domingo, 9 de junho de 2019

No Secreto com o Pai


"E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente."
(Mateus 6:5-6)
Existem excelentes oradores que sabem usar muito bem as palavras e provocam uma impressão forte nas pessoas. Claro que não é errado orar em público, contudo, Jesus mostrou que a oração que Deus presta mais atenção não é aquela feita perante o público, mas a que é feita no privado, quando você estiver a sós com o Pai.

É comum as pessoas falarem sobre eu e minha esposa de forma positiva, elogiando a nós como casal, por nos verem juntos, ministrando, ou em outras ocasiões. Mas será que a vida pública de uma pessoa revela realmente como está o relacionamento íntimo do casal? Já vi muitos casais famosos que, diante das câmeras, ou perante a sociedade, pareciam estar super bem, mas, de repente, se separam.

Isso ocorre porque, na vida pública, nós apresentamos uma imagem meio que "maquiada" de nós mesmos, enquanto que no privado, somos quem realmente somos de fato (sem maquiagem).

É muito interessante quando Jesus fala que o Pai "está em secreto", ou seja, um relacionamento muito íntimo e pessoal não é algo público, mas secreto! Deus deseja esse tipo de relacionamento conosco: algo edificado na nossa vida privada. Assim, quando estivermos em público, orando, pregando ou fazendo qualquer outra coisa, poderemos ser verdadeiros no que diz respeito à nossa vida de oração. Não sendo necessário "simular" uma intimidade com Deus que não temos.

Se lembrarmos, ainda, de nossos momentos maravilhosos de amor com nossos cônjuges, feitos no secreto dos nossos quartos, compreenderemos o que Jesus quis dizer nos versos acima: um relacionamento íntimo, constante e prazeroso é desenvolvido "no secreto" e não de forma pública.

Jesus chama a atenção para o fato de que o Pai deseja orações que sejam fruto desse tipo de relacionamento - íntimo - com o Pai e não meros rituais religiosos. E isto só é conseguido através da nossa dedicação em nosso momento devocional diário, no "secreto" de nosso aposento, onde podemos construir essa intimidade.

O resultado desse tipo de relacionamento com Deus é mostrado por Cristo, quando diz que seremos recompensados "publicamente". A "honra" (reconhecimento público) é algo que vem quando adquirimos a sabedoria de Deus, a qual Ele ministra àqueles que O conhecem de forma mais íntima, assim com a Escritura nos revela em Provérbios 3:17:
"Vida longa de dias está na sua mão direita; e na esquerda, riquezas e honra." (Provérbios 3:16)
Enquanto que os que buscam a glória dos homens perderão a glória que vem de Deus!

Desenvolva uma vida de comunhão e intimidade com seu Pai Celestial, no seu "lugar secreto" de oração, adoração e meditação e deixe com Deus todo o restante. Deus sabe cuidar muito bem dos Seus filhos.

Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 20 de janeiro de 2019

O Espinho na Carne do Apóstolo Paulo - Parte 3


A falta de entendimento sobre o espinho na carne do apóstolo Paulo acabou se tornando uma brecha, na igreja, que traz incredulidade, principalmente no que diz respeito à cura divina. Creio que este entendimento foi superado nos textos anteriores, onde mostrei que o espinho era um demônio e que não foi enviado por Deus.

Além disso, procurei mostrar que não poderia ser uma doença, pois a Nova Aliança contém promessas claras sobre o fato de Deus já nos ter abençoado com cura e autoridade sobre demônios, de sorte que não existe a possibilidade de Deus "abrir exceção" e negar tais promessas. Caso ainda haja dúvidas em sua alma sobre tal verdade, recomendo o estudo da minha série de vídeos sobre cura divina, conforme citado no texto anterior.

Neste texto, explicarei a você porque Deus não pôde (isso mesmo, não "pôde") remover o espinho na carne de Paulo e quais as implicações disso para nós.

As perseguições por amor a Cristo


Entrarei em um assunto que também é vasto, assim como o assunto da cura, portanto, caso ainda restem dúvidas em seu coração, sugiro que você acompanhe a série de estudos (link para o primeiro texto e link para o primeiro vídeo da série) da nossa irmã Bruna Monastirski, acerca do sofrimento humano. Ela aborda esta temática de maneira mais profunda, sendo que, neste texto, darei apenas algumas pinceladas no assunto.


No texto passado, vimos que o espinho na carne remonta a pessoas através da quais o povo de Deus é perseguido. Isto acontecia no Velho Testamento e acontece no Novo. Pessoas são usadas pelo inimigo como instrumentos do mal a fim de nos bater, assim como foi com Paulo.

Jesus advertiu que aqueles que O perseguiram também perseguiriam os discípulos que viriam depois. O Senhor usou a seguinte lógica:
"Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa." (João 15:20)
O lado positivo desta verdade é que aqueles que, potencialmente, dariam ouvidos a Jesus também poderão nos dar ouvidos no que diz respeito à Palavra de Deus, ou seja, é uma moeda de dois lados.

Ora, voltemos a falar sobre as perseguições por amor a Cristo. Tal perseguição não tem origem natural, mas sobrenatural; o "deus deste século" cegou os homens descrentes de uma forma que eles não compreendem o que estão fazendo. Jesus chega a dizer, alguns versos depois, que o diabo levaria os homens "religiosos" a perseguirem o povo de Deus a ponto de lhe matar, mas crendo estar operando um serviço divino:
"Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus." (João 16:2)
Se conectarmos este verso acima com outros versos do evangelho de João, poderemos observar qual a origem dos desejos homicidas que enchem os corações dos perseguidores do evangelho:
"Mas agora procurais matar-me...
Vós [os judeus religiosos] fazeis as obras de vosso pai...
Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira."
(João 8:40,41,44)
Agora fica claro que o diabo impulsionava o desejo homicida naqueles que perseguiam o apóstolo Paulo, quando buscavam matá-lo. Isto aconteceu com nosso Mestre Jesus, aconteceu com Paulo e acontecerá com todo aquele que procurar servir a Deus. O nível de perseguição poderá ser maior ou menor, mas sempre existirá.

Nossa atitude diante da perseguição


Naturalmente, ninguém gosta de ser perseguido, pois a perseguição infligida pelo inimigo pode se manifestar de muitas formas cruéis. Pode começar com ataques verbais, tais como acusações, injúrias, mentiras, etc.; ou desbancar para coisas como prisões, tortura e morte. O nível de perseguição depende da medida de espaço que satanás consegue na sociedade respectiva: suas leis e sua cultura.

De fato, podemos entender, pela Bíblia, que, ao perseguir a Igreja, Jesus também se sente perseguido. Veja o que o próprio Cristo falou para Paulo, quando da ocasião do encontro na estrada de Damasco:
"E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. (...)"
(Atos 9:4-5)
Ao perseguir ferozmente os cristãos, Paulo, na verdade, estava perseguindo ao próprio Jesus. A Igreja é o Corpo de Cristo na Terra, conforme atestam as Escrituras (1 Coríntios 12:12; Efésios 1:23; Colossenses 1:18), e persegui-la é a mesma coisa que perseguir Jesus, a cabeça deste corpo. Afinal, ninguém pode afirmar que "o seu corpo é perseguido, mas a cabeça é deixada em paz".

De qualquer forma, o próprio Jesus deixou as orientações necessárias para que pudéssemos passar pela perseguição e, ainda, aproveitá-la para crescimento. Vejamos o que o Mestre falou:
"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós."
(Mateus 5:11-12)
Não há como você se alegrar em meio ao sofrimento se não tiver um alvo bem definido. Já ouvi relatos de pessoas que passaram anos estudando para entrar em algum concurso público de alto salário. São histórias semelhantes: abnegação, perseverança, foco, dentre outras palavras, são usadas para descrever esses momentos de esforço. Contudo, ao vencer a difícil etapa de passar no concurso, vem a recompensa na forma de um bom emprego, com estabilidade e segurança. Os poucos meses (ou anos) de estudo se transformarão em décadas de recompensa, tanto para si como para a família do felizardo concurseiro.

Quando se tem a promessa de uma boa recompensa, tem-se um fator que servirá de combustível para que encaremos os sofrimentos com um ânimo correspondente. Jesus não promete uma vida sem sofrimentos ou perseguições, mas Ele prometeu que seremos abençoados e felizes se nós formos perseguidos por amor a Ele, desde que tenhamos a atitude correta de olhar para o alvo, para a recompensa que nos está prometida.

O próprio apóstolo Paulo, ao escrever aos romanos, demonstra que possuía um alvo eterno que o motivava a avançar frente às adversidades:
"Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." (Romanos 8:18)

Sim, haverá perseguições por causa da Palavra, contudo o Mestre nos ensina que haverá um maior galardão e, quando Deus assim promete, podemos confiar que será uma grandíssima recompensa.

Paulo "entende o recado"


Quando o Senhor falou para Paulo "a minha graça te basta", Ele não estava dizendo um "não", mas estava redirecionando o coração do apóstolo para que este pudesse ter seu foco na recompensa que estava diante dele, e não nos sofrimentos causados pela pesada perseguição sofrida.

Vamos examinar o texto que estamos estudando aqui:
"Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte."
(2 Coríntios 12:8-10)
Afligido pela perseguição, Paulo ora ao Senhor para que este impeça o demônio de agir, através dos homens, a fim de esbofeteá-lo. O Senhor responde no sentido de que a graça seria suficiente para sustentá-lo.

Explico que graça se refere a tudo o que Cristo proveu na Cruz para nós: proteção, cura, provisão, vida eterna. Ao longo da história da vida deste grande homem, vemos que Deus protegeu Paulo da morte diversas vezes, inclusive de uma morte por apedrejamento (Atos 14:19), outra vez, da morte através da mordida de uma víbora (Atos 28:3-6), dentre outros livramentos. Além disso, Deus o supriu, o fortaleceu e o conduziu ao longo de décadas de perseguição e privação: a graça de Deus foi suficiente para Paulo.

