quarta-feira, 11 de abril de 2018

Acessando a Graça pela Fé



A Palavra nos diz pra não nos desviarmos nem para a esquerda, nem para a direita, não é? Isto mostra que existe um equilíbrio entre tudo o que a Bíblia ensina. Muitas pessoas acham que Deus é "soberano"... e isso eu concordo, desde que seja respeitada a definição da palavra "soberania".

Por exemplo, o Brasil é soberano perante as demais nações, isso significa que ele decidirá seus assuntos sem ter que estar submisso a um outro país ou pessoa. Um rei é um soberano em um país, ou seja, não existe ninguém acima dele em termos de autoridade.

Assim sendo, Deus é sim "soberano", desde que esta definição da palavra seja respeitada, mas quando se diz que "tudo o que acontece no mundo é porque Deus quer, já que ele é soberano" se está extrapolando o conceito de "soberania". Assim como nem tudo o que acontece dentro do Brasil está de acordo com as leis brasileiras, assim também, nem tudo o que acontece neste mundo está de acordo com a vontade de Deus.

De fato, ocorre exatamente o contrário, pois este mundo jaz no maligno e a vontade de Deus não ocorre aqui de forma automática. É necessário buscar tal vontade, e há um esforço para que ela se manifeste aqui. Uma das principais áreas onde precisamos fazer este esforço é exatamente exercer nossa fé na oração, a fim de que "a vontade de Deus seja feita aqui na terra como é feita no Céu".

Assim sendo, crer que Deus fará a vontade d'Ele independentemente de nossa fé é algo que nos levará ao comodismo, pois acreditaremos que nossas orações serão apenas "palavras vãs", já que Deus fará o que Ele quiser e ponto final.

Digamos que este é um "desvio para a direita", pois assim pensando, a pessoa não terá interesse em exercer sua fé em nenhuma situação, por acreditar que Deus fará o que for a Sua vontade, e nada do que você fizer vai mudar isso.

Vamos, agora, entender que existe uma outra distorção, ou seja, um "desvio para a esquerda"!

Existem outros cristãos que afirmam que, através da nossa fé, nós geramos realidades espirituais, pois "movemos o braço de Deus". Tais ensinamentos são no sentido de que, quando andamos em fé, podemos gerar qualquer coisa que quisermos, pois:
"Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê." (Marcos 9:23)
É comum tais pessoas usarem o Velho Testamento, naquela ocasião em que Jacó lutou com o anjo, para afirmarem que é necessário "lutar com Deus", em oração, para que Ele te abençoe.

EUGENE DELACROIX, 798 - 863: Jacob wrestling with the Angel. Chapel of the Holy Angels, St Sulpice, Paris.


Além desta ocasião, algumas outras passagens bíblicas, tais como "a parábola do juiz iníquo" (Lucas 18:1-8) e a "parábola do amigo importuno" (Lucas 11.5-8) são retiradas de seu contexto e usadas para se ensinar que precisaremos "dobrar" a vontade de Deus através da nossa insistência em oração.

Isto traz sobre nós uma carga muito pesada, pois vencer Deus não é algo que podemos chamar de "fácil". Existe um equilíbrio no Novo Testamento, onde é necessário exercer fé, não para "forçar" Deus a fazer o que se está pedindo, mas para acessar o que Ele, pela Sua graça, já proveu para nós em Cristo!

A Fé do Novo Testamento


Mas o que realmente significa "fé", dentro do contexto da Nova Aliança? O que ela produz, se é que produz alguma coisa?

Bem, se olharmos o conceito de fé, veremos que a fé é como que os nossos "olhos espirituais", os quais permitem que possamos enxergar algo invisível mas real.
"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem." (Hebreus 11:1)
A fé permite que acessemos o que já foi preparado por Deus para nós, mas ela não gera nada "novo", apenas dá acesso que já está pronto no âmbito do espírito.
"Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus." (Romanos 5:2)
Desta forma, não temos como gerar nada nas regiões celestiais por meio da fé, como que forçando Deus a agir em resposta à nossa fé. Deus não age em resposta à nossa fé, mas sim, nós, pela fé, acessamos o que Ele já preparou para nós.

Mas você pode dizer: "a Bíblia diz que a fé pode remover montanhas"...

Ocorre que, através da fé, aquilo que Deus já prometeu e nos deu em Cristo vem a se tornar realidade material. Neste sentido, podemos dizer que a fé gera realidades materiais, pois libera o poder de Deus que já nos foi dado e que está "sobre nós" e "em nós".
"E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder." (Efésios 1:19)
"Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera." (Efésios 3:20)

A primeira parte do livro de Efésios traz as revelações sobre tudo o que Deus já fez em Cristo, e por isso, boa parte dos verbos estão no pretérito ou no presente, pois falam de coisas que já aconteceram.
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;" (Efésios 1:3)
As bênçãos, apesar de serem algo imaterial, possuem o poder de gerar coisas materiais. Então, isto mostra que toda a provisão que Deus preparou para nós já está disponível em Cristo, no âmbito do espírito. A nossa fé servirá de acesso para que tais bênçãos se manifestem no mundo físico através da Lei da Semeadura: semeamos no reino espiritual e este reino se manifestará no mundo material.

Entender que, em Cristo, Deus já nos abençoou plenamente tira um peso de nossos ombros, pois tentar forçar Deus a fazer alguma coisa e nos abençoar (lutar com Deus) não é uma coisa fácil. Muitos crentes estão cansados e fatigados pois estão tentando lutar com Deus para que Ele os abençoe!

Em Cristo, as Promessas são SIM


Deus estabeleceu o caminho da fé para que pudéssemos receber tudo o que Ele, em Sua misericórdia, preparou para nós. Todos os pecados do mundo, em todas as épocas, já foram pagos em Cristo.
"E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." (1 João 2:2)

Infelizmente, por mais que os pecados da humanidade já tenham sido pagos, esta graça só é acessada através da fé. A fé é nossa resposta à verdade da Palavra de Deus. Quando ouvimos e cremos na promessa, ganhamos acesso ao poder disponível para que tal promessa se manifeste em nós.

Jesus já pagou todo o preço que era necessário, pois Ele viveu uma vida justa, sem pecado, morrendo na cruz e atraindo todo o juízo de Deus para que, n'Ele, nós pudéssemos receber a bênção de Abraão. Desta forma, Deus não vai negar nada ao Seu Filho, e, por isto, em Cristo, todas as promessas são "sim":
"Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós." (2 Coríntios 1:20)

Recebendo Cura do Senhor


Quando cremos e oramos por cura, por exemplo, não estamos fazendo com que Deus faça provisão de cura para nós. Na verdade, a provisão para a nossa cura já foi feita quando Jesus fez o Seu sacrifício:
"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido." (Isaías 53:4)
O tempo verbal aqui está no passado. Isto mostra que, na cruz, Jesus já levou toda a doença. Então, a provisão para a cura já foi feita, Deus já nos abençoou com saúde. Falando da Nova Aliança, Deus, através do profeta Jeremias assim declarou:
"Eis que eu trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de verdade." (Jeremias 33:6)
Todas as promessas que foram feitas na Velha Aliança se cumprem em Cristo. Portanto, n'Ele, já temos esta bênção. A fé, tão somente, irá dar acesso a esta graça, ou seja, a nossa fé na Palavra irá liberar o poder que acompanha a Palavra de Deus. Vemos isto claramente quando o apóstolo Paulo ministrou cura a um homem aleijado, pois a fé daquele homem liberou o poder de cura:
"E estava assentado em Listra certo homem leso dos pés, coxo desde o ventre de sua mãe, o qual nunca tinha andado.
Este ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos, e vendo que tinha fé para ser curado,
Disse em voz alta: Levanta-te direito sobre teus pés. E ele saltou e andou."
(Atos 14:8-10)
Veja que Paulo não orou a Deus pedindo para curar aquele homem, mas apenas foi um agente "liberador" do poder de Cristo, para que a cura se manifestasse. Deus já fez provisão de cura quando Jesus morreu e ressuscitou por nós.

Recebendo a Paz


Vamos falar sobre a paz. Se você está precisando de paz, é necessário saber que tal paz já nos foi dada. Assim como acontece no que diz respeito à cura, Deus também não irá gerar paz para nós através de nossa fé, pois Jesus já nos deixou a Sua:
"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14:27)

Através da fé na Palavra, e consequente obediência, podemos ter acesso a esta paz que já está em Cristo, disponível para todo o que crê. Quando nossa mente está firme na palavra, nossa alma estará ancorada em Cristo, e podemos andar em paz, a despeito das circunstâncias ao nosso redor.

"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti." (Isaías 26:3)

Conhecendo Nossa Salvação


O que nós precisamos fazer é conhecer o que nos é dado gratuitamente em Cristo, a fim de tomarmos posse desta herança. Nossa fé não terá capacidade de obter coisas que Deus já não proveu em Cristo.

Algumas pessoas já vieram até a mim para pedir que eu orasse por coisas que eu não podia orar, pois sabia que não eram de acordo com a vontade de Deus. Você só receberá do Senhor aquilo que faz parte da aliança feita através de Jesus.

Imagine um ladrão de banco que encontra você em um evangelismo. Daí, ele pede pra você orar por ele, para que, no próximo assalto, Deus o proteja e ele não seja morto pela polícia, e ainda escape com o dinheiro roubado. Será que o Senhor irá atender esta oração?

