segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Espírito, Alma e Corpo - Parte 8 - Compreendendo a alma


Hoje trataremos da alma humana. Este termo traz uma certa confusão com o espírito, então, tentarei fazer a separação entre os dois. Vemos que esta separação existe, pois a própria Escritura fala sobre ela:
"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4:12)
Desta forma, a própria Palavra de Deus fala sobre esta divisão, e vai além, afirmando que somente a Palavra pode fazê-la. Assim sendo, vamos meditar sobre a alma humana.

Compreendendo o termo "alma"


É muito comum, especialmente aqui no Brasil, as pessoas confundirem o termo "alma" com "espírito", entendendo que são a mesma coisa; no entanto, como já vimos anteriormente, há uma divisão entre estas duas "partes" do homem.

Vejamos o sentido da palavra alma em seus idiomas originais. Os termos em hebraico foram extraídos do dicionário Brown-Driver-Briggs, já os termos em grego foram obtidos do dicionário Thayer.

Hebraico: nephesh
1) alma, pessoa, vida, criatura, apetite, mente, ser vivente, desejo, emoção, paixão
1a) aquele que respira, a substância ou ser que respira, alma, o ser interior do homem

Grego: psyquê
1) respiração
1a) o fôlego da vida
1b) vida
1c) aquilo no qual há vida
2) a alma
2a) o lugar dos sentimentos, desejos, afeições, aversões, etc.

Ao longo das Escrituras estas palavras são traduzidas como: vida, fôlego de vida, ou alma (lugar dos sentimentos interiores do homem). Desta forma, vemos que a alma está mais para o lado psicológico do ser humano, ao invés do termo espírito, que é usado quando nos referimos ao mundo eterno espiritual no qual Deus habita.

Quando as Escrituras usam a palavra "alma" pode estar se referindo ao homem enquanto ser vivente, como pode estar se referindo ao lugar das ideias, emoções e sentimentos. E será com este último significado que iremos estudar esta parte do ser humano.

Como a alma é formada


A alma compreende nosso entendimento (intelecto), emoções, sentimentos, etc. e é onde formamos nossa visão de mundo: a cosmovisão. Na medida em que vamos crescendo e nos desenvolvendo intelectualmente, começamos a formar em nossa mente as ideias que irão determinar o curso de nossas vidas aqui na terra.

Nossa família, escola, trabalho, amigos, igreja, etc. terão forte influência sobre como "veremos" o mundo, determinando, assim, nossos hábitos e como conduziremos nossas vidas. Com o passar do tempo, vamos formando em nossa alma nossa visão sobre coisas como: Deus, família, amizade, trabalho, religião, etc.

Estas ideias irão compor nossa filosofia de vida, e nossas atitudes serão correspondentes a esta filosofia. Vou dar um exemplo: a forma como você vê "família" determinará o valor que sua família terá para você, levando você a se esforçar mais ou menos para preservá-la.

Caso você não tenha lido a parte 4 deste estudo, recomendo que leia (Parte 4: os estados da matéria). Ali eu explico como o mundo espiritual busca influenciar nossa mente de forma a produzir em nós atitudes correspondentes ao reino espiritual influenciador. Isto vale tanto para a influência boa do Reino de Deus, como para a má influência do reino de satanás.

Assim, a principal "moeda" com a qual a alma trabalha é o conhecimento. Quando tentou Adão e Eva, a serpente lhes ofereceu conhecimento rápido através da desobediência deles. A tal árvore do conhecimento do bem e do mal abriu as portas para que satanás pudesse "ministrar" seu império de trevas no homem.

Alma: um elo de ligação entre os mundos


Quando nosso entendimento vai sendo formado, baseado no conhecimento que vai recebendo ao longo dos anos, nossas atitudes começam a refletir nossa ideia de mundo (cosmovisão). Assim, o mundo espiritual vai conseguindo agir através de nós.

Vemos esta verdade na seguinte passagem bíblica:
"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também."
(Efésios 2:1-3)
Devido ao pecado, o homem permitiu aos demônios habitarem neste mundo, contudo, eles são invisíveis aos olhos naturais, e só conseguem agir quando o homem anda segundo os desejos malignos que foram alimentados pelo conhecimento errado. A grande maioria das pessoas, incluindo cristãos, não consegue reconhecer a operação de satanás. Contudo, sempre que fazemos a vontade da carne e dos pensamentos (carnais) estamos cedendo a operação desses espíritos invisíveis.

Da mesma forma, quando nos convertemos a Cristo e passamos a conhecer o Reino de Deus e Sua justiça (retidão), passamos a andar de acordo com a nova realidade espiritual na qual fomos inseridos. Para que os benefícios do Reino de Deus possam se manifestar em nossas vidas, será necessário uma mudança na alma tão logo haja a mudança no espírito.

Conforme já vimos, a mudança no espírito ocorre quando a pessoa se converte a Jesus, e nasce de novo espiritualmente (João 3:3-6), e, a partir de agora, precisará ser transformada em sua alma a fim de dar lugar a esta nova vida em Cristo.
"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:2)
O verso acima mostra que, ainda que você tenha nascido de novo em espírito, esta nova vida só começará a ser vivida e manifestada no seu corpo quando seu entendimento for transformado. Entender a vontade de Deus permitirá que não andemos aqui como os demais ímpios, que sofrem por não estarem ligados a Deus.
"Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor." (Efésios 5:17)
Não entender a vontade de Deus fará com que o cristão, ainda que salvo e nascido de novo, aja com insensatez, dando lugar ao maligno em sua vida e trazendo condenação para si.

O espelho da Palavra


Até bastante tempo atrás eu me esforçava para andar segundo a Palavra de Deus, para orar bastante e procurar agradar a Deus com minhas atitudes. Este é um desejo normal de todo cristão. Contudo, falhava constantemente, e me condenava muito por isso. Por mais que eu tentasse, orando e jejuando, eu sempre errava em algum ponto ou outro e me frustrava. Isto atrapalhava meu crescimento em Deus e meu ministério.

Quando comecei a entender este assunto "espírito, alma e corpo", comecei a compreender que eu já era uma nova criatura em espírito, e que nada que eu fizesse poderia acrescentar qualquer coisa a isto. Passei a entender, também, que meu espírito era perfeito e que as minhas obras eram apenas consequências da operação deste novo espírito que eu havia recebido do Pai.
"À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados;" (Hebreus 12:23)
Conforme já vimos, não podemos sentir o nosso espírito, pelo menos, não de uma forma tão clara. É necessário que a Palavra nos revele quem somos. De fato, a Palavra de Deus funciona como um espelho através do qual nós enxergamos quem nós somos em espírito:
"Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era."
(Tiago 1:23,24)
Assim, a Palavra funciona como este espelho que nos mostra quem somos no âmbito do espírito, e pela fé na Palavra, começamos a andar de acordo com o que nos é revelado. Claro que precisamos do poder do Espírito Santo dentro de nós nos dando capacidade. Esta força não vem de nós mesmos (nem do nosso corpo, nem da nossa alma, mas sim do Espírito Santo através de nosso espírito recriado).

Quando meditamos na Palavra do Senhor, passamos a entender quem nós somos em espírito, e, na medida em que estas verdades vão penetrando mais fundo em nosso coração, começarão a mudar a forma como vemos a vida, e assim, o Reino de Deus começará a se manifestar em nós.

Se não compreendermos que existe uma realidade espiritual em nós, muitas passagens bíblicas parecerão inverídicas ou, como muitos entendem, figuradas! Veja só esta aqui:
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;" (Efésios 1:3)
O verbo "abençoou" está no passado, ou seja, isto é algo que já foi feito. Contudo, fomos abençoados em nosso espírito, e não no corpo ou na alma. Por mais que você não "sinta" que é abençoado, esta é uma verdade imutável da Palavra. E como poderei desfrutar destas bênçãos espirituais?

A resposta é: você precisa que estas verdades dominem sua alma a tal ponto que elas sejam mais reais para você do que a realidade física ao seu redor. E isto é feito através semeadura da Palavra em seu coração, conforme veremos no próximo tópico.

A semente da Palavra


Tão logo um bebê nasce, precisa do leite da mãe para receber os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Assim também, tão logo alguém nasça de novo, precisará receber o leite da Palavra para que possa crescer.
"Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;" (1 Pedro 2:2)
Este "leite racional" é exatamente a instrução da Palavra de Deus, revelando a você quem você é em Cristo, e como é o Reino de Deus do qual você, agora, faz parte. Infelizmente, muitas pessoas não têm recebido este leite racional quando nascem de novo! Em muitas igrejas falta o ensino das doutrinas básicas encontradas no livro de Hebreus 6:1-2, e isto faz com que os cristãos não tenham um crescimento saudável em Deus.

Quando ensinou a parábola do semeador, Jesus mostrou que a Palavra funciona como uma semente que, quando lançada no coração, e sem que haja impedimos para o seu crescimento, irá crescer e começar a produzir frutos (atitudes) de acordo com a respectiva semente.

Não vou entrar neste assunto aqui por ser longo, mas gostaria de indicar a você o estudo sobre esta parábola da nossa irmã Bruna Monastirski, do nosso ministério, que poderá ajudar você e compreender como se tornar um "solo fértil" para a Palavra de Deus.

Link para a primeira parte do estudo (ao todo são 6 partes): A parábola do semeador - parte 1

Conclusão


Entendemos, então, que quando as Escrituras afirmam que temos uma "alma" separada do espírito, significa este lugar do entendimento e emoções, e que esta alma precisa ser transformada pela Palavra de Deus para que possa permitir que a realidade do Reino de Deus se manifeste através de nosso corpo.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Espírito, Alma e Corpo - Parte 7 - Compreendendo os espíritos


O que é um espírito? No texto de hoje, entenderemos um pouco mais sobre o mundo espiritual e sobre os espíritos em geral. Esta compreensão é necessária para que possamos entender melhor como funciona esta interação entre o mundo espiritual e o mundo material.

Antes de mais nada, é fundamental entendermos que somente a Bíblia é fonte fidedigna sobre o mundo espiritual, e não adianta você tentar entender os espíritos a partir de outras religiões que se fundamentam fora da Palavra de Deus.

