segunda-feira, 9 de abril de 2018

Andando em Espírito 6 - A Alegria do Senhor


Deus é uma pessoa alegre. Isto pode parecer contrário a nossa ideia do caráter de Deus, contudo se não compreendermos esta verdade não conseguiremos dar o fruto da Alegria porque nós sempre iremos refletir o Deus que nos cremos.

As religiões e o mundo buscaram passar para nós uma ideia de Deus que está equivocada. Além disso uma falta de entendimento sobre o Deus revelado pelo Velho Testamento contribui para que tenhamos uma ideia errônea de quem Deus é. Muitos têm esta ideia de um Deus que está sempre pronto a nos punir ou que realmente não se importa conosco.

Assim como ocorre com o amor também precisaremos compreender o caráter de Deus de alegria para que possamos dar o fruto correspondente.

A Boa Criação de Deus


Quando o Senhor Deus criou todas as coisas, Ele afirmou, ao concluir, que sua criação era boa:
"E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom..." (Gênesis 1:31)
O senhor criou todas as coisas com muita beleza e criatividade. O homem estava suprido de todas as suas necessidades e não era afligido por doenças nem pela morte. Deus se comunicava todos os dias com um homem e o homem podia desfrutar na presença do seu Pai Celestial e também das coisas do planeta onde ele estava. De forma gradativa, o homem ia conhecendo a Criação e ao próprio Deus.

Quando o pecado entrou em cena roubou esta vida feliz e plena que Deus deu ao ser humano. Aquilo não era a vontade de Deus, pois Deus não criou o homem para morrer nem para sofrer, as tristezas e angústias que entraram na vida do homem foram devido ao pecado e a maldição que sobreveio sobre planeta.

Jesus veio para restaurar o homem à antiga posição, sendo que, neste momento, esta restauração é feita inicialmente no nível do espírito conforme já vimos anteriormente. Este novo espírito do homem é cheio de alegria, sendo esta uma das características do fruto que vem do espírito recriado:
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo (...)" (Gálatas 5:22)
Observamos que uma das características do fruto do espírito é o gozo, ou seja, alegria, mas assim como é com relação ao amor, não podemos depender dos sentimentos ou das circunstâncias ao nosso redor para andarmos nesta alegria do espírito, isto é algo que vem através do verdadeiro conhecimento de Deus.

Um Reino de Alegria


Quando nascemos de novo conforme o terceiro capítulo do evangelho de João, nós entramos no Reino de Deus. Este Reino é um lugar de alegria, e é um lugar que foi construído dentro do próprio Deus, por esta razão Deus não permite o pecado entrar nele. Vamos examinar esta passagem bíblica:
"Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito."
(João 3:5-6)
Aqui, Jesus explicava a Nicodemos a separação que existe entre as duas realidades: a física e a espiritual, pois quando nascemos da carne (nosso corpo), nos foi dado um corpo físico para interagir neste mundo. Aprendemos a viver em um mundo que está em trevas espirituais, e nos entristecemos diante das diversas circunstâncias negativas que enfrentamos aqui, tais como a miséria, a fome, doenças, roubos e a morte.

Contudo, ao nascermos do Espírito, somos inseridos no Reino de Deus, um lugar de plenitude, um lugar onde a perfeita vontade de Deus é sempre feita, onde não há mais morte, nem pranto, nem clamor. O Reino de Deus é um lugar de alegria:
"Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo." (Romanos 14:17)

Quando da restauração da criação, Deus eliminará as coisas que nos trazem tristezas e assim poderemos desfrutar de alegria eterna.
"E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apocalipse 21:4)
Contudo, neste momento, precisaremos andar pela fé na Palavra, a fim de darmos o fruto da alegria, pois o mundo em que vivemos jaz no maligno, sendo um lugar mergulhado em pecado e onde há diversos tipos de situações que poderão roubar nossa alegria. Mas, se pusermos os nossos olhos em Cristo, olhando para a realidade espiritual através da fé, poderemos deixar esta alegria que vem de Deus inundar o nosso coração.

Alegrar-se: um mandamento


Durante nossa vida aprendemos que só podemos nos alegrar se as circunstâncias ao nosso redor nos forem favoráveis. Assim, nos tornamos escravos das circunstâncias e das emoções como se não tivéssemos domínio sobre elas.

Mas não é assim que a Bíblia nos ensina. Em diversas ocasiões, Deus ordenou ao seu povo que se alegrasse.
"E ali comereis perante o Senhor vosso Deus, e vos alegrareis em tudo em que puserdes a vossa mão, vós e as vossas casas, no que abençoar o Senhor vosso Deus." (Deuteronômio 12:7)
"Também sacrificarás ofertas pacíficas, e ali comerás perante o Senhor teu Deus, e te alegrarás." (Deuteronômio 27:7)
"Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria." (Salmos 68:3)
Vemos, queridos, que Deus ordenava ao Seu povo para se alegrar. Ora, se nós não tivéssemos domínio sobre os nossos sentimentos, tais mandamentos seriam impossíveis de serem cumpridos, já que precisaríamos de circunstâncias totalmente favoráveis para que pudéssemos nos alegrar.

E é interessante que, caso o povo não servisse ao Senhor com alegria, seriam responsabilizados por tal atitude:
"Porquanto não serviste ao Senhor teu Deus com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo.Assim servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, com fome e com sede, e com nudez, e com falta de tudo; e sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te tenha destruído." (Deuteronômio 28:47-48)
Também no Novo Testamento, temos diversos versículos que nos ordenam a alegrar, vejamos um desses:
"Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos." (Filipenses 4:4)
Você sabia onde estava o apóstolo Paulo quando escreveu este verso? Estaria Paulo em um lindo cruzeiro pela Grécia? Ou talvez em seu castelo, com criados o servindo? Ou em seu escritório chique em Nova Iorque?

A resposta é que o "escritório" de onde Paulo escreveu esta linda orientação para os cristãos era uma prisão romana. Se hoje as prisões não são os locais mais agradáveis do mundo, naquela época, acredito que eram muito piores, porque os presos não tinham tantos direitos como temos hoje, e nem havia os "direitos humanos" para interceder por eles. Caso um preso tentasse fugir, a pena era morte imediata.

Pois bem, lá de seu "escritório prisão", Paulo, pela inspiração do Senhor, nos ordena a nos alegrarmos em Deus "sempre", ou seja, em qualquer situação. Mas como podemos fazer isto?

Dominando as Emoções


Quando falamos sobre o amor, pudemos entender que o amor de Deus já foi derramado em nossos corações através do novo nascimento. Recebemos um novo espírito, conforme prometido em Ezequiel 11:19, que foi criado à imagem de Deus. Assim, dentro de nós, temos a capacidade de andar nos mandamentos de Deus, coisa que na Velha Aliança não era possível.

No entanto, para que isto ocorra, ainda é necessário vencermos a nossa carne, que continuará tendenciosa ao pecado e às fraquezas, tais como angústia e tristeza. Ora, se até o próprio Jesus se entristeceu, também poderá acontecer conosco. A nossa atitude diante da tristeza é que determinará se tal tristeza irá nos dominar ou se dominaremos sobre ela.

Entristecer-se não é pecado, mas também não é um mandamento, e a tristeza segundo o mundo gera morte (2 Coríntios 7:10), ou seja, irá dar lugar ao diabo em nossas vidas, o qual irá trazer sua destruição. Deus não deseja isto para nós, por isso Ele já fez provisão para que possamos nos alegrar.

Dominar sobre nossos corpos agora é possível pelo fato de Deus ter substituído os nossos espíritos e nos enchido do Seu Espírito, agora estamos devidamente capacitados para obedecer Sua Palavra. No entanto, este é um processo gradual, onde vamos melhorando a cada dia, na medida em que aprendemos Sua Palavra, sedimentamos ela em nosso coração e frutificamos.

Alegrando-se na Verdade


A alegria do espírito não depende das coisas do mundo, não é uma alegria que venha, por exemplo, de piadas, ou de você ter ganhado muito dinheiro. É uma alegria que vem do Reino de Deus, e do próprio Deus. Como já enfatizei em outras ocasiões, o mundo espiritual não pode ser (geralmente) sentido. Não, precisamos enxergar o mundo espiritual pela revelação da Palavra de Deus.

Assim também, se você depende de "sentir" alegria para poder se alegrar, estará fadado ao fracasso sempre. A alegria só fluirá do seu espírito se você levar a si mesmo a fazer isto com base na verdade da Palavra.

Quando os setenta voltaram alegrando-se por terem visto os espíritos se sujeitando a eles pelo nome de Jesus, o Senhor imediatamente os corrigiu:
"Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus." (Lucas 10:20)
Veja que Jesus os corrige por terem se alegrado por algo que "viram" (com os olhos físicos), mas Jesus os orienta a se alegrar por uma "verdade invisível", que era ter os nomes escritos nos céus.

Quando nos alegramos tendo por base uma verdade da Palavra, geralmente não teremos nada "físico" sobre o qual apoiar nossa alegria, mas teremos algo "real", embora invisível. A Palavra de Deus é a maior força que existe no universo, e é ela que nos fornece a base de nossa alegria.

Logo após ensinar os discípulos sobre a verdadeira motivação para a alegria, Jesus também se alegrou sobre uma verdade:
"Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve." (Lucas 10:21)
Jesus não viu ou ouviu nada "físico" para se alegrar! Jesus apenas se alegrou com base em uma verdade. A alegria que é fruto do espírito não tem nada haver com alegria advinda de piadas ou de circunstâncias favoráveis neste mundo, mas é uma alegria que vem do mundo espiritual.

O combate carne x espírito


Já aprendemos que os desejos da carne são contrários aos desejos de nosso espírito recriado. Portanto, não estou afirmando que será fácil se alegrar em meio às circunstâncias difíceis, mas estou afirmando que Deus nos mudou para que pudéssemos andar como mais que vencedores.

Muitas vezes será difícil para você se alegrar em meio a adversidade, mas já vimos que, se agirmos em fé, podemos nos alegrar em Deus.