Obviamente não, porque assaltos não fazem parte da aliança feita conosco em Jesus. Não há nenhuma promessa de Deus que diga que podemos assaltar em paz e sermos bem sucedidos. Muito pelo contrário, a palavra diz que "o que furtava não furte mais" (Efésios 4:28).

Assim, é necessário conhecermos quais são as bênçãos que nosso Pai já preparou através de Seu Filho. Precisamos conhecer, através da Palavra revelada pelo Espírito, aquilo que nos é dado nesta aliança que temos com Cristo:
"Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus." (1 Coríntios 2:12)
Por esta razão, o apóstolo Paulo, após escrever os primeiros versos de Efésios, onde Deus nos revela o que Ele fez provisão para nós na Nova Aliança, não pede para Deus "abençoar os Efésios". De fato, se analisarmos a oração do apóstolo, veremos que o que ele pede é para que Deus os ilumine:
"Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;
Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;"
(Efésios 1:17,18)

Tudo o que a igreja precisava era "conhecer" o que Deus já havia feito por ela através da obra redentora de Jesus. Quando somos iluminados, a nossa fé nos permitirá o acesso ao que Deus preparou para nós, nesta vida e no porvir.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Andando em Espírito 6 - A Alegria do Senhor


Deus é uma pessoa alegre. Isto pode parecer contrário a nossa ideia do caráter de Deus, contudo se não compreendermos esta verdade não conseguiremos dar o fruto da Alegria porque nós sempre iremos refletir o Deus que nos cremos.

As religiões e o mundo buscaram passar para nós uma ideia de Deus que está equivocada. Além disso uma falta de entendimento sobre o Deus revelado pelo Velho Testamento contribui para que tenhamos uma ideia errônea de quem Deus é. Muitos têm esta ideia de um Deus que está sempre pronto a nos punir ou que realmente não se importa conosco.

Assim como ocorre com o amor também precisaremos compreender o caráter de Deus de alegria para que possamos dar o fruto correspondente.

A Boa Criação de Deus


Quando o Senhor Deus criou todas as coisas, Ele afirmou, ao concluir, que sua criação era boa:
"E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom..." (Gênesis 1:31)
O senhor criou todas as coisas com muita beleza e criatividade. O homem estava suprido de todas as suas necessidades e não era afligido por doenças nem pela morte. Deus se comunicava todos os dias com um homem e o homem podia desfrutar na presença do seu Pai Celestial e também das coisas do planeta onde ele estava. De forma gradativa, o homem ia conhecendo a Criação e ao próprio Deus.

Quando o pecado entrou em cena roubou esta vida feliz e plena que Deus deu ao ser humano. Aquilo não era a vontade de Deus, pois Deus não criou o homem para morrer nem para sofrer, as tristezas e angústias que entraram na vida do homem foram devido ao pecado e a maldição que sobreveio sobre planeta.

Jesus veio para restaurar o homem à antiga posição, sendo que, neste momento, esta restauração é feita inicialmente no nível do espírito conforme já vimos anteriormente. Este novo espírito do homem é cheio de alegria, sendo esta uma das características do fruto que vem do espírito recriado:
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo (...)" (Gálatas 5:22)
Observamos que uma das características do fruto do espírito é o gozo, ou seja, alegria, mas assim como é com relação ao amor, não podemos depender dos sentimentos ou das circunstâncias ao nosso redor para andarmos nesta alegria do espírito, isto é algo que vem através do verdadeiro conhecimento de Deus.

Um Reino de Alegria


Quando nascemos de novo conforme o terceiro capítulo do evangelho de João, nós entramos no Reino de Deus. Este Reino é um lugar de alegria, e é um lugar que foi construído dentro do próprio Deus, por esta razão Deus não permite o pecado entrar nele. Vamos examinar esta passagem bíblica:
"Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito."
(João 3:5-6)
Aqui, Jesus explicava a Nicodemos a separação que existe entre as duas realidades: a física e a espiritual, pois quando nascemos da carne (nosso corpo), nos foi dado um corpo físico para interagir neste mundo. Aprendemos a viver em um mundo que está em trevas espirituais, e nos entristecemos diante das diversas circunstâncias negativas que enfrentamos aqui, tais como a miséria, a fome, doenças, roubos e a morte.

Contudo, ao nascermos do Espírito, somos inseridos no Reino de Deus, um lugar de plenitude, um lugar onde a perfeita vontade de Deus é sempre feita, onde não há mais morte, nem pranto, nem clamor. O Reino de Deus é um lugar de alegria:
"Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo." (Romanos 14:17)

Quando da restauração da criação, Deus eliminará as coisas que nos trazem tristezas e assim poderemos desfrutar de alegria eterna.
"E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apocalipse 21:4)
Contudo, neste momento, precisaremos andar pela fé na Palavra, a fim de darmos o fruto da alegria, pois o mundo em que vivemos jaz no maligno, sendo um lugar mergulhado em pecado e onde há diversos tipos de situações que poderão roubar nossa alegria. Mas, se pusermos os nossos olhos em Cristo, olhando para a realidade espiritual através da fé, poderemos deixar esta alegria que vem de Deus inundar o nosso coração.

Alegrar-se: um mandamento


Durante nossa vida aprendemos que só podemos nos alegrar se as circunstâncias ao nosso redor nos forem favoráveis. Assim, nos tornamos escravos das circunstâncias e das emoções como se não tivéssemos domínio sobre elas.

Mas não é assim que a Bíblia nos ensina. Em diversas ocasiões, Deus ordenou ao seu povo que se alegrasse.
"E ali comereis perante o Senhor vosso Deus, e vos alegrareis em tudo em que puserdes a vossa mão, vós e as vossas casas, no que abençoar o Senhor vosso Deus." (Deuteronômio 12:7)
"Também sacrificarás ofertas pacíficas, e ali comerás perante o Senhor teu Deus, e te alegrarás." (Deuteronômio 27:7)
"Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria." (Salmos 68:3)
Vemos, queridos, que Deus ordenava ao Seu povo para se alegrar. Ora, se nós não tivéssemos domínio sobre os nossos sentimentos, tais mandamentos seriam impossíveis de serem cumpridos, já que precisaríamos de circunstâncias totalmente favoráveis para que pudéssemos nos alegrar.

E é interessante que, caso o povo não servisse ao Senhor com alegria, seriam responsabilizados por tal atitude:
"Porquanto não serviste ao Senhor teu Deus com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo.Assim servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, com fome e com sede, e com nudez, e com falta de tudo; e sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te tenha destruído." (Deuteronômio 28:47-48)
Também no Novo Testamento, temos diversos versículos que nos ordenam a alegrar, vejamos um desses:
"Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos." (Filipenses 4:4)
Você sabia onde estava o apóstolo Paulo quando escreveu este verso? Estaria Paulo em um lindo cruzeiro pela Grécia? Ou talvez em seu castelo, com criados o servindo? Ou em seu escritório chique em Nova Iorque?

A resposta é que o "escritório" de onde Paulo escreveu esta linda orientação para os cristãos era uma prisão romana. Se hoje as prisões não são os locais mais agradáveis do mundo, naquela época, acredito que eram muito piores, porque os presos não tinham tantos direitos como temos hoje, e nem havia os "direitos humanos" para interceder por eles. Caso um preso tentasse fugir, a pena era morte imediata.

Pois bem, lá de seu "escritório prisão", Paulo, pela inspiração do Senhor, nos ordena a nos alegrarmos em Deus "sempre", ou seja, em qualquer situação. Mas como podemos fazer isto?

Dominando as Emoções


Quando falamos sobre o amor, pudemos entender que o amor de Deus já foi derramado em nossos corações através do novo nascimento. Recebemos um novo espírito, conforme prometido em Ezequiel 11:19, que foi criado à imagem de Deus. Assim, dentro de nós, temos a capacidade de andar nos mandamentos de Deus, coisa que na Velha Aliança não era possível.

No entanto, para que isto ocorra, ainda é necessário vencermos a nossa carne, que continuará tendenciosa ao pecado e às fraquezas, tais como angústia e tristeza. Ora, se até o próprio Jesus se entristeceu, também poderá acontecer conosco. A nossa atitude diante da tristeza é que determinará se tal tristeza irá nos dominar ou se dominaremos sobre ela.

Entristecer-se não é pecado, mas também não é um mandamento, e a tristeza segundo o mundo gera morte (2 Coríntios 7:10), ou seja, irá dar lugar ao diabo em nossas vidas, o qual irá trazer sua destruição. Deus não deseja isto para nós, por isso Ele já fez provisão para que possamos nos alegrar.

Dominar sobre nossos corpos agora é possível pelo fato de Deus ter substituído os nossos espíritos e nos enchido do Seu Espírito, agora estamos devidamente capacitados para obedecer Sua Palavra. No entanto, este é um processo gradual, onde vamos melhorando a cada dia, na medida em que aprendemos Sua Palavra, sedimentamos ela em nosso coração e frutificamos.

Alegrando-se na Verdade


A alegria do espírito não depende das coisas do mundo, não é uma alegria que venha, por exemplo, de piadas, ou de você ter ganhado muito dinheiro. É uma alegria que vem do Reino de Deus, e do próprio Deus. Como já enfatizei em outras ocasiões, o mundo espiritual não pode ser (geralmente) sentido. Não, precisamos enxergar o mundo espiritual pela revelação da Palavra de Deus.