Principalmente hoje, através da Internet, podemos encontrar muitos testemunhos de pessoas que tiveram experiências pós morte (e ressuscitaram para contar), bem como experiências com o mundo espiritual de pessoas vivas, contudo, se qualquer coisa que digam contrariar as Escrituras, podemos, certamente, rejeitar.
"Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." (1 João 4:1)
Diversas grandes religiões da atualidade foram fundadas com base em "revelações" vindas de espíritos (que se passavam por anjos de Deus), mas que contrariavam frontalmente a Bíblia Sagrada, trazendo "um outro evangelho".
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema." (Gálatas 1:8)
Deixo esta advertência antes de entrarmos no assunto de hoje devido à importância desta verdade: somente a Bíblia é fonte correta de instrução sobre o mundo espiritual!

As características dos espíritos


Os espíritos não se sujeitam às leis do mundo material


São duas realidades diferentes, dois mundos, dois "reinos", etc. conforme já vimos logo na primeira parte deste estudo. Desta forma, os espíritos não estão sujeitos às leis da natureza, já que não pertencem a esta realidade física. Quando Jesus ressuscitado foi confundido com um espírito, ele afirmou o seguinte:
"Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." (Lucas 24:39)
Isto mostra que, como não tem um corpo material, um espírito não envelhece, não adoece, não cansa, pode atravessar paredes, etc. ou seja, não possui estas limitações que temos no corpo.

Os espíritos podem se comunicar, ou seja, eles falam


Apesar de não ter corpo, um espírito pode falar, embora, em geral, não seja com voz fisicamente audível. Para poder falar audivelmente, o espírito precisa usar um ser humano. Vejamos alguns versos que mostram diferentes tipos de espírito falando:
ESPÍRITO DE DEUS: "Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós." (Mateus 10:20) 
DEMÔNIO (ANJO CAÍDO): "E estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual exclamou, dizendo: Ah! Que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus." (Marcos 1:23-24) 
ESPÍRITO HUMANO: "Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto." (1 Coríntios 14:14)
Os espíritos têm grande interesse em comunicar de si para o homem. No caso do nosso Deus, Ele busca comunicar Sua vida a nós, nos livrando da morte; já no caso dos demônios, eles procuram ministrar ao homem suas maldades e mentiras a fim de poderem viver em nós e dominarem sobre a Terra.
"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;
Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;"
 (1 Timóteo 4:1,2)
Vemos que os demônios buscam passar "ensinamentos" (doutrinas) para nós, e irão usar "homens que falam mentiras" (verso 2 acima) para isso. Se você vem acompanhando estes estudos, deve lembrar da lição passada (parte 6) quando eu falei sobre o "conselho dos ímpios", e seremos bem aventurados se não ouvirmos os conselhos de ímpios.

Os espíritos são inteligentes e reconhecem pessoas


Além de falar, os espíritos também reconhecem pessoas, ou seja, são seres inteligentes e capazes (criam até religiões, não é mesmo?), com memória, etc.. Vejamos alguns versículos sobre isto:
"Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus e bem sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?" (Atos 19:15)
"Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus." (1 Coríntios 2:11)
Como são seres pessoais e inteligentes, com a capacidade de se comunicar com o homem, podem guiar ou inspirar este a fim de cumprir os seus (dos espíritos) propósitos. O próprio Senhor Jesus Cristo era alguém conduzido pelo Espírito Santo para cumprir a vontade de Deus Pai, vejamos isto no verso seguinte:
"Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. (...)
E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães."
(Mateus 4:1,3)
Vemos, contudo, que uma das tentações de Jesus foi exatamente não se deixar ser conduzido por satanás, ou seja, os demônios também desejam nos conduzir, nos levando a sair da vontade de Deus. Quando assim fazemos, eles adquirem autoridade sobre nós e trazem consigo destruição. Observe o caso do endemoniado gadareno; ele era conduzido por um espírito, e, assim como Jesus, o espírito o também o levava para o deserto:
"Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso, com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos." (Lucas 8:29)
No entanto, ser guiado por este demônio só trouxe destruição para a vida deste homem.

Os espíritos podem mudar de forma


Já conheci diversas pessoas de religiões espiritualistas e que se comunicavam com entidades espirituais. Algumas sabiam que estavam lidando com seres não humanos, já outros acreditavam estar se comunicando com pessoas humanas já falecidas. Há alguns anos atrás, eu e minha esposa aconselhamos uma senhora que nos contou como ela tinha relações sexuais com um espírito regularmente, chegando, inclusive, ao orgasmo. Graças a Deus, esta senhora (já idosa) foi liberta por Jesus, no entanto, muitos são enganados pelas ensinamentos deles e pela forma com a qual se apresentam.

Em 2009, passei várias semanas na cidade e Mossoró/RN para trabalhar na migração de um sistema (trabalho com informática), e conheci um jovem cristão recém convertido que me contou como ele passou anos conversando com um espírito que acreditava ser o seu avô.

Após ser evangelizado por um cristão, este o ensinou a "testar" o espírito para ver se realmente era o avô dele (obviamente, o cristão sabia que não era). À noite, como de costume, o pretenso "avô" do rapaz veio para conversarem, e o rapaz o ouviu; em um determinado momento, e sem ter grandes expectativas, o rapaz perguntou ao "avô" se ele (o avô) confessaria que Jesus Cristo veio em carne.

Assim que isso aconteceu, a aparência do "vovô" começou a derreter, conforme ele me falou... Por "baixo" do avô apareceu um ser horrível e assustador, o que fez com que o jovem começasse a gritar "pelo sangue de Jesus". O espírito ainda falou algumas coisas, mas depois desapareceu, e nunca mais voltou.

Vejamos alguns versos que mostram esta capacidade dos espíritos de adquirirem formas diversas:
"E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele." (Mateus 3:16) 
"E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz." (2 Coríntios 11:14)
No último verso acima, que fala da habilidade de satanás de se transfigurar, o verbo grego usado é o seguinte: μετασχηματίζω (metaschēmatizō). Esta palavra é formada pelas palavras gregas "meta" e o verbo advindo da palavra "schema". De acordo com o dicionário de grego bíblico Thayer, "schema" quer dizer:

  • Tudo em uma pessoa que atinge os sentidos: a aparência, comportamento, discurso, ações, estilo de vida, etc.

Ou seja, e não leve a mal o que vou dizer, mas satanás e seus anjos são os melhores atores que alguma TV ou cinema poderiam desejar: eles são atores tremendos e já vêm com todo o figurino embutido. Quando falei pra você não "levar a mal" o que eu disse, é exatamente para que não entenda que sou contra atores. Eu creio que as artes foram dadas por Deus ao homem, e não estou aqui afirmando que o trabalho de ator é do diabo, mas apenas estou procurando mostrar a você que não podemos confiar em demônios, pois eles são mentirosos e têm a capacidade de se transfigurar.

Morte: a separação entre o espírito e o corpo


Alguns segmentos cristãos pregam que quando o homem morre, ele "apaga", e só voltará a estar consciente quando Jesus voltar e houver a ressurreição dos mortos. Infelizmente, estes grupos cristãos não possuem conhecimentos básicos sobre o que é um espírito. Com isso, deixam de dar aos cristãos a maior esperança que poderiam ter por terem optado seguir Jesus: compreender que já possuem a vida eterna em seus espíritos!
"E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?" (João 11:26)
Ora, foi exatamente para nos libertar do medo da morte que Jesus veio morrer em nosso lugar (leia Hebreus 2:15), se você vai morrer e apagar, que esperança há nisso? Além disso, este ensino é frontalmente contrário às Escrituras, principalmente as do Novo Testamento. Vejamos:

Não existe nenhum fundamento bíblico para se dizer que o espírito humano é, de alguma forma, diferente dos demais espíritos. Ou seja, qualquer espírito é eterno, invisível no natural, não se sujeitando às leis físicas, é inteligente, fala, etc.

Algumas pessoas se confundem com o termo "dormir" como no caso abaixo, vamos examiná-lo:
"E todos choravam, e a pranteavam; e ele disse: Não choreis; não está morta, mas dorme. E riam-se dele, sabendo que estava morta." (Lucas 8:52-53)
Antes de mais nada, o uso do verbo "dormir" aqui não se refere ao espírito da menina, mas sim ao seu corpo. Quando se fala em morte física, a Bíblia se refere a "dormir", pois o corpo volta à terra até que haja a ressurreição dos mortos. Isto é falado no livro de Daniel:
"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." (Daniel 12:2)
Veja que só quem "dorme no pó da terra" é o corpo humano, pois foi feito do pó e volta a ele quando da morte física (veja também Eclesiastes 12:7) e não o espírito. Mas vamos continuar com a passagem em Lucas:
"Mas ele, pondo-os todos fora, e pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te, menina.E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e Jesus mandou que lhe dessem de comer." (Lucas 8:54-55)
Vemos acima que o espírito dela "voltou" para dentro do corpo. Ora, se ele voltou é porque estava em outro lugar. Vemos outras passagens sobre o que acontece com o nosso espírito quando da morte física. Por exemplo, assim como aconteceu com Jesus (Lucas 23:46), também aconteceu com o primeiro mártir da igreja, que foi Estêvão:
"E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito." (Atos 7:59)
Estêvão entrega seu espírito a Jesus, sabendo que era apenas o corpo que "adormecia" (no pó da terra).

O apóstolo Paulo usava a terminologia "partir/partida" para se referir à morte. Vejamos:
"Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor." (Filipenses 1:23)
"Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo." (2 Timóteo 4:6)
Mas quem iria "partir"? Obviamente seria o Paulo-espírito, já que o Paulo-corpo foi degolado pelo Império Romano e, depois, enterrado. Agora, dormindo no pó da terra, o corpo de Paulo aguarda a volta de Jesus para a conclusão da nossa salvação: a ressurreição dos mortos.

Conclusão: Fomos salvos em espírito


Jesus, através de Sua morte, sepultamento e ressurreição, nos trouxe a salvação completa. Contudo, esta salvação inicia com a transformação instantânea de nossos espíritos, a salvação gradativa da alma e a esperança da ressurreição, onde nossos corpos serão transformados.
"Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra." (Romanos 7:6)
Morremos para o pecado e recebemos um espírito novo em folha, que ama a Deus e que foi recriado à sua Imagem. Agora, com este novo espírito, fomos libertos do poder de satanás, que nos aprisionava pelo nosso velho espírito caído. Podemos, então, servir ao Pai de forma plena, pois nosso espírito é justo e perfeito aos Seus olhos. No entanto, precisamos desenvolver esta salvação em nossa alma, mas isto será assunto para os próximos textos.