Quando estavam evangelizado em Filipos, Paulo e Silas foram presos, surrados e acorrentados no pior lugar da prisão. Dá para imaginar como aqueles homens estavam após tal coisa? Os seus corpos todos doloridos e feridos, deviam estar com fome, sede e fedendo. Após terem servido a Deus com tanto amor, o que receberam como recompensa foi aquilo!

Todas as circunstâncias eram contrárias à alegria. Quem, em sã consciência, iria se alegrar numa situação dessas?

Mas estes dois homens conheciam o Deus que pregavam. Eles sabiam que a alegria que estava no espírito deles era constante, e não dependia de circunstâncias deste mundo para existir. Assim, eles simplesmente começaram a louvar e orar em alto e bom som, e já sabemos o que aconteceu...

"E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam.
E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos."
(Atos 16:25,26)
Muitos de nós queremos ver o poder de Deus agindo em nossas vidas assim com ocorria com os apóstolos, contudo, ao menor sinal de problemas, já começamos a murmurar, reclamar e questionar "onde está Deus?". Será que estamos realmente acreditando no que está escrito na Bíblia?

Conclusão


Alegrar-se em Deus (na Palavra, e não pelas circunstâncias) é algo que podemos fazer, principalmente, agora na Nova Aliança, onde o Senhor nos dá um espírito novo, que é alegre. Quando tomamos a atitude de louvarmos ao Senhor no meio da tribulação, deixamos o nosso novo espírito fluir através de nós e passaremos a manifestar o fruto da alegria através de nossos corpos físicos.

Então, alegre-se no Senhor!

Que a graça do nosso Deus seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 1 de abril de 2018

Andando em Espírito 5 - O Amor diz a Verdade e Perdoa


No mundo perdido, as pessoas conseguem andar em amor, contudo não é o amor que provém de Deus, pois o mundo jaz no maligno e não conhece a Deus, e já vimos que só quem ama com o amor de Deus é quem é nascido d'Ele e O conhece (1 João 4:7).

Desta forma, quando nos convertemos a Cristo, nosso conceito de amor estava distorcido, sendo necessário renovarmos a nossa mente com a Palavra a fim de compreendermos o que é o verdadeiro amor, o amor que provém de nosso Criador.

Nesta lição, continuaremos a estudar e conhecer o amor de Deus em três aspectos de extrema importância: o primeiro é que o amor sempre diz a verdade, o segundo é que o amor corrige, e o último é que o amor perdoa as ofensas que lhe são feitas. Estas características são imprescindíveis para que possamos andar neste amor de Deus.

O Amor Folga com a Verdade


Quando eu era pequeno, minha mãe me dizia que eu precisava enxugar muito bem o cabelo porque era assim que "os ricos faziam". Como qualquer criança, eu queria ser rico, já que havia nascido em uma família relativamente pobre. Assim, eu procurava sempre enxugar muito bem os cabelos, já me preparando para ser rico no futuro!

Posteriormente, descobri que os ricos não se preocupavam em enxugar os cabelos de forma tão vigorosa, e estas mentiras que são contadas pelos pais aos filhos trazem muitas consequências negativas, sendo que a principal é fazer com o que o filho deixe de confiar nas palavras de seus pais.

Muitos pais inventam histórias e mentiras para fazer com que seus filhos obedeçam às suas palavras, tomem banho, se alimentem corretamente, estudem, etc. Se perguntarmos a eles o motivo disto, alguns talvez citem o "amor que eles têm pelos filhos" como elemento motivador dessa prática. Mas será que Deus é assim? Será que o amor de Deus mente para levar os Seus filhos a obedecerem aos Seus mandamentos?

Vamos continuar com nosso estudo baseado no grande capítulo do amor da Bíblia que, em seu sexto verso, afirma o seguinte sobre o amor:
"Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;" (1 Coríntios 13:6)
O verbo "folgar" aqui significa, originalmente, se alegrar ou se regozijar (grego: chaíro), ou seja, o amor de Deus se alegra quando a verdade está presente na vida de alguém. Além disso, Jesus afirmou que o diabo é que é  o pai da mentira (João 8:44), e nenhuma mentira procede de Deus. Deus não é apenas amor, mas Ele também é a própria Verdade:
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (João 14:6)

Mentira é injustiça


Dentro do contexto do versículo de 1 Coríntios 13:6, vemos que a injustiça é contrastada com a verdade. Isto nos mostra que, quando mentimos, estamos andando em injustiça (falta de retidão), e não haverá bons frutos a serem colhidos, por mais que tentemos justificar a mentira como tendo sido motivada por "amor". Este não será o amor de Deus, mas o amor humano, carnal e egoísta.

Quando estávamos pastoreando, tivemos que lidar com mentiras de irmãos diversas vezes, e posso garantir a você que nunca vi nenhum fruto bom advindo dessas mentiras. Por mais que advertíssemos os irmãos acerca da prática da mentira, era comum que acontecessem. Após algum tempo, podíamos ver a colheita na vida do irmão ou irmã, e lá íamos nós gastar tempo de oração e aconselhamento, revisando tudo o que já havíamos dito antes.

Os ázimos

Pão ázimo (pão de frigideira). Fonte: www.daltonrangel.com.br/pao-azimo-pao-de-frigideira

Um ázimo (ou "pão ázimo") é um tipo de pão mais duro, e portanto mais difícil de comer, porque é feito sem fermento. O fermento faz com que a massa inche, aumentando de volume com os vazios do ar. Obviamente, não é pecado comer um pão feito com massa levedada, contudo, esta característica do pão "inchado" é usada na Bíblia como uma figura que representa o pecado, em especial, a mentira.

Um pão ázimo mostra o volume real da massa utilizada na sua fabricação, enquanto quê, com um pão normal, não dá pra saber se aquele volume representa a verdadeira quantidade de massa usada ou se é mais o "inchaço" provocado pelo fermento mesmo. Não sei se você já passou por isso, mas já comprei pães (principalmente os de massa salgada) que, quando eu abri para passar manteiga, o pão virou uma folha de papel! Dava pra ver claramente que foi usada tão pouca massa que  o recheio do pão era de ar atmosférico.

Quando os homens mentem, eles estão se comportando como um pão feito de massa levedada, onde a maior parte do recheio é vazio. Por isso que a Bíblia nos orienta a agirmos como um pão ázimo, falando aquilo que realmente é, sem o uso de meias verdades ou subterfúgios a fim de passarmos para os outros algo que não é a verdade.
"Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." (1 Coríntios 5:8)

O Amor Corrige e Repreende


Uma outra grande mentira contada por satanás ao homem, e assimilada pelo mundo, é que o amor não corrige nem repreende. Nos dias atuais aqui no Brasil e em muitas partes do mundo, diversas leis tem sido criadas para liberar os homens para cometerem toda sorte de maldades e perversões sem que haja nenhum tipo de punição.

As leis brasileiras refletem esta nova ideia de que deve-se evitar a punição a todo custo. Um grande exemplo disto é a quase total impunidade de alguém com menos de 18 anos. Ao mesmo tempo que pode votar, pode também matar alguém e terá a proteção do Estado para que não seja maltratado.

Será que isto é amor? O amor de Deus corrige, repreende ou pune?

Vamos começar do início. Deus deu aos pais a capacidade e autoridade para disciplinar os seus filhos. Esta atitude é necessária para que o pecado não domine o coração da criança (Provérbios 22:15). Quando os pais não corrigem e punem seus filhos, eles estariam andando em amor? Vejamos o que a Verdade da Palavra de Deus nos ensina:
"O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga." (Provérbios 13:24)
Temos visto o surgimento de toda uma geração de homens fracos, sem atitude e sem disciplina, mais amantes dos prazeres do que de Deus, e que são, acima de tudo, irresponsáveis e sem habilidade para conduzir uma família, ou seja, não sabem ser bons maridos nem bons pais.

Uma das razões desta lástima é porque não foram corretamente instruídos e disciplinados por seus pais "desde cedo". Desta forma, vivem em torno de seus próprios umbigos, buscando sempre satisfazer seus próprios prazeres. Se você quiser ver quais as características dos homens nos últimos tempos, basta ler 2 Timóteo 3:1-7.

Como entrei neste assunto, gostaria só de deixar claro que toda correção e disciplina precisa ser feita em amor, e não para destruir seu filho. Obviamente, não estamos falando de violência contra os filhos, mas de um castigo que tem por objetivo livrar seu filho da perdição e forjar nele um caráter de integridade, honestidade e responsabilidade.
"Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá." (Provérbios 23:13)

O amor pune o pecado


No Velho Testamento, quando ainda não existia o novo nascimento, muitos pecados eram punidos com a morte. Muitas pessoas criticam estas passagem por acharem ser elas extremamente duras e parecerem contrárias ao amor pregado por nós, cristãos. No entanto, este entendimento está errado.

O pecado é algo maligno que, uma vez adotado como estilo de vida, irá produzir terríveis frutos de impiedade e destruição na vida e na descendência dos que o praticam. Assassinatos, roubos, adultérios, miséria, doenças, dentre outras consequências, atingirão à sociedade pecadora, e ainda levarão os homens à perdição eterna após a morte.

Antes do Novo Testamento, a única forma de barrar o pecado era através do temor. A Lei de Moisés foi dada para preparar o caminho para que o Filho de Deus pudesse vir à Terra e nos salvar. Era necessário separar um povo santo, e a única forma de coibir a prática do pecado era a punição severa. Muitos dos pecados eram punidos com a morte, e mesmo pecados, digamos, "mais leves" tinham consequências nos bens da pessoa: ela teria que sacrificar seu gado para que ela mesma não sofresse.

Esta foi uma atitude de amor da parte de Deus, e não de maldade. O mundo jamais entenderá tal coisa porque possui a mente obscurecida exatamente pelo pecado, e a pessoa só consegue enxergar isso quando se converte a Cristo e começa a entender o Reino de Deus.