Assim também, se você depende de "sentir" alegria para poder se alegrar, estará fadado ao fracasso sempre. A alegria só fluirá do seu espírito se você levar a si mesmo a fazer isto com base na verdade da Palavra.

Quando os setenta voltaram alegrando-se por terem visto os espíritos se sujeitando a eles pelo nome de Jesus, o Senhor imediatamente os corrigiu:
"Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus." (Lucas 10:20)
Veja que Jesus os corrige por terem se alegrado por algo que "viram" (com os olhos físicos), mas Jesus os orienta a se alegrar por uma "verdade invisível", que era ter os nomes escritos nos céus.

Quando nos alegramos tendo por base uma verdade da Palavra, geralmente não teremos nada "físico" sobre o qual apoiar nossa alegria, mas teremos algo "real", embora invisível. A Palavra de Deus é a maior força que existe no universo, e é ela que nos fornece a base de nossa alegria.

Logo após ensinar os discípulos sobre a verdadeira motivação para a alegria, Jesus também se alegrou sobre uma verdade:
"Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve." (Lucas 10:21)
Jesus não viu ou ouviu nada "físico" para se alegrar! Jesus apenas se alegrou com base em uma verdade. A alegria que é fruto do espírito não tem nada haver com alegria advinda de piadas ou de circunstâncias favoráveis neste mundo, mas é uma alegria que vem do mundo espiritual.

O combate carne x espírito


Já aprendemos que os desejos da carne são contrários aos desejos de nosso espírito recriado. Portanto, não estou afirmando que será fácil se alegrar em meio às circunstâncias difíceis, mas estou afirmando que Deus nos mudou para que pudéssemos andar como mais que vencedores.

Muitas vezes será difícil para você se alegrar em meio a adversidade, mas já vimos que, se agirmos em fé, podemos nos alegrar em Deus.

Quando estavam evangelizado em Filipos, Paulo e Silas foram presos, surrados e acorrentados no pior lugar da prisão. Dá para imaginar como aqueles homens estavam após tal coisa? Os seus corpos todos doloridos e feridos, deviam estar com fome, sede e fedendo. Após terem servido a Deus com tanto amor, o que receberam como recompensa foi aquilo!

Todas as circunstâncias eram contrárias à alegria. Quem, em sã consciência, iria se alegrar numa situação dessas?

Mas estes dois homens conheciam o Deus que pregavam. Eles sabiam que a alegria que estava no espírito deles era constante, e não dependia de circunstâncias deste mundo para existir. Assim, eles simplesmente começaram a louvar e orar em alto e bom som, e já sabemos o que aconteceu...

"E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam.
E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos."
(Atos 16:25,26)
Muitos de nós queremos ver o poder de Deus agindo em nossas vidas assim com ocorria com os apóstolos, contudo, ao menor sinal de problemas, já começamos a murmurar, reclamar e questionar "onde está Deus?". Será que estamos realmente acreditando no que está escrito na Bíblia?

Conclusão


Alegrar-se em Deus (na Palavra, e não pelas circunstâncias) é algo que podemos fazer, principalmente, agora na Nova Aliança, onde o Senhor nos dá um espírito novo, que é alegre. Quando tomamos a atitude de louvarmos ao Senhor no meio da tribulação, deixamos o nosso novo espírito fluir através de nós e passaremos a manifestar o fruto da alegria através de nossos corpos físicos.

Então, alegre-se no Senhor!

Que a graça do nosso Deus seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 1 de abril de 2018

Andando em Espírito 5 - O Amor diz a Verdade e Perdoa


No mundo perdido, as pessoas conseguem andar em amor, contudo não é o amor que provém de Deus, pois o mundo jaz no maligno e não conhece a Deus, e já vimos que só quem ama com o amor de Deus é quem é nascido d'Ele e O conhece (1 João 4:7).

Desta forma, quando nos convertemos a Cristo, nosso conceito de amor estava distorcido, sendo necessário renovarmos a nossa mente com a Palavra a fim de compreendermos o que é o verdadeiro amor, o amor que provém de nosso Criador.

Nesta lição, continuaremos a estudar e conhecer o amor de Deus em três aspectos de extrema importância: o primeiro é que o amor sempre diz a verdade, o segundo é que o amor corrige, e o último é que o amor perdoa as ofensas que lhe são feitas. Estas características são imprescindíveis para que possamos andar neste amor de Deus.

O Amor Folga com a Verdade


Quando eu era pequeno, minha mãe me dizia que eu precisava enxugar muito bem o cabelo porque era assim que "os ricos faziam". Como qualquer criança, eu queria ser rico, já que havia nascido em uma família relativamente pobre. Assim, eu procurava sempre enxugar muito bem os cabelos, já me preparando para ser rico no futuro!

Posteriormente, descobri que os ricos não se preocupavam em enxugar os cabelos de forma tão vigorosa, e estas mentiras que são contadas pelos pais aos filhos trazem muitas consequências negativas, sendo que a principal é fazer com o que o filho deixe de confiar nas palavras de seus pais.

Muitos pais inventam histórias e mentiras para fazer com que seus filhos obedeçam às suas palavras, tomem banho, se alimentem corretamente, estudem, etc. Se perguntarmos a eles o motivo disto, alguns talvez citem o "amor que eles têm pelos filhos" como elemento motivador dessa prática. Mas será que Deus é assim? Será que o amor de Deus mente para levar os Seus filhos a obedecerem aos Seus mandamentos?

Vamos continuar com nosso estudo baseado no grande capítulo do amor da Bíblia que, em seu sexto verso, afirma o seguinte sobre o amor:
"Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;" (1 Coríntios 13:6)
O verbo "folgar" aqui significa, originalmente, se alegrar ou se regozijar (grego: chaíro), ou seja, o amor de Deus se alegra quando a verdade está presente na vida de alguém. Além disso, Jesus afirmou que o diabo é que é  o pai da mentira (João 8:44), e nenhuma mentira procede de Deus. Deus não é apenas amor, mas Ele também é a própria Verdade:
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (João 14:6)

Mentira é injustiça


Dentro do contexto do versículo de 1 Coríntios 13:6, vemos que a injustiça é contrastada com a verdade. Isto nos mostra que, quando mentimos, estamos andando em injustiça (falta de retidão), e não haverá bons frutos a serem colhidos, por mais que tentemos justificar a mentira como tendo sido motivada por "amor". Este não será o amor de Deus, mas o amor humano, carnal e egoísta.

Quando estávamos pastoreando, tivemos que lidar com mentiras de irmãos diversas vezes, e posso garantir a você que nunca vi nenhum fruto bom advindo dessas mentiras. Por mais que advertíssemos os irmãos acerca da prática da mentira, era comum que acontecessem. Após algum tempo, podíamos ver a colheita na vida do irmão ou irmã, e lá íamos nós gastar tempo de oração e aconselhamento, revisando tudo o que já havíamos dito antes.

Os ázimos

Pão ázimo (pão de frigideira). Fonte: www.daltonrangel.com.br/pao-azimo-pao-de-frigideira

Um ázimo (ou "pão ázimo") é um tipo de pão mais duro, e portanto mais difícil de comer, porque é feito sem fermento. O fermento faz com que a massa inche, aumentando de volume com os vazios do ar. Obviamente, não é pecado comer um pão feito com massa levedada, contudo, esta característica do pão "inchado" é usada na Bíblia como uma figura que representa o pecado, em especial, a mentira.

Um pão ázimo mostra o volume real da massa utilizada na sua fabricação, enquanto quê, com um pão normal, não dá pra saber se aquele volume representa a verdadeira quantidade de massa usada ou se é mais o "inchaço" provocado pelo fermento mesmo. Não sei se você já passou por isso, mas já comprei pães (principalmente os de massa salgada) que, quando eu abri para passar manteiga, o pão virou uma folha de papel! Dava pra ver claramente que foi usada tão pouca massa que  o recheio do pão era de ar atmosférico.

Quando os homens mentem, eles estão se comportando como um pão feito de massa levedada, onde a maior parte do recheio é vazio. Por isso que a Bíblia nos orienta a agirmos como um pão ázimo, falando aquilo que realmente é, sem o uso de meias verdades ou subterfúgios a fim de passarmos para os outros algo que não é a verdade.
"Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." (1 Coríntios 5:8)

O Amor Corrige e Repreende


Uma outra grande mentira contada por satanás ao homem, e assimilada pelo mundo, é que o amor não corrige nem repreende. Nos dias atuais aqui no Brasil e em muitas partes do mundo, diversas leis tem sido criadas para liberar os homens para cometerem toda sorte de maldades e perversões sem que haja nenhum tipo de punição.

As leis brasileiras refletem esta nova ideia de que deve-se evitar a punição a todo custo. Um grande exemplo disto é a quase total impunidade de alguém com menos de 18 anos. Ao mesmo tempo que pode votar, pode também matar alguém e terá a proteção do Estado para que não seja maltratado.

Será que isto é amor? O amor de Deus corrige, repreende ou pune?

Vamos começar do início. Deus deu aos pais a capacidade e autoridade para disciplinar os seus filhos. Esta atitude é necessária para que o pecado não domine o coração da criança (Provérbios 22:15). Quando os pais não corrigem e punem seus filhos, eles estariam andando em amor? Vejamos o que a Verdade da Palavra de Deus nos ensina:
"O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga." (Provérbios 13:24)
Temos visto o surgimento de toda uma geração de homens fracos, sem atitude e sem disciplina, mais amantes dos prazeres do que de Deus, e que são, acima de tudo, irresponsáveis e sem habilidade para conduzir uma família, ou seja, não sabem ser bons maridos nem bons pais.