Ao final de sua vida terrena, Paulo diz: "combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" (2 Timóteo 4:7) e se prepara para receber a sua "coroa" (verso 8), não uma recompensa terrena e temporária, mas uma recompensa eterna.



Por que Deus não remove a perseguição?


Esta é uma pergunta natural, principalmente para um novo na fé, embora muitos "velhos convertidos" não saibam respondê-la. Após este pequeno estudo, a pergunta, na verdade, deveria ser esta: Será que Deus pode impedir satanás de agir através de pessoas?

Tentarei respondê-la em poucas palavras, já que é uma questão que envolve um análise mais aprofundada.

Quando Deus criou Adão, não havia o pecado no homem. Sem pecado, satanás não poderia agir na humanidade. Quando satanás tentou Eva, ele a tentou para "comer da árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gênesis 3:1-6). Ora, Deus havia dito a Adão que se este comesse de tal árvore, ele morreria. Quando Adão comeu, aparentemente, não morreu, porque Deus falava de morte espiritual, embora a morte física haja acompanhado à espiritual posteriormente.

Quando Adão e Eva, voluntariamente, pecaram e comeram da árvore de conhecimento, eles abriram a porta para que satanás habitasse na Terra e pudesse influenciar o homem com conhecimento, desta vez, um conhecimento "misturado" (bem com mal). À medida que o homem se aprofundava no conhecimento maligno, satanás obtinha mais e mais acesso para manipular os seres humanos e estabelecer seu império de morte sobre a Terra. Algumas gerações após o pecado, simplesmente todo pensamento humano se tornou maligno (Gênesis 6:5), então Deus anuncia o dilúvio e prepara a salvação da humanidade através da Arca de Noé.

Basicamente, Deus não impede que um ser humano cometa pecado e dê lugar a satanás. Se Deus manipulasse assim a vontade humana, Ele teria criado apenas robôs, e não teríamos a capacidade de amar, pois o amor verdadeiro sempre será uma escolha. Como fomos criados "à imagem e semelhança de Deus", nos foi dada a capacidade de escolher entre amar ou não amar. Além disso, Deus entregou ao homem o domínio sobre a Terra (Gênesis 1:26-28) e, assim fazendo, Ele faz com que nós tenhamos que escolher escolher nosso caminho.

O Juízo de Deus


Deus estabeleceu que irá julgar o mundo e todas as obras dos homens (João 12:48; Atos 17:31; Romanos 2:16, dentre outros), mas tal dia ainda não chegou. Assim sendo, se Deus realmente fosse impedir satanás de operar através dos homens, Ele teria que executar o juízo final agora mesmo. Ocorre que ainda há tempo para arrependimento e salvação para a humanidade, embora este tempo esteja se esgotando.

Podemos, contudo, confiar no Senhor, sabedores que Ele, por Sua graça, irá nos conduzir neste mundo em trevas, nos livrando do mal e nos fortalecendo para que possamos cumprir nossa missão, assim como foi com o apóstolo Paulo.

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O Espinho na Carne do Apóstolo Paulo - Parte 2


No texto anterior (parte 1 desta meditação), pudemos compreender que não foi Deus quem enviou um mensageiro para afligir Paulo, algo que este intitulou "espinho na carne". De fato, era um mensageiro (anjo) de satanás e, portanto, desejava barrar a obra do Senhor na vida do apóstolo.


Nesta segunda parte, vamos examinar como agia o mensageiro de satanás na vida de Paulo, ou seja,
veremos como o "espinho" se manifestava no mundo natural. Muitos dizem que as Escrituras não revelam como o espinho se manifestava, contudo isto não é verdade.

Como o mensageiro de satanás agia


Vencida a primeira etapa, onde entendemos que o espinho na carne de Paulo não foi dado por Deus, mas sim pelo adversário, a fim de barrar a obra que Cristo fazia através daquele grande apóstolo, resta-nos compreender, ainda, como se manifestava o espinho na vida de Paulo. Seria uma doença? Seria algum sentimento de culpa? Seriam problemas financeiros?

Primeiramente, trataremos da teoria predominante de que seria uma doença no corpo de Paulo, a qual Deus se recusara a curar, a fim de "trabalhar" o caráter do apóstolo. Gostaria, no entanto, de enfatizar que não tenho como ensinar de forma aprofundada sobre o tema Cura Divina neste texto. Já ministrei um curso sobre este tema, o qual está disponível, gratuitamente, no canal do Ministério Águios, sendo composto por 12 vídeos de 40 minutos cada. Segue o link para a playlist dos vídeos:

Curso Completo de Cura Divina

Gostaria de tecer apenas algumas considerações sobre o fato de que não é possível que Deus tenha negado cura para Paulo, mas serão apenas pinceladas, pois o assunto é vasto. Enfatizo, mais uma vez, a importância de você assistir o curso sobre Cura, em especial, se você ainda tem qualquer dúvida sobre isso (inclusive, falo sobre o espinho na carne resumidamente no vídeo 11 desse curso).

Primeiramente, a natureza de Deus é de curar e não de adoecer, as doenças são resultado do pecado e do estado caído no qual o homem se encontra. Jesus, quando morreu na cruz, levou sobre Si mesmo tanto o pecado como as suas consequências. Esta obra de salvação foi completa, contudo ela não é automática em sua manifestação.

Por mais que Cristo tenha levado sobre Si nossas iniquidades e doenças (Isaías 53:4), é necessário recebermos esta graça através da fé. A fé vem quando conhecemos a Palavra e é fortalecida quando a praticamos. E isto era algo que o apóstolo Paulo fazia.

Como já falei anteriormente, Paulo não apenas ouviu falar sobre o evangelho, ele o recebeu diretamente de Jesus, por revelação. Paulo praticava o que pregava a ponto de se fazer exemplo para a Igreja:
"Sede meus imitadores, como também eu de Cristo." (1 Coríntios 11:1)
O poder de Deus dispensado através do apóstolo não era pouco, os milagres operados não eram comuns ou ordinários...
"E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias." (Atos 19:11)
Na ilha de Malta, onde o navio que Paulo estava naufragou, simplesmente todos os enfermos foram curados através dele, tão logo souberam da cura que havia sido feita no pai do príncipe do lugar (Atos 28:8-9).

Assim sendo, não há sentido ou fundamento em se falar que Deus "abriu uma exceção" na Sua Palavra a fim de manter Paulo prisioneiro de um demônio que o molestava com uma doença. Deus não pode negar-se a Si mesmo (2 Timóteo 2:13). Na Nova Aliança, Deus nos restaura a posição perdida no Éden, onde temos autoridade e poder sobre todo demônio pelo Nome de Jesus (Lucas 9:1Marcos 16:17-18).

Poderia citar, ainda, muitas outras verdade sobre cura e saúde divinas, mas não o faço aqui por não ser o foco deste estudo, além de quê, deixaria o estudo extremamente longo. Se tiver dúvidas sobre isto, assista aos vídeos do curso sobre Cura Divina que citei!

Já ouvi outras explicações para o espinho na carne, tais como "sentimento de culpa", ou ainda que as Escrituras não mostram como o espinho se manifestava. Tecerei algumas considerações sobre isso, embora creia que não há fundamento algum para tal afirmação.

O mensageiro era um demônio


Primeiramente, lembremo-nos de que o espinho na carne era um mensageiro (anjo) de satanás, ou seja, era simplesmente um demônio enviado pelo príncipe dos demônios a fim de "esbofetear" Paulo. Se imaginarmos que o demônio conseguia, continuamente, trazer sentimentos de culpa ao apóstolo, então estamos dizendo que o coração de Paulo estaria sempre cheio de sentimentos satânicos.

Ora, o próprio Paulo, pelo Espírito Santo, nos orienta a enchermos o nosso coração, sempre, do Espírito Santo (Efésios 5:18-20) e não permitir que nosso coração e mente sejam convencidos de culpa por satanás.

Paulo também afirma que Jesus morreu na Cruz para nos apresentar a Deus "santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis" (Colossenses 1:22, veja também Filipenses 2:15). De sorte que, Paulo tinha plena consciência de que era inculpável perante Deus, pelo sangue de Jesus Cristo, tendo sua consciência pura (Atos 24:16).

A Bíblia é muito clara quando afirma o que é o espinho na carne - um mensageiro/anjo de satanás -, mas será que ela explica COMO esse demônio agia? Veremos...

Satanás pode operar livremente no cristão?


Os demônios agem de diversas formas para atingir aos homens: doenças, acusações na mente ou coração, podem fazer uma pessoa "levitar" (Jesus foi transportado por satanás para o pináculo do templo judeu em Mateus 4:5), plantar sentimentos e ideias malignas na alma humana (homicídio, furtos, mentira e assim por diante), etc. Assim sendo, é compreensível que as pessoas pensem que o espinho na carne, que era um anjo de satanás, atingisse Paulo com doenças, sentimentos malignos ou algo do gênero.

No entanto, quando alguém se converte a Cristo, aceitando-o como Senhor e Salvador, este poder de atuação de satanás sobre o homem se torna limitado e depende da ignorância do cristão no que diz respeito às coisas de Deus. Espiritualmente, a pessoa é transportada do poder de satanás para estar sob o poder de Deus.

Quando Jesus apareceu para Paulo, Ele falou sobre o chamado do apóstolo. Dentre outras coisas, Jesus disse que Paulo seria usado...
"Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; (...)" (Atos 26:18)
Como é que Paulo abriria os olhos das pessoas e os converteria do poder de satanás para o poder de Deus?

