo imediatamente anterior diz...
"Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo." (Efésios 5:21)
Veja bem, ANTES da esposa se submeter ao marido, os dois devem se sujeitar um ao outro "por temor a Cristo". Isto mostra que Cristo é que deve ser o Rei no casamento. Caso isto não aconteça, a submissão da esposa ao marido se tornará uma escravidão para a mulher. Quando o marido não é cristão, caberá a esposa agir em fé para não entrar em contendas, já que o marido não é obediente a Cristo (cf. 1 Pedro 3:1), o que não significa que a mulher vá se submeter a maus tratos psicológicos ou físicos, mas não vou tratar deste assunto aqui hoje.

Ocorre que, na sociedade atual, há uma crescente ênfase na independência. A mulher é ensinada desde cedo a ser independente do homem, e o homem é ensinado a buscar os deleites e prazeres, e não a ser alguém responsável, trabalhador e disposto a se sacrificar por amor à sua família.

Estas características são necessárias para um bom casamento onde Cristo é o centro. O casamento deve refletir o relacionamento entre Cristo e a igreja. A igreja é dependente de Cristo, e Cristo é sensível às necessidades da igreja, sendo Ele mesmo aquele que se sacrificou por ela.

E a palavra de Deus diz que o marido deve amar a sua esposa como ao seu próprio corpo (Efésios 5:28). Ora, isto mostra uma forte ligação e dependência que o marido precisa ter com relação à esposa, ou você acha que sua cabeça é independente do seu corpo? Será que sua cabeça conseguiria ir muito longe sem o seu corpo? O mesmo raciocínio vale para a esposa com relação ao seu marido.

O homem deve ser dependente da mulher e a mulher do homem


O fato do marido ser dependente da esposa talvez não seja bem compreendido. Como disse no início deste texto, sou filho de pais divorciados, e meu pai sempre criticou homens "dependentes da mulher". Ora, ele mesmo foi o que deixou a família, isso mostra que esta "doutrina" está errada. Deus nos criou como seres interdependentes, e se o homem proclamar que é independete da sua esposa, ele estará fadado a arruinar o seu casamento, e não poderá colher aquilo que Deus tem de melhor para os casados.

Quando o Senhor criou a mulher, a capacitou de virtudes diferentes das masculinas, e disse Deus:
"Então o Senhor Deus declarou: 'Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda'." (Gênesis 2:18)
Em nossa experiência pastoral, vemos que, geralmente, o marido e a esposa têm características diferentes que, se mal usadas, podem destruir o relacionamento, mas, se forem bem aproveitadas, irão levá-los a um crescimento espiritual muito bom.

Falo com conhecimento de causa, eu e minha esposa, Oriana, somos muito diferentes um do outro, e as características dela, muitas vezes, me afligiram, mas, quando passei a "ouvi-las", pude crescer mais.

Tive que aprender a valorizar o que ela dizia, e ela a mim. Valorizar o que o outro recebeu de Deus é algo muito importante, pois mostra dependência um do outro. O Senhor Deus não tem filhos preferidos, Ele ama a todos, e a cada um Ele distribui dons de acordo com a Sua vontade.

Estes dons e sabedoria são complementares, ou seja, Ele distribui de forma a que um dependa do outro, contudo, muitas vezes, precisaremos nos humilhar e reconhecer que somos limitados e que esta dependência procede de Deus, e tentar viver de forma independente irá provocar o desfazimento da unidade familiar.
"O olho não pode dizer à mão: 'Não preciso de você!' Nem a cabeça pode dizer aos pés: 'Não preciso de vocês!'
Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra.
...a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros."
(1 Coríntios 12:21-25)
Assim, no casamento, o marido não pode dizer à esposa "não preciso de você!", e a esposa não pode dizer ao marido "nem eu preciso de você!", nem os filhos dizerem aos pais "não precisamos de vocês" e vice-versa. Mas todos precisamos uns dos outros, pois somos um corpo.

Seja dependente de Deus e dos outros (dentro deste contexto tratado aqui)! Assim, você poderá desfrutar do melhor de Deus pra sua vida.

Que a graça do Senhor Jesus seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

Links pesquisados:

  • http://revistadonna.clicrbs.com.br/comportamento-2/por-que-o-numero-de-divorcios-no-brasil-cresceu-160-em-10-anos-entenda-os-motivos/
  • http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-11/divorcio-cresce-mais-de-160-em-uma-decada
  • http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/em-10-anos-taxa-de-divorcios-cresce-mais-de-160-no-pais

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 5

Como Deus Tratou o Homem Após o Pecado


Ao contrário do que muita gente pensa e ensina, mesmo após o pecado, Deus continuou interagindo com o homem, tentando guiá-lo para evitar que o pecado nos dominasse por completo. O amor de Deus pelo ser humano continuou a ser demonstrado, e isto é visto ao longo das Escrituras, em especial no livro de Gênesis.