Uma das razões desta lástima é porque não foram corretamente instruídos e disciplinados por seus pais "desde cedo". Desta forma, vivem em torno de seus próprios umbigos, buscando sempre satisfazer seus próprios prazeres. Se você quiser ver quais as características dos homens nos últimos tempos, basta ler 2 Timóteo 3:1-7.

Como entrei neste assunto, gostaria só de deixar claro que toda correção e disciplina precisa ser feita em amor, e não para destruir seu filho. Obviamente, não estamos falando de violência contra os filhos, mas de um castigo que tem por objetivo livrar seu filho da perdição e forjar nele um caráter de integridade, honestidade e responsabilidade.
"Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá." (Provérbios 23:13)

O amor pune o pecado


No Velho Testamento, quando ainda não existia o novo nascimento, muitos pecados eram punidos com a morte. Muitas pessoas criticam estas passagem por acharem ser elas extremamente duras e parecerem contrárias ao amor pregado por nós, cristãos. No entanto, este entendimento está errado.

O pecado é algo maligno que, uma vez adotado como estilo de vida, irá produzir terríveis frutos de impiedade e destruição na vida e na descendência dos que o praticam. Assassinatos, roubos, adultérios, miséria, doenças, dentre outras consequências, atingirão à sociedade pecadora, e ainda levarão os homens à perdição eterna após a morte.

Antes do Novo Testamento, a única forma de barrar o pecado era através do temor. A Lei de Moisés foi dada para preparar o caminho para que o Filho de Deus pudesse vir à Terra e nos salvar. Era necessário separar um povo santo, e a única forma de coibir a prática do pecado era a punição severa. Muitos dos pecados eram punidos com a morte, e mesmo pecados, digamos, "mais leves" tinham consequências nos bens da pessoa: ela teria que sacrificar seu gado para que ela mesma não sofresse.

Esta foi uma atitude de amor da parte de Deus, e não de maldade. O mundo jamais entenderá tal coisa porque possui a mente obscurecida exatamente pelo pecado, e a pessoa só consegue enxergar isso quando se converte a Cristo e começa a entender o Reino de Deus.

O pecado lança os homens nas trevas eternas de separação de Deus. A morte física não é o final de todas as coisas. Deus, em Seu amor, forçou a santidade no povo de Israel a fim de que pudesse enviar Seu Filho ao mundo para nos salvar do fogo eterno. A falta de punição sobre o pecado é que seria uma falta de amor da parte de Deus, e não o contrário.
"E os juízes inquirirão bem; e eis que, sendo a testemunha falsa, que testificou falsamente contra seu irmão,
Far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e assim tirarás o mal do meio de ti.
Para que os que ficarem o ouçam e temam, e nunca mais tornem a fazer tal mal no meio de ti." 
(Deuteronômio 19:18-21)
Observem o motivo pelo qual o pecado era punido com rigor: para que as outras pessoas tivessem temor e não o praticassem. Graças a Deus que hoje, na Nova Aliança, podemos desfrutar de uma mudança real dentro de nosso coração, o que nos permite seguir a Palavra de Deus não mais pelo medo, mas pelo novo nascimento e pelo conhecimento de Seu amor por nós. Contudo, a Lei ainda deveria ser aplicada aos pecadores, para que houvesse respeito, na sociedade, aos valores da Palavra de Deus (1 Timóteo 1:8).

O Amor Perdoa


O último aspecto que eu quero falar aqui é sobre esta grande característica do amor: o desejo e a capacidade de perdoar. Acabamos de ver que o amor corrige, repreende e pune, assim, parece ser contraditória a afirmação de que o amor perdoa o mal feito.

De fato, o amor de Deus por nós é enorme e Ele deseja sempre nos perdoar. Ao mesmo tempo, o amor disciplina, corrige e pune o pecado, não porque Deus ama fazer isso, mas porque Ele é justo e juiz de todo universo.

Tudo o que Deus faz é motivado por Seu amor por nós, mas há algo que Deus não pode fazer: Ele não pode nos manipular como a marionetes. Deus não criou robôs pré programados para obedecê-lo, mas criou seres com domínio sobre o planeta (Gênesis 1:26-28). Uma vez que Deus deu ao homem tal domínio, Ele mesmo não irá contra a Sua Palavra retirando-o (o domínio). Assim, é necessário que decidamos obedecê-lo de nossa própria vontade.

Ao enviar Jesus Cristo ao mundo, Deus nos deu a possibilidade de recomeçarmos a nossa vida, não mais servindo ao pecado.

Ele mesmo pagou o preço pelo nosso pecado e nos perdoou. Veja que Deus não deixou de punir o pecado: Jesus assumiu nossos pecados. Agora, em Cristo Jesus, somos perdoados por completo de todas as nossas maldades.

Assim, o amor de Deus se cumpre em Cristo de forma plena: o pecado é punido e podemos ser perdoados de forma gratuita, sem que Deus se contradiga.

Agora, nós também precisamos andar neste mesmo amor perdoador. Assim como Deus nos perdoou em Cristo de forma gratuita, precisamos perdoar àqueles que nos fazem mal, afinal, devemos ser "imitadores de Cristo, como filhos amados" (Efésios 5:1).

Se não agirmos desta forma, e retivermos o perdão àqueles que nos machucaram, a mesma regra valerá para nós, ou seja, Deus também não nos perdoará:
"Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." (Mateus 6:15)

Conclusão


Concluímos, com esta lição, um estudo sobre o amor, primeira característica do fruto do espírito de Gálatas 5:22. Lembrando que não temos condições de andar em amor de nós mesmos (do nosso "eu natural"). Este amor vem de Deus e precisamos deixar ele fluir em nós através do conhecimento de como é este amor. Tal conhecimento deve gerar em nós atitudes de amor.

Que a paz do Senhor Jesus, nosso eterno Rei, seja com a sua vida, amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 26 de março de 2018

Andando em Espírito 4 - Fruto do Espírito: Amor


A partir desta aula, entraremos em uma nova fase de nosso estudo sobre como andar em espírito, pois iniciaremos o estudo sobre o fruto do espírito, descrito em Gálatas 5:22. Neste verso, o apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, faz o contraste entre as obras da carne (versos 19 a 21) e o fruto que é dado quando se anda em espírito.
"Mas o fruto do espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." (Gálatas 5:22)
Iniciaremos nosso estudo pelo primeiro "fruto" que é o amor. Na verdade, a palavra fruto está no singular e não no plural. Muitas pessoas acabam chamando de "frutos" do espírito, o que não tira o sentido da afirmação, mas o termo "fruto" pode ser entendido como o resultado da atuação do nosso espírito através de nossas almas e corpos.

O Amor é um Sentimento?


Se nós olharmos o significado da palavra "amor" em um dicionário de português, veremos uma diversidade de sentidos que vão desde atração sexual até a filantropia, contudo, o amor enquanto fruto do espírito não tem absolutamente nada haver com desejo sexual ou mesmo desejo por coisas materiais (por exemplo: "fulano tem amor por carros").

Assim, precisamos entender o amor dentro do contexto bíblico para podemos andar de acordo com ele. Apesar de o amor se manifestar como um sentimento, na verdade, o amor precisa estar fundamentado sobre o conhecimento. Vejamos o versículo que nos dá esta base:
"Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor."
(1 João 4:7-8)
Antes de tudo, vemos, com base no verso acima, que o nosso Deus é a fonte do amor, pois Deus não possui amor, Ele é amor! Isto nos mostra que o amor bíblico não poderia ser ensinado pelo mundo, pois este mundo material no qual vivemos jaz no maligno, e não conhece a Deus.

O verdadeiro amor só pode ser compreendido por aqueles que já se converteram a Cristo e nasceram de novo. Infelizmente, muitos cristãos, mesmo tendo nascido de novo, não possuem conhecimento de Deus para compreenderem o amor e atribuem a Deus comportamentos que eles jamais aceitariam se vissem em um ser humano (por exemplo: acreditar que é Deus quem coloca doenças nas pessoas para lhes "ensinar" alguma coisa).

Este estudo não tem o propósito de entrar completamente neste tema da verdadeira natureza divina, mas indico o meu estudo sobre o tema "Amor - A Verdadeira Natureza de Deus" (link para a parte 1), que está aqui neste blog, apesar de ainda não estar completo.

Bem, além de precisarmos nascer de Deus para podermos andar no verdadeiro amor bíblico, é necessário uma segunda coisa: conhecer a Deus, já que Ele é o amor (bíblico).

Precisamos meditar nas Escrituras que revelam como é o amor de Deus para que possamos agir baseados nestas passagens que nos ensinam quem nós somos, afinal de contas, quando nascemos de novo, recebemos uma nova natureza em nossos novos espíritos.

A Importância do Amor


Passaremos a estudar, agora, uma das mais famosas passagens bíblicas que fala sobre o amor: o 13º capítulo da carta do apóstolo Paulo aos Coríntios. Esta carta foi escrita para uma igreja que enfrentava muitos problemas de contendas e divisões (1 Coríntios 1:11, 3:1-3), mas, apesar de serem cristãos carnais, eram objetos do amor de Deus, e o Senhor, através de Paulo, revela coisas tremendas sobre Quem verdadeiramente Ele é!
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria."
(1 Coríntios 13:1-3)
Primeiramente, precisamos entender que não é uma coincidência o fato do amor ser o primeiro item da lista. De fato, muitas pessoas afirmam que o fruto do espírito é apenas o amor, sendo que os demais itens da lista são apenas características deste amor. Contudo, apesar de ser algo interessante, isto não é verdade, pois Paulo separa a fé do amor e os compara um com o outro (1 Coríntios 13:13).