O pecado lança os homens nas trevas eternas de separação de Deus. A morte física não é o final de todas as coisas. Deus, em Seu amor, forçou a santidade no povo de Israel a fim de que pudesse enviar Seu Filho ao mundo para nos salvar do fogo eterno. A falta de punição sobre o pecado é que seria uma falta de amor da parte de Deus, e não o contrário.
"E os juízes inquirirão bem; e eis que, sendo a testemunha falsa, que testificou falsamente contra seu irmão,
Far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e assim tirarás o mal do meio de ti.
Para que os que ficarem o ouçam e temam, e nunca mais tornem a fazer tal mal no meio de ti." 
(Deuteronômio 19:18-21)
Observem o motivo pelo qual o pecado era punido com rigor: para que as outras pessoas tivessem temor e não o praticassem. Graças a Deus que hoje, na Nova Aliança, podemos desfrutar de uma mudança real dentro de nosso coração, o que nos permite seguir a Palavra de Deus não mais pelo medo, mas pelo novo nascimento e pelo conhecimento de Seu amor por nós. Contudo, a Lei ainda deveria ser aplicada aos pecadores, para que houvesse respeito, na sociedade, aos valores da Palavra de Deus (1 Timóteo 1:8).

O Amor Perdoa


O último aspecto que eu quero falar aqui é sobre esta grande característica do amor: o desejo e a capacidade de perdoar. Acabamos de ver que o amor corrige, repreende e pune, assim, parece ser contraditória a afirmação de que o amor perdoa o mal feito.

De fato, o amor de Deus por nós é enorme e Ele deseja sempre nos perdoar. Ao mesmo tempo, o amor disciplina, corrige e pune o pecado, não porque Deus ama fazer isso, mas porque Ele é justo e juiz de todo universo.

Tudo o que Deus faz é motivado por Seu amor por nós, mas há algo que Deus não pode fazer: Ele não pode nos manipular como a marionetes. Deus não criou robôs pré programados para obedecê-lo, mas criou seres com domínio sobre o planeta (Gênesis 1:26-28). Uma vez que Deus deu ao homem tal domínio, Ele mesmo não irá contra a Sua Palavra retirando-o (o domínio). Assim, é necessário que decidamos obedecê-lo de nossa própria vontade.

Ao enviar Jesus Cristo ao mundo, Deus nos deu a possibilidade de recomeçarmos a nossa vida, não mais servindo ao pecado.

Ele mesmo pagou o preço pelo nosso pecado e nos perdoou. Veja que Deus não deixou de punir o pecado: Jesus assumiu nossos pecados. Agora, em Cristo Jesus, somos perdoados por completo de todas as nossas maldades.

Assim, o amor de Deus se cumpre em Cristo de forma plena: o pecado é punido e podemos ser perdoados de forma gratuita, sem que Deus se contradiga.

Agora, nós também precisamos andar neste mesmo amor perdoador. Assim como Deus nos perdoou em Cristo de forma gratuita, precisamos perdoar àqueles que nos fazem mal, afinal, devemos ser "imitadores de Cristo, como filhos amados" (Efésios 5:1).

Se não agirmos desta forma, e retivermos o perdão àqueles que nos machucaram, a mesma regra valerá para nós, ou seja, Deus também não nos perdoará:
"Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." (Mateus 6:15)

Conclusão


Concluímos, com esta lição, um estudo sobre o amor, primeira característica do fruto do espírito de Gálatas 5:22. Lembrando que não temos condições de andar em amor de nós mesmos (do nosso "eu natural"). Este amor vem de Deus e precisamos deixar ele fluir em nós através do conhecimento de como é este amor. Tal conhecimento deve gerar em nós atitudes de amor.

Que a paz do Senhor Jesus, nosso eterno Rei, seja com a sua vida, amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 26 de março de 2018

Andando em Espírito 4 - Fruto do Espírito: Amor


A partir desta aula, entraremos em uma nova fase de nosso estudo sobre como andar em espírito, pois iniciaremos o estudo sobre o fruto do espírito, descrito em Gálatas 5:22. Neste verso, o apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, faz o contraste entre as obras da carne (versos 19 a 21) e o fruto que é dado quando se anda em espírito.
"Mas o fruto do espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." (Gálatas 5:22)
Iniciaremos nosso estudo pelo primeiro "fruto" que é o amor. Na verdade, a palavra fruto está no singular e não no plural. Muitas pessoas acabam chamando de "frutos" do espírito, o que não tira o sentido da afirmação, mas o termo "fruto" pode ser entendido como o resultado da atuação do nosso espírito através de nossas almas e corpos.

O Amor é um Sentimento?


Se nós olharmos o significado da palavra "amor" em um dicionário de português, veremos uma diversidade de sentidos que vão desde atração sexual até a filantropia, contudo, o amor enquanto fruto do espírito não tem absolutamente nada haver com desejo sexual ou mesmo desejo por coisas materiais (por exemplo: "fulano tem amor por carros").

Assim, precisamos entender o amor dentro do contexto bíblico para podemos andar de acordo com ele. Apesar de o amor se manifestar como um sentimento, na verdade, o amor precisa estar fundamentado sobre o conhecimento. Vejamos o versículo que nos dá esta base:
"Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor."
(1 João 4:7-8)
Antes de tudo, vemos, com base no verso acima, que o nosso Deus é a fonte do amor, pois Deus não possui amor, Ele é amor! Isto nos mostra que o amor bíblico não poderia ser ensinado pelo mundo, pois este mundo material no qual vivemos jaz no maligno, e não conhece a Deus.

O verdadeiro amor só pode ser compreendido por aqueles que já se converteram a Cristo e nasceram de novo. Infelizmente, muitos cristãos, mesmo tendo nascido de novo, não possuem conhecimento de Deus para compreenderem o amor e atribuem a Deus comportamentos que eles jamais aceitariam se vissem em um ser humano (por exemplo: acreditar que é Deus quem coloca doenças nas pessoas para lhes "ensinar" alguma coisa).

Este estudo não tem o propósito de entrar completamente neste tema da verdadeira natureza divina, mas indico o meu estudo sobre o tema "Amor - A Verdadeira Natureza de Deus" (link para a parte 1), que está aqui neste blog, apesar de ainda não estar completo.

Bem, além de precisarmos nascer de Deus para podermos andar no verdadeiro amor bíblico, é necessário uma segunda coisa: conhecer a Deus, já que Ele é o amor (bíblico).

Precisamos meditar nas Escrituras que revelam como é o amor de Deus para que possamos agir baseados nestas passagens que nos ensinam quem nós somos, afinal de contas, quando nascemos de novo, recebemos uma nova natureza em nossos novos espíritos.

A Importância do Amor


Passaremos a estudar, agora, uma das mais famosas passagens bíblicas que fala sobre o amor: o 13º capítulo da carta do apóstolo Paulo aos Coríntios. Esta carta foi escrita para uma igreja que enfrentava muitos problemas de contendas e divisões (1 Coríntios 1:11, 3:1-3), mas, apesar de serem cristãos carnais, eram objetos do amor de Deus, e o Senhor, através de Paulo, revela coisas tremendas sobre Quem verdadeiramente Ele é!
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria."
(1 Coríntios 13:1-3)
Primeiramente, precisamos entender que não é uma coincidência o fato do amor ser o primeiro item da lista. De fato, muitas pessoas afirmam que o fruto do espírito é apenas o amor, sendo que os demais itens da lista são apenas características deste amor. Contudo, apesar de ser algo interessante, isto não é verdade, pois Paulo separa a fé do amor e os compara um com o outro (1 Coríntios 13:13).

De qualquer forma, a Bíblia textualmente afirma que o amor é o cumprimento da Lei (Romanos 13:10), e podemos entender que realmente o amor bíblico resume todo o fruto do espírito. Vamos entender mais um pouco sobre a importância do amor usando por base os versos citados acima.

Sem amor somos como metal


O primeiro verso de 1 Coríntios 13 afirma que sem o amor somos como "metal que soa ou como o sino que tine", ou seja, é algo que faz barulho definido, inteligente, contudo, não tem vida verdadeira em si mesmo.

A palavra original grega que foi traduzida como "metal", na verdade, significa "cobre". O cobre é um metal não nobre, que não é muito rígido, sendo facilmente moldado de acordo com a temperatura ou pressão que se coloque nele. Isto mostra que, se não agirmos em amor divino, seremos moldados pelas pressões do mundo.

O mundo caído sempre irá tentar nos modelar de acordo com sua cultura ímpia e o amor de Deus em nós precisa ser a base de nosso caráter de forma a impedir esta modelagem mundana. O amor trará estabilidade.

Já no segundo verso, aprendemos que, apesar da fé ser tão importante e nossa salvação vir através dela, a fé não supera o amor, e sem o amor, de nada adianta ter uma super fé de forma a vencer grandes barreiras. Ao longo da história, temos exemplos de muitas pessoas que acreditaram em seus ideias e perseveraram neles, obtendo sucesso em suas ideias. Contudo, não estavam movidas por Deus e todo aquele esforço de nada adiantou, pois não produziu salvação na humanidade.

O verso 3 mostra que, mesmo que eu faça grandes sacrifícios por meus ideais, isso não será contado por Deus quando estivermos diante d'Ele para o julgamento, sendo necessário sermos motivados e movidos pelo amor de Deus para que nossos esforços sejam válidos e possamos receber o galardão.

Agora que já entendemos um pouco sobre a importância de darmos o fruto do amor, passemos a meditar sobre como é este amor divino.

As Características do Amor


Quero enfatizar que a descrição do amor que temos em 1 Coríntios 13 não se refere aos tipos de amor humanos, mas sim ao amor de Deus, ou seja, não temos condições de andar naquele nível se não estivermos em Cristo, além de quê precisaremos sacrificar nossa carne para que nosso novo espírito possa dominar nosso coração.

Para entendermos quem Deus é, precisamos entender a Sua principal característica: o amor. O idioma grego possuía 4 palavras para descrever o amor, sendo que a palavra usada em nosso texto estudado é agápe que se refere a um amor de conotação não sexual e não ligado diretamente a parentesco.

Passemos a meditar sobre as características do amor de Deus:
"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece." (1 Coríntios 13:4)
Neste primeiro verso, cada palavra usada para descrever o amor poderia levar muito tempo para ser explicada, portanto, farei um resumo mais geral, e caberá a você pesquisar mais sobre elas.