Que a paz do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Espírito, Alma e Corpo - Parte 6 - Árvores Junto a Ribeiros

Uma outra forma de entendermos o tema "espírito, alma e corpo" é nos vermos como árvores. Sim, por mais estranho que pareça, esta é uma comparação muito usada na Bíblia e hoje, entenderemos um pouco sobre o porquê dela.

Vejamos um primeiro versículo que fala sobre isto:
"A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado." (Isaías 61:3)
O contexto deste versículo nos mostra que ele se refere à Nova Aliança, onde Jesus muda o nosso espírito nos tornando novas criaturas, conforme já vimos em outros momentos deste estudo.

As Partes de Uma Árvore


Longe de querer precisão científica, gostaria de falar um pouco sobre as partes principais de uma árvore, a fim de fazemos a comparação necessária ao nosso estudo de hoje. Basicamente, uma árvore é composta das seguintes partes: raiz, caule, folhas, frutos e flores. Veja tudo isso na imagem abaixo:


RAIZ: Apesar de estarmos vendo a raiz na figura, geralmente, ela fica escondida na terra, de onde extrai os nutrientes e a água necessária para sua sobrevivência. Portanto, a raiz é a conexão da planta com a fonte de seus nutrientes e da água, que é a terra.

CAULE: O caule leva os nutrientes da raiz para as folhas onde ocorre o processo da fotossíntese, e também traz de volta o produto obtido após o processo, a fim de alimentar toda a planta. Desta forma, dentro do caule ocorre um fluxo das seivas, a bruta e a elaborada (veja a próxima imagem).


FOLHA: É nas folhas onde ocorre o processo da fotossíntese, onde a seiva bruta é transformada em seiva elaborada que irá alimentar o resto da planta. Além disso, cada árvore possui um tipo de folha diferente e dá a "cara" da árvore, permitindo que a reconheçamos.

FRUTO: O fruto é algo que a árvore produz e que serve para proteger a semente, além de servir de alimento às pessoas e animais. Quanto melhor o tipo de solo e quanto mais água houver, em geral, melhor será o fruto produzido.

FLOR: A flor, na verdade, é uma espécie de folha modificada e faz parte do processo de reprodução das plantas, além de ter o propósito de dar beleza às plantas, já que Deus é um grande Artista.

SEMENTE: A semente é produzida junto com o fruto e serve para multiplicar aquela árvore específica, conforme o Senhor criou para ser.
"E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi." (Gênesis 1:11)

Somos Como Árvores


O propósito de dar toda esta explicação sobre como funciona uma árvore é exatamente devido ao que está escrito na Palavra de Deus, pois somos como árvores:
"Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará." (Salmos 1:3)
Vimos lá em Isaías 61:3 que o Senhor nos faria "árvores de justiça", já aqui no Salmo primeiro, vemos a Escritura afirmando que temos características de árvores, tanto dando fruto como tendo folhas. Mas o que significa isto?

Além disso, a Palavra também fala que temos raiz, pois, João Batista advertiu que, para aqueles que não produzissem frutos dignos, haveria um machado que os cortaria pela raiz:
"Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.
E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo."
(Lucas 3:8,9)

A Raiz: o espírito


Analisando, agora, à luz do que temos estudado, podemos entender que nossa raiz se refere ao nosso espírito, pois está conectado ao mundo espiritual e é invisível aos nossos olhos naturais, assim como a raiz de uma árvore está conectada à terra, e fica invisível.

Quando Adão pecou, o espírito dele foi desarraigado de Cristo e o homem perdeu a fonte de vida eterna que tinha. Com o tempo, começou a produzir frutos de maldade, pois começou a obter os "nutrientes" (conhecimento) a partir das trevas.

Uma pessoa que está conectada espiritualmente com o império de satanás não poderá dar bons frutos, por mais que tente. Não existe um meio termo para o nosso espírito: ou estamos ligados ao Reino de Deus, ou estaremos ligados à morte (lugar espiritual). Jesus deixou isso muito claro quando falou que só existem dois tipos de árvores:
"Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus." (Mateus 7:17)
Sem Cristo, o homem não conseguirá produzir bons frutos. No máximo, conseguirá ser um "religioso", mas não vai produzir a verdadeira vida, pois não está ligado, em espírito, a Deus.

O Caule: a alma


Se você vem acompanhando estes estudos já poderá estar fazendo a ligação entre o caule e a nossa alma, certo? Pois bem, assim como o caule leva a seiva bruta da raiz para as folhas, e de volta para a raiz e toda a árvore, assim também a nossa alma funciona como este canal através do qual o mundo espiritual irá se manifestar em nosso corpo.

A chave para uma vida abundante está na alma, pois é ela que irá permitir (ou não) o fluxo de vida que provém de nosso espírito. Através da renovação do nosso entendimento, podemos experimentar a realidade do Reino de Deus em nossas vidas terrenas. Se você é cristão, seu problema não está em seu espírito, pois é nascido de novo e está conectado ao Reino de Deus através de Cristo.

No entanto, se a realidade da nova criatura não domina sua mente, você pode ser como o homem que fez um cruzeiro e só comeu bolachas durante toda a viagem, pois não sabia que toda a alimentação estava inclusa na viagem (o homem levou uma mala cheia de bolachas para se alimentar por todo o cruzeiro, pois não leu o contrato onde era informado que a alimentação fazia parte do preço já pago).
"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:2)

Folhas e frutos: dados através do corpo


Podemos ver as folhas e os frutos como sendo produzidos pelo nosso corpo, ou seja, nós, enquanto árvores, produzimos ações (fruto) e temos uma personalidade (folhas) que irá refletir de qual dos dois mundos estamos obtendo nossa sabedoria e conhecimento: do Reino de Deus ou do mundo caído e perdido (o qual está em trevas espirituais).

Revisando o Salmo Primeiro


Voltemos ao nosso Salmo de número um e vejamos como deve ser nossa atitude para que possamos ser árvores frutíferas e belas para nosso Deus.
"Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores." (Salmos 1:1)
O primeiro passo será não atentarmos para os conselhos (orientações) que o mundo nos passa. É o que a Palavra chama de "conselho dos ímpios". Um ímpio é alguém que não teme ao Senhor, e irá te aconselhar de acordo com a sabedoria do mundo caído, e não com a sabedoria de Deus.

Ao contrário do que muita gente pensa, vemos conselhos de ímpios o tempo todo. Basta ligar a TV, rádio, ver redes sociais como Facebook, Twitter, YouTube, etc. Existem muitos e muitos programas ensinando sobre tudo que diz respeito à vida: casamento, criação de filhos, carreira profissional, emoções, suicídio, etc.

Estes conselhos serão conselhos de ímpios se não vieram do Céu. Eles irão levar você ao próximo passo: o caminho dos pecadores. Posteriormente, a pessoa vai para o último, que é a "roda dos escarnecedores", onde, além de viver uma vida de pecado, a pessoa irá empreender perseguição aos que vivem para o Senhor.

Levando nossa alma à Fonte correta


Nossa alma precisa receber da fonte correta, que é a Palavra de Deus. Somente a Palavra possui a verdadeira sabedoria do Reino e irá nos levar a produzir bons frutos. A Palavra precisa dominar nossa vida de tal forma que não irá sobrar lugar para mais nada.
"Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite." (Salmos 1:2)
Antes, eu não entendia como a Palavra de Deus poderia ocupar minha mente "de dia e de noite", pois eu achava que isso implicaria em eu ter que ler a Bíblia o tempo todo. Assim, não haveria condição de eu estudar, trabalhar, etc.

Ocorre que não é isto que a Palavra diz. Meditar não significa "ler a Bíblia" o tempo todo. De fato, se você lê demais, não será capaz de meditar sobre o que leu devido à sobrecarga de informações. O que você precisa é não encher seu coração de conhecimento errado, como já vimos. Guarde o seu coração de uma sobrecarga de imagens, fotos, jornais, TV, internet, etc.

Busque viver uma vida onde a sua prioridade seja o Senhor e Sua Palavra. Medite nas Escrituras e evite se alimentar de outras fontes. Faça de Deus a sua Fonte. Deixe que a Palavra ocupe sua mente em todo o tempo. Viva em torno da Palavra. Torne o Reino de Deus algo tão real dentro de você, de forma que você fique mais ciente da Presença do Pai do que do mundo físico ao seu redor.

Conclusão


Somos como árvores que foram reenxertadas em Cristo, a fim de produzir bons frutos. No entanto, nossa alma ainda pode buscar sabedoria e conhecimento do mundo e precisamos redefinir isto. Quando deixamos a influência do mundo perdido e nos concentrarmos no Reino de Deus, iremos produzir os frutos e teremos uma personalidade que reflita Cristo.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Amor - A Verdadeira Natureza de Deus - Parte 12

O Deus de Amor no Velho Testamento


Já vimos que a Lei de Moisés não foi dada como solução definitiva para o pecado, e nem tinha o propósito de revelar a verdadeira natureza de Deus, mas sim de expor o pecado do homem e preparar o caminho para o Salvador Jesus Cristo, que é a solução definitiva para o nosso pecado. Contudo, podemos ver um Deus de amor mesmo em meio a toda a dureza da Velha Aliança.

Nesta parte, vamos examinar alguns pontos importantes da Lei Mosaica e perceber o cuidado do Senhor com os mais fracos, tais como órfãos, viúvas e estrangeiros.

O Ano do Jubileu


Quando comparamos Israel com as nações que existiam ao seu redor, um grande diferencial que vemos era o Ano do Jubileu. A cada ciclo de 49 anos, haveria um ano especial onde a terra que havia sido vendida a outras famílias deveria voltar à sua família de origem.
"E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família." (Levítico 25:10)
E para quê servia o ano do jubileu? Bem, a Lei dada por Deus à nação de Israel, neste aspecto, evitaria que famílias se tornassem pobres definitivamente. De fato, a terra só poderia ser "arrendada" e não vendida.

Naquele ambiente, predominantemente rural, o valor da terra era obtido a partir do número de colheitas que o comprador obteria e não pelo valor da terra em si, ou seja, a terra valia o que ela poderia produzir e, desta forma, não havia espaço para a especulação, tão comum nos dias de hoje (pessoas ricas adquirem grandes porções de terra e as mantém improdutivas, apenas aguardando para que se valorizem para, então, serem vendidas).