De qualquer forma, a Bíblia textualmente afirma que o amor é o cumprimento da Lei (Romanos 13:10), e podemos entender que realmente o amor bíblico resume todo o fruto do espírito. Vamos entender mais um pouco sobre a importância do amor usando por base os versos citados acima.

Sem amor somos como metal


O primeiro verso de 1 Coríntios 13 afirma que sem o amor somos como "metal que soa ou como o sino que tine", ou seja, é algo que faz barulho definido, inteligente, contudo, não tem vida verdadeira em si mesmo.

A palavra original grega que foi traduzida como "metal", na verdade, significa "cobre". O cobre é um metal não nobre, que não é muito rígido, sendo facilmente moldado de acordo com a temperatura ou pressão que se coloque nele. Isto mostra que, se não agirmos em amor divino, seremos moldados pelas pressões do mundo.

O mundo caído sempre irá tentar nos modelar de acordo com sua cultura ímpia e o amor de Deus em nós precisa ser a base de nosso caráter de forma a impedir esta modelagem mundana. O amor trará estabilidade.

Já no segundo verso, aprendemos que, apesar da fé ser tão importante e nossa salvação vir através dela, a fé não supera o amor, e sem o amor, de nada adianta ter uma super fé de forma a vencer grandes barreiras. Ao longo da história, temos exemplos de muitas pessoas que acreditaram em seus ideias e perseveraram neles, obtendo sucesso em suas ideias. Contudo, não estavam movidas por Deus e todo aquele esforço de nada adiantou, pois não produziu salvação na humanidade.

O verso 3 mostra que, mesmo que eu faça grandes sacrifícios por meus ideais, isso não será contado por Deus quando estivermos diante d'Ele para o julgamento, sendo necessário sermos motivados e movidos pelo amor de Deus para que nossos esforços sejam válidos e possamos receber o galardão.

Agora que já entendemos um pouco sobre a importância de darmos o fruto do amor, passemos a meditar sobre como é este amor divino.

As Características do Amor


Quero enfatizar que a descrição do amor que temos em 1 Coríntios 13 não se refere aos tipos de amor humanos, mas sim ao amor de Deus, ou seja, não temos condições de andar naquele nível se não estivermos em Cristo, além de quê precisaremos sacrificar nossa carne para que nosso novo espírito possa dominar nosso coração.

Para entendermos quem Deus é, precisamos entender a Sua principal característica: o amor. O idioma grego possuía 4 palavras para descrever o amor, sendo que a palavra usada em nosso texto estudado é agápe que se refere a um amor de conotação não sexual e não ligado diretamente a parentesco.

Passemos a meditar sobre as características do amor de Deus:
"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece." (1 Coríntios 13:4)
Neste primeiro verso, cada palavra usada para descrever o amor poderia levar muito tempo para ser explicada, portanto, farei um resumo mais geral, e caberá a você pesquisar mais sobre elas.

Sofredor (grego: makrotymeo)


Significa que o amor é capaz de suportar sofrimentos por mais tempo, também poderia ser traduzido como longanimidade (de "longo ânimo"), paciência, capacidade de não perder as estribeiras facilmente. Também significa ser lento para vingar ou punir. Deus vem suportando as maldades humanas desde que o pecado entrou no mundo, além disso, vem sendo lento para punir os pecados e ainda demonstra paciência aguardando que as pessoas ouçam o evangelho e se arrependam. Quando nos arrependemos, Ele nos recebe de braços abertos e esquece nossos pecados.

Benigno (grego: chresteyomai)


Significa ser manso, suave, amável, etc. Bem, neste ponto a grande maioria das pessoas, principalmente os cristãos, se equivocam completamente ao terem a errônea ideia de um Deus geralmente revelado como muito agressivo. Esta ideia vem de uma falta de entendimento sobre a Velha Aliança e como Deus se revelava nela. Como já falei anteriormente, não dá pra explicar tudo aqui, mas vamos ficar com o que a Palavra revela sobre Deus (leia meu estudo sobre a Verdadeira Natureza de Deus e creio que ajudará você a compreender melhor).

O amor de Deus é manso e amável e é assim que nós somos em espírito, pois fomos recriados à Sua imagem. Iras, irritação, impaciência, etc. são coisas que não vêm do amor de Deus.

Não invejoso (grego: zeloo)


Esta palavra grega "zeloo" é nossa conhecida, pois temos a palavra "zelo" em português, embora não tenha o mesmo sentido. Neste sentido usado aqui (negativo), significa arder em ciúmes ou ter inveja. O amor de Deus não deseja o mal das pessoas, mas sim o bem. O desejo do Senhor para nós é que tenhamos vida plena em tudo, contudo, o pecado não tratado irá trazer a justa ira de Deus sobre seu agente. Deus quer sempre o nosso melhor.

Precisamos ter esta mesma atitude em nós, não agindo movidos por inveja ou ciúmes, mas em amor, buscando sempre o melhor para nosso próximo, assim como queremos para nós.

Não trata com leviandade (grego: perpereuomai) e não se ensoberbece (grego: phisioo)


Juntei estes dois porque possuem sentido semelhante em grego, sendo que o primeiro termo significa se exaltar ou se vangloriar. Já o segundo significa inflar ou inchar no sentido de ser arrogante ou orgulhoso.

O amor de Deus busca servir e vemos isto no caráter de Jesus pois veio para servir e não para ser servido.
"Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos." (Marcos 10:45)
No mundo as pessoas se vangloriam por qualquer coisa. Se o indivíduo é um pouco mais inteligente ou experiente, se é mais rico ou poderoso, se é mais forte ou bonito, se sente mais importante que os demais, sendo este um sentimento carnal. Tudo recebemos de Deus e quando partirmos daqui, tudo ficará (coisas físicas). O amor de Deus nos leva à humildade, pois reconhecemos que tudo o que somos ou temos vem d'Ele e deve ser usado para glorificar ao Pai e a Jesus, bem como pra ajudar as pessoas a encontrarem a salvação.

Embora em português algumas destas características tenham sido traduzidas como adjetivos, em grego, todos os termos são verbos, ou seja, expressam ação. O amor não é algo "parado", é uma coisa que precisa ser traduzida em ações. Assim como a fé sem obras é morta, o amor de Deus precisa se traduzir em atitudes que demonstrem que estamos fluindo em amor.

Imitadores de Deus


Assim como Cristo é a imagem exata do Pai, também fomos chamado para andarmos nas mesmas pisaduras de nosso Senhor e Rei: Jesus. Deus nos torna novas criaturas a fim de quê O possamos servir de coração andando em amor:
"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;
E andai em amor
, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave."
(Efésios 5:1-2)
Deus derramou o Seu amor em nossos corações nos dando o Seu Espírito para que possamos, também, andar desta mesma forma. Este amor não vem de nós mesmos, e é preciso haver sacrifício do seu eu natural (o que chamo de "eu-corpo") para que nosso espírito possa manifestar Cristo em nossos corpos mortais.

Conclusão


Não nos tornamos maduros em amor da noite para o dia, mas este é um processo contínuo de aprendizado e crescimento. Na próxima aula, ainda dedicaremos tempo para conhecer o amor de Deus, de forma a podermos andar nele.

Que a paz do Senhor seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 19 de março de 2018

Andando em Espírito 3 - Ressuscitados com Cristo


Ao nos convertemos a Cristo, ocorre um milagre dentro de nós: o novo nascimento. Este nascimento é algo invisível que ocorre no âmbito do espírito. Apesar de sentirmos algo "diferente" - muitos falam sobre uma paz e uma alegria interior - não dá para nós apalparmos este novo espírito que surge. Isto é algo que precisamos conhecer através da Palavra, conforme ministrado na lição anterior.

As Escrituras nos revelam a verdade sobre o que acontece dentro de nós, em nosso espírito, quando da nossa conversão, e é este o tema de nosso estudo de hoje. Além disso, veremos algumas coisas mais sobre que atitudes tal conhecimento deve gerar em nós.

O Novo Nascimento


Jesus falou sobre esta questão no evangelho de João, capítulo 3. Ali, nosso Mestre falava com um outro mestre judeu chamado Nicodemos. Vejamos:
"Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3)
Observe que, para poder ver o Reino de Deus, que é um reino espiritual, é necessário passarmos por este milagre que chamamos de "novo nascimento". Jesus não trouxe uma nova religião, mas sim uma nova cidadania: uma cidadania de um reino que, neste momento, é invisível aos nossos olhos naturais, que é o Reino de Deus, um reino que não é deste mundo (João 18:36).

Nosso espírito se torna uma nova criatura, recriado pelo Espírito Santo diretamente dentro do Reino de Deus.
"Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo." (Tito 3:5)
Fomos regenerados, ou seja, gerados de novo pelo Espírito Santo. Obviamente, este processo não ocorre em nossos corpos, pois claro é que não mudamos fisicamente quando nos tornamos seguidores de Jesus.

Intelectualmente, ou seja, a nível de "alma", apenas damos o primeiro passo nesta caminhada de fé, não havendo transformação instantânea em nosso entendimento. Tal transformação é gradativa.