Certamente o pecado é algo grave e que separa o homem de Deus. O salário do pecado é a morte espiritual, e trouxe, ainda, a morte física e todas as más consequências que vemos ao nosso redor. No livro de Gênesis, vemos que, logo após o pecado, no primeiro contato com Deus, a reação de Adão foi se esconder porque sentiu medo (Gênesis 3:8-10).

Isto mostra que mesmo após o pecado de Adão, não foi Deus quem se afastou deles, mas sim eles que fugiram da Presença de Deus, isto porque o homem se afasta de Deus quando tem consciência do pecado!

Vamos meditar sobre este assunto nesta quinta parte deste estudo.

Por que Deus retirou o homem do Jardim do Éden?


Após o pecado do homem, Deus o lança fora do Jardim do Éden (Gênesis 3:23). A maioria das pessoas faz uma leitura errada sobre este evento, e entende que Deus foi demasiadamente rigoroso conosco. Contudo, é exatamente o contrário! Nunca devemos nos esquecer de que Deus é amor, e tudo o que Ele faz, primeiramente, é motivado por amor e não por ira. Deus pôs o homem pra fora do Éden, exatamente para protegê-lo. Vamos examinar o texto bíblico, note o texto destacado:
"Então disse o Senhor Deus: 'Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele também tome do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre'. Por isso o Senhor Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado." (Gênesis 3:22-23)
No texto acima, Deus deixa claro o motivo de ele ter retirado o homem do jardim do Éden: para que ele não vivesse para sempre! Mas, espere um pouco! Onde podemos ver "amor" nisso?

Vamos analisar esta questão...

Se voltarmos para Gênesis 2:17, veremos que o Senhor falou pra Adão que no dia em que ele comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, "certamente morreria". No entanto, quando lemos o relato do pecado original, vemos que, aparentemente, Adão não morreu. Estaria Deus mentindo?

Deus não pode mentir, pois Ele é a própria Verdade (João 14:6, Romanos 3:4, etc.)! Desta forma, devemos entender que Deus falava da morte espiritual do homem, e não da morte física. Ora, a morte física também veio, mas só posteriormente.

Esta interpretação está consistente com Efésios 2:1, que diz que nós estávamos "mortos" devido aos pecados. Esta morte não poderia ser física, pois mesmo em pecado, nosso corpo estava funcionando, e nosso intelecto (a "alma") também funcionava, pois nós podíamos pensar, estudar, etc.

Assim, concluímos que Deus falava da morte do espírito humano, isto é, se o homem escolhesse comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele morreria espiritualmente, e a morte física acompanhou a morte espiritual.

Bem, levando isto em consideração, agora podemos entender o que Deus queria fazer quando preferiu retirar o homem do jardim: Ele não queria que o homem vivesse para sempre estando morto espiritualmente. Estaríamos condenados a uma vida eterna separados de Deus, separados da verdadeira vida.

Mesmo após o pecado, Deus continua a manter comunhão com o homem


Poderia um Deus santo manter comunhão com um homem pecador? Geralmente, se você perguntar a alguma pessoa religiosa, a resposta será um sonoro "não". No entanto, não é isto que vemos na continuidade do livro de Gênesis.

Mesmo sendo um Deus santo e puro (e, definitivamente, Ele é!), Ele continuou a manter comunhão com o homem após o pecado. Note o comportamento dos irmãos Caim e Abel:
"E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta."
(Gênesis 4:3-4)
De onde Caim e Abel tiraram esta ideia de trazer ofertas ao Senhor? Como eles chegaram a este entendimento? Obviamente, alguém os orientou a isso, e só poderia ser o próprio Senhor, pois veremos nos versículos seguintes que Deus falava com eles, mesmo sendo pecadores.

Além de orientar os homens a trazerem ofertas, o Senhor também tentava impedi-los de pecar. Quando Deus não atentou para a oferta de Caim, o semblante deste descaiu (versículo 5). Ou seja, Caim ficou "pra baixo", mas o Senhor chegou junto e tentou mostrar a ele que se tivesse o coração mau, de nada adiantaria trazer ofertas a Deus, pois não seriam recebidas:
"E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito?" (Gênesis 4:6-7)
Em Mateus 5:23-24, Jesus diz a mesma coisa: não adianta trazer ofertas ao Pai se você tem rixa com o seu irmão. Antes, é necessário desfazer o mal dentro de nós para que nossas ofertas sejam aceitas por Deus.

Como Deus tratou o primeiro assassino?


Mesmo após a advertência do Senhor, Caim se irou contra seu irmão Abel e o matou. Isto está registrado em Gênesis 4:8. Já no versículo 9, o Senhor confrontou Caim, que foi insolente ao Todo Poderoso:
"E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?"
Se você fosse Deus, e soubesse que um irmão mau acabou de matar o irmão bom. O que você faria? E se você fosse falar com este homem malvado e ele desse uma resposta insolente a você?