O ano do jubileu forçava uma cultura de trabalho com a finalidade de prosperidade geral do povo e não de apenas algumas famílias, com isto, se evitava a pobreza permanente de parte da população. Apesar disso, a propriedade privada era respeitada, não podendo isto ser ligado ao socialismo.

Proibição parcial da escravidão


Outra coisa bem interessante era a proibição de se escravizar um israelita. Para entendermos a profundidade desta proibição é necessário lembrar de como era o coração do homem e a cultura da época, coisa que já vimos em partes anteriores deste estudo. A escravidão era totalmente normal entre todas as nações. Os próprios israelitas haviam acabado de ser libertados dela quando saíram do Egito.

E, de fato, era possível ter escravos, desde que não fosse do próprio povo de Israel, pois só era possível escravizar estrangeiros. Ora, isto era algo muito diferente do que ocorria nas nações da época, algo que demonstrava muito respeito a pessoa humana, não sendo comum.
"Quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo.
Como diarista, como peregrino estará contigo; até ao ano do jubileu te servirá;
(...)
E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas."
(Levítico 25:39-44)
Apesar de ainda permitir a escravatura, a Lei de Moisés possuía diversos mandamentos que buscavam proteger as pessoas que se encontravam em tal condição, garantindo a alimentação (Levítico 25:6), o descanso semanal (Deuteronômio 5:14), punição em caso de morte do servo (Êxodo 21:20), etc.

O cuidado com os excluídos


Deus demonstrava muito cuidado com os excluídos da sociedade. Se hoje temos mais justiça social, estatuto do adolescente, estatuto do idoso, etc. saiba que este tipo de coisa não existia à época. Basta lembrarmos como os reis do Egito e Judeia ordenaram a morte de milhares de crianças inocentes sem o menor remorso (se quiser, releia a parte 10 deste estudo).

Assim, o Senhor se preocupou em levar os israelitas a se colocarem no lugar de um estrangeiro para terem cuidado de não maltratá-los, pois eles também haviam sido maltratados no Egito e experimentaram o quanto é ruim ser humilhado e surrado.
"Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa. Por isso amareis o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito." (Deuteronômio 10:18-19)
Garanto a você que nenhuma nação da época possuía uma lei ordenando que o povo "amasse os estrangeiros"... Provavelmente, seria mais comum os estrangeiros serem escravizados ou, quando muito, serem postos para fazer os serviços mais desprezíveis.

Além do mandamento visto acima, o Senhor estabeleceu que a maldição viria sobre o que se aproveitasse dos mais fracos a fim de obter vantagens:
"Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém." (Deuteronômio 27:19)

Dízimos para os "excluídos"


Atualmente, muitas denominações são bem rigorosas no que diz respeito ao dízimo, e usam o Velho Testamento para manipular as pessoas para darem dízimos e ofertas através da acusação e constrangimento. Contudo, alguns versículos são omitidos. A maioria das igrejas não usa os dízimos e ofertas para ajudar os necessitados, mas apenas para o crescimento do seu próprio "império" religioso.

O Deus de amor ordenou que, a cada 3 anos (o dízimo era dado uma vez por ano), o dízimo era pra ser compartilhado entre aqueles que não possuíam terras, bens, escravos, etc.
"Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás dentro das tuas portas;
Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem."
(Deuteronômio 14:28-29)

Deus não queria sacrifícios


No Velho Testamento, os pecados começaram a ser punidos com rigor. Já vimos o porquê disto, e não vou detalhar os motivos novamente. No entanto, aqueles que se achegaram mais a Deus, tais como os profetas, chegaram à compreensão de que o seu Deus realmente não queria o sacrifício de animais.

Os sacrifícios foram ordenados para que o homem pudesse compreender que "sem derramamento de sangue não há remissão de pecados" (Hebreus 9:22). Cada vez que o homem pecasse, ele deveria oferecer animais de sua criação, os quais ele perderia para sempre. Era um ato de fé, pois eles acreditavam que Deus os abençoaria por tal atitude, e que o pecado, caso não fosse coberto, iria trazer maldição.

Mas, no fundo, no fundo, os homens sabiam que a morte de um animal não poderia pagar um pecado, pois pecado é algo espiritual, e é algo cometido por um homem, e só um homem poderia pagar o pecado. Vejamos o que o rei e profeta Davi falou:
"Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos.
Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus."
(Salmos 51:16-17)
É importante lembrar que Davi escreveu este salmo após ser confrontado pelo profeta Natã. Davi havia cometido adultério com Bate-Seba e ordenou a morte de seu marido, Urias, que, por sinal, era um homem fiel ao rei.

Contudo, apesar da gravidade de seu pecado, Davi escreve afirmando que Deus não desejava sacrifício, mas sim arrependimento! Davi conhecia ao seu Deus.

O caso do profeta Jonas


Um outro caso que me chama a atenção é o do profeta Jonas. Deus ordenou a Jonas que fosse até Nínive para clamar contra ela devido ao seu pecado. Contudo, Jonas fugiu indo para uma outra cidade: Társis. Acredito que você conheça esta história: Deus enviou uma baleia que engoliu Jonas e o levou ao arrependimento de sua desobediência.

Já ouvi pessoas dizerem que Jonas fugiu da tarefa que o Senhor havia passado para ele por ter medo, ou seja, Jonas foi covarde. Contudo, isto não é verdade.

Jonas conhecia a Deus, e sabia que sua tarefa tinha o propósito não de destruir, mas de trazer arrependimento. Deus, sendo um Deus de amor, não deseja derramar Sua ira sobre nós, mas sim nos salvar. Vejamos o que o próprio Jonas fala sobre suas motivações ao fugir do Senhor:
"E orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor! Não foi esta minha palavra, estando ainda na minha terra? Por isso é que me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal." (Jonas 4:2)
De fato, Jonas fugiu porque ele queria que Nínive fosse destruída! E sabia que Deus o estava enviando para levar arrependimento à cidade, assim como, realmente, ocorreu. Como profeta do Senhor, Jonas já devia ter visto isto acontecer outras vezes, ou seja, Deus enviava o profeta para advertir a pessoa, caso ela desse ouvidos à advertência, era poupada do juízo.

Jonas conhecia a impiedade de Nínive e queria que Deus a destruísse, mas o Senhor é amor, e faz o que está a seu alcance para levar o perdão ao homem sem, contudo, comprometer sua santidade e justiça.

O maior mandamento da Lei


Quando perguntado sobre qual seria o maior mandamento da Lei de Moisés, Jesus respondeu:
"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento." (Mateus 22:37-38)
No entanto, Jesus não parou por ali, o Mestre continuou afirmando...
"E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas."
(Mateus 22:39-40)
Jesus nos mostra que toda a Lei de Moisés e os profetas precisam ser interpretados com base em amor, tanto amor a Deus como amor ao nosso próximo, e que estes dois mandamentos estão vinculados um ao outro.

Não compreender o caráter de amor de Deus nos transformará em meros religiosos que seguem regras "secas" mas que não têm um propósito de edificação de laços familiares. Desde o princípio, não vemos o Senhor preocupado em criar religiosos, mas sim em desenvolver em nós o entendimento de que somos todos irmãos e que Deus é o nosso Pai.

Jesus nos desvenda o verdadeiro caráter de Deus: o amor. Um amor que foi ao ponto de levar o Deus Criador de todas as coisas a se tornar um homem e se oferecer para uma morte humilhante e dolorosa em prol de nossa salvação.

E é com base neste amor, que passamos a entender toda a Escritura, e, em especial, a Lei de Moisés com toda sua aparente dureza e rigor. Entendemos que Deus teve que fazer aquilo para que o homem pudesse entender que havia se afastado muito da pureza, bondade e misericórdia do Pai, e que precisava se arrepender e receber a cura definitiva: Jesus Cristo, nosso bendito Salvador.

Que a graça do Senhor Jesus seja com você.

Pr. Wendell Costa

sábado, 23 de dezembro de 2017

Espírito, Alma e Corpo - Parte 5 - O Coração Humano

Além do espírito, alma e corpo, a Bíblia também cita, por diversas vezes, uma outra parte do homem: o coração. Afinal de contas, o coração parece ser uma parte muito importante do homem, e, por isso, as Escrituras mostram que é ele que precisa ser guardado acima de tudo:
"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida." (Provérbios 4:23)
Buscando o significado da palavra originalmente traduzida como "fontes" (da vida), encontrei o seguinte, de acordo com o dicionário de hebraico bíblico Brown-Driver-Briggs:
tôtsâ'âh -  saída, fronteira, extremidade, fim, fonte, escape
Isto nos mostra que nossa vida "sairá" pelo nosso coração, ou seja, é de lá que saem nossos pensamentos, ideias, imaginações, palavras e atitudes. Veja o que Jesus falou sobre isto:
"Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias." (Mateus 15:19)
Eu sou formado em Engenharia Civil pela UFRN, onde me graduei em 2001. Não posso dizer que era um sonho de infância meu fazer tal curso, então, por que eu decidi estudar engenharia civil? Bem, a resposta é o seguinte: algum tempo antes de eu prestar vestibular, um tio meu que trabalhava na Universidade me perguntou qual era a área que eu mais gostava. Eu já havia feito alguns testes vocacionais, e que haviam me indicado cursos do tipo Agronomia ou coisas ligadas a esta área.

Aquele meu tio me indicou a engenharia, pois me disse: "Se você quer um curso da área tecnológica, então, faça Engenharia Civil, pois é o melhor curso da área". Ora, aquelas palavras entraram em meu coração e deram fruto. Decidi prestar vestibular para Engenharia Civil, tendo sido aprovado e cursado este curso por 11 longos anos (não vou explicar o porquê deste lapso temporal aqui por ser uma longa história).

Onze anos de minha vida dedicados a este curso, e tudo isto devido a uma ideia que foi semeada em meu coração por meu tio. Veja, em termos práticos, como funciona o coração: ele recebe informações, que funcionam como "sementes", e produz ações, que são os "frutos".

O Coração é Enganoso?