Lembro que, quando me converti a Cristo, apesar de ter sentido algo diferente em meu coração, não podia compreender o que tinha ocorrido, apenas achei aquilo tudo muito bom. Antes de minha conversão, eu sentia uma espécie de vazio dentro de mim, mas não compreendia o porquê, cheguei a acreditar que o tal "vazio" era pelo fato de eu não ser uma pessoa religiosa.

Contudo, não é uma simples religião, com seu conjunto de doutrinas e regras, que preenche o vazio do coração do homem, mas sim Deus é quem o faz. O homem foi criado para conter Cristo dentro de si.

Gradativamente, na medida em que conhecia as Escrituras, fui compreendendo o que havia ocorrido, e por consequência, este entendimento foi gerando em mim atitudes "de dentro pra fora", cada vez mais alinhadas com esta nova realidade espiritual. Assim, pude experimentar a justiça, paz e alegria que são parte inerente do Reino de Deus.

Assentados nas Regiões Celestiais



Conforme já ensinei anteriormente, não podemos depender de nossos sentidos físicos (os quais são parte dos nossos corpos), nem dos sentimentos e emoções da nossa alma para conhecermos e compreendermos o mundo espiritual. É necessário um "espelho", que é a Palavra de Deus, para que possamos nos enxergar como somos no nível do espírito.

Quando Deus nos salva, Ele cria em nós um espírito que já faz parte do Reino de Deus, e nos faz assentar com Cristo em lugares espirituais, os quais não vemos, nem sentimos, nem cheiramos, etc.
"Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;"
(Efésios 2:5-6)
Quando lemos o livro de Efésios, desde seu capítulo primeiro, observamos que esta parte inicial desta epístola revela muita coisa sobre como somos e onde estamos no nível do espírito. Veja que o tempo verbal usado é o passado, isso na grande maioria das vezes, sendo que, em algumas outras, é usado o tempo presente.

Quando lemos que Deus "nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo", se dependermos dos nossos sentidos naturais, vamos achar que isto tudo não passa de algo figurado, ou seja, não é uma realidade.

No entanto, quando compreendemos a diferença entre o espírito, a alma e o corpo, nossos olhos podem ser abertos para enxergar quem nós somos, e tudo o que temos nesta nova realidade espiritual. Nosso espírito já está assentado, em Cristo, reinando com Ele. Longe de ser algo figurado, o texto fala de uma realidade espiritual.

Como andarmos em espírito se não compreendemos a realidade do espírito? Não haverá como fazermos isso. É necessário, primeiramente, entender que nosso espírito está assentado em Cristo, acima de todo sofrimento e mal deste mundo e que Deus já proveu tudo para nós, sendo isto uma realidade espiritual, ou seja, isto é um fato e não algo figurado.

Buscando as Coisas de Cima


Uma vez que o nosso espírito foi regenerado - recebemos um novinho em folha - e que este espírito está em Cristo, assentado nas regiões celestiais, precisamos levar nossa alma, ou seja, nossa mente e emoções para esta mesma realidade espiritual. Precisamos buscar trazer esta realidade do espírito, primeiramente, para nossa mente.
"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.
Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;"
(Colossenses 3:1-2)
Os valores do Reino de Deus devem ocupar a nossa mente, e nossos esforços devem ser direcionados para experimentarmos a realidade maravilhosa do Reino Eterno do Senhor. Conforme já vimos na primeira parte deste estudo, não podemos obter o Reino de Deus manifestado em nossas vidas simplesmente praticando certas obras ou rituais. Ou seja, não podemos desfrutar da realidade das coisas apenas buscando ver a "sombra" delas, mas sim, vendo-as como efetivamente são.

Já vimos, na primeira lição, que os rituais e obras religiosas do Velho Testamento eram apenas sombras de algo que haveria de vir, e que a realidade das coisas se encontra em Cristo, e em forma espiritual.

O verbo grego traduzido para "pensai", no verso 2 acima citado, é fronêo que significa, dentre outras coisas, "direcionar a mente para algo, buscar ou esforçar-se por algo". Nós temos a capacidade de direcionar nossos pensamentos e desejos para qualquer coisa que quisermos, bastando para isto, que coloquemos o devido valor nela.

Em Mateus 6:21, Jesus disse que onde colocássemos o nosso tesouro, ali também estaria nosso coração. Isto mostra que nós podemos direcionar o nosso coração, e por consequência, nossos sentimentos, ideias, planos, etc. Basta que dediquemos tempo e esforço àquilo. Se valorizarmos as coisas de Deus, dedicaremos mais tempo pra o Senhor, e abriremos mão das coisas que não trazem edificação. Assim fazendo, nosso coração será direcionado às coisas do alto.

Abençoados com Todas as Bênçãos


Por falar em "dar valor" às coisas do alto, cheguei à conclusão que, por não vermos as riquezas espirituais, não damos a elas o devido valor. Mas se você meditar um pouco sobre este tema, poderá entender que, na verdade, as pessoas buscam as riquezas materiais pela necessidade de riquezas espirituais. O lado espiritual sempre tem preeminência, apesar disto ser, em geral, inconsciente.

Os homens buscam bens materiais para terem suas necessidades básicas supridas, mas além disso, desejam ter felicidade, segurança, paz, alegria, reconhecimento, desejam se sentir amadas, etc. Contudo, todas estas coisas já estão disponíveis em Cristo, de forma gratuita e plena no âmbito do espírito.
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;" (Efésios 1:3)
Quando lemos o termo "bênçãos espirituais", não compreendemos bem a que isto se refere. Geralmente, é associado a coisas como ter paz, alegria, etc. contudo, a palavra bênção, no contexto bíblico, se refere a algo bem mais abrangente. Vamos analisar o que esta palavra "bênção" trazia à mente daqueles que a conheciam desde o Antigo Testamento.

No livro de Gênesis, capítulo 27, temos aquela passagem onde Rebeca ajuda Jacó a roubar a bênção do seu pai Isaque. Se vermos o conteúdo desta bênção, poderemos compreender o potencial que existe em uma bênção:
"Assim, pois, te dê Deus do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto.
Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem."
(Gênesis 27:28-29)
A bênção que Isaque ministrou sobre Jacó fez com que a nação de Israel fosse escolhida para ser aquela que geraria o próprio Rei dos reis, Jesus Cristo, sendo uma bênção que produzirá efeitos por toda a eternidade! Através desta bênção, riquezas materiais e imateriais foram reservadas para o povo de Israel. Se Israel não tivesse se afastado do seu Deus, eles seriam, certamente, a nação mais poderosa da terra, além de a mais rica.

Veja que tudo está na bênção! Termos sido abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais não significa apenas que temos paz e alegria, mas sim que temos simplesmente tudo o que Deus Pai deu a Cristo, ou seja, poder, autoridade, prosperidade, saúde, e um reino eterno de paz e alegria que jamais passará. Tudo isto está nesta bênção espiritual: é real, contudo, invisível, mas que pode e deve se manifestar aqui neste mundo, ainda que não de forma plena, pois o mundo não está em Deus, mas no maligno. A plenitude desta bênção se manifestará quando da vinda do Senhor Jesus à Terra.

Coração Iluminado


Imagine que você está em um quarto escuro. Neste quarto existem móveis, roupas, objetos espalhados pelo chão, e assim por diante. Se você tentar caminhar por ele, poderá esbarrar em alguma coisa ou mesmo quebrar algum dos objetos. Contudo, se você consegue acender a luz, verá tudo muito bem e poderá dispor dos objetos como queira.

Minha pergunta é: quando tudo estava escuro, os objetos estavam lá? Obviamente, você responderá que sim. Mas, apesar de estarem todos os objetos lá, você teria bastante dificuldade em dispor deles, isto porque estava escuro e você não conseguia enxergar e manipular corretamente os objetos.

A mesma coisa acontece quando não compreendemos o que a palavra de Deus nos ensina sobre a realidade do espírito, as bençãos espirituais e quem nós somos em Cristo. Estaremos como alguém que está andando no escuro e não consegue dispor das coisas que já estão lá mas que estão invisíveis.

Por isso, é necessário acendermos a luz para que possamos enxergar aquilo que já é nosso através de Jesus Cristo. Esta era a oração do apóstolo Paulo pela igreja de Éfeso:
"Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações: (...) Tendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;" (Efésios 1:16-18)
Podemos ver que o apóstolo não orava para que Deus abençoasse os efésios, mas sim, para que Deus iluminasse o coração deles, de forma a que eles compreendessem o que já lhes era dado em Cristo. A partir do momento em quê você conhece as "riquezas da glória" e o "poder" disponíveis em Cristo, você poderá começar a dispor deles para poder cumprir a sua missão aqui na terra de forma primorosa.

Conclusão


O novo nascimento nos elevou a mais alta posição em espírito, sendo que, para que possamos dispor das bênçãos espirituais que nos foram dadas, é necessário termos o nosso coração iluminado pela revelação do Senhor.

Vamos compreender mais sobre as características da nova criatura nas próximas lições. Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 12 de março de 2018

Andando em Espírito 2 - Guiados pela Palavra


Como podemos andar em espírito? Será que alguém espiritual é aquela pessoa que está o tempo todo sentindo amor, alegria, paz, paciência, etc.? Ou será que precisamos agir mesmo quando não sentimos vontade de fazer o que a Palavra manda?