Bem, não sei quanto a vocês, mas eu digo o que EU faria: Eu o esmagaria como a um mosquito!



Mas vamos ver como Deus tratou este primeiro assassino registrado na Bíblia:
"E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.
E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.
Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada."
(Gênesis 4:10-13)
Se fizermos uma leitura rápida, veremos que Deus diz que Caim se tornou "maldito", e entenderemos que Deus o amaldiçoou, no entanto, se olharmos mais cuidadosamente, veremos que Deus não o amaldiçoou. O Senhor apenas declarou as consequências do pecado de Caim: ele seria maldito "desde a terra" (verso 11). O universo físico foi criado com uma Lei que chamamos "Lei da Semeadura", que diz que tudo o que plantamos volta pra nós multiplicado.

Esta Lei da Semeadura vale pra plantas, animais e também pra o homem. Vale para nossas atitudes:
"Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gálatas 6:7)
A Lei da Semeadura é como a Lei da Gravidade, ela não é "pessoal", ou seja, não é Deus quem determina quem vai colher isso ou aquilo, na verdade, é você mesmo quem faz isso. A Lei da Semeadura vale para todos: você irá colher exatamente o que você plantou!

Caim semeou morte e era natural que ele colhesse a morte, porém, após o Senhor declarar o que ele sofreria, Caim entendeu as consequências de sua maldade e disse:
maior a minha maldade que a que possa ser perdoada. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará." (Gênesis 4:13-14)
É interessante que em nenhum momento, Deus ordena a Caim que vá embora. De fato, foi o próprio Caim que disse "da tua face me esconderei". Esta é a principal consequência do pecado: nos escondemos de Deus (assim como fez Adão após o pecado, em Gênesis 3:8).

Caim reconhece a sua maldade e se arrepende (mas não posso dizer que foi um arrependimento sincero, o que você acha?). Meu foco aqui é com a reação do Senhor Deus: ao invés de confirmar que realmente Caim seria assassinado devido ao seu pecado, Ele, na verdade, coloca um sinal em Caim para evitar que ele seja morto:
"O Senhor, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse." (v. 15)
Deus, de fato, não trata Caim com o rigor que o pecado merece! Seria isto uma aprovação do pecado? Será que Deus aprovou o pecado de Caim? Claro que não! Deus tentou evitar isso, conforme já vimos. No entanto, já vimos na parte 4 que o homem é o responsável por seus atos, Deus não manipula a vontade humana, pois isto não seria amor.

Deus tratou Caim com misericórdia, e o livrou da morte, colocando um sinal sobre ele.

Você acha que Caim deveria ter morrido por seu pecado? Se sua resposta é "sim", eu também acho que seria a punição mais "justa". Mas você já cometeu algum pecado? Se sua resposta foi "sim" então você (e eu) também deveríamos morrer! O salário do pecado é a morte, e assim como Deus foi misericordioso com Caim, assim Ele é misericordioso com todos.

No livro de 2 Samuel, capítulo 11, temos a história do Rei Davi, que cometeu adultério com Bate-Seba. Como ela engravidou, Davi tentou fazer com que o seu marido, Urias, dormisse com ela pra que ele (e o povo) pensasse que o filho era dele, de Urias.

No entanto, este plano não deu certo, e Davi teve outra brilhante ideia: colocar Urias na linha de frente da batalha pra que ele morresse. Este plano deu certo (aparentemente).

Davi vivia sob a Lei de Moisés, e, pela Lei, estes dois pecados deveriam ser punidos com morte. No entanto, quando Davi se arrepende, Deus diz: 
"Então disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor. E disse Natã a Davi: Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás." (2 Samuel 12:13)
Claro que Davi colheu as consequências do pecado dele (assim como Caim), mas Deus foi misericordioso com ele e o poupou da morte, que seria a punição adequada para o caso. Ainda vamos estudar sobre a Lei de Moisés, e como Deus começou efetivamente a punir pecados sob a Lei, mas mesmo ali, o Senhor não desejava a morte dos homens, mas sim o arrependimento.

Deus tratou Caim com misericórdia, paciência e perdão, pois Ele é assim. E precisamos entender isto para podermos andar em amor. No entanto, aprenderemos que a humanidade não compreende esta atitude de Deus em não punir o homem com o salário do pecado, e continuou a se afastar do seu Criador.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa


---
Leia a parte 6 deste estudo no link abaixo:
Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 6

terça-feira, 27 de junho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 4

A Responsabilidade do Homem

Muita gente confunde as coisas no que diz respeito ao pecado. Seria mais ou menos como responsabilizar a Deus pelo pecado do homem, afinal de contas "Deus sabia que Adão iria pecar". Além disso, as consequências do pecado aparentam ser muito injustas, afinal, eu nem ao menos havia nascido quando Adão pecou, desta forma, como poderia eu ser responsável pelo pecado desse meu ancestral tão distante?