Muitas vezes, tive receio de ser guiado pelo meu coração porque ouvi pregadores ensinando que, de acordo com a Bíblia, o nosso coração é muito enganoso. O versículo utilizado para fundamentar tal afirmação é o seguinte:
"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:9)
Já, em outras vertentes, me foi ensinado que, na Nova Aliança, podemos sim ser guiados pelo coração, tendo em vista que este foi trocado por um novo coração. Vemos esta promessa no seguinte verso bíblico:
"E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne." (Ezequiel 36:26)
Além disso, temos o Espírito Santo, nosso Guia e Consolador, O qual habita em nós após ter sido enviado por Deus. O Espírito Santo foi derramado em nossos corações, de acordo com Romanos 5:5.

Então, após tudo isto, o que podemos concluir? O nosso coração é ou não um bom guia?

Coração: Um Centro de Distribuição


Uma figura que pensei sobre como comparar o coração é a de um CD - centro de distribuição. Estes centros são setores bem comuns em grandes empresas, como, por exemplo, os Correios. Veja uma definição deste conceito:
"Um centro de distribuição, também conhecido como CD, é uma unidade construída por empresas industriais, retalhistas, para armazenar os produtos produzidos ou comprados para revenda, com a finalidade de despachá-los para outras unidades, filiais ou clientes." (Wikipédia, verbete "Centro de Distribuição")
Através de um CD, as unidades de produção (ONDE o produto é feito) conseguem levar seus itens até o destino final, onde serão vendidos aos clientes finais. Tudo passa pelo CD.

Da mesma forma, o coração humano recebe os "produtos" das diferentes unidades produtoras (espírito, alma ou corpo) para que seja transformado, ou não, em ações. Explicarei melhor isto que acabei de falar mais adiante.

Os espíritos se comunicam pelo coração


Muitas pessoas acham que quando espíritos (anjos ou demônios) falam com os homens, eles se materializam em forma física para tal finalidade. No entanto, apesar de ser possível, dificilmente isto ocorre. Em geral, os espíritos se comunicam conosco através do coração.

Já vimos que o Espírito Santo foi derramado em "nossos corações" (Romanos 5:5), e, portanto, Ele se comunica conosco através de nosso coração. Desta forma, algo que é muito perigoso é quando nós O resistimos, endurecendo nosso coração para a Sua voz:
"Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto." (Hebreus 3:7-8)
Raramente, vemos Deus falando com uma voz "exterior". Particularmente, eu nunca ouvi Deus falar comigo com uma voz externa, apesar de já ter ouvido raros testemunhos neste sentido. Geralmente, a voz do Espírito Santo é ouvida dentro de nosso coração, e é o que a Bíblia ensina, conforme vimos no verso acima.

Além do Espírito Santo, o próprio satanás também se comunica conosco através do coração, o que pode soar como uma ideia ou pensamento. Vejamos o caso de Ananias e Safira, um casal que teve uma "ideia" maligna e se uniram para mentir aos apóstolos:
"Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?" (Atos 5:3)
É bem interessante o uso da palavra "encher" aqui. Você lembra que em Efésios 5:18, o verbo "encher" também é usado se referindo ao Espírito Santo? O que significa o fato de um espírito encher o ser humano? Ora, significa que o referido espírito (seja Deus, seja outros) está comunicando ao homem certas coisas.

No caso do Espírito Santo, Ele nos comunica amor, alegria, paz, cura, etc. Já no caso de satanás, ele tenta nos comunicar tentações, mentiras, etc. Ou seja, cada espírito tenta comunicar o que ele tem, não é verdade?

O fato é que, claramente, as Escrituras mostram que esta comunicação é feita através de nosso coração. Portanto, precisamos discernir qual a origem do que está sendo comunicado.

Discernindo entre o corpo e o espírito (humanos)


Comecemos pelo mais "manifesto", ou seja, aquilo que é mais claro, que é a diferença entre os desejos do corpo/carne e os desejos do espírito recriado. Já aprendemos que, quando nos convertemos a Cristo, somos transformados instantaneamente no espírito (caso queira revisar esta verdade, veja: João 3:3-7 e 2 Coríntios 5:17), mas que o corpo não é mudado e continua com os mesmos desejos antigos.

Desta forma, os desejos do seu corpo são contrários aos desejos do seu espírito, por isto, são mais fáceis de serem discernidos.
"Porque a carne cobiça contra o espírito, e o espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis." (Gálatas 5:17)
Aproveito este momento para esclarecer que a palavra "espírito", em muitas traduções, está com a letra inicial maiúscula, dando a entender que é o Espírito Santo. No entanto, acredito que esta palavra se refira ao espírito humano recriado. Obviamente, o Espírito Santo também terá vontades que são contrárias à carne, mas a luta que é travada dentro de nosso coração não é do Espírito Santo contra nosso corpo, mas sim do nosso próprio espírito nascido de novo e da nossa própria carne.
"Mas cada um é tentado pela sua própria cobiça [do seu corpo], quando esta o atrai e seduz;" (Tiago 1:14, NVI)
Nosso espírito recriado não possui o desejo de pecar, pelo contrário, ele está unido a Cristo, e deseja exatamente o que Cristo deseja:
"Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito." (1 Coríntios 6:17)
Assim, quando o nosso coração recebe desejos, pensamentos, impulsos, etc. de prostituição, malícia, mentira, corrupção, etc. ficará claro que vem do corpo e não do espírito. Estas vontades precisam ser "mortificadas". A palavra original grega para mortificar é tanatôo que quer dizer "fazer morrer" (literalmente ou figurativamente):
"Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis." (Romanos 8:13)
Ora, não há como você fazer seu corpo morrer para os seus desejos se você nem ao menos consegue discernir que desejos são esses. Assim, o apóstolo Paulo prossegue expondo quais são os desejos da carne:
"Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia..." (Gálatas 5:19)
E, logo após isto, mostra os desejos do espírito:
"Mas o fruto do espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." (Gálatas 5:22)
Mais uma vez, lembro a mesma coisa com relação à palavra "espírito", como originalmente a Bíblia foi escrita apenas com letras maiúsculas, os tradutores precisam interpretar se o termo se refere ao Espírito Santo de Deus ou ao espírito humano. No caso acima, entendo ser o fruto do espírito humano, apesar de quê, o Espírito Santo está unido a nós em espírito, conforme já vimos.

Discernindo entre a alma e espírito (humanos)


A separação entre as vontades do corpo e do espírito humanos são mais claras, já que são exatamente opostas, mas a separação entre a alma e o espírito não é clara. Somente a Palavra de Deus é capaz de penetrar até esta divisão, pois vai além do mundo físico:
"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito (...)." (Hebreus 4:12)
A palavra grega aqui traduzida como espada (grego: machaira), de fato, se refere a uma faca longa, usada principalmente para cortar carne. O que nos passa a ideia de separar em partes distintas. Usando as Escrituras, nós podemos separar o que vem do espírito do que vem da alma.


Um exemplo bem claro e que mostra que até Jesus possuía uma vontade diferente da vontade de Deus, no entanto, sem ser pecado, está no evangelho de João:
"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (João 6:38)
Nesta passagem das Escrituras, Jesus deixa claro que Ele tinha uma vontade própria, mas que não era a vontade do Pai. Em outra ocasião, isto também fica evidente:
"E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres." (Mateus 26:39)
Pelas Escrituras e pelo Espírito Santo, Jesus sabia exatamente qual era a vontade do Pai: Ele precisaria morrer crucificado para, assim, levar nossos pecados e nos libertar do poder das trevas. No entanto, qualquer pessoa normal não gostaria de morrer daquela forma - crucificado - uma condenação dolorosa e humilhante (o crucificado morria agonizando, nu, publicamente exposto).

Deus colocou em nós o instinto de sobrevivência, nós temos a tendência natural de fugirmos da dor, da humilhação, etc. Era perfeitamente compreensível Jesus desejar não passar por aquilo. Contudo, Ele sabia ser a vontade do Pai, e, assim, se submete até a morte.

Entendo que, naquele momento, era a alma de Jesus que gostaria de, se possível, evitar ter que levar sobre si todos os pecados da humanidade. Ora, Jesus não desejava as "obras do corpo", pois Ele não tinha pecado. Talvez nosso Senhor desejasse casar, ter filhos, ter um emprego, ou seja, coisas que não são pecado, mas que não eram a vontade do Pai pra Jesus.

Entendendo o termo "alma"


É muito comum as pessoas fazerem confusão no que diz respeito ao significado do termo "alma", pois geralmente esta palavra é usada como sinônimo de "espírito". Lembro que na época de minha conversão, eu usava os termos "espírito" e "alma" com o mesmo sentido, e já vi pessoas fazendo o mesmo, inclusive cristãos.

Contudo, dentro do contexto bíblico, a palavra grega psyquê, que é traduzida como "alma", tem um sentido diferente de "espírito". Como já expliquei anteriormente, a alma compreende nosso intelecto e emoções. A alma é moldada pelo que aprendemos ao longo de nossas vidas, formando o que é conhecido como "cosmovisão", ou seja, é a forma como entendemos o mundo ao nosso redor, nossa percepção do mundo.

Um breve testemunho


Gostaria de ilustrar esta diferença entre os desejos da alma versus os desejos do espírito com um testemunho ocorrido logo no início da minha fé.

Como expliquei no início deste texto, entrei no curso de Engenharia Civil por uma indicação de meu tio, no entanto, após minha conversão (e mesmo um pouco antes dela), eu já havia me desgostado daquele curso, e desejava abandoná-lo.

Quando me converti e comecei a conhecer todo um mundo novo que já existia mas que me era desconhecido, comecei a desenvolver eu meu coração o desejo de me aprofundar mais e mais na Bíblia e de me dedicar ao trabalho missionário. Assim sendo, decidi abandonar a faculdade e partir para missões.

Apesar dos protestos da minha família, propus em meu coração trancar o curso de engenharia e me dedicar ao estudo teológico, e talvez, assumir alguma congregação no interior do estado do RN, onde eu moro. Acreditava que esta era a vontade de Deus.

Um certo dia, fui até a reitoria para solicitar o trancamento e fui surpreendido com a informação de que eu não poderia trancar o curso, pois estava devendo livros à Biblioteca. Me foi passada lista de livros, os quais eu encontrei e devolvi no dia seguinte. Só que, devido aos vários anos de atraso, fiquei com uma multa enorme que precisaria pagar para poder trancar o curso.