Bem, a resposta é: através do evangelho! Quando nossos olhos são abertos, pela revelação da Verdade, poderemos exercer nossa vitória sobre o inimigo, vitória esta adquirida por Jesus através de Sua morte, ressurreição e ascensão aos Céus. Cristo nos liberta do poder (grego "exousia", que significa "autoridade") de satanás, ou seja, o inimigo não tem mais permissão para operar em nós, exceto se nós mesmos o permitirmos, seja por pecado ou por simples ignorância de quem somos em Cristo.

A origem do termo "espinho na carne"


Como bom fariseu, Paulo era versado nas escrituras do Velho Testamento, pois era um doutor da lei, discípulo de Gamaliel (Atos 5:34; Atos 22:3); não por coincidência, escreveu mais da metade dos livros do Novo Testamento. Por isso, seu linguajar é cheio de citações da Escritura velho testamentária. Vejamos dois versos que mostram a que se referem os espinhos:
"Porque, se de algum modo vos desviardes, e vos apegardes ao restante destas nações que ainda ficou entre vós, e com elas vos aparentardes, e vós a elas entrardes, e elas a vós,
Sabei certamente que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas nações de diante de vós, mas elas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos; até que pereçais desta boa terra que vos deu o Senhor vosso Deus."
(Josué 23:12,13)
"E subiu o anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado e disse: Nunca invalidarei a minha aliança convosco.
E, quanto a vós, não fareis acordo com os moradores desta terra, antes derrubareis os seus altares; mas vós não obedecestes à minha voz. Por que fizestes isso?
Assim também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão como espinhos nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço."
(Juízes 2:1-3)
Observando que a palavra "ilharga" quer dizer "qualquer um dos lados do corpo humano, dos quadris aos ombros". Basicamente, o Senhor falou que se o povo de Israel não expulsasse completamente as nações ímpias que estivessem na terra de Canaã, tais pessoas seriam como "espinhos na carne" deles. Ou seja, PESSOAS seriam como espinhos, e não doenças ou qualquer outra coisa.

Quem já teve algum espinho que penetrou em sua carne sabe muito bem qual é a sensação! Um espinho na carne é algo que está o tempo todo incomodando você, provocando dor. Em certos casos, um espinho na sua carne poderá impedir você de executar certas ações. Por exemplo: sou músico e toco violão, já tive espinhos encravados nos dedos da minha mão e sei que o tocar o instrumento pode até ser feito, mas com muita dor.

O espinho na carne de Paulo faria com que ele sentisse dor no cumprimento de seu chamado, pois pessoas seriam instrumentos de satanás para persegui-lo e afligi-lo, assim como foi com o povo de Israel.

Os sofrimentos de Paulo


Antes de falar sobre o "espinho na carne", Paulo já vinha tratando sobre os seus sofrimentos. De fato, precisamos lembrar que a divisão em capítulos e versículos na Bíblia não existe nos textos originais, tendo sido feita séculos depois.

Paulo vinha, desde o capítulo 11, falando sobre suas credenciais como apóstolo, em especial, os sofrimentos que passou pelo evangelho. Se nós analisarmos o que ele vem dizendo, poderemos perceber que ele cita pessoas como instrumentos de satanás:
"Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.
Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras."
(2 Coríntios 11:13-15)
Vemos que Paulo chama os falsos apóstolos de "ministros de satanás", inclusive usa a palavra grega ἄγγελος (ángelos), no verso 14, e que ele usará novamente mais à frente, em 1 Cor 12:7, quando diz que o espinho na carne era, também, um anjo. Sendo que, a palavra foi traduzida para "mensageiro".

Mas vamos continuar a ver os sofrimentos pelos quais Paulo passou:
"Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo;
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos;"
(2 Coríntios 11:24-26)
Se listarmos os sofrimentos de Paulo de forma mais organizada, observaremos que, boa parte deles tinha como "veículo" seres humanos. Na lista abaixo, excluí os sofrimentos que, provavelmente, eram relativos às forças da natureza (naufrágio, perigos de rios, desertos, etc.):
  • 5 quarentena de açoites dos judeus
  • 3 vezes açoitado com varas
  • uma vez apedrejado
  • perigos em viagens
  • perigos de salteadores
  • perigos dos da nação judaica
  • perigos dos gentios
  • perigos na cidade
  • perigos entre os falsos irmãos
Vemos que a grande maioria dos perigos e sofrimentos que Paulo passou era devido à perseguição que ele sofria através de pessoas, as quais serviam de instrumento de satanás para tentar impedir a propagação do evangelho através desse grande apóstolo de Cristo.

Se continuarmos a ler o capítulo seguinte, observamos que Paulo continua no mesmo assunto que já vem tratando no capítulo onze, ou seja, os sofrimentos que ele passava como apóstolo. Quando Paulo fala sobre o espinho na carne está, apenas, explicando a origem espiritual dos sofrimentos que ele passava, a fim de expor as suas credenciais apostólicas.
"Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.
Fui néscio em gloriar-me; vós me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós, visto que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, ainda que nada sou."
(2 Coríntios 12:10-11)

Conclusão


Paulo remonta a uma figura do Velho Testamento quando usa o termo "espinho na carne", o qual não se refere a doença ou sentimentos malignos, mas sim a pessoas, usadas por satanás para perseguir o povo de Deus.

Assim como foi na Velha Aliança, onde os inimigos de Israel eram comparados a "espinhos", assim, na Nova Aliança, os inimigos da Igreja e perseguidores de Paulo, também são chamados de espinhos, pois eram instrumentos para "esbofetearem" o fiel servo do Senhor.

No próximo texto, veremos o porquê da resposta dada por Deus e que é interpretada por muitos como um "não" de Deus.

Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja com a tua vida. Amém.

Pr. Wendell Costa

domingo, 6 de janeiro de 2019

O Espinho na Carne do Apóstolo Paulo - Parte 1


Quando eu era novo convertido, comecei a buscar ao Senhor na área da cura divina, pois sofria de algumas enfermidades, mas confiava que Deus era poderoso para me curar. No entanto, eu não sabia até que ponto Deus desejava curar as pessoas e o que era necessário para que a cura acontecesse.

Certa vez, compartilhei com o pastor da igreja onde congregava sobre a minha busca para ser curado de um problema nos olhos. Falei para ele que havia orado, mas não recebi a cura, daí o pastor me respondeu com a seguinte frase: "Eu também orei a Deus para ser curado de uma sinusite, mas Ele não curou, então me lembrei do espinho na carne do apóstolo Paulo".

Acho que aquilo foi um balde de água fria sobre a minha fé, pois se o grande apóstolo Paulo não pôde ser curado do seu espinho na carne, coitado de mim, apenas um novo convertido, ainda cheio de fraquezas, dúvidas, falta de conhecimento, etc., como eu poderia receber cura para as minhas enfermidades?

Ao longo de minha caminhada cristã, ouvi e li diversas interpretações para o tal "espinho na carne" que tanto afligiu o grande apóstolo. Alguns diziam ser uma doença, mais especificamente, na visão, isso devido a uma passagem bíblica (Gálatas 4:15) onde ele dá a entender que estava com algum problema nos seus olhos.

Ouvi, também, a interpretação de que seria um sentimento de culpa pelo fato dele haver perseguido a igreja do Senhor, antes de ter o encontro com Jesus, na estrada de Damasco (Atos 9). Já outras pessoas afirmam que a Escritura nada revela sobre o que seria o espinho na carne.

Contudo, a Bíblia nos mostra exatamente o que era o espinho na carne de Paulo, bem como mostra porque Deus não o removeu. Compreendendo as verdades que vou compartilhar neste breve estudo de 3 partes, você poderá remover suas dúvidas e terá sua fé purificara para crer em Deus para sua cura (se for o caso).


A razão do espinho


Nesta primeira parte deste estudo, vamos examinar a motivação que levou Paulo a receber o espinho na carne. Vejamos o que o próprio apóstolo diz:
"E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar." (2 Coríntios 12:7)
O apóstolo Paulo sempre foi muito zeloso nas coisas de Deus, de acordo com a Lei de Moisés, pois ele mesmo afirma que "excedia em judaísmo muitos de sua idade", além de demonstrar muito zelo pelas tradições recebidas pelos patriarcas (Gálatas 1:14).

Após sua conversão, Paulo continua demonstrando seu extremo zelo, tendo desafiado a morte inúmeras vezes, mesmo como "novo convertido". Para exemplificar, vou citar a passagem bíblica onde vemos que, pouco tempo após se converter a Cristo, Paulo começou a pregar Jesus e logo os judeus já planejaram matá-lo, sendo livrado fugindo da cidade através de um cesto (Atos 9:23-25).

Nada disso parou aquele apóstolo! Quantos de nós têm este mesmo "espírito"? Quantos cristãos, novos ou velhos na fé, estão plenamente dispostos a pregar o evangelho em ambiente hostil, em meio a ameaças de morte? Pois bem, Paulo demonstrou tal bravura, não fazendo caso da própria vida a fim de anunciar o evangelho da salvação, tanto para judeus como para gentios.

Paulo não aprendeu o evangelho através de homens, mas diretamente do próprio Senhor Jesus. Ele afirma:
"Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.
Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo."
(Gálatas 1:11-12)
Seu zelo por Deus o levou a buscar o entendimento "como prata e tesouros escondidos"! Paulo recebeu revelações que outros apóstolos antes dele - mesmo os que andaram com Jesus - não receberam. Sua ousadia o levou a fazer (em Cristo) muito mais que os outros (1 Coríntios 15:9-10). Desta forma, Paulo se tornou uma forte ameaça a satanás e, por isso, recebeu um tratamento diferenciado do príncipe das trevas.