Nesta parte 4, vamos examinar esta questão pra podermos entender até que ponto Deus é responsável por todo o mal que entrou neste mundo após o pecado original.

O domínio sobre a Terra


Quando o Senhor Deus criou o homem, Ele deu domínio a Adão (Gênesis 1:26). A palavra original aqui para "domínio" é o termo hebraico "radah" que significa "reinar". Nos tempos bíblicos, os reis é que estabeleciam as leis, não é como hoje em dia, onde temos a partição dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). Um rei era absoluto: criava as leis, executava e julgava, e é com este significado que a palavra "radah" é usada.

Dominar sobre algo é ter poder para fazer o que quiser com aquilo. Assim, Deus deu ao homem a capacidade de fazer o que quisesse com a Terra. Com isto, o Deus Todo Poderoso escolhia ali estabelecer filhos sobre o mundo físico. Obviamente, não era o propósito de Deus que o homem destruísse o planeta.

Vemos que Deus não impôs restrições para este domínio, Ele o entregou sem reservas ao homem todo este reino material que vemos ao nosso redor. Deus não estabeleceu que o homem deveria agir de tal e tal maneira para poder dominar sobre a terra. Nada há na Bíblia que indique que Deus retiraria este domínio do homem caso ele pecasse, mas realmente o Criador advertiu ao homem sobre a consequência do pecado: a morte.

Satanás sabia que Deus não poderia ir contra a Sua própria palavra, e assim, tentou o homem, através da sua mulher, para fazer Adão desobedecer. A árvore do conhecimento do bem e do mal não era uma árvore comum, era uma fonte de informação, mas que não provinha do Senhor. 

Com a autoridade vem também a responsabilidade. Em Gênesis 3, vemos a narrativa do pecado e o próprio Deus declara que a Terra seria maldita, não por causa de Deus, mas por causa daquele que tinha o domínio sobre ela:
"E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida." (Gênesis 3:17)
Muita gente pergunta porque Deus não impediu Adão de pecar? Ora, a resposta é a mesma da parte 3 do estudo, no que diz respeito ao anjo Lúcifer. Se Deus fosse impedir cada criatura sua de pecar, Ele apenas teria criado robôs. Deus criou pessoas independentes, que têm a capacidade de até mesmo desobedecê-lo. Isto é conhecido como "livre arbítrio".

Para que alguém possa amar verdadeiramente, é necessário que tenha a opção de não amar. Caso contrário, não seria "amor", seria uma manipulação. Você só consegue amar alguém se isso for voluntário, simplesmente não dá para apontar um revólver para a cabeça de alguém e ordenar: "Me ame"!

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo fortalece este entendimento ao declarar que foi por causa do homem, ao qual a terra estava sujeita, que a criação ficou "sujeita à vaidade" (a palavra "vaidade" aqui quer dizer "inutilidade"):
"Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por Sua vontade, mas por causa do que a sujeitou." (Romanos 8:20)

Somos responsáveis pelo pecado de Adão?


Quando vemos toda a consequência do pecado do homem, toda morte e destruição, estupros, roubos, torturas, etc., e que tudo isso veio através do fruto de uma árvore, vamos imaginar, até mesmo com razão, que a consequência foi muito mais exagerada que a causa. Não sei se você já pensou nisso, mas eu já!

Muitas vezes me questionei se a história de Gênesis era verdadeira, pois não me parecia razoável bilhões de pessoas sofrerem e morrerem por causa de um antepassado que nem haviam conhecido. Acho que não dá pra responder a esta difícil pergunta de forma rápida, mas vamos examinar com cuidado alguns textos bíblicos.

A palavra "Adão" significa simplesmente "homem" em hebraico (praticamente todas as ocorrências da palavra "homem" no Velho Testamento são tradução da palavra hebraica "adam"). Em Gênesis 2:7 é dito que o homem ("adam") foi feito do pó da terra ("adamah"). E este foi o único homem criado a partir da própria terra. Todos os demais seres humanos foram criados a partir de Adão (o primeiro homem).

Quer queira, quer não, todos nós estamos ligados a Adão (o primeiro homem), pois nenhum ser humano existiria se não fosse através dele. Todos nós, em certo sentido, fomos criados quando Adão foi. Eu e você não existiríamos se Adão e Eva (e olhe que a própria Eva veio dele) tivessem resolvido ser celibatários e não ter filhos! Eu não estaria aqui escrevendo este texto, e nem você estaria aí lendo.

Assim, Deus deu a Adão a responsabilidade de gerar a humanidade e era, também, responsabilidade dele manter a terra sem o conhecimento do bem e do mal (vindos de outra fonte que não fosse Deus). Quando Deus criou a humanidade, ele nos vinculou uns aos outros, e o nosso "pai" físico tinha autoridade sobre todos nós.