Esta situação me deixou abalado em minhas ideias, pois acreditava que Deus queria que eu me dedicasse à sua obra.

Naquele mesmo dia, à noite, estava em uma aula na UFRN, enquanto me questionava o porquê eu não havia conseguido trancar o curso e como faria para prosseguir com meus planos. Enquanto pensava nisso, durante a aula (estava absorto em meus pensamentos e não prestava atenção ao que o professor dizia), ouvi uma voz interior falar "Eu vou fazer de você um grande engenheiro, quero que termine o curso".

Senti que era Deus falando comigo, e aquilo me deixou muito surpreso, pois não era o que eu entendia. Finalmente, pude compreender que realmente era a vontade de Deus que eu estivesse ali, e que precisaria me dedicar. Assim, prossegui com o curso, tendo concluído Engenharia Civil no ano de 2001.

Conclusão


Podemos resumir a questão da seguinte forma:

  1. A vontade da minha alma era largar a faculdade e me dedicar à obra de Deus de forma integral (veja que não há nada de pecado nisto).
  2. No entanto, não era a vontade de Deus para mim naquele momento.
  3. A Palavra de Deus veio ao meu coração, e pude entender que, apesar de ser um desejo piedoso, não era a vontade de Deus.
  4. Meu espírito sabia disto, pois nosso espírito recebe diretamente do Espírito Santo, no entanto, minha alma (intelecto) não sabia.
Coisas como esta que testemunhei já aconteceram diversas vezes comigo, e, muitas vezes, é necessário dedicar tempo em oração e jejum para podermos receber o entendimento da perfeita vontade de Deus para nós.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 17 de dezembro de 2017

Espírito, Alma e Corpo - Parte 4 - Os Estados da Matéria



Compreender o assunto "espírito, alma e corpo" não é tão simples pelo fato de nossa mente precisar formar imagens mentais para poder entender as coisas. Como veremos no futuro, a mente natural não pode compreender as coisas espirituais, assim, precisamos lançar mão de figuras para ajudar ao nosso intelecto a assimilar as verdades bíblicas no que diz respeito ao mundo espiritual.

Uma das figuras que me ajudou a entender a relação entre as três partes do homem foi usar os estados da matéria: sólido, líquido e gasoso. Na Ciência atual, temos outros estados (ou fases) da matéria - o "plasma", por exemplo - que irei desconsiderar aqui, por não terem relação direta com o que quero demonstrar.

Lembrando que isto é apenas um recurso para formarmos uma imagem mental que nos ajuda a entender, não sendo a realidade das coisas. O uso de imagens mentais é amplamente usado nas Escrituras, tanto no Velho como no Novo Testamento, a exemplo das parábolas de Jesus. Espero que possa ajudar você em sua compreensão deste assunto.

Estado Gasoso: o espírito


Uma das caraterísticas do estado gasoso da matéria (vamos usar principalmente a água para exemplificar) é que ele possui um volume variável, ou seja, o gás irá tentar ocupar todo o espaço onde for liberado. Esta característica nos remete ao espírito.

Ora, a palavra traduzida na Bíblia por "espírito" quer dizer exatamente "vento", ou seja, algo que se está no "estado gasoso". Vejamos o significado das palavras usadas, de acordo com o dicionário bíblico de Strong:
  • No VT, temos a palavra hebraica "ruach": vento, por semelhança respiração; figurativamente vida, raiva, não-substancialidade (...)
  • No NT, é usada a palavra grega "pneuma": corrente de ar, isto é, respiração ou uma brisa (...)

Assim, podemos concluir que usar o estado gasoso para para fins de comparação com o espírito (humano ou outros) é algo bastante razoável.


Estado Líquido: a alma


Já o estado líquido (no nosso exemplo, a água) remete à alma, pois nossa alma é moldável (Romanos 12:2), desta forma, podemos aprender e sermos moldados para agirmos conforme o Reino de Deus, assim como o inimigo molda o entendimento do homem para agir de forma maligna.

Na natureza, a água em estado gasoso desce dos céus na forma de chuva, é o chamado "ciclo da água". Assim também, a partir do mundo espiritual vem o conhecimento e a sabedoria para dentro de nossas almas. Dependendo da fonte espiritual de onde bebemos, a nossa alma irá refletir correspondentemente. Se bebemos do Reino de Deus, nossa alma será cheia do conhecimento do Senhor, mas se bebermos da fonte do mundo, teremos nosso entendimento obscurecido.

A própria Palavra de Deus é, também, comparada à água (Efésios 5:26), pois é um conhecimento que purifica nossa alma, limpando nosso entendimento. Assim, esta renovação do nosso homem interior irá se refletir através de nosso corpo em atitudes de bondade, justiça e verdade.

Estado Sólido: o corpo


O corpo é nossa parte física e é até lógico nós o compararmos com o estado sólido. Assim também, nossa alma irá produzir ações através de nossos corpos. Na ilustração que vou usar, vamos comparar nossos corpos a vasilhas (copos). Assim, poderemos ver como está nossa alma (no caso, a água) através dos corpos (o copo).


A principal característica do estado sólido é sua rigidez. No caso da água, por exemplo, após a solidificação, ela se transforma em gelo, que é rígido, sendo que, pra poder ser "moldado" após a solidificação, só se for quebrado.

Assim, os costumes do corpo, adquiridos após anos afastados do Senhor, são difíceis de mudar, sendo necessário quebrantamento (através do arrependimento e afastamento das situações que nos levam a pecar). Ainda assim, nas áreas onde fomos muito expostos ao pecado, sempre será necessário vigilância:
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca." (Marcos 14:38)
"Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este mesmo pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;" (1 Pedro 4:1)
Vamos meditar mais nestas coisas quando estudarmos sobre o corpo. Por enquanto, use esta ilustração apenas para formar uma ideia na sua mente sobre isto.

O Pecado de Adão


Quando Adão cometeu pecado, ocorreu a morte do espírito humano. No entanto, quando se trata do reino espiritual, morte não significa deixar de existir, mas sim, ser lançado em um lugar de trevas, onde não há a presença de Deus. Claro que Ele está ciente do que ocorre lá, mas não está em comunhão com as trevas.

Quando o Senhor falou a Adão para não comer da árvore, Ele disse que no exato dia em que o homem comesse, ele morreria:
"E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:16,17)
Em Gênesis 3:6, o homem e sua mulher comem do fruto desta árvore, cedendo à tentação da serpente. No entanto, aparentemente, eles não morreram como o Senhor havia falado. Mas o que aconteceu, então?

Quando Deus advertiu Adão sobre as consequências da desobediência, Ele falava sobre a morte do espírito humano, pois ao lermos esta passagem da queda, vemos que Adão continuou raciocinado (sua alma continuava viva), e ele percebeu que estava nu (seu corpo estava vivo), e foi esconder-se.

Ao passear no Jardim do Éden, pela viração do dia, Deus faz a mais triste pergunta que tenho notícia:
"E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?" (Gênesis 3:9)
Sendo Deus onisciente, será que Ele não sabia onde estava Adão? Com certeza sim. No entanto, Deus não falava para o homem-alma, nem o homem-corpo, mas sim para o homem-espírito, à imagem de Deus, e que já não estava mais ali!

O Lugar de Morte


Aqui neste mundo físico, morte significa o fim da existência, mas quando se trata do mundo espiritual, a morte é um lugar e não significa que o espírito deixa de existir. No reino espiritual, tudo é eterno.

Para demonstrar isto, quero compartilhar um verso maravilhoso das Escrituras que mostra o seguinte: através de Sua morte, Jesus teve acesso a este lugar, e inclusive, está com a chave dele:
"E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno." (Apocalipse 1:18)
Observe que são dois lugares diferentes: a morte é um lugar onde estão aqueles que estão vivos no corpo, mas espiritualmente separados de Deus.
"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados." (Efésios 2:1)
Obviamente, o verso acima não se refere à alma, nem ao corpo, mas ao espírito, já que uma pessoa que esteja fisicamente morta não conseguirá nem ao menos pecar.

Já o inferno é um lugar (também separado de Deus) para onde vão os que morrem. Esta mesma palavra grega ("hades") é usada quando Jesus fala sobre o Rico e Lázaro (Lucas 16:23).

Quando Adão desobedeceu a Deus e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, o seu espírito foi lançado neste lugar de morte. Ora, neste lugar de morte, satanás obteve domínio sobre o homem para agir através do espírito caído de Adão.
"E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;" (Hebreus 2:14)

Como o mundo espiritual influencia o físico


Agora, vamos usar esta "parábola" que trouxe no início, onde o espírito é representado pelo vapor d'água, a água (líquida) representa a alma e o copo representa o corpo. Pois bem, quando Adão foi criado ele era santo em todos os aspectos: espírito, alma e corpo, no entanto, após pecar, seu espírito morreu, ou seja, caiu em um lugar espiritual separado da comunhão com o Pai.

Assim, o diabo começou a influenciar o homem e, gradativamente, a alma humana foi se corrompendo, corrupção esta que se traduzia em obras mortas tais como poligamia, homicídios, etc., até ao ponto onde toda alma do homem foi contaminada e seus pensamentos eram somente maldosos:
"E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente." (Gênesis 6:5)
Podemos ver este processo de sujeira na alma humana usando nossa ilustração com os copos:

É importante ressaltar que a degradação moral da raça humana não foi instantânea, levou-se mais de mil anos até chegar ao ponto descrito em Gênesis 6:5 citado acima. Adão não se tornou pervertido sexualmente ou assassino assim, da noite para o dia. De fato, lendo as Escrituras, vemos uma degradação que se intensificava a cada nova geração.

Vídeo explicativo


Veja, abaixo, um vídeo com esta mesma aula, onde eu uso alguns elementos para demonstrar esta ilustração que expliquei acima:



Que a graça e a paz do Senhor seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Espírito, Alma e Corpo - Parte 3 - A Criação do Homem



Nós não somos seres tão simples de serem compreendidos. Não é à toa que a Escritura Sagrada nos revela que fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Nesta terceira parte de nosso estudo, gostaria de falar um pouco sobre como foi o processo de criação do homem e também como funciona o processo de salvação.

Vamos voltar ao nosso versículo chave, para trazer à memória esta importante verdade:
"E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:23)
Assim como o homem é formado de três partes separadas, assim também, a salvação é um processo separado, ou seja, cada uma das partes do homem é salva em momentos diferentes, ou melhor dizendo, em diferentes etapas.