O mensageiro de satanás


Antes de mais nada, é preciso compreender que o espinho na carne não foi dado por Deus, mas sim por satanás, conforme lemos na Escritura:
"...foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás..." (2 Coríntios 12:7)
A palavra "mensageiro" aqui é a palavra grega ἄγγελος (ángelos), que, na Bíblia King James, foi traduzida como "anjo" 178 vezes, e como "mensageiro" apenas 7 vezes. Assim, compreendemos que o tal mensageiro era, de fato, um demônio designado por satanás para ficar, exclusivamente, dedicando-se a atrapalhar o trabalho do apóstolo.

Por mais que a Bíblia mostre que o mensageiro/anjo veio da parte do diabo, ainda há cristãos que creem ter sido Deus quem deu o espinho na carne de Paulo! Ora, isto é inverter completamente o que está escrito, é chamar Deus de satanás. É, praticamente, uma blasfêmia e afronta ao Senhor. Acredito que, quando um cristão afirma ter sido Deus o autor do espinho na carne, ele age por ignorância, contudo, é exatamente por ignorarmos o conhecimento de Deus que o inimigo acaba tendo acesso às nossas vidas trazendo destruição (Oséias 4:6).

A fim de não me exaltar...


Um outro termo que pode provocar confusão no entendimento das pessoas é quando Paulo usa, por duas vezes no verso, a expressão "exaltar(-se)", dando a entender que havia um propósito piedoso no espinho na carne: era para que ele não se exalta-se (onde lemos: "ensoberbecesse"). Vamos analisar essa ideia...

A palavra grega original aqui usada é o verbo ὑπεραίρω (hiperéro), que significa, de acordo com o dicionário de grego bíblico Strong, "elevar(-se) sobre". Contudo, o sentido deste verbo na literatura grega clássica varia muito, encontramos as seguintes possibilidades de traduções:
  • Levantar ou elevar(-se) acima ou sobre (algo)
  • Saltar sobre (algo)
  • Ser excelente (em alguma coisa)
  • Ultrapassar/passar do limite, ir além
  • Transcender, exceder, vencer
  • Transbordar
(Fonte: Dicionário de Grego Clássico Logeion, da Universidade de Chicago. Disponível em: http://logeion.uchicago.edu/ὑπεραίρω)

Desta forma, apenas pelo sentido original da palavra grega usada, não podemos simplesmente interpretá-la como sendo "ensoberbecer", como o fazem tantos cristãos, pois a literatura grega mostra que ela pode ser usada, também, em um sentido positivo. Para exemplificar, o imperador Commodus deu o título de Ὑπεραίρων οντος (hiperéron ontos) - que traduzido quer dizer Mais Excelente - ao mês de dezembro (referência citada).

Se nós lermos, sem preconceito (ideia pré-concebida), o verso completo, veremos que o maior interessado em não exaltar o apóstolo Paulo não era Deus, mas sim o diabo. Vejamos:
"E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar." (2 Coríntios 12:7)
Se nós crermos que Deus estava nesse negócio, e desejava que Paulo não fosse exaltado, tendo, para isso, dado ordens a satanás para enviar um de seus anjos, então, fatalmente, estaremos crendo que Deus e o diabo trabalham juntos!

Mas será que a Bíblia nos dá base para crermos que Deus trabalha em conjunto com o diabo? Vejamos alguns versos...
"(...) Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo." (1 João 3:8)
"Eu e o Pai somos um." (João 10:30)
O grande objetivo da manifestação do Filho de Deus foi, exatamente, desfazer (algumas versões dizem destruir) o que o diabo fez e faz. Não há fundamento em se afirmar que Deus controla os demônios. Dizer isto é unir-se aos fariseus que blasfemaram de Jesus quando disseram: "Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios" (Mateus 12:24). Nos versos seguintes, Jesus explica que Ele não está trabalhando em conjunto com o diabo para expulsar os demônios, mas que o Seu Reino (de Deus) é inimigo do reino de satanás.

Deus exalta homens?


Outra ideia equivocada, mas que é bem comum no meio cristão, é que Deus não exalta homens, pelo contrário, os humilha. Para fundamentar isso, usa-se a conhecida passagem de Isaías 42:8 "a minha glória, pois, a outrem não darei", a fim de embasar tal entendimento.

Ocorre que, assim como um pai deseja exaltar e honrar a seus filhos, também Deus deseja elevar aqueles filhos e filhas que lhe são fiéis e andam nas pisaduras de Cristo. Vejamos o que Deus disse sobre Abraão, logo após ordenar que ele saísse da sua terra, e da sua família, a fim de obedecer ao chamado do Senhor:
"E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção." (Gênesis 12:2)
O verbo hebraico traduzido para "engrandecer" significa, dentre outras coisas, "magnificar, tornar grande/grandioso" (dicionário de hebraico Brown-Driver-Briggs). Ora, não me parece razoável afirmar que Deus desejou exaltar Abraão, um homem que cometeu diversas falhas, e impedir Paulo de ser exaltado. Já vimos como, desde o início de sua conversão, Paulo enfrentou a própria morte a fim de anunciar o evangelho de Cristo, além de ter se tornado principal apóstolo e exemplo para a igreja.

Vejamos mais um exemplo de homem falho, mas que foi exaltado por Deus: Salomão. Sabemos que, ao final de sua vida, Salomão chegou mesmo a se prostrar perante ídolos, trazidos por suas esposas estrangeiras, fazendo com que Deus se irritasse e trouxesse juízo sobre toda a nação. Contudo, por ter iniciado bem o seu reinado, buscando sabedoria de Deus para governar, o Senhor o magnificou:
"E o Senhor magnificou a Salomão grandissimamente, perante os olhos de todo o Israel; e deu-lhe majestade real, qual antes dele não teve nenhum rei em Israel." (1 Crônicas 29:25)
Concluímos, portanto, que Deus não dá a Sua glória a outros, mas que Ele exalta, sim, homens e mulheres que O amam e lhe obedecem, fazendo o que é agradável perante Sua vista. Deus usa tais homens como (bons) exemplos do que Ele pode fazer na vida de alguém que tem fé n'Ele.


Conclusão


Ao contrário do que, infelizmente, muitos cristãos pensam, não foi Deus quem deu o espinho na carne ao seu fiel servo Paulo, mas sim o diabo. Deus ama seus filhos e deseja exaltá-los a fim de usá-los como exemplo para toda a sociedade. Qual pai não quer ver seu filho em posição de destaque? Principalmente, se tal filho for alguém que siga os passos de seu pai?

Na próxima parte desta meditação, veremos como se manifestava o espinho na carne, ou seja, como o anjo de satanás agia para "esbofetear" Paulo. Ao contrário do que alguns pregam, não era doença e a Bíblia mostra exatamente como tal "espinho" agia.

Que a graça do Senhor Jesus seja com a sua vida. Amém.

Pr. Wendell Costa

terça-feira, 8 de maio de 2018

Andando em Espírito 9 - Frutificando em Fé


Embora o conceito de fé seja relativamente fácil de ser entendido, viver pela fé é um desafio diário. Precisaremos readaptar nossas mentes para podermos viver desta nova forma, pois fomos acostumados a vivermos nos baseando no que vemos e ouvimos com nossos sentidos naturais.

No entanto, ao nos convertermos a Cristo, recebemos um novo espírito e passamos a fazer parte de um Reino espiritual que nos é invisível aos olhos físicos. Desta forma, é imprescindível que aprendamos a andar, ou seja, agir, pelo espírito e não mais pelos sentidos naturais. Conforme já falei, "andar em espírito" é praticamente sinônimo de "andar pela fé" ou "andar pela Palavra", já que precisaremos viver agora nos baseando no que a Bíblia ensina.

É possível, ainda, crescer em fé. Através da nossa vida devocional, com a prática diária da oração e meditação na Palavra de Deus, nossa fé estará fortalecida para que possamos andar nela e, consequentemente, crescer nisso. Vamos compreender mais sobre este fruto.

O Que é Fé?



Podemos estudar a fé de diversas formas e as Escrituras nos dão diversas pistas sobre o que significa a fé dentro do contexto bíblico. Mas existe um versículo que explica de forma bem direta o que é a fé, vejamos:
“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” (Hebreus 11:1)
Observamos que o conceito de fé resume-se a duas coisas:

  • Certeza (grego: hypóstasis) do que estamos esperando
  • Prova (grego: élegchos) de coisas que não vemos

A primeira palavra utilizada, traduzida como "certeza", pode ser traduzida também como "fundamento", "substância", ou ainda como "aquilo que tem existência real". A segunda palavra, traduzida aqui como "prova", também pode ser traduzida como "convicção" ou "evidência".

Destas definições, podemos entender que a fé significa que você tem, dentro de você, uma evidência ou forte convicção de algo que ainda não se materializou. Mais especificamente, podemos dizer que a fé é a certeza gerada pela Palavra de Deus (ouvida ou lida) de que as coisas que Deus fala são verdadeiras, embora não estejamos vendo com nossos “olhos naturais”.

É importante ressaltar que esta convicção não pode vir de você mesmo, pois se assim for, não é a fé bíblica. A verdadeira fé é gerada pelo próprio Deus através da Sua Palavra. Como explicado na lição 2 "Guiados pela Palavra", as Escrituras, quando iluminadas pelo Espírito Santo, funcionam como um espelho que nos revela o mundo espiritual. Veja bem, se o homem acredita ou não na Palavra, isso não irá afetar o mundo espiritual, ele continuará existindo do mesmo jeito; contudo, se o homem crer e agir de acordo com a revelação, colherá os benefícios.