Este mesmo princípio funciona, em menor escala, sobre cada pai de família. Nossas atitudes terão consequências sobre nossos descendentes, seja para o bem seja para o mal.

Posso ver isso claramente na minha própria família. Meu avô materno foi um homem dissoluto, gastou os seus bens herdados do pai com bebedeira e prostituição. As consequências foram vistas nos seus descendentes (filhos, netos, etc.): praticamente nenhum dos seus filhos conseguiu manter o casamento, vários se envolveram com drogas, criminalidade, prostituição, alguns foram presos, etc.

Já na minha família paterna, meu avô foi um homem íntegro, cristão católico, manteve-se casado com a mesma mulher até o fim de seus dias, seus descendentes nunca foram envolvidos com criminalidade, nunca foram presos, são profissionais bem conceituados na sociedade, além disso, a constância no casamento foi a regra nesta banda da família.

Seria coincidência? Sei que não, pois vejo que a mesma coisa ocorre todas as vezes. Vejo isso todos os dias, e como pastor, vemos as consequências dos pecados dos pais atingindo seus descendentes de forma muito clara.

Isto mostra, prezado amigo, que os seus pecados não atingem só você, mas todos os que estão debaixo de você, e também os que estão ao seu redor, e, de fato, afeta todo o curso da vida, infelizmente, para o mal. Creio que se tivéssemos noção dos efeitos do pecado, seríamos muito mais responsáveis e prudentes em nossas ações.

O pecado do primeiro homem atingiu toda a humanidade, mas Deus enviou um "segundo Adão", que não foi gerado da terra, mas que veio do Céu (1 Coríntios 15:47). E, assim como o pecado entrou por meio do primeiro Adão, a salvação vem através deste segundo.

Para que Jesus Cristo pudesse pagar pelos pecados de toda a humanidade, era necessário que nós fôssemos vinculados uns aos outros. Se cada um fosse completamente e totalmente independente do outro ser humano, isso não seria possível, pois eu nem mesmo conheci Jesus Cristo fisicamente (assim como não conheci Adão).

A Palavra de Deus diz todas estas coisas no livro de Romanos, capítulo 5. Leia os versículos abaixo e medite neles, e que o Senhor te dê entendimento:
Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. (v. 12) 
Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. (v. 15) 
Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. (v. 16) 
Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. (v. 17) 
Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. (v. 18) 
Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. (v. 19)
Desta forma, todos colhemos as consequências do pecado do primeiro homem simplesmente por sermos parte dele. Da mesma forma, podemos colher a salvação do pecado (e todas as suas boas consequências), e o Reino Eterno preparado por Deus para nós, através de Jesus Cristo, por nossa fé n'Ele.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa


---
Leia a parte 5 deste estudo no link abaixo:
Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 5

sábado, 24 de junho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 3

Quem foi Lúcifer


Quando se ensina que Deus é amor, uma pergunta que sempre é feita é a seguinte: quem criou Satanás? E a resposta é simples: Deus o criou. E se Satanás é mau, porque Deus o criou?

Na parte de hoje deste estudo, vou tentar esclarecer esta questão, embora não possa, aqui, falar sobre todo o assunto, mas creio que irá ajudar você, cristão de coração sincero, a entender que não era intenção de Deus produzir um demônio ao criar o anjo Lúcifer.

A Realidade do Mundo Espiritual


O mundo espiritual é real, porém invisível aos olhos naturais. É pela Palavra de Deus que o podemos discernir, ou seja, através dos "olhos da fé", podemos contemplar este mundo invisível e agir de acordo com ele, para nos livrarmos do mal e nos apegarmos ao bem, podendo, assim, desfrutar de uma realidade superior.

Muitos cristãos, por desconhecimento, não compreendem o agir dos espíritos aqui no mundo material. Daí, muitas vezes, até evitam falar sobre o assunto, no entanto, Jesus teve que lidar com Satanás em pessoa e obteve sucesso vencedo as tentações. Além disso, através de Sua morte e ressurreição, o Senhor Jesus reconquistou para nós a autoridade perdida por Adão quando este pecou contra Deus e abriu a porta para que os espíritos malignos operassem neste mundo.

O diabo tentou levar Jesus a pecar. Observe que ele pôde fazer Jesus levitar, levando-o de um lugar para o outro, bem como, conversou com Jesus oferecendo-lhe certas coisas.
"Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.
Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam."
(Mateus 4:8-11)
Veja, ainda, que, após o término das tentações, anjos vieram para servir ao Senhor, mostrando a interação que existe entre os seres espirituais e o ser humano. A Bíblia traz diversas ocorrências deste tipo de interação, e eu mesmo, juntamente com minha esposa, já tivemos diversas experiências com anjos e com demônios.