Sofredor (grego: makrotymeo)


Significa que o amor é capaz de suportar sofrimentos por mais tempo, também poderia ser traduzido como longanimidade (de "longo ânimo"), paciência, capacidade de não perder as estribeiras facilmente. Também significa ser lento para vingar ou punir. Deus vem suportando as maldades humanas desde que o pecado entrou no mundo, além disso, vem sendo lento para punir os pecados e ainda demonstra paciência aguardando que as pessoas ouçam o evangelho e se arrependam. Quando nos arrependemos, Ele nos recebe de braços abertos e esquece nossos pecados.

Benigno (grego: chresteyomai)


Significa ser manso, suave, amável, etc. Bem, neste ponto a grande maioria das pessoas, principalmente os cristãos, se equivocam completamente ao terem a errônea ideia de um Deus geralmente revelado como muito agressivo. Esta ideia vem de uma falta de entendimento sobre a Velha Aliança e como Deus se revelava nela. Como já falei anteriormente, não dá pra explicar tudo aqui, mas vamos ficar com o que a Palavra revela sobre Deus (leia meu estudo sobre a Verdadeira Natureza de Deus e creio que ajudará você a compreender melhor).

O amor de Deus é manso e amável e é assim que nós somos em espírito, pois fomos recriados à Sua imagem. Iras, irritação, impaciência, etc. são coisas que não vêm do amor de Deus.

Não invejoso (grego: zeloo)


Esta palavra grega "zeloo" é nossa conhecida, pois temos a palavra "zelo" em português, embora não tenha o mesmo sentido. Neste sentido usado aqui (negativo), significa arder em ciúmes ou ter inveja. O amor de Deus não deseja o mal das pessoas, mas sim o bem. O desejo do Senhor para nós é que tenhamos vida plena em tudo, contudo, o pecado não tratado irá trazer a justa ira de Deus sobre seu agente. Deus quer sempre o nosso melhor.

Precisamos ter esta mesma atitude em nós, não agindo movidos por inveja ou ciúmes, mas em amor, buscando sempre o melhor para nosso próximo, assim como queremos para nós.

Não trata com leviandade (grego: perpereuomai) e não se ensoberbece (grego: phisioo)


Juntei estes dois porque possuem sentido semelhante em grego, sendo que o primeiro termo significa se exaltar ou se vangloriar. Já o segundo significa inflar ou inchar no sentido de ser arrogante ou orgulhoso.

O amor de Deus busca servir e vemos isto no caráter de Jesus pois veio para servir e não para ser servido.
"Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos." (Marcos 10:45)
No mundo as pessoas se vangloriam por qualquer coisa. Se o indivíduo é um pouco mais inteligente ou experiente, se é mais rico ou poderoso, se é mais forte ou bonito, se sente mais importante que os demais, sendo este um sentimento carnal. Tudo recebemos de Deus e quando partirmos daqui, tudo ficará (coisas físicas). O amor de Deus nos leva à humildade, pois reconhecemos que tudo o que somos ou temos vem d'Ele e deve ser usado para glorificar ao Pai e a Jesus, bem como pra ajudar as pessoas a encontrarem a salvação.

Embora em português algumas destas características tenham sido traduzidas como adjetivos, em grego, todos os termos são verbos, ou seja, expressam ação. O amor não é algo "parado", é uma coisa que precisa ser traduzida em ações. Assim como a fé sem obras é morta, o amor de Deus precisa se traduzir em atitudes que demonstrem que estamos fluindo em amor.

Imitadores de Deus


Assim como Cristo é a imagem exata do Pai, também fomos chamado para andarmos nas mesmas pisaduras de nosso Senhor e Rei: Jesus. Deus nos torna novas criaturas a fim de quê O possamos servir de coração andando em amor:
"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;
E andai em amor
, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave."
(Efésios 5:1-2)
Deus derramou o Seu amor em nossos corações nos dando o Seu Espírito para que possamos, também, andar desta mesma forma. Este amor não vem de nós mesmos, e é preciso haver sacrifício do seu eu natural (o que chamo de "eu-corpo") para que nosso espírito possa manifestar Cristo em nossos corpos mortais.

Conclusão


Não nos tornamos maduros em amor da noite para o dia, mas este é um processo contínuo de aprendizado e crescimento. Na próxima aula, ainda dedicaremos tempo para conhecer o amor de Deus, de forma a podermos andar nele.

Que a paz do Senhor seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 19 de março de 2018

Andando em Espírito 3 - Ressuscitados com Cristo


Ao nos convertemos a Cristo, ocorre um milagre dentro de nós: o novo nascimento. Este nascimento é algo invisível que ocorre no âmbito do espírito. Apesar de sentirmos algo "diferente" - muitos falam sobre uma paz e uma alegria interior - não dá para nós apalparmos este novo espírito que surge. Isto é algo que precisamos conhecer através da Palavra, conforme ministrado na lição anterior.

As Escrituras nos revelam a verdade sobre o que acontece dentro de nós, em nosso espírito, quando da nossa conversão, e é este o tema de nosso estudo de hoje. Além disso, veremos algumas coisas mais sobre que atitudes tal conhecimento deve gerar em nós.

O Novo Nascimento


Jesus falou sobre esta questão no evangelho de João, capítulo 3. Ali, nosso Mestre falava com um outro mestre judeu chamado Nicodemos. Vejamos:
"Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3)
Observe que, para poder ver o Reino de Deus, que é um reino espiritual, é necessário passarmos por este milagre que chamamos de "novo nascimento". Jesus não trouxe uma nova religião, mas sim uma nova cidadania: uma cidadania de um reino que, neste momento, é invisível aos nossos olhos naturais, que é o Reino de Deus, um reino que não é deste mundo (João 18:36).

Nosso espírito se torna uma nova criatura, recriado pelo Espírito Santo diretamente dentro do Reino de Deus.
"Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo." (Tito 3:5)
Fomos regenerados, ou seja, gerados de novo pelo Espírito Santo. Obviamente, este processo não ocorre em nossos corpos, pois claro é que não mudamos fisicamente quando nos tornamos seguidores de Jesus.

Intelectualmente, ou seja, a nível de "alma", apenas damos o primeiro passo nesta caminhada de fé, não havendo transformação instantânea em nosso entendimento. Tal transformação é gradativa.

Lembro que, quando me converti a Cristo, apesar de ter sentido algo diferente em meu coração, não podia compreender o que tinha ocorrido, apenas achei aquilo tudo muito bom. Antes de minha conversão, eu sentia uma espécie de vazio dentro de mim, mas não compreendia o porquê, cheguei a acreditar que o tal "vazio" era pelo fato de eu não ser uma pessoa religiosa.

Contudo, não é uma simples religião, com seu conjunto de doutrinas e regras, que preenche o vazio do coração do homem, mas sim Deus é quem o faz. O homem foi criado para conter Cristo dentro de si.

Gradativamente, na medida em que conhecia as Escrituras, fui compreendendo o que havia ocorrido, e por consequência, este entendimento foi gerando em mim atitudes "de dentro pra fora", cada vez mais alinhadas com esta nova realidade espiritual. Assim, pude experimentar a justiça, paz e alegria que são parte inerente do Reino de Deus.

Assentados nas Regiões Celestiais



Conforme já ensinei anteriormente, não podemos depender de nossos sentidos físicos (os quais são parte dos nossos corpos), nem dos sentimentos e emoções da nossa alma para conhecermos e compreendermos o mundo espiritual. É necessário um "espelho", que é a Palavra de Deus, para que possamos nos enxergar como somos no nível do espírito.

Quando Deus nos salva, Ele cria em nós um espírito que já faz parte do Reino de Deus, e nos faz assentar com Cristo em lugares espirituais, os quais não vemos, nem sentimos, nem cheiramos, etc.
"Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;"
(Efésios 2:5-6)
Quando lemos o livro de Efésios, desde seu capítulo primeiro, observamos que esta parte inicial desta epístola revela muita coisa sobre como somos e onde estamos no nível do espírito. Veja que o tempo verbal usado é o passado, isso na grande maioria das vezes, sendo que, em algumas outras, é usado o tempo presente.

Quando lemos que Deus "nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo", se dependermos dos nossos sentidos naturais, vamos achar que isto tudo não passa de algo figurado, ou seja, não é uma realidade.

No entanto, quando compreendemos a diferença entre o espírito, a alma e o corpo, nossos olhos podem ser abertos para enxergar quem nós somos, e tudo o que temos nesta nova realidade espiritual. Nosso espírito já está assentado, em Cristo, reinando com Ele. Longe de ser algo figurado, o texto fala de uma realidade espiritual.

Como andarmos em espírito se não compreendemos a realidade do espírito? Não haverá como fazermos isso. É necessário, primeiramente, entender que nosso espírito está assentado em Cristo, acima de todo sofrimento e mal deste mundo e que Deus já proveu tudo para nós, sendo isto uma realidade espiritual, ou seja, isto é um fato e não algo figurado.

Buscando as Coisas de Cima


Uma vez que o nosso espírito foi regenerado - recebemos um novinho em folha - e que este espírito está em Cristo, assentado nas regiões celestiais, precisamos levar nossa alma, ou seja, nossa mente e emoções para esta mesma realidade espiritual. Precisamos buscar trazer esta realidade do espírito, primeiramente, para nossa mente.
"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.
Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;"
(Colossenses 3:1-2)
Os valores do Reino de Deus devem ocupar a nossa mente, e nossos esforços devem ser direcionados para experimentarmos a realidade maravilhosa do Reino Eterno do Senhor. Conforme já vimos na primeira parte deste estudo, não podemos obter o Reino de Deus manifestado em nossas vidas simplesmente praticando certas obras ou rituais. Ou seja, não podemos desfrutar da realidade das coisas apenas buscando ver a "sombra" delas, mas sim, vendo-as como efetivamente são.

Já vimos, na primeira lição, que os rituais e obras religiosas do Velho Testamento eram apenas sombras de algo que haveria de vir, e que a realidade das coisas se encontra em Cristo, e em forma espiritual.

O verbo grego traduzido para "pensai", no verso 2 acima citado, é fronêo que significa, dentre outras coisas, "direcionar a mente para algo, buscar ou esforçar-se por algo". Nós temos a capacidade de direcionar nossos pensamentos e desejos para qualquer coisa que quisermos, bastando para isto, que coloquemos o devido valor nela.