Quando eu me converti a Cristo, sofri muito quando percebi que as vontades pecaminosas ainda continuavam em mim, cheguei a duvidar de que realmente havia ocorrido alguma mudança efetiva, pois, apesar de eu desejar servir ao Senhor, os sentimentos eram misturados.

Nesta lição de hoje, veremos que andar em espírito não significa ser guiado pelos sentimentos, mas sim pela Palavra de Deus!

A Luz que Ilumina Nosso Caminho


Não é possível tocarmos no mundo espiritual com nosso corpo físico, tampouco nossos sentimentos e emoções revelam a verdade sobre o Reino de Deus, nem sobre o império do adversário. Por que é assim?

O mundo espiritual é uma realidade separada do mundo físico e é regido por outras leis; as leis da natureza não funcionam no mundo espiritual, e nem mesmo nosso intelecto foi criado com a capacidade de compreender esta outra dimensão em sua forma plena. Para isto, Deus nos deu um espírito, o qual é um ser pertencente à realidade espiritual e é capaz de compreender as coisas espirituais.

Assim, para que possamos agir de acordo com o novo espírito recebido de Deus, precisamos do conhecimento e sabedoria revelados pela Palavra.
"Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho." (Salmos 119:105)
Muitas pessoas vêem este versículo como algo puramente poético, quando, na verdade, ele fala de algo muito prático: é a Palavra que nos ilumina o mundo invisível, nos mostrando como precisamos agir no nosso dia a dia.

O mundo em que vivemos é um mundo de escuridão espiritual, as pessoas buscam toda sorte de orientações e conselhos em fontes espirituais que são malignas, já outras pessoas ignoram a realidade espiritual à sua volta e vivem completamente alheios à existência de Deus, espíritos, anjos, demônios, etc.


Imagine que você está em uma floresta perigosa, com diversos animais peçonhentos, tais como cobras, aranhas, insetos, etc.; além disso, está de noite e sem lua cheia. Que situação mais assustadora, não é? Além disso, você está com fome, mas ficou paralisado por não conseguir nem ao menos caminhar. De repente, você descobre que está com uma lanterna militar na sua mochila, e quando você a acende, consegue enxergar tudo muito bem ao seu redor. Além disso, a luz forte espanta muitos animais que estavam cercando você!

Esta ilustração acima mostra bem como funciona a Palavra de Deus neste mundo de escuridão: os espíritos malignos que nos cercam são expostos, e mais que isto, eles fogem diante da forte luz de Cristo que está em nós. O comportamento humano também é exposto revelando que tipo de espírito está por trás das ações dos homens.
"Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos." (1 João 2:11)
Quando somos manipulados pelos sentimentos, e não guiados pela palavra, podemos estar andando em trevas espirituais, esquecendo-nos de quem Deus é e de quem nós somos em espírito. O verso acima mostra que, ao andarmos segundo a carne e odiarmos nossos irmãos, agimos como alguém que está sem a lanterna em uma floresta escura, a qualquer momento, poderá ser atingido por um escorpião ou serpente, e nem ao menos saberá o que o atingiu!

Um Espelho para o Mundo Espiritual


Uma outra forma de enxergar a Palavra de Deus é vê-la como um espelho que nos mostra quem somos em espírito.
"Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era."
(Tiago 1:23-24)

Quando ouvimos ou lemos a Palavra de Deus, enxergamos a verdade sobre o mundo espiritual ao nosso redor, e estas verdades devem nos levar agir de acordo com as revelações que recebemos. Tiago nos alerta para o fato de que se ouvirmos a Palavra e não obedecemos é como se estivéssemos olhando em um espelho para nosso rosto, e após sairmos da frente do espelho, nos esquecemos de como somos.

O apóstolo Paulo também fala sobre o fato de que hoje nós vemos a Deus e as verdades sobre o reino espiritual através de um espelho.
"Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." (1 Coríntios 13:12)
A palavra grega traduzida para "enigma" - αἴνιγμα (ainigma) - quer dizer "algo dito de forma obscura". Definitivamente, isto não quer dizer que a Palavra de Deus seja obscura, mas sim que, estando nós neste mundo de trevas, a Palavra não fica tão clara em nossas mentes, tendo em vista que nascemos e crescemos neste mundo de pecado, sendo que o aprendizado da Palavra é gradativo. Este mundo jaz no maligno e não em Deus.

É interessante notar que, na época bíblica, os espelhos não eram tão bons quanto os que temos hoje, pois eram mais semelhantes há uma panela inox bem polida. Ou seja, a imagem refletida nos espelhos de então não era tão perfeita como as que temos hoje.

Assim também acontece quando enxergamos a realidade espiritual através da palavra de Deus, a nossa visão do mundo espiritual será melhor à medida em que vamos adquirindo conhecimento de Deus revelado pelas Escrituras Sagradas. Quanto mais nós formamos em nossa mente a imagem mais e mais nítida do mundo espiritual, mais teremos condições de andar em espírito.

Não Andando por Vista nem por Emoções


Cheguei a achar que quando fosse alguém espiritualmente maduro, eu não seria mais afetado por sentimentos negativos, tais como angústia, medo, frustração, etc. Contudo, o fato de você se tornar mais e mais maduro na fé não significa que deixará de ter sentimentos. Os sentimentos fazem parte de nossa natureza, sendo reflexos dos sentimentos do próprio Deus.

Nosso Senhor Jesus Cristo, cordeiro imaculado do Pai, também teve sentimentos de medo e angústia ao se aproximar do momento em que levaria os pecados de toda a humanidade na Cruz do Calvário:
"E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se.
E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai."
(Marcos 14:33,34)
Ora, se nosso Mestre e Senhor, o qual nunca pecou, passou por sentimentos assim, quem somos nós para querermos estar acima de qualquer angústia ou sentimento? Contudo, Jesus não se moveu por eles, pois clamou ao Pai por socorro, e, sendo atendido, foi fiel até a morte!

Isto mostra que alguém que é espiritual não é alguém desprovido de sentimentos e emoções, mas sim alguém que segue em frente, guiado pela Palavra, e busca ao Senhor por socorro em tempo de necessidade.

Vivendo Pela Fé


Assim sendo, amados do Senhor, andar em espírito, essencialmente, significa andar por fé, olhando para coisas espirituais através do espelho da Palavra e não sendo guiados pelas circunstâncias ao nosso redor (mundo físico), nem pelos sentimentos e emoções da alma (mundo psíquico).
"Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor;
Porque andamos por fé, e não por vista."
(2 Coríntios 5:6-7)
A nossa fé precisa ser sobre a Palavra de Deus, que revela a verdade sobre tudo. Esta fé viva nos leva a agir com base em algo muito firme. A fé não é um "tiro no escuro", mas é exatamente o contrário: é uma atitude certeira sobre algo que foi iluminado em seu coração pela revelação do Espírito Santo.

Muitas pessoas no mundo dizem que tem fé, contudo, ao olharmos para as suas vidas, observamos que elas não obedecem ao evangelho, são guiadas pelas circunstâncias e sentimentos, se desesperam frente às adversidades e temem a morte física. O que demonstra que, realmente, tais pessoas não tem fé, pelo menos, não a fé bíblica, que é gerada pela Palavra de Deus quando ilumina nosso coração.
"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus." (Romanos 10:17)
Quando olhamos para o espelho espiritual da Palavra de Deus e contemplamos quem somos em Cristo, esta imagem irá nos levar a agir de forma diferente da forma do mundo. Obviamente, como já falado, esta imagem irá se tornar mais e mais clara, na medida em que dedicarmos tempo para "ruminar" (meditar) nas revelações, e também nos afastarmos da má influência do mundo pecaminoso.

Conclusão


Andar em espírito significa, essencialmente, andar pela fé na Palavra de Deus, crendo nela e, como consequência, agindo de acordo com ela.

O escritor aos Hebreus assim resume a atitude de Moisés quando fugiu do Egito: "porque ficou firme, como que vendo o invisível" (Hebreus 11:27). Esta imagem da realidade da Palavra vai se tornando mais e mais concreta dentro de nós, em nossa alma, e nos levará a produzir ações correspondentes.

Que a graça do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 5 de março de 2018

Andando em Espírito 1 - Obras e Rituais


O que é "andar em espírito"? Se você é cristão, já ouviu a expressão "fulano é alguém espiritual", ou já pode ter ouvido esta outra: "beltrano é alguém carnal". Afinal de contas, o que significa ser alguém espiritual ou ser alguém carnal?

Bem, a Palavra de Deus nos diz que devemos andar em espírito, e isto é algo que precisamos entender. Nesta nova série de estudos, vou mostrar como nós, cristãos nascidos de novo, podemos atender a este mandamento do Senhor e andarmos em espírito.

Vejamos o que as Escrituras nos falam no que diz respeito a este tema:
"Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.
Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.
Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei."
(Gálatas 5:16-18)
Ora, "andar em espírito" não significa que nosso espírito irá sair de nosso corpo e começar a andar por aí, mas sim que iremos viver a nossa vida tendo por base as realidades espirituais da nossa nova vida em Cristo.

Convido você a mergulhar neste novo estudo que irá nos ensinar sobre este importante tema.

Andar em Espírito: Um Mandamento


No verso 16 visto acima, temos um mandamento: "andai em espírito" (aqui, estou colocando o termo "espírito" com o "e" minúsculo para demonstrar que entendo ser o espírito humano). O verbo original em grego está realmente no tempo "imperativo", que é o tempo verbal que expressa uma ordem, pedido, conselho, etc.