A Criação de Lúcifer


Os anjos foram criados antes do homem. O livro de Gênesis diz isto logo no primeiro versículo da Bíblia: "No princípio criou Deus o céu e a terra". O Céu (reino espiritual) foi criado primeiro, e depois veio a terra (reino material), o ser humano só foi criado após tudo haver sido feito e preparado para ele (o homem).

A função dos anjos é servir a Deus e aos homens e não o contrário. Vemos isto no seguinte versículo:
"Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Hebreus 1:14)
Por isto que após a tentação, Jesus foi "servido" por anjos. Portanto, quando Deus criou Lúcifer, ele tinha esta mesma função que era servir o homem. Vamos ver a quem Lúcifer deveria servir:
"Você era o modelo de perfeição, cheio de sabedoria e de perfeita beleza. Você estava no Éden, no jardim de Deus..." (Ezequiel 28:12-13)
Ora, quem foi colocado no Éden foi Adão, o pai de toda raça humana. Adão teria à sua disposição não apenas um anjo, mas o anjo mais belo que Deus havia criado.

O nome Lúcifer, na verdade, não está no original, o termo hebraico aqui traduzido como "lúcifer" é a palavra hêylêl que quer dizer "portador de luz" (a estrela da alva), e vem de uma outra palavra hebraica que é a conhecida "halal", de onde tiramos nossa palavra "Aleluia" (halal + ya = louvai ao Senhor).

Lúcifer foi criado para dar louvor a Deus, e ele tinha em si mesmo instrumentos que o permitiam  produzir sons diversos para adoração ao Pai e ao Senhor Jesus:
"...em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados." (Ezequiel 28:13)
A função principal deste lindo anjo era proteger o homem e o jardim:
"Você foi ungido como um querubim guardião, pois para isso eu o determinei." (Ezequiel 28:14)

A Queda de Lúcifer


Lúcifer era um anjo belíssimo, portador da luz de Deus, e que tinha a função de servir ao homem. Deus pensara no melhor para os seus filhos, pois Seus pensamentos a nosso respeito são sempre para o bem (confira Jeremias 29:11).

No entanto, a sua sabedoria e beleza o levaram a desejar algo:
"E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." (Isaías 14:13,14)
Interessante que se lermos o livro de Gênesis, capítulo 1, versículo 26, entendemos que, quando Deus criou o homem, Ele pensou em um ser que seria "à Sua imagem, conforme à Sua semelhança", ou seja, Deus quis criar "um filho" para Si (veja, por exemplo, em Gênesis 5:3, Adão tendo um filho "à sua imagem e semelhança"). E, através do homem, Ele poderia se revelar à Sua criação. No entanto, Lúcifer acabou desejando ser “semelhante ao Altíssimo”, ou seja, ele desejou aquilo que o homem tinha.

Quando Deus criou o homem, Ele concedeu domínio para Adão (e toda a raça humana) e não impôs condições, exceto que ele não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:17). Lúcifer sabia que Deus não poderia ir contra a Sua Palavra, e traçou um plano para conseguir o domínio do homem e, assim, estabelecer seu próprio reino sobre a Terra.

Ele não poderia forçar o homem a desobedecer a Deus, então, procurou convencê-lo a pecar e usou a parte mais frágil: a mulher. Adão amava Eva, pois ela havia sido tirada dele mesmo. Lembremos que, quando Deus deu a ordem a Adão, Eva ainda não havia sido criada. Após Eva comer do fruto da tal árvore, nada aconteceu, mas quando Adão comeu, ele morreu (espiritualmente), e Eva foi junto com ele.

Quando o homem decidiu comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele estava declarando independência de Deus, escolhendo receber o conhecimento de outra fonte (o próprio Deus era a fonte de conhecimento do homem). Assim, satanás obteve acesso ao coração do homem e, gradativamente, conseguiu destruir a imagem de Deus em nós.

Você pode perguntar: por que Deus criou satanás se saberia que ele pecaria?

A resposta esta pergunta não é de fácil entendimento para a maioria, pois estamos acostumados a comparar Deus a nós, seres humanos. No entanto, a Escritura é muito clara quando declara:
“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?” (Números 23:19)
Uma vez proferida a Palavra de Deus, ele não a “toma de volta”, ou seja, com o nosso Deus não existe “ab-rogação” (revogar uma lei anteriormente proferida). O Deus revelado por Jesus não volta atrás em Sua Palavra. Lúcifer fora criado e tinha a função de proteger o homem, Deus o responsabilizou por seus atos, mas não poderia simplesmente deixar de criá-lo e nem mesmo destruí-lo por ter se rebelado (se esta fosse a natureza de Deus, Ele o teria feito).

Além disso, o homem e a mulher eram totalmente responsáveis por seus atos, sem nenhuma pressão interna, voluntariamente, escolheram pecar.

Entendo que este não é um tema fácil, mas Deus poderá dar luz e entendimento a você se você desejar e orar por isto.