Em Mateus 6:21, Jesus disse que onde colocássemos o nosso tesouro, ali também estaria nosso coração. Isto mostra que nós podemos direcionar o nosso coração, e por consequência, nossos sentimentos, ideias, planos, etc. Basta que dediquemos tempo e esforço àquilo. Se valorizarmos as coisas de Deus, dedicaremos mais tempo pra o Senhor, e abriremos mão das coisas que não trazem edificação. Assim fazendo, nosso coração será direcionado às coisas do alto.

Abençoados com Todas as Bênçãos


Por falar em "dar valor" às coisas do alto, cheguei à conclusão que, por não vermos as riquezas espirituais, não damos a elas o devido valor. Mas se você meditar um pouco sobre este tema, poderá entender que, na verdade, as pessoas buscam as riquezas materiais pela necessidade de riquezas espirituais. O lado espiritual sempre tem preeminência, apesar disto ser, em geral, inconsciente.

Os homens buscam bens materiais para terem suas necessidades básicas supridas, mas além disso, desejam ter felicidade, segurança, paz, alegria, reconhecimento, desejam se sentir amadas, etc. Contudo, todas estas coisas já estão disponíveis em Cristo, de forma gratuita e plena no âmbito do espírito.
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;" (Efésios 1:3)
Quando lemos o termo "bênçãos espirituais", não compreendemos bem a que isto se refere. Geralmente, é associado a coisas como ter paz, alegria, etc. contudo, a palavra bênção, no contexto bíblico, se refere a algo bem mais abrangente. Vamos analisar o que esta palavra "bênção" trazia à mente daqueles que a conheciam desde o Antigo Testamento.

No livro de Gênesis, capítulo 27, temos aquela passagem onde Rebeca ajuda Jacó a roubar a bênção do seu pai Isaque. Se vermos o conteúdo desta bênção, poderemos compreender o potencial que existe em uma bênção:
"Assim, pois, te dê Deus do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto.
Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem."
(Gênesis 27:28-29)
A bênção que Isaque ministrou sobre Jacó fez com que a nação de Israel fosse escolhida para ser aquela que geraria o próprio Rei dos reis, Jesus Cristo, sendo uma bênção que produzirá efeitos por toda a eternidade! Através desta bênção, riquezas materiais e imateriais foram reservadas para o povo de Israel. Se Israel não tivesse se afastado do seu Deus, eles seriam, certamente, a nação mais poderosa da terra, além de a mais rica.

Veja que tudo está na bênção! Termos sido abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais não significa apenas que temos paz e alegria, mas sim que temos simplesmente tudo o que Deus Pai deu a Cristo, ou seja, poder, autoridade, prosperidade, saúde, e um reino eterno de paz e alegria que jamais passará. Tudo isto está nesta bênção espiritual: é real, contudo, invisível, mas que pode e deve se manifestar aqui neste mundo, ainda que não de forma plena, pois o mundo não está em Deus, mas no maligno. A plenitude desta bênção se manifestará quando da vinda do Senhor Jesus à Terra.

Coração Iluminado


Imagine que você está em um quarto escuro. Neste quarto existem móveis, roupas, objetos espalhados pelo chão, e assim por diante. Se você tentar caminhar por ele, poderá esbarrar em alguma coisa ou mesmo quebrar algum dos objetos. Contudo, se você consegue acender a luz, verá tudo muito bem e poderá dispor dos objetos como queira.

Minha pergunta é: quando tudo estava escuro, os objetos estavam lá? Obviamente, você responderá que sim. Mas, apesar de estarem todos os objetos lá, você teria bastante dificuldade em dispor deles, isto porque estava escuro e você não conseguia enxergar e manipular corretamente os objetos.

A mesma coisa acontece quando não compreendemos o que a palavra de Deus nos ensina sobre a realidade do espírito, as bençãos espirituais e quem nós somos em Cristo. Estaremos como alguém que está andando no escuro e não consegue dispor das coisas que já estão lá mas que estão invisíveis.

Por isso, é necessário acendermos a luz para que possamos enxergar aquilo que já é nosso através de Jesus Cristo. Esta era a oração do apóstolo Paulo pela igreja de Éfeso:
"Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações: (...) Tendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;" (Efésios 1:16-18)
Podemos ver que o apóstolo não orava para que Deus abençoasse os efésios, mas sim, para que Deus iluminasse o coração deles, de forma a que eles compreendessem o que já lhes era dado em Cristo. A partir do momento em quê você conhece as "riquezas da glória" e o "poder" disponíveis em Cristo, você poderá começar a dispor deles para poder cumprir a sua missão aqui na terra de forma primorosa.

Conclusão


O novo nascimento nos elevou a mais alta posição em espírito, sendo que, para que possamos dispor das bênçãos espirituais que nos foram dadas, é necessário termos o nosso coração iluminado pela revelação do Senhor.

Vamos compreender mais sobre as características da nova criatura nas próximas lições. Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 12 de março de 2018

Andando em Espírito 2 - Guiados pela Palavra


Como podemos andar em espírito? Será que alguém espiritual é aquela pessoa que está o tempo todo sentindo amor, alegria, paz, paciência, etc.? Ou será que precisamos agir mesmo quando não sentimos vontade de fazer o que a Palavra manda?

Quando eu me converti a Cristo, sofri muito quando percebi que as vontades pecaminosas ainda continuavam em mim, cheguei a duvidar de que realmente havia ocorrido alguma mudança efetiva, pois, apesar de eu desejar servir ao Senhor, os sentimentos eram misturados.

Nesta lição de hoje, veremos que andar em espírito não significa ser guiado pelos sentimentos, mas sim pela Palavra de Deus!

A Luz que Ilumina Nosso Caminho


Não é possível tocarmos no mundo espiritual com nosso corpo físico, tampouco nossos sentimentos e emoções revelam a verdade sobre o Reino de Deus, nem sobre o império do adversário. Por que é assim?

O mundo espiritual é uma realidade separada do mundo físico e é regido por outras leis; as leis da natureza não funcionam no mundo espiritual, e nem mesmo nosso intelecto foi criado com a capacidade de compreender esta outra dimensão em sua forma plena. Para isto, Deus nos deu um espírito, o qual é um ser pertencente à realidade espiritual e é capaz de compreender as coisas espirituais.

Assim, para que possamos agir de acordo com o novo espírito recebido de Deus, precisamos do conhecimento e sabedoria revelados pela Palavra.
"Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho." (Salmos 119:105)
Muitas pessoas vêem este versículo como algo puramente poético, quando, na verdade, ele fala de algo muito prático: é a Palavra que nos ilumina o mundo invisível, nos mostrando como precisamos agir no nosso dia a dia.

O mundo em que vivemos é um mundo de escuridão espiritual, as pessoas buscam toda sorte de orientações e conselhos em fontes espirituais que são malignas, já outras pessoas ignoram a realidade espiritual à sua volta e vivem completamente alheios à existência de Deus, espíritos, anjos, demônios, etc.


Imagine que você está em uma floresta perigosa, com diversos animais peçonhentos, tais como cobras, aranhas, insetos, etc.; além disso, está de noite e sem lua cheia. Que situação mais assustadora, não é? Além disso, você está com fome, mas ficou paralisado por não conseguir nem ao menos caminhar. De repente, você descobre que está com uma lanterna militar na sua mochila, e quando você a acende, consegue enxergar tudo muito bem ao seu redor. Além disso, a luz forte espanta muitos animais que estavam cercando você!

Esta ilustração acima mostra bem como funciona a Palavra de Deus neste mundo de escuridão: os espíritos malignos que nos cercam são expostos, e mais que isto, eles fogem diante da forte luz de Cristo que está em nós. O comportamento humano também é exposto revelando que tipo de espírito está por trás das ações dos homens.
"Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos." (1 João 2:11)
Quando somos manipulados pelos sentimentos, e não guiados pela palavra, podemos estar andando em trevas espirituais, esquecendo-nos de quem Deus é e de quem nós somos em espírito. O verso acima mostra que, ao andarmos segundo a carne e odiarmos nossos irmãos, agimos como alguém que está sem a lanterna em uma floresta escura, a qualquer momento, poderá ser atingido por um escorpião ou serpente, e nem ao menos saberá o que o atingiu!

Um Espelho para o Mundo Espiritual


Uma outra forma de enxergar a Palavra de Deus é vê-la como um espelho que nos mostra quem somos em espírito.
"Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era."
(Tiago 1:23-24)

Quando ouvimos ou lemos a Palavra de Deus, enxergamos a verdade sobre o mundo espiritual ao nosso redor, e estas verdades devem nos levar agir de acordo com as revelações que recebemos. Tiago nos alerta para o fato de que se ouvirmos a Palavra e não obedecemos é como se estivéssemos olhando em um espelho para nosso rosto, e após sairmos da frente do espelho, nos esquecemos de como somos.

O apóstolo Paulo também fala sobre o fato de que hoje nós vemos a Deus e as verdades sobre o reino espiritual através de um espelho.
"Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." (1 Coríntios 13:12)
A palavra grega traduzida para "enigma" - αἴνιγμα (ainigma) - quer dizer "algo dito de forma obscura". Definitivamente, isto não quer dizer que a Palavra de Deus seja obscura, mas sim que, estando nós neste mundo de trevas, a Palavra não fica tão clara em nossas mentes, tendo em vista que nascemos e crescemos neste mundo de pecado, sendo que o aprendizado da Palavra é gradativo. Este mundo jaz no maligno e não em Deus.

É interessante notar que, na época bíblica, os espelhos não eram tão bons quanto os que temos hoje, pois eram mais semelhantes há uma panela inox bem polida. Ou seja, a imagem refletida nos espelhos de então não era tão perfeita como as que temos hoje.

Assim também acontece quando enxergamos a realidade espiritual através da palavra de Deus, a nossa visão do mundo espiritual será melhor à medida em que vamos adquirindo conhecimento de Deus revelado pelas Escrituras Sagradas. Quanto mais nós formamos em nossa mente a imagem mais e mais nítida do mundo espiritual, mais teremos condições de andar em espírito.