O Pai da Fé



A Bíblia nos dá um grande exemplo de um homem de fé: Abrão. Quando Abrão tinha 75 anos, o Senhor Deus fez uma promessa a ele:
“E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.” (Gênesis 12:2)
Só havia um problema: até aquela data, Abrão não tinha filhos, porque Sarai, sua esposa, era estéril. Ela já estava com 65 anos quando Deus falou com seu marido, já havia entrado no período da menopausa, onde há o encerramento dos ciclos menstruais e ovulatórios, fazendo com que a mulher não possa mais ser mãe.

Apesar de tal impossibilidade, Abrão acreditou que o Senhor Deus cumpriria sua promessa:
“E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.” (Romanos 4:21)

Algo Real Mas Invisível


A fé não é um "salto no escuro" como muitos pensam, mas uma convicção de coisas reais, no entanto, invisíveis aos olhos naturais. Deus, quando falou com Abrão, usou o verbo no tempo passado:
“Como está escrito: "Eu o constituí pai de muitas nações". Ele é nosso pai aos olhos de Deus, em quem creu, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência coisas que não existem, como se existissem.” (Romanos 4:17)
Embora Abrão não tivesse nenhum filho ainda (e as chances de ter um um filho com sua esposa eram nulas), Deus fala como se ele já fosse pai de nações, pois aos olhos de Deus, já havia acontecido (Deus vê o futuro como se já houvesse acontecido).

Pouco antes do filho de Abrão e Sarai nascer, o Senhor muda o nome deles: de Abrão (“pai”) para Abraão (“pai de muitos”); e Sarai (“minha princesa”) para Sara (“princesa”), de forma a fazer com que eles confessassem a promessa diariamente com suas próprias bocas.

Olhar com os olhos da fé é olhar com os olhos de Deus: vendo Sua Palavra como já cumprida.

Podemos dizer que a fé enxerga coisas invisíveis ao ponto de agirmos nos baseando em tais coisas. A fé bíblica nos deixará firmes pois "veremos" a promessa como sendo algo já feito, assim como Moisés:
"Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível." (Hebreus 11:27)

A Confissão de Fé


Certa vez, Cristo afirmou que da boca sai o que enche o coração (Lucas 6:25) e, portanto, quando nosso coração está cheio de fé, nossas palavras irão refletir esta fé.

A confissão de fé está intimamente ligada à própria fé, sendo necessária para que a fé opere:
“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.
Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação.”(Romanos 10:9-10)
As nossas palavras irão denunciar se realmente cremos ou não em alguma coisa. Uma pessoa pode até disfarçar uma crença, mas não por muito tempo! Mais cedo ou mais tarde suas palavras irão denunciar o que está em seu coração.

O discípulo de Cristo precisa se encher da Palavra de Deus para que suas palavras demonstrem uma fé genuína. É essencial que confessemos a Palavra em todo o tempo.

Veja o que o Senhor disse para Josué, o homem que levaria o povo de Deus a conquistar a terra de Canaã:
“Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.” (Josué 1:8)
Deus usou Sua própria Palavra para criar o universo e, da mesma forma, nossas palavras têm poder quando ditas em fé sincera. Você deve ter muita atenção com o que sai de sua boca, pois palavras vãs (vazias de sentido) são também consideradas diante de Deus:
“Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado.” (Mateus 12:36)

“Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)
Encha o seu coração com a Palavra de Deus todos os dias, para que suas palavras estejam sempre de acordo com a vontade de Deus.

Fé e Paciência


A fé é fruto de nosso espírito e é maravilhoso o que podemos fazer com ela, mas, para que nossa fé possa “ter tempo” de trabalhar, é necessário um outro fruto: a paciência. Através das provas de fé, a paciência é trabalhada em nossas vidas. Isto significa que as nossas orações, em geral, não serão atendidas tão logo as façamos, mas teremos que aguardar o tempo de Deus enquanto pacientemente semeamos.
“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes {ou vos forem enviadas várias provas} em várias tentações,sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.” (Tiago 1:2-3)
Precisamos entender que nossas orações funcionam de forma semelhante a sementes lançadas em um terreno: precisamos cuidar da terra, adubando-a e regando-a, para que, a seu próprio tempo, produza frutos.
“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” (Hebreus 10:36)
Em muitas traduções a palavra “paciência” está como “perseverança”. A perseverança significa, segundo o dicionário Michaelis, não mudar de intenção ou orientação. Precisamos permanecer firmes, sem alterar a nossa confissão de fé, entendendo que é necessário a paciência para que as nossas orações produzam efeito. Sem paciência, nossa fé não terá tempo de agir:
“Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas.” (Hebreus 6:12)

Como a Fé é Gerada?


Como já dito, Deus revela ao homem realidades que não podem ser atestadas pelos sentidos físicos, portanto precisam ser recebidas de outra forma, através da fé. Quando damos ouvidos à voz de Deus, não endurecendo nossos corações, a fé é plantada através da pregação da Palavra:
"Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?
(...)
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus."
(Romanos 10:14,17)

Quando cremos na Palavra, recebemos o poder de Deus que foi disponibilizado por Sua graça através de Jesus. A fé nos permite acessar a Graça de Deus e obtermos a salvação comprada pelo Senhor através de Seu sacrifício. Esta salvação inclui, mas não se limita a, o perdão de pecados e a vida eterna, contudo, podemos dizer que todas as bênçãos que foram prometidas por Deus ao Seu povo podem ser acessadas através da fé.

Além de todas as bênçãos, todo o poder para sermos completamente libertos do pecado e incorporarmos a natureza divina encontra-se disponível através da Palavra, podendo ser acessado através da fé:
"Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude;
Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo." (2 Pedro 1:4)
Observamos aqui que toda a capacidade necessária para vivermos uma vida vitoriosa em Cristo já nos foi dada por Deus, mas é necessário que tenhamos o conhecimento desta realidade, e não apenas isso, este conhecimento precisa ser real dentro de nosso coração de tal forma que nos leve a agir.

Crescendo em Fé


Assim como nossos músculos se fortalecem na medida em que nos alimentamos corretamente e os exercitamos, assim também a fé irá crescer quando alimentarmos nossa alma com a Palavra e nos exercitarmos na prática dela.

O objetivo da fé é nos dar acesso à salvação providenciada por Deus em Jesus e, portanto, a fé é uma porta para que o caráter e natureza de Deus habite em nós. Quando Cristo habita em nós, passamos a andar em amor que, conforme já vimos, é a própria natureza de Deus. Vemos que não há como crescermos em fé sem crescermos também em amor.
"Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros." (2 Tessalonicenses 1:3)
"Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos;" (Colossenses 1:4)
De fato, a fé só "opera", ou seja, "funciona", quando está conectada ao amor de Deus em nós. Podemos dizer que a fé deve nos levar a andar em amor e não deve estar dissociada dele.

Orando no Espírito Santo


Uma outra forma de crescermos em fé é dedicarmos tempo para orarmos no Espírito Santo, ou seja, orarmos em línguas. A Palavra de Deus diz que o que ora em línguas edifica-se na si mesmo, já em Judas, Deus nos mostra que esta edificação é sobre a nossa fé:
"Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo." (Judas 1:20)
Não vou me deter muito neste tema, por fugir um pouco do centro de nosso assunto, mas vou resumir aqui o que considero de maior importância.

Nossa mente natural não compreende as coisas do Espírito Santo, pois não foi criada para interagir diretamente com o mundo espiritual (para isso, Deus nos deu um espírito). Então, apesar de termos o conhecimento da Palavra em nossa mente, ela não alcança toda a dimensão do mundo espiritual, por isso mesmo precisaremos orar em línguas, pois quando o fazemos, o nosso espírito está orando.

Nosso espírito está em contato pleno com o Espírito Santo e, por isso, sabe orar como convém. Portanto, ao orarmos em línguas, estaremos orando de acordo com a perfeita vontade de Deus e seremos edificados em nossa fé, apesar de nosso entendimento não compreender o que estamos falando. Todas estas coisas que falei estão explicadas em 1 Coríntios 14 e você mesmo poderá conferir.

Conclusão


Concluímos com esta lição a parte do fruto do espírito. Não entrarei em detalhes sobre as demais características deste fruto, mas incentivo você na fazer isto. Busque nas Escrituras as ocorrências das palavras: longanimidade (ou longânimo), benignidade (ou benigno), bondade (ou bom), mansidão (ou manso) e a temperança (domínio próprio).

Dedicar tempo para meditar nas Escrituras é o primeiro passo para conhecermos quem somos em Cristo e passarmos a andar de acordo com tal realidade.

Que a paz de Cristo seja com o seu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Andando em Espírito 8 - A Paz do Senhor


No mundo em que vivemos, enfrentamos todo tipo de dificuldade em nossas vidas. Nestes últimos tempos, tem sido difícil experimentar a sensação de paz. A ameaça terrorista, o crescimento da violência, as incertezas na economia, dentre outras coisas, têm roubado a paz de muitas pessoas.

Seria possível termos paz em meio a todas essas circunstâncias contrárias?

A resposta é: sim! Jesus nos dá paz; não, porém, uma paz circunstancial, mas uma paz que vem do próprio Reino de Deus e que domina os nossos corações, nos guardando das angústias e medos deste mundo.

O Deus de Paz


Quando Gideão viu o anjo do Senhor face a face, ficou muito atemorizado e achou que iria morrer. O Senhor lhe disse para estar em paz, pois não morreria. Então, Gideão edificou um altar e chamou-o de "o Senhor é paz" (Jeová Shalom).
"Então viu Gideão que era o anjo do SENHOR e disse: Ah, Senhor DEUS, pois vi o anjo do SENHOR face a face.
Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo; não temas; não morrerás.
Então Gideão edificou ali um altar ao SENHOR, e chamou-lhe: O SENHOR É PAZ; e ainda até o dia de hoje está em Ofra dos abiezritas."
(Juízes 6:22-24)

Além de não morrer após ter visto o anjo do Senhor, Gideão recebeu a bênção da paz e da confiança quando Deus falou "paz seja contigo; não temas". Assim, o Senhor começava a se revelar como um Deus que dá paz aos homens.