Nas próximas partes deste estudo, veremos as consequências do pecado do homem, e como Deus o tratou e proveu um plano para salvar a humanidade.

Que a paz de Jesus Cristo seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa


---
Leia a parte 4 deste estudo no link abaixo:
Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 4

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 2

Quem é Deus?

Se Deus existe, por que há sofrimento?

Muitas coisas são atribuídas a Deus, no entanto, boa parte delas, caso fossem atribuídas a um ser humano, faria com que nós jamais desejássemos nos relacionar com uma pessoa assim.

Por exemplo, imagine se você conhecesse um homem que, para castigar um de seus filhos, colocasse um câncer mortal nele. O que você acharia do caráter desse homem?

Imagine um grande empresário que dá salários diferentes para pessoas que fazem as mesmas funções. Imagine alguém muito rico mas que ajuda umas pessoas e outras ele vê morrer de fome mas não faz nada.

Imagine alguém que diz que é uma boa pessoa, mas que exige que alguém caminhe quilômetros de joelhos só pra poder atender algum pedido. Imagine um pai que deseja ver seu filho pobre, pedindo esmolas e, embora tendo muito dinheiro, não o ajuda.

Bem, acho que qualquer um de nós não gostaria de ter qualquer relacionamento com uma pessoa assim, não é mesmo?
Ocorre que todas essas coisas têm sido atribuídas ao Deus cristão ao longo dos anos, e, por incrível que pareça, os próprios cristãos têm sido o porta-voz de todas essas afirmativas.

Quando lemos na Escritura que "Deus é amor" (1 João 4:8), ficamos, muitas vezes, sem conseguir vincular este Deus de amor com tudo o que acontece no mundo, pois certas questões e pensamentos saltam em nossa mente instintivamente:

  • Se Deus é amor, porque há sofrimento no mundo?
  • Se Deus é bom, porque Ele permite a maldade?
  • Se Deus não pode fazer nada, então, Ele não é realmente poderoso.

Estas e outras perguntas deste tipo são naturais. Quando olhamos para o mundo ao nosso redor, e vemos tantas desgraças, questionamos porque Deus não impde tudo isso, principalmente quando ouvimos falar que "Deus nos ama".

Deus do Velho Testamento x Deus do Novo Testamento


Uma das grandes questões com relação à bondade de Deus é a relativa à diferença que salta com relação a Deus revelado no Velho Testamento com o Deus revelado por Jesus. Vamos meditar um pouco sobre este tema, hoje e em outras ministrações.

Antes de mais nada, é importante enteder que a revelação de Deus trazida pela Bíblia Sagrada é "progressiva", ou seja, foi se ampliando ao longo dos anos, na medida em que Deus levantava profetas e mestres para revelar o Seu Caráter ao homem.
"Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." (João 1:17)
Irei tratar dos propósitos da Lei de Moisés em outra oportunidade, mas, por ora, será importante entender que a "verdade" sobre Deus, a criação, a salvação, etc. só vieram plenamente por Jesus Cristo. E o motivo disso é óbvio...
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...
...E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós..."
(João 1:1,14)
O próprio Deus se torna um homem em Jesus Cristo e habita entre nós, Sua criação, para nos revelar a verdade sobre Quem Deus é! Deus prova o Seu imenso amor por nós se tornando um de nós, descendo até o nosso nível e nos comunicando Sua maravilhosa graça, morrendo uma morte humilhante e dolorosa em nosso lugar e nos recebendo de volta como Seus filhos. Não há palavras em português (ou em qualquer outro idioma) que possam transmitir plenamente a grandiosidade de tal atitude.

Deus é amor, mas também é fiel à Sua Palavra, não podendo voltar atrás naquilo que declara. Mas vamos devagar com relação ao Caráter de Deus, pois é um tema muito amplo.

Que a graça de Jesus Cristo seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

---
Leia a parte 3 deste estudo no link abaixo:
Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 3

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 1

Um Breve Testemunho

Pastores Wendell e Oriana Costa

Quando eu era criança, me sentia muito seguro quando meu pai estava em casa, me sentia protegido. No entanto, era muito comum, tanto meu pai como minha mãe nos deixarem sós, geralmente com empregadas. Minha mãe trabalhava fora, pois meu pai não tinha emprego certo, e ela precisava ajudar a sustentar a família. De fato, ela era a pessoa que tinha renda fixa em nossa casa. Neste tempo, nós morávamos em Lagoa Salgada, uma cidade do interior do RN.

Aos 13 anos de idade, viemos morar na capital, Natal, pois minha mãe desejava que eu e meu irmão tivéssemos um ensino médio de melhor qualidade, coisa que não havia, à época, no interior. Foi neste período que meus pais se divorciaram e tenho esta vívida lembrança da conversa que minha mãe teve conosco, contando que eles iriam se divorciar e meu pai voltaria para a cidade do interior para viver com uma outra mulher.