Não Andando por Vista nem por Emoções


Cheguei a achar que quando fosse alguém espiritualmente maduro, eu não seria mais afetado por sentimentos negativos, tais como angústia, medo, frustração, etc. Contudo, o fato de você se tornar mais e mais maduro na fé não significa que deixará de ter sentimentos. Os sentimentos fazem parte de nossa natureza, sendo reflexos dos sentimentos do próprio Deus.

Nosso Senhor Jesus Cristo, cordeiro imaculado do Pai, também teve sentimentos de medo e angústia ao se aproximar do momento em que levaria os pecados de toda a humanidade na Cruz do Calvário:
"E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se.
E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai."
(Marcos 14:33,34)
Ora, se nosso Mestre e Senhor, o qual nunca pecou, passou por sentimentos assim, quem somos nós para querermos estar acima de qualquer angústia ou sentimento? Contudo, Jesus não se moveu por eles, pois clamou ao Pai por socorro, e, sendo atendido, foi fiel até a morte!

Isto mostra que alguém que é espiritual não é alguém desprovido de sentimentos e emoções, mas sim alguém que segue em frente, guiado pela Palavra, e busca ao Senhor por socorro em tempo de necessidade.

Vivendo Pela Fé


Assim sendo, amados do Senhor, andar em espírito, essencialmente, significa andar por fé, olhando para coisas espirituais através do espelho da Palavra e não sendo guiados pelas circunstâncias ao nosso redor (mundo físico), nem pelos sentimentos e emoções da alma (mundo psíquico).
"Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor;
Porque andamos por fé, e não por vista."
(2 Coríntios 5:6-7)
A nossa fé precisa ser sobre a Palavra de Deus, que revela a verdade sobre tudo. Esta fé viva nos leva a agir com base em algo muito firme. A fé não é um "tiro no escuro", mas é exatamente o contrário: é uma atitude certeira sobre algo que foi iluminado em seu coração pela revelação do Espírito Santo.

Muitas pessoas no mundo dizem que tem fé, contudo, ao olharmos para as suas vidas, observamos que elas não obedecem ao evangelho, são guiadas pelas circunstâncias e sentimentos, se desesperam frente às adversidades e temem a morte física. O que demonstra que, realmente, tais pessoas não tem fé, pelo menos, não a fé bíblica, que é gerada pela Palavra de Deus quando ilumina nosso coração.
"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus." (Romanos 10:17)
Quando olhamos para o espelho espiritual da Palavra de Deus e contemplamos quem somos em Cristo, esta imagem irá nos levar a agir de forma diferente da forma do mundo. Obviamente, como já falado, esta imagem irá se tornar mais e mais clara, na medida em que dedicarmos tempo para "ruminar" (meditar) nas revelações, e também nos afastarmos da má influência do mundo pecaminoso.

Conclusão


Andar em espírito significa, essencialmente, andar pela fé na Palavra de Deus, crendo nela e, como consequência, agindo de acordo com ela.

O escritor aos Hebreus assim resume a atitude de Moisés quando fugiu do Egito: "porque ficou firme, como que vendo o invisível" (Hebreus 11:27). Esta imagem da realidade da Palavra vai se tornando mais e mais concreta dentro de nós, em nossa alma, e nos levará a produzir ações correspondentes.

Que a graça do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 5 de março de 2018

Andando em Espírito 1 - Obras e Rituais


O que é "andar em espírito"? Se você é cristão, já ouviu a expressão "fulano é alguém espiritual", ou já pode ter ouvido esta outra: "beltrano é alguém carnal". Afinal de contas, o que significa ser alguém espiritual ou ser alguém carnal?

Bem, a Palavra de Deus nos diz que devemos andar em espírito, e isto é algo que precisamos entender. Nesta nova série de estudos, vou mostrar como nós, cristãos nascidos de novo, podemos atender a este mandamento do Senhor e andarmos em espírito.

Vejamos o que as Escrituras nos falam no que diz respeito a este tema:
"Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.
Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.
Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei."
(Gálatas 5:16-18)
Ora, "andar em espírito" não significa que nosso espírito irá sair de nosso corpo e começar a andar por aí, mas sim que iremos viver a nossa vida tendo por base as realidades espirituais da nossa nova vida em Cristo.

Convido você a mergulhar neste novo estudo que irá nos ensinar sobre este importante tema.

Andar em Espírito: Um Mandamento


No verso 16 visto acima, temos um mandamento: "andai em espírito" (aqui, estou colocando o termo "espírito" com o "e" minúsculo para demonstrar que entendo ser o espírito humano). O verbo original em grego está realmente no tempo "imperativo", que é o tempo verbal que expressa uma ordem, pedido, conselho, etc.

Logo depois, temos "...e não cumprireis a concupiscência da carne", neste caso, o verbo está em um tempo verbal chamado aoristo, que não possui correspondente em português, mas que pode ser traduzido como gerúndio + particípio, ou seja, poderia ser traduzido como "não tendo cumprido". Isto mostra que quando andamos em espírito, por consequência, não cumpriremos os desejos da carne.

Esta forma de ver o andar em espírito pode ser estranha para muitas pessoas, pois fomos ensinados a ver a religião como um conjunto de regras que obedecemos para agradarmos a Deus. No entanto, a salvação trazida por Jesus é muito mais que uma religião e não se resume a um conjunto de regras.

Quando andamos da forma como Deus ordena, nós não andaremos em pecados. Mas esta forma santa de viver é uma consequência, um sub-produto, do "andar em espírito". Assim, antes de explicar o que significa "andar em espírito", gostaria de mostrar a você que seguir preceitos religiosos, ainda que seja a religião cristã, não significa que você está andando em espírito.

Regras e Rituais


Em Gálatas 5, vemos um claro contraste entre o "andar pelo espírito" e o "andar pela carne". A partir do verso 19, o apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, mostra quais são estas obras da carne: adultério, prostituição, impureza, lascívia, iras, contendas, etc. Quem pratica estas obras não está agradando a Deus, pois são obras pecaminosas, ou seja, vão contra a natureza divina.

Chega a ser intuitivo o fato de que, se as pessoas praticam estas obras, isso irá provocar destruição na sociedade. Assim, a grande maioria das religiões cria regras pra controlar o comportamento das pessoas, procurando evitar os males advindos de um comportamento maligno. Mas, será que apenas obedecendo estas regras religiosas, nós podemos realmente agradar a Deus? E será que obedecer a esses preceitos podem nos mudar realmente?
"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:
Não toques, não proves, não manuseies? 
As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;" (Colossenses 2:20-22)
O versículo acima mostra que as religiões e suas regras não são coisas de Cristo, mas sim coisas do mundo, pois foram criadas por homens e não reveladas por Deus (a exceção é os rituais da Lei de Moisés, os quais explicarei mais adiante). Desta forma, apenas obedecer a regras e rituais, ainda que demonstrem auto controle e disciplina, não nos ligam de volta a Deus, pois apenas Cristo pode fazer isto.

De fato, se apenas obedecermos a ordenanças, regras e rituais, estaremos andando segundo a carne, e não segundo o espírito. Veja o verso seguinte ao citado acima:
"As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Colossenses 2:22,23)
Certa vez, um irmão novo convertido me falou que, agora que ele havia sido batizado, gostaria de saber o que "podia e o que não podia" na igreja, e quais eram as "regras" pra ser cristão. Tentei explicar a ele que a vida cristã não era um conjunto de regras, mas que ele poderia se orientar pela regra do amor:
"Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Gálatas 5:14)
No demais, a vida cristã pode ser resumida da seguinte forma: Cristo nos torna novas criaturas, mortas para o pecado e vivas para Deus; a partir de agora, precisamos aprender quem é esta nova criatura e andar de acordo com ela!

"Se queres ser perfeito..."


Certa vez um jovem rico veio até Jesus para saber como herdar a vida eterna. Apesar de esta história estar nos 3 evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), usarei a versão de Mateus. Bem, ao responder ao jovem, Jesus fala o seguinte:
"Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me." (Mateus 19:21)
Aquele jovem sabia que "havia algo mais", e ele desejava isto, contudo, não foi capaz de se desfazer dos bens, já que era rico, para seguir Jesus. Muitas pessoas conhecem esta história mas não a compreendem por inteiro. Gostaria de tecer algumas considerações sobre ela.

Jesus sabia o que estava no coração do jovem, e por isso falou "se queres ser perfeito (...)". Aquele jovem também sabia que não era perfeito e que havia algo além dos mandamentos que ele já seguia desde a infância (ele afirmou isso verso 20). O jovem sabia que apenas seguir mandamentos, ainda que dados por Deus, não o havia tornado "perfeito".

Jesus veio trazer algo que a Lei de Moisés não podia trazer: a justificação e a perfeição!

Somente através de Jesus Cristo somos aperfeiçoados diante de Deus, contudo, isto não vem através da observância de regras e rituais religiosos. Apenas fazer certa obra, ou cumprir certo ritual não tem poder para fazer a transformação que o homem precisa: uma transformação no espírito humano.

A Lei de Moisés: Uma Sombra


Infelizmente, a igreja do Senhor parece não compreender a diferença entre a Antiga e a Nova Aliança, e tenta misturar as duas alianças, sendo que não há compatibilidade entre elas: ou você está em uma ou está em outra.
"Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído." (Gálatas 5:4)
Na Nova Aliança, que é uma aliança muito superior à antiga, Deus nos dá aquilo que a Lei de Moisés não conseguia dar, pois Deus nos torna novas criaturas (2 Coríntios 5:17) e nos aperfeiçoa. Aperfeiçoar significar tornar "perfeito", ou "completo". Esta realidade é espiritual, contudo é bem real, e não apenas teórica, como alguns pensam.

Os diversos rituais, ofertas e sacrifícios trazidos pela Lei de Moisés eram apenas sombra de coisas futuras e não a realidade das coisas. Tais rituais não tinham a capacidade de nos tornar perfeitos em espírito, mas apenas apontavam para algo que haveria de vir, ou seja, apontavam para Cristo e a Nova Aliança.