Quando os anjos anunciaram o nascimento de Jesus para os pastores, eles disseram que haveria "paz na terra". Isto não significava que a terra estaria em paz, não era a "paz entre os homens" que o anjo falava, mas sim a paz de Deus para com os homens, não lhes imputando os seus pecados.
"E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:
Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens."
(Lucas 2:13-14)
Jesus veio para que pudéssemos ter paz com Deus, pois nossos pecados nos tornavam inimigos de Deus.
"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;" (Romanos 5:1)
Agora, sem a barreira do pecado, temos condições de desfrutar da bênção da paz que Deus nos concede. Além de ser "amor", Deus também é "paz". Ao quebrar a barreira que havia, Jesus nos possibilitou ter novamente a Presença de Deus dentro de nós, isto é, ter de volta a paz que é inerente a Deus:
"E o Deus de paz seja com todos vós. Amém." (Romanos 15:33)

Já Temos Paz


Esta paz não é uma paz circunstancial, mas uma paz eterna a qual temos direito quando recebemos Jesus como nosso Salvador e nos tornamos filhos de Deus:
"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14:27)
A paz que o mundo dá depende da situação do momento, ou seja, é circunstancial e momentânea. A paz que Cristo nos deixou não é a do mundo, é a paz DELE, que Ele tem por ser Deus encarnado. Esta é a paz que Jesus nos dá! Esta paz é uma paz que é característica do próprio Reino de Deus, assim como ensinei com relação à alegria:
"Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo." (Romanos 14:17)
O Reino de Deus é um lugar onde há paz perene. Nossos espíritos estão no Reino de Deus, pois nasceram lá e pertencem a este lugar de paz. Quando colocamos nossas mentes nas coisas do Reino, podemos andar em paz, mesmo quando, aqui na terra, as situações têm a capacidade de tirar-nos a paz.

Assim, o primeiro passo para andarmos dando o fruto da paz é exatamente crer que já a temos em Cristo Jesus!

Pondo Nossa Mente em Cristo



Nós não temos controle sobre todas as situações que nos envolvem neste mundo material. Por mais que nos esforcemos para evitar situações perigosas ou estressantes, fatalmente, seremos atingidos por alguma em um momento ou outro de nossas vidas. O próprio Jesus nos advertiu sobre tal coisa:
"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." (João 16:33)
Neste mundo caído, o inimigo opera através dos homens para tentar roubar nossa paz. Em especial, temos hoje em nosso país - o Brasil - uma crescente situação de violência e crise econômica que podem nos deixar completamente temerosos e inseguros. Dia a dia, somos bombardeados de más notícias sobre violência quando ligamos a TV ou lemos as notícias.

Como, então, podemos ter paz em meio a tantas notícias ruins?

Bem, precisamos evitar alimentar nossa alma com as más notícias, e passar a nos alimentar com a boa semente do Evangelho, que significa exatamente "boas notícias".

A paz que Jesus nos deixou, irá se manifestar em nossos corações quando pusermos nossas mentes em Deus, permitindo que a semente da Palavra se torne uma árvore frondosa em nossos corações, e que as verdades das Escrituras se tornem uma rocha sólida dentro de nós.
"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti." (Isaías 26:3)
Somente a confiança plena nas verdades da Palavra é que fará com que nossa mente esteja em Deus e não no mundo. Veja bem, quando aceitamos a Cristo, nascemos de novo espiritualmente e nosso espírito está em paz, no Reino de Deus. Contudo, fisicamente, estamos aqui na terra, onde nem sempre teremos situações de paz.

Desta forma, haverá o conhecido conflito "carne x espírito" guerreando por nosso coração. O elemento chave é a "alma" (nossa mente)! A realidade na qual nossa mente estiver ligada determinará se desfrutaremos de paz ou de medo, angústia, etc.

Assim como acontece com os demais "frutos" do espírito, tais como amor, alegria, bondade, etc. desfrutar de paz em meio ao caos deste mundo requer um esforço no sentido de tirarmos o foco do mundo caído e pormos nossa mente em algo invisível. Além disso, é um crescimento em Deus, ou seja, leva tempo.

Paz e Segurança


Se você tiver observado, boa parte dos versículos que falam sobre paz também citam a segurança. Isto mostra que a paz está intimamente ligada a uma sensação de segurança. O salmista afirmava que dormia em segurança porque sabia que Deus o guardava:
"Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança." (Salmos 4:8)
Como vivemos em um mundo de muita insegurança, se não confiarmos na proteção dada pelo Senhor, estaremos fadados a uma vida sem paz. Precisamos aprender a confiar e usufruir da segurança e direção que Deus nos dá através desta aliança que temos com o Pai.

O famoso Salmo 91 fala sobre uma segurança tremenda que Deus dá para aqueles que se protegem debaixo da sombra do Altíssimo:
"Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
(...)
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti."
(Salmos 91:1,7)

É algo tremendo não é? Mas para muitas pessoas cristãs, isto é apenas um belo poema, porque elas não sabem como se colocar debaixo desta sombra a fim de receber proteção. O que seria esta "sombra" dada por Deus?

A resposta pode ser encontrada no próprio Salmo 91, conforme veremos agora:
"Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei."
(Salmos 91:14-15)
Quero falar sobre dois pontos que nos mostram como permanecer debaixo desta poderosa sombra, onde seremos protegidos do mal e onde podemos desfrutar desta paz e descanso.

Obedecendo a Palavra


Jesus explicou que o que ouve a Sua Palavra e a pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre uma rocha, e que, assim fazendo, foi capaz de resistir firme contra as intempéries da vida. Já o que ouve e não pratica a Palavra é como um tolo que constrói sua casa sobre um fraco fundamento de areia, e que, ao enfrentar as tribulações da vida, cai com grande queda (Mateus 7:24-27).

Isto mostra que quando ouvimos a Palavra e a praticamos, estamos nos colocando sob esta sombra, a qual nos guarda do sol causticante que representa a tribulação e perseguição que sofremos (veja a explicação da parábola do semeador sobre a semente plantada em terra pedregosa, em Mateus 13:21).

Assim, quando atendemos ao que Deus nos fala, além de estarmos construindo nossas vidas sobre verdades eternas, também nos pomos em uma situação onde Deus pode nos proteger de todo o mal. Mas quando não atentamos para a Palavra do Senhor, e nos comportamos como ímpios, a paz fugirá de nós, pois:
"Mas os ímpios não têm paz, diz o Senhor." (Isaías 48:22)

Invocando ao Senhor


Não quero entrar em muitos detalhes sobre o tema da oração por ser um tema muito amplo, mas o verso 15 do Salmo 91 afirma "ele me invocará, e eu lhe responderei". Isto mostra que precisamos invocar, ou seja, orar e suplicar ao Senhor, para que Ele nos atenda em resposta à nossa oração.

O apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, também nos orienta a não andarmos ansiosos ou inquietos com qualquer coisa, mas apresentarmos todos os nossos pedidos a Deus:
"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças." (Filipenses 4:6)
Ao percebermos o menor sinal de inquietação em nosso coração, ou seja, qualquer coisa que comece a roubar nossa paz, precisamos, além de colocar nossa mente em Deus e Sua Palavra, apresentar nossas vidas ao Senhor orando e buscando a Sua intervenção. Se a situação for mais grave, a oração deve ser mais intensa, gerando "súplicas". Além disso, devemos "velar sobre nossas orações com ações de graças" (Colossenses 4:2), a fim de nos mantermos firmes em fé enquanto aguardamos a manifestação da promessa.

Quando tomamos estas atitudes, a consequência será a do verso que vem logo em seguida:
"E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus." (Filipenses 4:7)

Conclusão


Tudo começa ao entendermos que Deus já nos deu paz em Jesus Cristo, e que, vivendo pela fé, iremos desfrutar desta graça. Precisamos ser diligentes no sentido de colocarmos nossa mente em Deus, e edificarmos nossas vidas sobre a rocha da Palavra. Também é necessário vigiarmos em oração e súplica para que a paz sobrenatural proteja nosso coração e mente de toda inquietação.

Que esta paz sobrenatural de Deus seja com você. Amém.

Pr. Wendell Costa

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Andando em Espírito 7 - A Alegria que Fortalece


Nesta sétima lição sobre o tema "andando em espírito", quero continuar falando sobre o fruto da alegria. Você sabia que andar em alegria significa ter forças para cumprir todo o chamado de Deus na sua vida?

A vida de um verdadeiro cristão não é uma vida fácil, pois enfrentamos muita resistência espiritual e somos atribulados em praticamente todas as áreas da nossa vida. Mas Deus não nos deixou sem saída, pois providenciou uma forma de podermos nos renovar constantemente em nossas forças, a fim de podermos suportar as adversidades e prosseguir como vencedores.

Esta saída é a alegria do Senhor!

Nossa Atitude Diante das Dificuldades


O Rei Davi era um homem acostumado a enfrentar desafios. Desde a sua juventude, ele enfrentou situações que, sem a ajuda de Deus, ele não teria suportado. Quando ainda era bem jovem, lutou contra animais selvagens, tais como leão e urso, também enfrentou um gigante que era o dobro do seu tamanho chamado Golias e o venceu sem ter o mesmo arsenal.