Tive um sentimento ruim após aquela conversa, era como se eu tivesse me tornado órfão, apesar de saber que minha mãe estaria conosco, e que sempre que pudesse, poderia visitar meu pai no interior. No entanto, a falta da presença do meu pai mexeu comigo e pouco tempo após este fato, me tornei ateu.

Quando criança, eu acreditava em Deus e em Jesus, e amava assistir filmes bíblicos. Apesar de não ter recebido instruções sobre quem era esse Deus, eu sentia em meu coração que Ele existia, mas não entendia de onde eu tinha vindo, nem para onde iria após morrer.

Em 1990, quando estava com 16 anos de idade, entrei para a faculdade de Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Como eu era muito novo, me senti muito sábio e inteligente, e isso foi logo após o divórcio de meus pais. Achei que já era capaz de entender o mundo por mim mesmo, e devido principalmente a ter tido um pai ausente, rejeitei à religião e adotei com mais seriedade o ateísmo como minha “fé”.

E foi neste ano de 1990 que comecei a aprender a tocar violão. Isso me levou a envolver-me com bandas musicais e cantores seculares, sendo que, nesse contexto, fui abandonando a faculdade: me sentia sem rumo, então decidi me dedicar a música e aceitei o fato de que o que importa mesmo é “fazer o que se gosta”, pois “a vida é curta”.

No ano seguinte, 1991, tive uma experiência que destruiu minha “fé” ateísta. Vou compartilhar com vocês:

Estávamos na cidade de Caiçara do Norte, uma praia no norte do RN. Eu e meus amigos fomos ver os botes de pesca que estavam ancorados cerca de 50 metros da areia. Eles decidiram ir até um dos barcos, mas como eu não sabia nadar bem, resolvi ficar na praia e avise eles.

Ocorre que, após vê-los nadar tão facilmente até o barco, achei que seria capaz de fazer o mesmo. Então, munido de ânimo, resolvi tentar.

Dei algumas braçadas e percebi que cansava fácil, mas me esforcei e segui adiante. Quando cheguei no meio do caminho, minhas forças se esgotavam e não conseguia nadar mais, nem para frente, nem para trás. Comecei a ter medo de que algo muito ruim fosse me ocorrer. Meus amigos não me viam pois eles já haviam alcançado o barco e estavam do outro lado da cabine. Como eu havia dito que não iria, eles não sabiam que eu havia tentado alcançá-los.

Minha vida começou a passar em minha mente, e pensei na minha mãe, ela havia sido contra o fato de eu estar ali naquela cidade, eu havia deixado a faculdade e estava tentado “me encontrar”, tentando achar uma razão para viver, e isso acabaria me levando à morte. Sem Deus, a gente atira pra todo lado, até mesmo para nós mesmos.

Olhei ao redor para ver se tinha alguém, mas não havia ninguém me vendo, nem nos barcos, nem na praia.

Tentei tocar o chão no ponto em que eu estava, mas não consegui. Esta ideia não foi boa, porque tive que gastar o resto de minhas energias pra poder subir novamente até a superfície. Acabei engolindo muito água e por pouco não foi o meu fim. Quando lutava pra respirar, ouvi uma voz interior me dizer: “Chame por Mim”.

Embora eu fosse ateu, sabia que aquela voz era Deus falando comigo. A mesma voz que falou diversas vezes na minha infância, mas eu não a reconheci.

Na minha mente, chamei por ele (eu não podia falar, pois estava debaixo d’água). Pensei: “Deus, me ajude!”.

Apenas alguns segundos após ter feito esta, digamos, “oração”, coloquei meus olhos para fora da superfície e vi um pescador se aproximando com uma balsa. Ele falou comigo e perguntou se eu precisava de ajuda. Eu não conseguia falar então, assentei com a cabeça. Ele me puxou e me colocou sobre sua balsa me levando até a praia.

Eu desci da balsa, agradeci e saí cambaleando pela areia. Encontrei um lugar conveniente e fui me deitar. Estava exausto e, como havia engolido muita água salgada, me sentia muito mal. Ali mesmo eu deitei e dormi sob o sol, meus amigos devem ter voltado e acharam que eu estava relaxando ali, pois foram embora sem me acordar.

Acho que cerca de meia hora depois, eu acordei me sentido muito pior: forte dor de cabeça, uma azia terrível e um pensamento: “Deus realmente existe”...

Mesmo eu O tendo negado e feito muitas coisas erradas, Ele continou me amando e esperando por mim. Ele aguardava eu O invocar, pois:
"...todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." (Romanos 10:13)
---
Leia a parte 2 deste estudo no link abaixo:
Amor: A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 2

Não estejam inquietos por coisa alguma

Imagem 1: a ansiedade tem atingido boa parte da população. Viver uma vida sem preocupações e inquietações é praticamente uma utopia nos dias...