Falando sobre a Velha Aliança (a Lei de Moisés), o escritor aos Hebreus assim fala:
"Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço;
Consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção."
(Hebreus 9:9,10)
Mesmo os rituais dados por Deus para o povo hebreu não tinham o poder de torná-los justos aos olhos de Deus. De qualquer forma, eles precisavam ter fé naquilo que faziam, e, através da fé na Palavra de Deus, eram justificados, no entanto, o ritual em si não o fazia, mas sim a fé.

Muitos cristãos ainda buscam se justificar por meio de rituais sem ter uma compreensão clara do porquê da Lei de Moisés. Desta forma, tentam compatibilizar as alianças e fazer uma espécie de mistura entre elas, sendo que cada denominação faz a sua própria mistura, o que faz com que haja muitas diferenças doutrinárias entre as diversas denominações cristãs.
"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,
Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo."
(Colossenses 2:16,17)
Precisamos entender que até mesmo coisas como a guarda do sábado não foram projetados para a Nova Aliança, mas são sombras de coisas que temos hoje em Cristo. Estas figuras buscavam formar na mente dos homens uma imagem física de coisas que haveriam de vir, de forma a permitir que Deus preparasse o caminho para a Nova Aliança através de sangue, o sangue do próprio Filho de Deus.

Não há como eu tratar aqui sobre cada figura usada na Velha Aliança e o que ela representava na Nova, nem há como mostrar os propósitos da Lei de Moisés, portanto, indico o meu estudo sobre a Verdadeira Natureza de Deus Parte 11 - Os Propósitos da Lei, que poderá lançar mais luz sobre este tema pra você.

A Justificação Mediante a Fé


Ser justificado significa que Deus nos torna justos perante Ele. Esta justificação não podia ser obtida pelas nossas próprias obras. A Lei de Moisés restringiu o pecado pelo temor, pelo medo da morte, pois muitos dos pecados eram punidos com morte. Isto serviu de preparação para a vinda de Jesus, mas não foi projetado para continuar para os que se convertessem a Cristo.

Vamos examinar o que Deus nos fala no livro de Romanos:
"Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;" (Romanos 8:3)
A Lei era um conjunto de regras, rituais e sacrifícios que foram ordenados ao povo de Israel, no entanto, eles não conseguiam se manter nessa Lei por muito tempo sem falhar. Na verdade, este era o objetivo: expor o coração pecaminoso do homem. Assim, a lei estava "enferma" (fraca) pela carne do homem, que era pecadora. Mesmo que a Lei fosse de Deus, ou seja, era algo espiritual, os homens estavam escravizados pelo pecado, não sendo capazes de obedecer aos mandamentos com perfeição.

Deus envia o Seu Filho Jesus, em forma de homem, e Jesus é feito pecado por nós, recebendo sobre Si mesmo a condenação do pecado através de Sua morte na cruz. Assim, o pecado é condenado em Jesus, e nós podemos, através da fé, receber o perdão dos nossos pecados e a vida eterna.

Esta grande salvação não vem através de nada que façamos, ela é imputada por Deus quando cremos neste sacrifício de Jesus. É uma salvação gratuita, sendo-nos, contudo, exigida a fé para que a recebamos.

Assim sendo, somente através do milagre do novo nascimento, trazido por Jesus, é que nós podemos receber este presente de Deus: a regeneração (recriação) de nosso espírito; um espírito novo, santo, perfeito, para podermos servir a Deus em "novidade de espírito":
"Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra." (Romanos 7:6)

Conclusão


Nesta primeira parte sobre o "andar em espírito", entendemos que não são através de obras ou rituais que andamos em espírito. Inclusive, ao seguirmos tal mentalidade, estamos, na verdade, andando segundo a carne.

Nas próximas lições, veremos como conhecer quem nós somos em espírito, a fim de andarmos de acordo com esta nova realidade em Cristo.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Espírito, Alma e Corpo Parte 10 - Vida Após a Morte


O que acontece com o ser humano quando da morte física de seu corpo? Bem, esta questão já foi tratada na parte onde estudamos sobre as características do espírito humano. No entanto, como este assunto desperta grande interesse nas pessoas gostaria de tratá-lo de maneira mais fundamentada nesta parte 10 deste estudo, que funcionará como um apêndice.

Existem alguns segmentos cristãos que negam que nós permanecemos conscientes após a morte física. Geralmente, estes mesmos segmentos também negam outras coisas das escrituras tais como dons espirituais, principalmente o falar em outras línguas.

No que diz respeito à consciência após a morte, sempre que nos afastamos da literalidade da Palavra de Deus, caímos em um precipício onde será necessário negar outros versículos bíblicos e, no final, a própria Bíblia será posta em dúvida se realmente é a Palavra de Deus.

Acredito que existem muitos homens de Deus que são sinceros em suas crenças, contudo negam as características espirituais devido a ignorância nesta área específica.

No texto de hoje, veremos como a Bíblia, textualmente, nos mostra que, ao morremos fisicamente, permanecemos perfeitamente conscientes. A Bíblia é tão direta que aqueles que negam esta verdade são obrigados a fazer uma distorção na interpretação das Escrituras. Portanto, quero mostrar estas passagens de forma mais clara hoje.

O Rico e Lázaro


A passagem bíblica que se encontra em Lucas Capítulo 16 relata a história de um homem rico e um homem pobre cujo nome era Lázaro. Este, ao morrer, foi levado ao Paraíso, enquanto que aquele desceu ao inferno. O trecho bíblico relata uma eventual conversa feita entre o rico, que estava em tormentos, e Abraão, com quem Lázaro estava.

Muitas pessoas acreditam que este trecho bíblico é uma parábola, ou seja, é uma comparação que Jesus está fazendo e que não retrata, de fato, a realidade após a morte. Mas será que esta passagem bíblica é realmente uma parábola?

Vamos ver a definição de parábola encontrada no dicionário:
"Comparação desenvolvida em uma história curta, cujos elementos são eventos e fatos da vida cotidiana e na qual se ilustra uma verdade moral ou espiritual."
Observe que, quando Jesus contava uma parábola, Ele estava fazendo uma comparação usando elementos da vida cotidiana, tais como: moedas, sementes, árvores, animais, etc. com o fim de representar verdades espirituais e morais. 

Contudo, quando lemos a história do rico e de Lázaro, não encontramos nenhum elemento de comparação, ou seja, não encontramos elementos que demonstrem que Jesus está contando algo hipotético, com o fim de transmitir verdades espirituais ou morais.

Além disso, em nenhuma parábola contada por Jesus ele cita o nome de pessoas. Sendo que, na passagem bíblica citada, Jesus cita o nome de Lázaro e do próprio Abraão. Sendo assim, a passagem bíblica que relata a vida do rico e de Lázaro não pode ser entendida como parábola.

O testemunho do pastor Daniel Ekechukwu

O Pr. Daniel mostra a sua certidão de óbito.

O testemunho do Pastor nigeriano Daniel Ekechukwu se tornou muito conhecido em todo o mundo através do evangelista alemão Reinhard Bonnke. A impressionante história da morte e ressurreição desse pastor está muito bem documentada e pode ser encontrada na Internet. Acredito ser um testemunho verdadeiro devido à grande quantidade de testemunhas e por estar sendo divulgado através de um ministério bastante sério e cujos frutos são muito claros no que diz respeito a salvação de vidas.

Quero deixar bem claro aqui que qualquer testemunha precisa estar muito bem fundamentado nas santas escrituras. Além do que entendo que nem uma doutrina pode ser formada a partir de testemunho apenas.

Dito isto, uma das coisas que Deus mostrou ao Pastor Daniel foi que a oração do rico estava sendo atendida através da ressurreição dele. Hora se a história do rico e de Lázaro fosse uma ficção não teria sentido Deus atender a oração de um personagem fictício.

Testemunho do Pastor João Carlos Marques


Um outro testemunho que me chamou a atenção Foi a do pastor João Carlos Marques do Rio Grande do Sul. Este homem também teve a experiência de morrer e ressuscitar para contar a sua história. 

Em um dos trechos de seu testemunho ele compartilhou o que pôde contemplar o sofrimento daqueles que estavam em trevas sendo atormentados no inferno. Uma das coisas que ele lembrou foi exatamente da história do rico e de Lázaro, pois ele viu que as pessoas que estavam nas trevas, em tormento, podiam ver aqueles que estavam na luz, no entanto, os que estavam na luz não podiam ver os que estavam nas trevas.

Em verdade te digo "hoje"


Um outro momento onde Jesus falou explicitamente sobre o fato da pessoa permanecer consciente após a morte física é encontrado no Evangelho de Lucas no momento da crucificação.

Ali encontramos um ladrão que acreditou em Jesus pouco antes de morrer. Jesus o consolou dizendo:
"E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lucas 23:43)
Por mais claro que o versículo seja, ainda existem pessoas e segmentos cristãos que buscam negar a literalidade do que Cristo disse, e acabam roubando a esperança que tal verdade nos traz. Acredito que isto se deve a ignorância, no entanto, não podemos deixar que a ignorância permita Satanás roubar está maravilhosa verdade que nos traz tanta esperança, que é saber que temos vida eterna.

Tais pessoas afirmam que Jesus não disse ao Ladrão que naquele dia ele estaria com Cristo no paraíso, mas sim que Jesus falou da seguinte forma:

"Em verdade te digo hoje: estarás comigo no paraíso (algum dia)".

Esta interpretação possui alguns problemas. Antes de mais nada, nenhuma versão séria  das Escrituras optou por traduzir dessa maneira. Basta pesquisar na internet em sites de Bíblias e você verá que praticamente todas as traduções traduzem da forma que a João Ferreira de Almeida traduziu, conforme descrito acima.

Além disso, esta célebre frase que Jesus usou várias vezes - "em verdade" - geralmente, não trazia o advérbio de tempo "hoje". Ora, isto é óbvio, porque se estou dizendo algo a você, será "hoje"!

Somente uma outra vez Jesus usou o termo "hoje" quando falou "em verdade", você se recorda onde foi? Vejamos:
"E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás." (Marcos 14:30)
Assim, vemos que quando Jesus falou ao ladrão na cruz que este estaria com Cristo no Paraíso, Ele quis dizer exatamente isso: que, naquele dia, o ladrão morreria (fisicamente), mas que seu espírito e alma estariam desfrutando da companhia de Cristo, dos santos e dos anjos em um lugar maravilhoso, preparado para nós!