Contudo, em uma certa ocasião, Davi enfrentou uma situação que o fez chorar com todas as suas forças, e que a grande maioria de nós talvez não conseguisse ultrapassar.

Imagine se você chegasse em sua casa e toda sua família tivesse sido sequestrada. Acredito que a maioria de nós entraria em parafuso ao ter que lidar com uma situação como esta, não é verdade? E se, além disso, todos os seus vizinhos quisessem matar você, por culparem você pela situação toda!

Pois bem, esta foi a situação que o Rei Davi enfrentou:
"E Davi e os seus homens chegaram à cidade e eis que estava queimada a fogo, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas tinham sido levados cativos.
Então Davi e o povo que se achava com ele alçaram a sua voz, e choraram, até que neles não houve mais forças para chorar.
Também as duas mulheres de Davi foram levadas cativas; Ainoã, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.
E Davi muito se angustiou, porque o povo falava de apedrejá-lo, porque a alma de todo o povo estava em amargura, cada um por causa dos seus filhos e das suas filhas; todavia Davi se fortaleceu no Senhor seu Deus."
(1 Samuel 30:3-6)
A reação de Davi e do povo foi de desespero e, por isso, choraram muito até não terem mais forças. Contudo Davi não foi vencido pela tristeza nem pelo medo de ser apedrejado, mas buscou em Deus força e direção sobre o que fazer.

Se Davi tivesse simplesmente cedido a tristeza ele teria perdido todos os seus bens e a sua família, bem como de todos os que o estavam acompanhando. É natural nos entristecermos diante de circunstâncias difíceis, mas devemos fazer como o rei Davi, que encorajou a si próprio e buscou ao Senhor para não se deixar vencer pela tristeza.

Observe que Davi teve uma atitude ativa de se encorajar no Senhor, ele não ficou apenas esperando algo acontecer. Davi tinha falhas, mas não é à toa que foi chamado "homem segundo o coração de Deus" (1 Samuel 13:14).

A Lição de Neemias


Um outro grande exemplo de alguém que não se deixou abater diante de circunstâncias contrárias foi Neemias. Ele havia sido comissionado por Deus para reconstruir os muros de Jerusalém e iniciar o processo de restauração da Nação de Israel.

Contudo, diversos inimigos se levantaram contra esta tarefa e o povo tinha que trabalhar enquanto estava vigilante, pois os inimigos poderiam atacar a qualquer momento. Ou seja, o estado era de tensão constante.

Não sei quanto a você, mas eu já trabalhei em lugares onde a situação era de tensão e reconheço que isto não é algo fácil de se lidar. Apesar de ter trabalhado em estado de tensão, minha situação não se comparava com a situação de terem pessoas querendo lhe matar enquanto você desempenha uma tarefa que Deus te deu. Esta foi a situação em que Neemias teve de liderar o povo de Deus.

Quando Neemias e o sacerdote Esdras leram a lei de Deus para o povo, eles começaram a se entristecer. Mas não era vontade de Deus que o povo dele se entristecesse, então veio a instrução para se alegrar:
"Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto não vos entristeçais; porque a alegria do Senhor é a vossa força." (Neemias 8:10)

Através de Neemias e do sacerdote Esdras, o povo de Deus foi instruído a se alegrar com grande alegria, pois isto seria fonte de força para que eles pudessem dar continuidade a tarefa que lhes havia sido dada pelo próprio Deus.

Aperfeiçoando-se no Poder de Deus


Quando lembramos da vida e obra do apóstolo Paulo, imediatamente nos vem à mente as grandes provações pelas quais ele passou. Ele mesmo relata um pouco delas:
"Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo;
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos;
Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez."
(2 Coríntios 11:24-27)
Confesso que tanto sofrimento me assusta um pouco, e nem de perto passei pelo que aquele homem de Deus passou. Como ele pôde suportar tudo aquilo e ainda nos escrever para nos regozijarmos, assim como vimos na lição passada?

Bem, o próprio Paulo conta como ele havia orado ao Senhor pedindo para que Deus o livrasse daquele "espinho na carne" que tanto o afligia. A resposta de Deus, no entanto, foi um tanto estranha, pois disse assim...
"...A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza (...)" (2 Coríntios 12:9)
Este parece ser um "não" de Deus, não é? Mas a verdade é que o Senhor estava revelando a Paulo, e consequentemente, a nós, a chave para nossa vitória diante das tribulações!

Não tenho tempo para explicar de forma mais profunda aqui, mas antes de prosseguir, é necessário explicar melhor o contexto desta situação descrita nesta passagem bíblica. Antes de mais nada, o espinho na carne que Paulo fala não foi dado por Deus como algumas pessoas entendem. O texto claramente mostra que o espinho na carne era um "mensageiro de satanás", e como satanás é adversário de Cristo, obviamente, Deus não tinha nada haver com aquele mensageiro (anjo).

Então, porque Deus não o podia remover? Bem, a resposta rápida é a seguinte: porque Deus não podia! Ora, se Deus pudesse, neste momento, remover toda influência de satanás na vida das pessoas, então, Deus teria que julgar o mundo agora! Sabemos que há, sim, um tempo estabelecido onde Ele irá fazer isto, mas não é agora.

O próprio Jesus nos advertiu que "se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa." (João 15:20). O mensageiro de satanás não "batia" em Paulo diretamente, mas o atingia através dos homens, conforme ele mesmo vem descrevendo no capítulo 11 citado antes. Se você quiser ver de onde Paulo tirou a expressão "espinho" se referindo a pessoas, leia Josué 23:13 e Juízes 2:3, em ambos os casos a palavra "espinho" referia-se aos habitantes da terra de Israel, pois caso não fossem expulsos, seriam usados por satanás para atacar o povo de Deus.

Dito isto (não com tanta profundidade quanto o tema merece), passemos a estudar a resposta dada por Deus para Paulo.

Considerando que Paulo era um instrumento poderoso nas mãos de Deus, e que satanás havia designado um demônio só pra tentar destruí-lo; considerando que havia homens dispostos a serem instrumentos do diabo para perseguir Paulo e que ainda não é chegado o tempo do juízo final, onde os pecadores serão eternamente separados dos justos, Deus revela a Paulo o grande "segredo":
"E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." (2 Coríntios 12:9)
O apóstolo compreendeu a Palavra do Senhor e decidiu se gloriar (exultar) em meio a todas aquelas dificuldades, pois assim fazendo, o poder de Cristo o sustentaria. Já não seria mais Paulo operando na terra, mas sim Cristo nele.

Exercitando a Fé


Através de Tiago, Deus também nos mostra que é em meio às provações que temos a oportunidade de pormos em prática a fé de forma a que a natureza de Deus produza em nós fruto:
"Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações,
sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança [ou "paciência"]; e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma."
(Tiago 1:2-4)
Não há como crescermos no fruto do espírito se não pusermos em prática a Palavra de Deus nos tornando experimentados nela. Só a prática da Palavra nos fará crescer.

Acredito que todos nós, cristãos, desejamos crescer espiritualmente, adquirindo sabedoria e maturidade para cumprir nossa missão na terra, sermos prósperos e frutíferos para a glória de Deus. Contudo, quando enfrentamos uma situação de adversidade, seja provações ou perseguições, nos desesperamos e achamos que Deus nos abandonou.

Embora que creia que Deus não seja o autor das provações que nos atingem, Ele nos promete que está conosco em meio a elas, jamais nos deixando nem nos desamparado, e fornecendo a sabedoria e o poder para que possamos passar pelas provações e nos tornarmos mais maduros em Cristo. Mas precisamos aproveitar os momentos de provação para exercitarmos a fé, andando em alegria, mesmo quando a situação for, no natural, de tristeza ou de desespero.

Se não usarmos os momentos de provação para exercitar a nossa fé, perderemos a oportunidade de crescer e sair do estágio de infância espiritual, onde muitos cristãos estão. O escritor aos Hebreus adverte sobre isto:
"Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino.
Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal."
(Hebreus 5:13,14)
Observe que o discernimento só vem com a experiência, onde você aplicou a Palavra em uma situação adversa, obteve a vitória e cresceu em decorrência disto. Quando você aplica a Palavra, você cresce no fruto do espírito.

Para crescer na alegria de Deus, é necessário encorajar-se a si mesmo no Senhor e buscar se alegrar nas verdades da Palavra, principalmente em momentos de adversidade. Você cresce no fruto, não é algo que já venha pronto.

Conclusão


Concluímos, com esta lição, a parte do fruto do espírito no que diz respeito à alegria, mostrando como, através dela, Deus nos fornece força para vencermos as batalhas em nossa carreira cristã.

Que a paz do Senhor Jesus seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Acessando a Graça pela Fé



A Palavra nos diz pra não nos desviarmos nem para a esquerda, nem para a direita, não é? Isto mostra que existe um equilíbrio entre tudo o que a Bíblia ensina. Muitas pessoas acham que Deus é "soberano"... e isso eu concordo, desde que seja respeitada a definição da palavra "soberania".

Por exemplo, o Brasil é soberano perante as demais nações, isso significa que ele decidirá seus assuntos sem ter que estar submisso a um outro país ou pessoa. Um rei é um soberano em um país, ou seja, não existe ninguém acima dele em termos de autoridade.

Assim sendo, Deus é sim "soberano", desde que esta definição da palavra seja respeitada, mas quando se diz que "tudo o que acontece no mundo é porque Deus quer, já que ele é soberano" se está extrapolando o conceito de "soberania". Assim como nem tudo o que acontece dentro do Brasil está de acordo com as leis brasileiras, assim também, nem tudo o que acontece neste mundo está de acordo com a vontade de Deus.