Antes de mais nada, vamos estudar a forma como o homem foi gerado.

A Imagem de Deus


Anteriormente, no texto passado, vimos que fomos criados à semelhança de Deus, ou seja, assim como Deus é formado por três "partes" diferentes - o Pai, o Filho e o Espírito Santo -, assim também, o homem foi criado com estas três partes: o espírito, a alma e o corpo. Quando falo "partes" não tenho a intenção de desrespeitar a Pessoa Divina de forma alguma, mas sim de mostrar que há um tipo de divisão de personalidade e vimos que o o homem também possui esta divisão.

No entanto, a Escritura usa uma outra palavra para descrever as características do homem quando Deus nos criou, pois, além da palavra "semelhança", e até mesmo antes dela, é usada a palavra "imagem". Vejamos:
"E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." (Gênesis 1:27)
Particularmente, creio que neste momento, Deus criou apenas o espírito do homem, pois o seu corpo e alma só foram criados em Gênesis 2:7, e isto após os céus e a terra haverem sido concluídos.

Vamos examinar o significado da palavra hebraica traduzida como "imagem". A palavra é tselem, que, segundo o dicionário bíblico de Strong, significa:
  • De uma raiz não utilizada significando "projetar uma sombra"; um fantasma, isto é, (figurativamente) ilusão, semelhança; desta forma uma imagem/figura representativa (de alguma coisa), especialmente um ídolo.
Ora, no versículo 26, o Senhor falou que iria criar o homem à Sua imagem, e conforme à Sua semelhança, no entanto, no verso 27, Deus criou apenas a imagem. Vejamos o que significa a "imagem" de Deus. Confira os versículos seguintes:
"Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,
A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa..."
(Hebreus 1:1-3)
Vemos, pela revelação do Novo Testamento, que a imagem exata de Deus está no Filho. Ocorre que o Filho de Deus é um Espírito. Ele já existia antes de se tornar homem, de acordo com o evangelho de João:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
(...)
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós..."
(João 1:1, 14)
Cristo, o Espírito, já existia antes de se tornar um homem. O Filho é a exata imagem do Pai, inclusive, conforme já vimos anteriormente, é a função do Filho revelar quem é o Pai. E Deus é Espírito, e Sua imagem também é espírito.

Assim, quando a Palavra de Deus fala que o homem seria feito à imagem de Deus, significa que o homem carregaria em si mesmo esta imagem. A imagem de Deus não está no intelecto nem no corpo do homem, mas sim no seu espírito. O nosso espírito foi criado para ser uma "projeção", "reflexo" ou "imagem" de Deus.

Quando o homem pecou, perdeu esta imagem, e seu espírito se tornou trevas. O primeiro passo do trabalho de Jesus Cristo foi exatamente restaurar esta imagem no homem, ou seja, Deus restitui ao homem um novo espírito:
"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Coríntios 5:17)
Não é difícil de saber que quando uma pessoa se converte a Cristo, o corpo dela permanece do mesmo jeito que era. Já o intelecto - sua alma - começa a sofrer um processo lento de transformação, que começa naquele momento, mas que irá durar toda a vida. Contudo, o espírito é instantaneamente transformado. Se não fosse assim, este versículo seria uma mentira!

A Criação do Corpo e da Alma Humana


Após toda a criação ter sido concluída, o Senhor prepara o corpo do homem. Era necessário que o homem tivesse um corpo físico, intimamente ligado à terra, a fim de poder exercer domínio recebido pelo Senhor. Assim, o Senhor forma o corpo do homem do pó da terra:
"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente." (Gênesis 2:7)
Uma coisa bem interessante é que a palavra usada quando o Senhor criou o corpo humano é diferente da palavra usada quando Deus criou o espírito (em Gênesis 1:27).

Em Gênesis 1:27, falando da criação do espírito do homem, é usada a palavra hebraica barah, que foi a mesma usada em Gênesis 1:1, quando Deus cria tudo a partir do nada. Já quando cria o corpo do homem, é usada a palavra yatsar que quer dizer "moldar", como quem molda um vaso de barro.

Agora, tínhamos um espírito e um corpo, no entanto, faltava um elemento de ligação entre eles. Este elemento é a "alma", que, em hebraico, é nefesh, e em grego é uma palavra bem conhecida nossa: psikê (de onde tiramos palavras como "psicologia" ou "psiquiatria"). Ambas palavras possuem o sentido de fôlego de vida, sendo traduzidas, em geral, como "alma".

Ainda vamos estudar cada uma destas partes do ser humano detalhadamente, contudo, entendo ser importante fazermos um resumo sobre cada uma delas antes de prosseguirmos para os próximos textos.

Resumindo "espírito, alma e corpo"


O espírito


Nosso espírito foi criado como imagem de Deus. Deus é espírito e está em um plano superior, que chamamos de Céu. Nosso espírito é assim como Deus: pertence a este plano superior, que não se sujeita às leis físicas, é eterno, tem ciência de todas as coisas e se comunica diretamente com Deus e com outros espíritos.

A princípio, nosso espírito refletia o Filho de Deus, tendo a mesma natureza de amor, alegria, paz, benignidade, etc. No entanto, após o pecado, o espírito humano caiu em trevas e se tornou semelhante aos anjos caídos.

O corpo


O corpo do homem é vivo, inteligente, capaz, não é uma máquina como se fosse um robô, ele possui vontades próprias. O corpo executa diversas funções orgânicas das quais não temos controle (por exemplo, batimentos cardíacos, digestão dos alimentos, etc), algumas temos um controle parcial (por exemplo, nossa respiração), e outras que temos mais controle (comer, beber, correr, etc.).

O corpo humano é extremamente adaptável, ou seja, ele é ensinável e treinável (não sei se esta palavra existe, mas creio que você entendeu). Nosso corpo desenvolve hábitos de forma que reagimos automaticamente diante de certos eventos.

Após o pecado, o corpo humano caiu debaixo de maldição e começou a envelhecer. A princípio, a idade média do homem era de quase mil anos (Gênesis 5), mas ao final do livro de Gênesis, vemos esta expectativa de vida cair para pouco mais de 100 anos - José morreu com 110 anos.

Isto mostra que o efeito do pecado no homem foi se estabelecendo (frutificando) ao longo do tempo, e não foi de forma instantânea. Gradativamente, través de seu corpo, o homem começou a se tornar terrivelmente maligno, pois começou a manifestar em si a sua natureza espiritual maligna, após a queda sofrida.

A alma


Talvez a parte mais crítica de nossa "trilogia" seja exatamente a alma! Vamos falar um pouco nela agora.

A nossa alma é o que a Bíblia chama de "homem interior" (Romanos 7:22, Efésios 3:16, 2 Coríntios 4:16). É na alma que encontramos o "entendimento", onde nós compreendemos as coisas.
"Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras." (Lucas 24:45)
A alma é o elo de ligação entre o mundo espiritual e o mundo físico. Para que o homem-espírito pudesse dominar sobre o mundo físico, ele precisou do homem-corpo. No entanto, um espírito vive em uma realidade diferente da realidade física, assim a alma entra em ação a fim de fazer com que a realidade espiritual seja traduzida em ações na realidade material.

No caso de Adão, ele foi criado com uma alma já pronta, com capacidade de se expressar como um adulto. Eva demonstra ter recebido também esta alma completa, apesar de não terem todo o conhecimento, pois a tentação que veio sobre eles foi exatamente nisso, ou seja, o diabo ofereceu um caminho "rápido" para eles obterem conhecimento.
"E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; (...)" (Gênesis 3:6)
Creio que o plano original era que o homem fosse descobrindo a criação do Senhor, vendo as maravilhas criadas e, antes de tudo, conversando e tendo comunhão com o Pai, de forma a crescer em conhecimento e sabedoria.

Não se preocupe se você ainda tem dúvidas sobre estas três partes da nossa formação, pois serão tratadas detalhadamente nos textos futuros, no momento, é só para você ter uma ideia geral sobre elas.

A separação entre as partes do homem é tão forte que a própria salvação é feita em três etapas bem distintas. Vamos estudar isto a partir de agora.

O Processo de Salvação


A salvação do homem foi dividida em 3 etapas distintas, ou "fases" distintas. Vamos compreender um pouco sobre elas.

A primeira etapa é a salvação do espírito humano. Jesus falou sobre isso com o líder judeu Nicodemos. Vejamos parte deste diálogo:
"E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus."
(João 3:1-3)
Jesus mostra que, antes de mais nada, ou seja, antes de Nicodemos começar a entender as coisas do Reino de Deus, era necessário ele receber um espírito novo! A promessa de salvação do espírito humano já era anterior ao Novo Testamento.
"E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne." (Ezequiel 36:26)
Nosso Senhor trouxe esta realidade da salvação do espírito (bem como das outras "partes") através de Sua morte e ressurreição, no entanto, para que possamos compreendê-la, é necessário experimentá-la. Falaremos mais sobre o espírito quando tratarmos apenas dele.

Após nosso espírito ser salvo, quando aceitamos a Jesus como Senhor sobre nossas vidas, a segunda fase da salvação é iniciada: a salvação da alma. Como já disse anteriormente, é na alma que está nosso entendimento, nossa forma de ver a vida (chamada de "cosmovisão").

Para que a nova vida que Deus nos dá (nosso novo espírito) possa se manifestar através de nossos corpos, é necessário uma troca na alma. Nosso antigo "eu" vivia longe de Deus, e, desta forma, desenvolveu ideias, conceitos, desejos errados. A mudança do espírito é instantânea, mas na alma não.

Para que a alma mude e vá, gradativamente, sendo transformada, é necessário um processo que conhecemos como "santificação". Este processo é lento e depende de nosso esforço em empreendê-lo. Deus nos disponibiliza Sua Palavra e o Seu Espírito, no entanto, depende de nós usarmos estas ferramentas para sermos transformados. Irei detalhar bem esta parte com bastante atenção, tendo em vista que é esta a fase na qual estamos hoje (isto se você é cristão nascido de novo).