Logo depois, temos "...e não cumprireis a concupiscência da carne", neste caso, o verbo está em um tempo verbal chamado aoristo, que não possui correspondente em português, mas que pode ser traduzido como gerúndio + particípio, ou seja, poderia ser traduzido como "não tendo cumprido". Isto mostra que quando andamos em espírito, por consequência, não cumpriremos os desejos da carne.

Esta forma de ver o andar em espírito pode ser estranha para muitas pessoas, pois fomos ensinados a ver a religião como um conjunto de regras que obedecemos para agradarmos a Deus. No entanto, a salvação trazida por Jesus é muito mais que uma religião e não se resume a um conjunto de regras.

Quando andamos da forma como Deus ordena, nós não andaremos em pecados. Mas esta forma santa de viver é uma consequência, um sub-produto, do "andar em espírito". Assim, antes de explicar o que significa "andar em espírito", gostaria de mostrar a você que seguir preceitos religiosos, ainda que seja a religião cristã, não significa que você está andando em espírito.

Regras e Rituais


Em Gálatas 5, vemos um claro contraste entre o "andar pelo espírito" e o "andar pela carne". A partir do verso 19, o apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, mostra quais são estas obras da carne: adultério, prostituição, impureza, lascívia, iras, contendas, etc. Quem pratica estas obras não está agradando a Deus, pois são obras pecaminosas, ou seja, vão contra a natureza divina.

Chega a ser intuitivo o fato de que, se as pessoas praticam estas obras, isso irá provocar destruição na sociedade. Assim, a grande maioria das religiões cria regras pra controlar o comportamento das pessoas, procurando evitar os males advindos de um comportamento maligno. Mas, será que apenas obedecendo estas regras religiosas, nós podemos realmente agradar a Deus? E será que obedecer a esses preceitos podem nos mudar realmente?
"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:
Não toques, não proves, não manuseies
As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;" (Colossenses 2:20-22)
O versículo acima mostra que as religiões e suas regras não são coisas de Cristo, mas sim coisas do mundo, pois foram criadas por homens e não reveladas por Deus (a exceção é os rituais da Lei de Moisés, os quais explicarei mais adiante). Desta forma, apenas obedecer a regras e rituais, ainda que demonstrem auto controle e disciplina, não nos ligam de volta a Deus, pois apenas Cristo pode fazer isto.

De fato, se apenas obedecermos a ordenanças, regras e rituais, estaremos andando segundo a carne, e não segundo o espírito. Veja o verso seguinte ao citado acima:
"As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Colossenses 2:22,23)
Certa vez, um irmão novo convertido me falou que, agora que ele havia sido batizado, gostaria de saber o que "podia e o que não podia" na igreja, e quais eram as "regras" pra ser cristão. Tentei explicar a ele que a vida cristã não era um conjunto de regras, mas que ele poderia se orientar pela regra do amor:
"Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Gálatas 5:14)
No demais, a vida cristã pode ser resumida da seguinte forma: Cristo nos torna novas criaturas, mortas para o pecado e vivas para Deus; a partir de agora, precisamos aprender quem é esta nova criatura e andar de acordo com ela!

"Se queres ser perfeito..."


Certa vez um jovem rico veio até Jesus para saber como herdar a vida eterna. Apesar de esta história estar nos 3 evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), usarei a versão de Mateus. Bem, ao responder ao jovem, Jesus fala o seguinte:
"Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me." (Mateus 19:21)
Aquele jovem sabia que "havia algo mais", e ele desejava isto, contudo, não foi capaz de se desfazer dos bens, já que era rico, para seguir Jesus. Muitas pessoas conhecem esta história mas não a compreendem por inteiro. Gostaria de tecer algumas considerações sobre ela.

Jesus sabia o que estava no coração do jovem, e por isso falou "se queres ser perfeito (...)". Aquele jovem também sabia que não era perfeito e que havia algo além dos mandamentos que ele já seguia desde a infância (ele afirmou isso verso 20). O jovem sabia que apenas seguir mandamentos, ainda que dados por Deus, não o havia tornado "perfeito".

Jesus veio trazer algo que a Lei de Moisés não podia trazer: a justificação e a perfeição!

Somente através de Jesus Cristo somos aperfeiçoados diante de Deus, contudo, isto não vem através da observância de regras e rituais religiosos. Apenas fazer certa obra, ou cumprir certo ritual não tem poder para fazer a transformação que o homem precisa: uma transformação no espírito humano.

A Lei de Moisés: Uma Sombra


Infelizmente, a igreja do Senhor parece não compreender a diferença entre a Antiga e a Nova Aliança, e tenta misturar as duas alianças, sendo que não há compatibilidade entre elas: ou você está em uma ou está em outra.
"Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído." (Gálatas 5:4)
Na Nova Aliança, que é uma aliança muito superior à antiga, Deus nos dá aquilo que a Lei de Moisés não conseguia dar, pois Deus nos torna novas criaturas (2 Coríntios 5:17) e nos aperfeiçoa. Aperfeiçoar significar tornar "perfeito", ou "completo". Esta realidade é espiritual, contudo é bem real, e não apenas teórica, como alguns pensam.

Os diversos rituais, ofertas e sacrifícios trazidos pela Lei de Moisés eram apenas sombra de coisas futuras e não a realidade das coisas. Tais rituais não tinham a capacidade de nos tornar perfeitos em espírito, mas apenas apontavam para algo que haveria de vir, ou seja, apontavam para Cristo e a Nova Aliança.

Falando sobre a Velha Aliança (a Lei de Moisés), o escritor aos Hebreus assim fala:
"Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço;
Consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção."
(Hebreus 9:9,10)
Mesmo os rituais dados por Deus para o povo hebreu não tinham o poder de torná-los justos aos olhos de Deus. De qualquer forma, eles precisavam ter fé naquilo que faziam, e, através da fé na Palavra de Deus, eram justificados, no entanto, o ritual em si não o fazia, mas sim a fé.

Muitos cristãos ainda buscam se justificar por meio de rituais sem ter uma compreensão clara do porquê da Lei de Moisés. Desta forma, tentam compatibilizar as alianças e fazer uma espécie de mistura entre elas, sendo que cada denominação faz a sua própria mistura, o que faz com que haja muitas diferenças doutrinárias entre as diversas denominações cristãs.
"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,
Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo."
(Colossenses 2:16,17)
Precisamos entender que até mesmo coisas como a guarda do sábado não foram projetados para a Nova Aliança, mas são sombras de coisas que temos hoje em Cristo. Estas figuras buscavam formar na mente dos homens uma imagem física de coisas que haveriam de vir, de forma a permitir que Deus preparasse o caminho para a Nova Aliança através de sangue, o sangue do próprio Filho de Deus.

Não há como eu tratar aqui sobre cada figura usada na Velha Aliança e o que ela representava na Nova, nem há como mostrar os propósitos da Lei de Moisés, portanto, indico o meu estudo sobre a Verdadeira Natureza de Deus Parte 11 - Os Propósitos da Lei, que poderá lançar mais luz sobre este tema pra você.

A Justificação Mediante a Fé


Ser justificado significa que Deus nos torna justos perante Ele. Esta justificação não podia ser obtida pelas nossas próprias obras. A Lei de Moisés restringiu o pecado pelo temor, pelo medo da morte, pois muitos dos pecados eram punidos com morte. Isto serviu de preparação para a vinda de Jesus, mas não foi projetado para continuar para os que se convertessem a Cristo.

Vamos examinar o que Deus nos fala no livro de Romanos:
"Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne;" (Romanos 8:3)
A Lei era um conjunto de regras, rituais e sacrifícios que foram ordenados ao povo de Israel, no entanto, eles não conseguiam se manter nessa Lei por muito tempo sem falhar. Na verdade, este era o objetivo: expor o coração pecaminoso do homem. Assim, a lei estava "enferma" (fraca) pela carne do homem, que era pecadora. Mesmo que a Lei fosse de Deus, ou seja, era algo espiritual, os homens estavam escravizados pelo pecado, não sendo capazes de obedecer aos mandamentos com perfeição.

Deus envia o Seu Filho Jesus, em forma de homem, e Jesus é feito pecado por nós, recebendo sobre Si mesmo a condenação do pecado através de Sua morte na cruz. Assim, o pecado é condenado em Jesus, e nós podemos, através da fé, receber o perdão dos nossos pecados e a vida eterna.

Esta grande salvação não vem através de nada que façamos, ela é imputada por Deus quando cremos neste sacrifício de Jesus. É uma salvação gratuita, sendo-nos, contudo, exigida a para que a recebamos.

Assim sendo, somente através do milagre do novo nascimento, trazido por Jesus, é que nós podemos receber este presente de Deus: a regeneração (recriação) de nosso espírito; um espírito novo, santo, perfeito, para podermos servir a Deus em "novidade de espírito":
"Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra." (Romanos 7:6)

Conclusão


Nesta primeira parte sobre o "andar em espírito", entendemos que não são através de obras ou rituais que andamos em espírito. Inclusive, ao seguirmos tal mentalidade, estamos, na verdade, andando segundo a carne.

Nas próximas lições, veremos como conhecer quem nós somos em espírito, a fim de andarmos de acordo com esta nova realidade em Cristo.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

Não estejam inquietos por coisa alguma

Imagem 1: a ansiedade tem atingido boa parte da população. Viver uma vida sem preocupações e inquietações é praticamente uma utopia nos dias...