De fato, ocorre exatamente o contrário, pois este mundo jaz no maligno e a vontade de Deus não ocorre aqui de forma automática. É necessário buscar tal vontade, e há um esforço para que ela se manifeste aqui. Uma das principais áreas onde precisamos fazer este esforço é exatamente exercer nossa fé na oração, a fim de que "a vontade de Deus seja feita aqui na terra como é feita no Céu".

Assim sendo, crer que Deus fará a vontade d'Ele independentemente de nossa fé é algo que nos levará ao comodismo, pois acreditaremos que nossas orações serão apenas "palavras vãs", já que Deus fará o que Ele quiser e ponto final.

Digamos que este é um "desvio para a direita", pois assim pensando, a pessoa não terá interesse em exercer sua fé em nenhuma situação, por acreditar que Deus fará o que for a Sua vontade, e nada do que você fizer vai mudar isso.

Vamos, agora, entender que existe uma outra distorção, ou seja, um "desvio para a esquerda"!

Existem outros cristãos que afirmam que, através da nossa fé, nós geramos realidades espirituais, pois "movemos o braço de Deus". Tais ensinamentos são no sentido de que, quando andamos em fé, podemos gerar qualquer coisa que quisermos, pois:
"Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê." (Marcos 9:23)
É comum tais pessoas usarem o Velho Testamento, naquela ocasião em que Jacó lutou com o anjo, para afirmarem que é necessário "lutar com Deus", em oração, para que Ele te abençoe.

EUGENE DELACROIX, 798 - 863: Jacob wrestling with the Angel. Chapel of the Holy Angels, St Sulpice, Paris.


Além desta ocasião, algumas outras passagens bíblicas, tais como "a parábola do juiz iníquo" (Lucas 18:1-8) e a "parábola do amigo importuno" (Lucas 11.5-8) são retiradas de seu contexto e usadas para se ensinar que precisaremos "dobrar" a vontade de Deus através da nossa insistência em oração.

Isto traz sobre nós uma carga muito pesada, pois vencer Deus não é algo que podemos chamar de "fácil". Existe um equilíbrio no Novo Testamento, onde é necessário exercer fé, não para "forçar" Deus a fazer o que se está pedindo, mas para acessar o que Ele, pela Sua graça, já proveu para nós em Cristo!

A Fé do Novo Testamento


Mas o que realmente significa "fé", dentro do contexto da Nova Aliança? O que ela produz, se é que produz alguma coisa?

Bem, se olharmos o conceito de fé, veremos que a fé é como que os nossos "olhos espirituais", os quais permitem que possamos enxergar algo invisível mas real.
"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem." (Hebreus 11:1)
A fé permite que acessemos o que já foi preparado por Deus para nós, mas ela não gera nada "novo", apenas dá acesso que já está pronto no âmbito do espírito.
"Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus." (Romanos 5:2)
Desta forma, não temos como gerar nada nas regiões celestiais por meio da fé, como que forçando Deus a agir em resposta à nossa fé. Deus não age em resposta à nossa fé, mas sim, nós, pela fé, acessamos o que Ele já preparou para nós.

Mas você pode dizer: "a Bíblia diz que a fé pode remover montanhas"...

Ocorre que, através da fé, aquilo que Deus já prometeu e nos deu em Cristo vem a se tornar realidade material. Neste sentido, podemos dizer que a fé gera realidades materiais, pois libera o poder de Deus que já nos foi dado e que está "sobre nós" e "em nós".
"E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder." (Efésios 1:19)
"Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera." (Efésios 3:20)

A primeira parte do livro de Efésios traz as revelações sobre tudo o que Deus já fez em Cristo, e por isso, boa parte dos verbos estão no pretérito ou no presente, pois falam de coisas que já aconteceram.
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;" (Efésios 1:3)
As bênçãos, apesar de serem algo imaterial, possuem o poder de gerar coisas materiais. Então, isto mostra que toda a provisão que Deus preparou para nós já está disponível em Cristo, no âmbito do espírito. A nossa fé servirá de acesso para que tais bênçãos se manifestem no mundo físico através da Lei da Semeadura: semeamos no reino espiritual e este reino se manifestará no mundo material.

Entender que, em Cristo, Deus já nos abençoou plenamente tira um peso de nossos ombros, pois tentar forçar Deus a fazer alguma coisa e nos abençoar (lutar com Deus) não é uma coisa fácil. Muitos crentes estão cansados e fatigados pois estão tentando lutar com Deus para que Ele os abençoe!

Em Cristo, as Promessas são SIM


Deus estabeleceu o caminho da fé para que pudéssemos receber tudo o que Ele, em Sua misericórdia, preparou para nós. Todos os pecados do mundo, em todas as épocas, já foram pagos em Cristo.
"E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." (1 João 2:2)

Infelizmente, por mais que os pecados da humanidade já tenham sido pagos, esta graça só é acessada através da fé. A fé é nossa resposta à verdade da Palavra de Deus. Quando ouvimos e cremos na promessa, ganhamos acesso ao poder disponível para que tal promessa se manifeste em nós.

Jesus já pagou todo o preço que era necessário, pois Ele viveu uma vida justa, sem pecado, morrendo na cruz e atraindo todo o juízo de Deus para que, n'Ele, nós pudéssemos receber a bênção de Abraão. Desta forma, Deus não vai negar nada ao Seu Filho, e, por isto, em Cristo, todas as promessas são "sim":
"Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós." (2 Coríntios 1:20)

Recebendo Cura do Senhor


Quando cremos e oramos por cura, por exemplo, não estamos fazendo com que Deus faça provisão de cura para nós. Na verdade, a provisão para a nossa cura já foi feita quando Jesus fez o Seu sacrifício:
"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido." (Isaías 53:4)
O tempo verbal aqui está no passado. Isto mostra que, na cruz, Jesus já levou toda a doença. Então, a provisão para a cura já foi feita, Deus já nos abençoou com saúde. Falando da Nova Aliança, Deus, através do profeta Jeremias assim declarou:
"Eis que eu trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de verdade." (Jeremias 33:6)
Todas as promessas que foram feitas na Velha Aliança se cumprem em Cristo. Portanto, n'Ele, já temos esta bênção. A fé, tão somente, irá dar acesso a esta graça, ou seja, a nossa fé na Palavra irá liberar o poder que acompanha a Palavra de Deus. Vemos isto claramente quando o apóstolo Paulo ministrou cura a um homem aleijado, pois a fé daquele homem liberou o poder de cura:
"E estava assentado em Listra certo homem leso dos pés, coxo desde o ventre de sua mãe, o qual nunca tinha andado.
Este ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos, e vendo que tinha fé para ser curado,
Disse em voz alta: Levanta-te direito sobre teus pés. E ele saltou e andou."
(Atos 14:8-10)
Veja que Paulo não orou a Deus pedindo para curar aquele homem, mas apenas foi um agente "liberador" do poder de Cristo, para que a cura se manifestasse. Deus já fez provisão de cura quando Jesus morreu e ressuscitou por nós.

Recebendo a Paz


Vamos falar sobre a paz. Se você está precisando de paz, é necessário saber que tal paz já nos foi dada. Assim como acontece no que diz respeito à cura, Deus também não irá gerar paz para nós através de nossa fé, pois Jesus já nos deixou a Sua:
"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14:27)

Através da fé na Palavra, e consequente obediência, podemos ter acesso a esta paz que já está em Cristo, disponível para todo o que crê. Quando nossa mente está firme na palavra, nossa alma estará ancorada em Cristo, e podemos andar em paz, a despeito das circunstâncias ao nosso redor.

"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti." (Isaías 26:3)

Conhecendo Nossa Salvação


O que nós precisamos fazer é conhecer o que nos é dado gratuitamente em Cristo, a fim de tomarmos posse desta herança. Nossa fé não terá capacidade de obter coisas que Deus já não proveu em Cristo.

Algumas pessoas já vieram até a mim para pedir que eu orasse por coisas que eu não podia orar, pois sabia que não eram de acordo com a vontade de Deus. Você só receberá do Senhor aquilo que faz parte da aliança feita através de Jesus.

Imagine um ladrão de banco que encontra você em um evangelismo. Daí, ele pede pra você orar por ele, para que, no próximo assalto, Deus o proteja e ele não seja morto pela polícia, e ainda escape com o dinheiro roubado. Será que o Senhor irá atender esta oração?

Obviamente não, porque assaltos não fazem parte da aliança feita conosco em Jesus. Não há nenhuma promessa de Deus que diga que podemos assaltar em paz e sermos bem sucedidos. Muito pelo contrário, a palavra diz que "o que furtava não furte mais" (Efésios 4:28).

Assim, é necessário conhecermos quais são as bênçãos que nosso Pai já preparou através de Seu Filho. Precisamos conhecer, através da Palavra revelada pelo Espírito, aquilo que nos é dado nesta aliança que temos com Cristo:
"Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus." (1 Coríntios 2:12)
Por esta razão, o apóstolo Paulo, após escrever os primeiros versos de Efésios, onde Deus nos revela o que Ele fez provisão para nós na Nova Aliança, não pede para Deus "abençoar os Efésios". De fato, se analisarmos a oração do apóstolo, veremos que o que ele pede é para que Deus os ilumine:
"Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;
Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;"
(Efésios 1:17,18)

Tudo o que a igreja precisava era "conhecer" o que Deus já havia feito por ela através da obra redentora de Jesus. Quando somos iluminados, a nossa fé nos permitirá o acesso ao que Deus preparou para nós, nesta vida e no porvir.

Que a paz do Senhor seja com o teu espírito. Amém.

Pr. Wendell Costa

Não estejam inquietos por coisa alguma

Imagem 1: a ansiedade tem atingido boa parte da população. Viver uma vida sem preocupações e inquietações é praticamente uma utopia nos dias...