"De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor;" (Filipenses 2:12)
A palavra grega traduzida como "operar" vem do grego katergazomai, que significa:
  1. executar, completar, atingir
  2. exercitar, i.e. fazer aquilo da qual algo resulta
    - de coisas: promover, resultar em
  3. modelar, i.e. tornar algo apropriado (para algum uso)
Assim, vemos que será necessário este trabalho a fim de que a salvação do nosso espírito se traduza em uma mudança real de caráter, que, por sua vez, nos levará a agir em santidade.

A última etapa da salvação do homem acontecerá na ressurreição final. Ali, os que estiverem vivos terão os corpos transformados, e os que já morreram ressurgirão do pó.
"Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." (1 Coríntios 15:52)
Nossos corpos mortais e limitados serão transformados em corpos espirituais, poderosos, gloriosos e eternos. Nunca mais adoeceremos, e o pecado, a morte, o diabo, o mundo caído passarão. Com isto, a salvação completa do homem será finalizada: espírito, alma e corpo estarão perfeitos e reunidos para sempre.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Espírito, Alma e Corpo - Parte 2 - A Trindade



Quando eu era criança, ouvia falar sobre a Trindade, em que o Deus cristão era dito ser formado de três pessoas em uma só. No entanto, ninguém me explicava sobre como isso poderia ser, apenas diziam que isso era um "mistério incompreensível."

Quando me converti a Cristo, em maio de 1995, já na igreja evangélica, passei a ouvir algumas explicações para este fato, bem como diversos versículos que mostravam a doutrina da Trindade na Bíblia. Ainda assim, não compreendia a necessidade de Deus ser três Pessoas se Ele poderia ser apenas uma como nós somos, e isto não me parecia lógico.

Bem, o que isto tem haver com o tema deste estudo, já que se refere às três partes do ser humano: espírito, alma e corpo? O que a doutrina da Trindade tem haver com isto?

Na verdade, tem tudo haver! O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Portanto, se Deus é, digamos, formado por três partes (pessoas), nós também somos. Se quisermos compreender a nós mesmos, precisamos olhar para Aquele que nos originou: Deus!

Pai, Filho e Espírito Santo


Certa vez, minha esposa conversava comigo e me contou como ela entendia que Jesus era o Pai, e vice versa. Alguém da igreja havia perguntado a ela, e ela respondeu como entendia. Tive que mostrar a ela algumas passagens bíblicas que ela achava serem "figuradas".

Precisamos ter cuidado com o que dizemos ser "figurado" na Bíblia. De fato, existem coisas que são figuradas mas as figuras usadas nas Escrituras precisam estar claramente definidas como sendo "figuradas", caso contrário, você poderá estar caindo em sérios erros de entendimento.

Os exemplos mais claros são as parábolas de Jesus. Cristo tomava elementos do cotidiano das pessoas da época e os usava para ensinar lições espirituais. Geralmente, o próprio Cristo explicava o sentido da parábola, ou este era compreendido em outras passagens do Novo Testamento.

Aliás, precisamos entender esta regra básica de interpretação bíblica:
  1. O Novo Testamento explica o Antigo.
  2. As epístolas explicam os evangelhos.
Com relação à doutrina da Trindade, como este estudo não se refere a ela, não dedicarei muito tempo tentando provar a sua biblicidade, mas sim, apenas mostrar que as 3 Pessoas estão presentes ao longo das Escrituras, e mais claramente vistas no Novo Testamento.

Vejamos uma passagem bíblica que mostra a Trindade de forma claramente separada:
"E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.
E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo."
(Mateus 3:16,17)
O próprio Pai dá testemunho do Filho enquanto que o Espírito Santo desce em forma corpórea de pomba sobre Jesus. Outra ocorrência clara da Trindade está na fórmula do batismo ordenada por Jesus:
"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;" (Mateus 28:19)
Além disso, existem muitas passagens bíblicas que mostram a Trindade ao longo da Bíblia, e não vou me deter nisso. Vamos, agora, examinar qual o papel de cada uma das Pessoas da Trindade.

O Papel de Cada Pessoa

O Pai é a origem de todas as coisas, Ele é a fonte, ou seja, o "pai" (origem) de tudo. O próprio Filho e o Espírito procedem d'Ele (João 8:42, 1 Coríntios 2:12). O Pai é invisível, tendo Seu caráter revelado pelo Filho, que é o resplendor da Sua Glória:
"O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa..." (Hebreus 1:3)
"O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;" (Colossenses 1:15)
"Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém." (1 Timóteo 1:17)
O Pai revela quem Ele é através do Filho. E o Espírito Santo?

O Espírito Santo é a Pessoa da Trindade que opera a vontade do Pai, ou seja, Ele é o executor. Por exemplo: quem executa a nossa salvação nos regenerando (gerando de novo) é o Espírito Santo:
"Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo..." (Tito 3:5)
Agora, observe estas duas passagens bíblicas:
"Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus." (Mateus 12:28)
"Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus." (Lucas 11:20)
Elas são duas descrições da mesma ocorrência, feita pelos dois evangelistas Mateus e Lucas. Não são contradições, pelo contrário, elas se auto complementam: o Espírito de Deus é o "dedo de Deus"! Ou seja, o Espírito Santo é como se fosse o "corpo" de Deus. Era o Espírito de Deus que se movia sobre a face das águas, aguardando a Palavra de Deus (o Filho) ser dita a fim de executá-la:
"No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz."
(Gênesis 1:1-3)
É o Espírito Santo quem nos cria e dá vida, executando, assim, a vontade do Pai:
"O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida." (Jó 33:4)

São a Mesma Pessoa?

O Pai e o Filho não são a mesma pessoa, pois se isto fosse verdade, Jesus estaria mentindo quando falou que o Pai deu testemunho do Filho:
"Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou." (João 8:18)
Ora, qualquer tribunal justo jamais aceitaria que o testemunho de uma pessoa contasse duas vezes. Imagine que eu fosse acusado de um crime, então, eu declaro que sou inocente de tal acusação. Posteriormente, as testemunhas são chamadas para confirmarem ou negarem o que eu falei. Daí, eu vou lá e entro de novo para testemunhar me fazendo passar por outra pessoa. Será que este testemunho seria aceito? Claro que não! O próprio Jesus afirmou...
"Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro." (João 5:31)
Se o Pai testifica do Filho é porque são duas Pessoas diferentes, inclusive, elas poderiam (teoricamente) se negarem mutuamente. Obviamente, o Filho se submete ao Pai em amor, e a Trindade vive em unidade perfeita.

Mas sobre o Espírito Santo? Muitos acham que o termo "Espírito de Cristo" significa que são a mesma pessoa. Vamos verificar isto.

Vejamos, novamente, a Trindade se relacionando entre Si. Nesta passagem, Jesus fala com o Pai (veja como são 2 Pessoas diferentes), e o Pai atenderia a oração do Filho enviando uma 3ª Pessoa:
"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;" (João 14:16)
O termo grego traduzido aqui como "consolador" é parákletos que se referia a alguém influente que dava assistência a alguma pessoa que sofria algum processo perante um juiz. Além do advogado, a pessoa também podia contar com uma outra a fim de ajudá-la, consolando-a e assistindo-a de forma a vencer no julgamento.

Além disso, notamos claramente a palavra "outro", que mostra que Jesus iria embora para estar ao lado do Pai intercedendo por nós, mas que enviaria uma Outra Pessoa, o Espírito Santo, a fim de executar aqui na Terra a vontade do Pai através da Igreja.

Criados à Semelhança de Deus

É interessante como a igreja, em geral, compreende um pouco sobre a Trindade, mas não entende qual a relação que existe com o homem. Contudo, o livro de Gênesis nos traz uma impressionante revelação sobre a semelhança entre Deus e o homem:
"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; (...)" (Gênesis 1:26)
Há duas palavras aqui usadas para mostrar a similitude entre nós e o nosso Criador: imagem e semelhança. Posteriormente, falarei sobre o termo "imagem", mas agora quero explicar o que significa termos sido criados conforme a semelhança de Deus.

Logo mais à frente, no livro de Gênesis, vemos novamente esta palavra "semelhança" (do hebraico "demuth") sendo usada novamente:
"Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez.
(...)
E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete."
(Gênesis 5:1,3)
É muito interessante ver esta mesma expressão ser usada quando Adão teve seu filho Sete. Isto mostra que quando Deus pensou em criar o homem, Ele desejava ter um filho, ou melhor, muitos filhos. Este era o plano desde o início!

Como compreender um Deus tão grandioso e maravilhoso como o nosso Criador?
"A quem, pois, fareis semelhante a Deus, ou com que o comparareis?" (Isaías 40:18)
No verso acima, onde foi traduzido como "com que o comparareis", originalmente diz: "Que semelhança  (hebraico "demuth") O compararemos". A mesma palavra é utilizada na grande pergunta que nossos corações anelam saber: QUEM Deus é e COMO Ele é.

Sobre QUEM Deus é, temos a seguinte resposta: Cristo, o Filho, é que nos revela o caráter de Deus. Cristo é um ser espiritual, assim como o Pai. De fato, hoje, Cristo - o Filho - habita em um corpo de homem, mas não deixa de ser um "espírito". Este Filho deveria habitar no espírito do homem para que nós manifestássemos à imagem de Deus, Seu caráter de amor, alegria, paz, etc.

Sobre COMO Deus é. Para que a Criação pudesse compreender o Seu Criador, Ele projeta o homem, um ser criado neste mesmo modelo: 3 pessoas em uma.

Conclusão

Assim como Deus, os homens foram criados como se fossem 3 pessoas diferentes: o espírito, a alma e o corpo possuem, cada um deles, vontades separadas, e que podem ser diferentes, principalmente agora, na situação onde nos encontramos. Nosso corpo possui vontades que são contrárias às vontades do nosso espírito (Gálatas 5:17). Não apenas isto, mas nossa alma também pode ter uma vontade diferente, tanto do corpo como do espírito.

Então, vemos que o pecado maculou a imagem de Deus no homem, tornando-o um ser maligno, mas Jesus restaura o nosso espírito, permitindo que o Filho volte a habitar em nosso espírito. Agora, gradativamente, nossa alma vai sendo transformada para que possa entender a realidade espiritual, de forma a podermos andar (levar nosso corpo a agir) pelo espírito.

Que a paz do Senhor seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

Não estejam inquietos por coisa alguma

Imagem 1: a ansiedade tem atingido boa parte da população. Viver uma vida sem preocupações e inquietações é praticamente uma utopia nos dias...