A difícil escolha de Paulo: partir ou ficar


Outra clara passagem bíblica que mostra que a morte física não é o fim da linha para nós é esta:
"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.
Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher.
Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.
Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne."
(Filipenses 1:21-24)
Vemos o anseio de Paulo, homem que sofreu tanto por amor ao Senhor e do evangelho, em desejar estar com o seu Mestre e Salvador Jesus. Ora, se ao morrer, Paulo simplesmente "apagasse", a passagem acima seria apenas um devaneio do apóstolo.

Um outro momento onde Paulo mostra que estava próxima a sua "partida" para estar com o Senhor é este:
"Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo." (2 Timóteo 4:6)
Mais uma vez, vemos que não há base bíblica, principalmente no Novo Testamento, para afirmar que perdemos a consciência após a morte, e isto afora o que já vimos sobre as características do espírito humano.

Podemos deixar que esta maravilhosa esperança encha nosso coração em meio a este mundo de desesperança e trevas. Não se deixe vencer pelas mentiras do maligno, do mundo e dos religiosos, receba esta verdade dentro de você!

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Espírito, Alma e Corpo - Parte 9 - Compreendendo o Corpo


Neste último texto da série sobre "espírito, alma e corpo", vamos meditar sobre o corpo humano, sempre lembrando que o estudo é baseado na Bíblia e sob a ótica, digamos, teológica, e não médica ou psicológica.

Conforme já vimos, o homem é formado por 3 partes distintas, sendo que a terceira é o corpo. Já pudemos estudar, isoladamente, na parte 7, o espírito; na parte 8, a alma; e, nesta parte, vamos nos concentrar no corpo.

Já vimos que o corpo foi formado do pó da terra e está vinculado a esta, assim como o espírito está vinculado ao mundo espiritual. Para que o homem pudesse exercer seu domínio sobre a terra, Deus deu a este homem um corpo formado a partir dos elementos da terra. Quando o homem cedeu à tentação de satanás e pecou, toda a terra caiu debaixo de maldição, e isto incluiu, também, o corpo humano.

Deus prometeu que irá salvar nosso corpo quando da ressurreição, no entanto, precisamos santificá-lo, ainda que o corpo seja mortal e tendencioso ao pecado.

A Maldição Sobre a Terra


Logo após o pecado de Adão e Eva, Deus fala sobre as consequências que aconteceriam:
"E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.
No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás."
(Gênesis 3:17-19)
Deus avisou ao homem que a terra produziria "espinhos e cardos". Além do seu sentido literal, podemos aqui enxergar um sentido figurado, que foi explicado por Jesus quando o Senhor ensinou a parábola do semeador. Vamos ver:
"E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra;
Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera."
(Marcos 4:18-19)
Vemos aqui que Jesus comparou os cuidados deste mundo, os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas com os espinhos, os quais sufocam a Palavra de Deus nos corações dos homens, impedindo ela de dar fruto. A versão desta parábola que está no evangelho de Lucas fala, ainda, sobre os "deleites da vida" (Lucas 8:14).

O mundo formou toda uma estrutura maligna que desvia os homens da Palavra de Deus, formando como que uma camada de espinhos sobre o solo do coração, com o objetivo de impedir que a Palavra de Deus opere em nossas vidas.

Mesmo quando nos convertemos a Cristo, e nosso espírito é nascido de novo, ainda temos que lidar com a alma e o corpo, sendo que esta última parte – o corpo – continuará produzindo "espinhos e cardos", pois está debaixo da maldição de Gênesis 3:19.

O Sacrifício do Corpo


Entendendo que nosso corpo está vinculado à terra e que ele continuará a produzir desejos e vontades contrárias à Palavra de Deus, qual será a solução para vivermos uma vida de santidade em corpos mortais?

A resposta é: precisamos oferecer nossos corpos como um tipo de sacrifício a Deus! Vejamos o que Paulo, pelo Espírito Santo, fala sobre isto:
"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Romanos 12:1)
A ideia de sacrifício era muito bem compreendida à época na qual esta epístola foi escrita, pois as religiões de então tinham, em seus rituais, a parte onde eram oferecidos sacrifícios, geralmente de animais, aos seus deuses. Entre o povo de Israel, que vivia debaixo da Lei de Moisés, também era algo normal e fácil de ser entendido.

Um sacrifício significa que alguém irá morrer a fim de aplacar a ira dos deuses, ou seja, sacrifício significa "morte"!

Quando a Escritura fala sobre oferecermos nossos corpos como sacrifício, isto significa que precisamos oferecê-lo para a morte. Obviamente, o termo "sacrifício vivo" mostra que não é a vontade de Deus que nos ofereçamos para morrer fisicamente, mas sim, fala do sacrifício de nossas vontades carnais.

Esta ideia de sacrificar (fazer morrer) as vontades do nosso corpo está em diversas outras passagens do Novo Testamento. Vejamos algumas:
"E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências." (Gálatas 5:24) 
"Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;" (Colossenses 3:5)
Por mais espiritual que você seja, não poderá fugir do fato de que seu corpo continuará tendo desejos pelas coisas que Jesus comparou a espinhos (preocupações desta vida, desejo de riquezas, deleites deste mundo, etc.), além dos pecados aos quais você se entregou antes de ser salvo.

Nosso Corpo é Inteligente


É importante entendermos que nosso corpo é inteligente e produz vontades as quais perceberemos como sendo NOSSAS VONTADES. Como seu corpo faz parte de você, chegará ao seu coração os desejos dele – do corpo –, e é sua responsabilidade sacrificá-los, a fim de viver para Deus.

Deus não vai fazer você deixar de sentir os desejos do corpo. Se Ele fosse fazer isto agora, teria que matar você! E Deus precisa de nós aqui na terra, para que anunciemos o evangelho da salvação aos perdidos, bem como instruir os discípulos (Marcos 16:15 e Mateus 28:19-20). Desta forma, temos que lidar com o corpo aqui mesmo, até que Jesus volte e transforme nossos corpos, eliminando, definitivamente, o problema do pecado.

Como fazer para mortificar as vontades do corpo? Bem, o primeiro passo é compreender quais são as vontades do corpo (ou da carne) a fim de discernir, ou seja, separar, o que é carnal do que é intelectual (da alma) e o que é espiritual.

As Escrituras nos orientam quanto a isto, vejamos algumas passagens:
"Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus." (Gálatas 5:19-21)
Não tenho como ensinar sobre cada uma destas obras da carne, contudo, indico a você a minha série de estudos sobre a doutrina do "Arrependimento de Obras Mortas", que está em nosso canal do YouTube:

O segredo está na "alma"


A grande chave para andarmos pelo espírito, ao invés de andarmos pelos desejos do corpo, está em nossa alma, principalmente no "entendimento". Conforme já ensinei nas outras partes deste estudo, o nível de transformação de nossa alma é quem vai determinar como somos guiados. Essa transformação é um processo gradativo, lento, e que depende de nosso esforço em abandonar as influências pecaminosas e encher nosso coração com a "boa semente" da Palavra de Deus.

Contudo, mesmo quando somos maduros em Cristo, ainda precisaremos dominar sobre nossas vontades, a fim de santificarmos nossos corpos. Veja, por exemplo, o grande apóstolo Paulo: mesmo após tantos anos de ministério, ainda precisava subjugar o seu corpo:
"Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." (1 Coríntios 9:27)
Aqui neste verso, a palavra traduzida como "subjugar" significa literalmente bater (ou incomodar) até vencer. No novo testamento, ela só é usada outra vez em Lucas 18:5, na parábola do juiz iníquo. Naquela parábola, a viúva importunou o juiz de tal forma que ele decidiu julgar a causa da mulher porque não aguentava mais a importunação dela.

Assim também, nosso corpo precisará ser vencido por insistência nossa. Com a capacidade do Senhor, que flui através de nosso novo espírito, podemos vencer os desejos do corpo, e, gradativamente, os mesmos permanecerão sob controle, mas isto somente se insistirmos em fé.

Novamente enfatizo que a carne será sempre um "ponto de tentação" para nós, até que Jesus volte e transforme nossos corpos. Não ache que você poderá, em algum momento, deixar de vigiar. Pode ficar certo de que, ao não vigiar, a carne, o mundo e o diabo estarão sempre prontos a tentar você para o pecado.

Sobre este assunto, os maiores enganos que eu vi na igreja são os seguintes:

1º) Acreditar que, com o tempo, os desejos da carne irão simplesmente desaparecer. Isto não é verdade, eles precisam ser subjugados com insistência e, só assim, serão dominados. Mesmo um apóstolo como Paulo precisava subjugar seu corpo após muitos anos de ministério e tantos sofrimentos por amor a Cristo.

2º) Acreditar que, se você ainda sente vontades pecaminosas, isto significa que você não foi transformado em seu "núcleo", ou seja, em seu espírito. Este é um grande engano e pode levar a pessoa a ceder à carne por achar que "ela é assim mesmo" e que não houve mudança alguma.

Precisamos entender que, quando a Palavra afirma que somos novas criaturas, não se refere ao nosso corpo, nem mesmo à nossa alma (parte intelectual/emocional), mas sim ao nosso espírito; e que o corpo continuará "fraco" para o pecado:
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mateus 26:41)

Conclusão


É necessário atender às palavras do nosso Senhor Jesus e mantermos a vigilância, bem como uma vida de oração para que não caiamos no engano do pecado, pois quando cedemos à carne e fazemos suas vontades, colheremos destruição em nossas vidas. Satanás irá conseguir nos atingir, pois ele encontrará lugar:
"Não deis lugar ao diabo." (Efésios 4:27)
Se olharmos o contexto deste versículo acima, veremos que damos lugar ao diabo quando pecamos. Portanto, se você já foi santificado em espírito, quando se converteu a Cristo, precisa se santificar também na alma e no corpo: na alma sendo transformado pela renovação de seu entendimento, e no corpo, oferecendo-o em sacrifício vivo.

Que a graça do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

Não estejam inquietos por coisa alguma

Imagem 1: a ansiedade tem atingido boa parte da população. Viver uma vida sem preocupações e inquietações é praticamente uma utopia nos dias...